Cultura e Sexualidade

Cultura e Sexualidade: uma perspectiva histórica

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Neste artigo, entenderemos sobre a relação entre Cultura e Sexualidade.

O Brasil é tido com um país que culturalmente foi desenvolvido pela via do cristianismo, nosso desejo aqui não é realizar um estudo sobre quais outras representações religiosas e culturais ele possui, mas realizar uma abordagem crítica da história da sexualidade e algumas condições em que iniciaram alguns valores culturais dentro do cristianismo, cultura essa representada anteriormente pela Grécia e por Roma.

Cultura e Sexualidade na filosofia grega

A filosofia grega inicia as especulações sobre a origem do homem e do mundo no Ocidente e dentre esses assuntos, era também discutido a moralidade, ela procurava harmonizar a beleza física e intelectual, o sexo era visto como uma necessidade inerente ao ser humano, onde o homem gozava de mais privilégios que a mulher. Já em Roma o povo tinha uma atitude mais naturalista em relação ao sexo, ligava religião ao sexo, mesmo usufruindo de um comportamento sexual brutal.

A intensa repressão da sexualidade existente no cristianismo, se explica porque as civilizações Greco-romanas estavam em decadência, e o povo judeu que deu origem aos cristãos era um povo do Oriente que possuíam regras claras e rígidas em relação a sexualidade onde o ato sexual era unicamente realizado com o propósito da procriação. Porém esse ensinamento não é sistematizado nos diversos textos bíblicos onde não se tem referência alguma sobre o matrimônio com a finalidade única de procriação.

Através dessa análise, sugere-se que a rejeição ao prazer físico não tem origem nos textos bíblicos, mas sim nas interpretações da época, principalmente em santo Agostinho, que após converter-se, formula uma moral sexual que implica na repressão, pois lutava contra a própria sexualidade, influenciando assim todo pensamento e moral da época e posterior a ele. Por isso, a ascendência da igreja na idade média, acaba por transferir valores relativos ao sexo, no pensamento agostiniano que tem como base o neoplatonismo, o qual influi decisivamente no pensar a sexualidade no Ocidente cristão.

São Tomás de Aquino, Cultura e Sexualidade

São Tomás de Aquino, outra figura importante para a normatização da sexualidade. A mulher em seu tempo ocupava uma posição medíocre na sociedade, uma esposa servia para gerar filhos e a amante para satisfazer a luxúria da nobreza. Com o movimento renascentista, a religião se separa da ciência e da moral, essa mudança de ideal fora gradual e não abrupta, mas este declínio de espiritualidade esteve intimamente ligado a baixa reputação, onde até mesmo as prostitutas tinham autonomia para trabalharem em suas próprias casas, pela primeira vez desde a antiguidade.

Neste período a epidemia de sífilis flagelou a humanidade. Por outro lado a arte renascentista ficou marcada pelos artistas da época, estes cujas vidas foram pautadas pela grande liberdade sexual, onde bordéis funcionavam livremente com plena autorização. Neste ínterim a reforma protestante assume um dos vieses do pensamento, que insurgiu contra a dissolubilidade do casamento, o celibato e a virgindade, alegando que aqueles que não pudesse viver em castidade pudessem se casar, pois muitos padres tinham filhos ilegítimos na época.

As transformações sociais são enormes e o processo de aburguesamento das cidades, influenciaram nos valores sociais e morais. Citamos aqui o iluminismo como sendo outra fonte de mudança para o desenvolvimento cultural que ocorreu nos séculos XVIII e XVIII. Na casa moderna do século XVII criam-se quartos separados, e o sexo passa a um domínio privado.

O sentimento de família

Houve também mudanças no sentimento de família, há uma intimidade maior entre pais e filhos, estes começam a se preocupar com a educação dos filhos, não os enviando mais a serem educados por outros e sim para a escola, Von Ussel, o qual relaciona o começo da existência de um tipo de complexidade social, pois o aumento da de socialização infantil começa a gerar fenômenos sexuais, como a masturbação, por ser uma atividade sexual solitária. A ênfase maior neste período deveria ser dada ao trabalho, ao autoconhecimento, ao autocontrole e não as emoções, nascendo assim educadores moralistas impondo novos valores morais, isso por volta do Século XVIII, marco de muita repressão sexual.

No século XIX, o sexo passa a ser considerado uma corrupção moral, com vários tabus e renegação da sexualidade, já no século XX, novas idéias são difundidas, e primeiros estudos nascem na Europa central, inicialmente pela medicina, e mais tarde sendo discutido em outras áreas da ciência. Na segunda década são registradas importantes publicações na área da sexualidade e com o advento da pílula anticoncepcional nos anos 60, o sexo passa a ser desvinculado da procriação.

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O feminismo vem com força e cria-se assim uma nova estrutura familiar, não patriarcal, onde a mulher questiona a sua liberdade e direitos iguais. Essa contracultura nasce trazendo o amor livre, o aborto, a homossexualidade e a nudez.

Conclusão

Essa reivindicação começa pela elite cultural e depois passa a exercer influência nas outras camadas sociais, até em 1968 o papa VI reafirma a moral tradicional católica condenando os métodos contraceptivos na tentativa de reter assim a considerada imoralidade. O descontrole na emancipação sexual traz consigo doenças e índice de natalidade elevada, e governos discutem a necessidade de uma educação sexual, onde temas como aborto, infidelidade, virgindade, inseminação artificial, etc. são discutidos em fóruns e congressos sobre sexualidade humana.

Um resgate da vivência da sexualidade como sendo algo inerente ao ser humano, livre de preconceitos e que aceite o momento histórico. Com relação a isso, é interessante notarmos a ênfase dada ao sexo proibido em Santo Agostinho, já no Século V, se a humanidade vive discussões e ideias acerca da sexualidade, é porque estas sempre estiveram presentes nos embates sociais, porém muito pouco ainda tem se falado sobre uma educação sexual que responda aos anseios de nossa época.

Uma educação moral relevante e livre de preconceitos, realmente poderá responder aos apelos sociais, que desafie os tempos, e que instaure um modelo ético e atual para uma nova impressão ocidental de sexualidade.

Este artigo sobre Cultura e Sexualidade foi escrito por Munir da Rosa Varela para o blog do Curso Psicanálise Clínica.

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