teologia reformada

Teologia Reformada: pensamento e aplicabilidade à vida

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Para falar em teologia reformada, iniciaremos com uma apresentação de seu significado, etimologicamente a palavra “Theos” corresponde a Deus e “logos” a estudo, ou seja, teologia é o estudo sobre Deus e tudo que se refere a ciência da religião e todo o raciocínio sobre Deus pode ser considerado como uma compreensão sobre teologia.

Entendendo a teologia reformada

Para se falar em teologia reformada destacamos um evento muito importante como a reforma religiosa do século XIV, certamente influenciou vários direcionamentos bíblicos modificando o pensamento do homem moderno, foi um marco importante na história, em 1517, liderado por Martinho Lutero, que colocou na porta da Basílica de Westminster, 95 teses que denunciava os abusos e venda de indulgências pela Igreja Católica, ou seja, a teologia reformada consistia na venda do perdão por dinheiro, em outras palavras, era uma corrupção que se espalhava dentro da igreja, pessoas usando o cristianismo e a boa fé das pessoas, estelionatários, não diferente de hoje pelo que vemos infelizmente em nosso contexto sociais e nas notícias do dia.

Isso obviamente incomodava Lutero, que passou a ler o texto sagrado a partir de momento ele passou a observar muitos erros doutrinários, falta de ética e conduta de muitos líderes religiosos, com isso ele descobri de forma extraordinária na leitura das escrituras que o justo vive por fé, a salvação não é comprada, há um só Deus que comanda tudo e todos. Então sobre a ele sabiamente traduziu a Bíblia para o idioma alemão dando a oportunidade de outras pessoas conhecerem a veracidade bíblica, antes a Bíblia era escrita em latim, isso significava que a leitura da Bíblia era restrita a um grupo de intelectuais.

E com sua sabedoria as pessoas comuns da sociedade passaram a ter entendimento no que estava escrito na bíblia, ao longo dos séculos a bíblia foi sendo traduzida em outros idiomas até chegar em nossas casas. Desta forma, aquela época de Lutero foi considerada um marco histórico para a humanidade e gerou uma crise religiosa intensa, que provocou uma divisão na igreja, ele foi excomungado da igreja católica por não aceitar os dogmas que estavam indo de encontro com a bíblia. Alguns anos depois, a Igreja Católica depois da reforma religiosa apresentou uma contra reforma e criou em 1534 a Companhia de Jesus, com a intenção também de conquistar novos adeptos. Então, eles chegaram então no Brasil 1549 e começaram a catequizar os povos indígenas que aqui viviam. Mas, eles foram perdendo seus fiéis ao longo da história, a Igreja sempre procurou estratégias para ganhar mais e mais seguidores.

Teologia reformada e as igrejas reformadas no século XVI

Para as igrejas reformadas no século XVI e dos nossos dias isso não é novidade e com o passar do tempo com as interpretações errôneas, foram surgindo outras denominações e mais recentemente movimentos pentecostais e neopentecostais que temos hoje. Com um mundo globalizado e o advento da internet, esse fenômeno espiritual de fé crença aparece cada vez mais intensa. Adentrando em contexto da teologia reformada, Deus, que é Espírito e não tem corpo como os homens e possuem tantas definições, Ele é soberano, o Supremo Rei do Universo, Ele, é quem controla o mundo, o futuro. E além de Lutero, destacamos João Calvino (1509 – 1564).

João Calvino (1509-1564), reformador renomado e de estimada sabedoria, numa rápida pesquisa, observamos que ele nasceu em Noyon, no dia 10 de julho de 1509, região da Picardia, no Norte da França. Ele ficou órfão de mãe aos seis anos de idade, desda forma foi educado e responsabilidade de um amigo de sua família. Quando se tornou adolescente foi enviado para a Universidade de Paris onde estudou Teologia. E a partir daí teve contato com sobre os pensamentos de Martinho Lutero. Calvino aderiu ao protestantismo por volta de 1532 e 1536, em Genebra, ele passou a ser conhecido como um grande “reformador universal”. Ele se tornou fundador da Academia de Genebra, que é considerada o berço do cristianismo da Europa.

Ele deixou um legado incalculado com muitas obras publicadas. O calvinismo é na verdade um patrimônio de doutrinas que se baseiam na bíblia onde abraça o sistema teológico das Igrejas Reformadas, como por exemplo a Confissão de Fé de Westminster. Calvino deixou um legado de doutrinas reformada com bases bíblicas, no século XVI temos evidências de seu posicionamento nas Institutas, ele ratifica que temos uma salvação, pela graça inefável de Deus, pela vontade absoluta do criador, seremos e já somos salvos. Salvos da natureza pecaminosa de um pecado que teve origem no Jardim do Éden, devido esse pecado de Adão e Eva, os primeiros habitantes da terra, desobedeceram e como punição perderam o livre arbítrio, agora, a humanidade não caminha com as próprias pernas, todo o universo foi corrompido.

Sobre a história do Cristianismo

Na história do Cristianismo, a predestinação, a pré-ciência de Deus, já está consolidada no Texto bíblico, revelação final, a Bíblia, do Gênesis ao apocalipse. Quando Deus envia ao mundo o salvador, Jesus Cristo, para salvar a humanidade. Ele conserta o erro daqueles que já são escolhidos para a salvação. Desta forma, o futuro já pertence ao Deus da Bíblia. O que precisa ser elucidado é o seguinte: diante dessas questões supracitadas podemos aprender que o ser humano é gerenciado por uma vontade suprema, não é uma força maior ou uma energia, mas um Criador, Salvador, consolador, Ele é trino e que na língua portuguesa denominamos Deus.

Em outros idiomas: Elohim, God, Javé, ou Yahweh, Jehovah, (יהוה, na grafia original, o hebraico) Yahweh (lê-se: Iavé ou Javé) que quer dizer ” Sou Quem Eu Sou ” ou ” Eu Sou o que Sou ” ou ainda ” Eu me tornarei o que eu decidir me tornar ” (Eu Sou). Adonai, Shaddai, Theos, força, poder, glória, majestade, domínio, o Senhor dos exércitos a quem servimos. É certo que toda teologia sistemática tenha início falando sobre Deus, Theos, quem Ele é, sua definição, se existe e porque existe, porque, nos criou? São questões que nos causam curiosidade e um anseio em querer um maior aprofundamento nos estudos de sua palavra, é incrível saber que temos provas reais de sua existência.

“ O cristão aceita a verdade da existência de Deus pela fé, contudo, esta fé não é cega, mas baseada em provas, e as provas se acham, primeiramente, na escritura como a palavra de Deus inspirada, e secundariamente, na revelação de Deus na natureza”. (BERKHOF, 2012, p.20). É evidente que definir Deus é algo não alcançável para nossa mente limitada, mas temos uma noção de quem Ele é para cada um de nós. E compreender os seus atributos, nos traz uma certeza de que somos pequenos diante de um Deus imenso. Grande é o Senhor de nossa existência. “Os nomes de Deus não são uma invenção humana, mas têm origem divina, embora tomados da linguagem humana e derivados das relações humanas e terrena”. (BERKHOF, 2012, p.47).

Teologia reformada e o Manual de Catecúmenos

Segundo o Breve catecismo citado pelo Manual de Catecúmenos, registra uma definição de Deus, a saber: “Deus é espírito infinito, eterno, imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade, e verdade” (BRAGA, 1989, p.43). Mas, sabemos que qualquer definição de Deus ainda torna-se incompleta, ninguém poderia definir Deus em sua plenitude, visto que somos totalmente limitados. Deus criou tudo que existe, Ele é aquele que governa sobre todas as coisas e administra todas as coisas. Ele governa tudo que existe ou venha a existir, Ele manda e nós só obedecemos a sua vontade.

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Deus é o Criador e administra toda sua criação. O globo está em suas mãos, Ele tem a chave da morte e do inferno. Ninguém foge à sua presença, os seus olhos estão em todos os lugares. Ele é quem decide sobre a vida e a morte. Ele predestinou todas as coisas, Ele é o alfa e o ômega, o início e o fim. E toda humanidade mesmo sem querer atende a sua voz. O texto de McGrath, faz um panorama, onde podemos pensar numa análise mais aprofundada de algumas questões sobre a doutrina de Deus, como por exemplo, se Deus possui algum gênero, se Ele pode pecar ou se é um Deus pessoal ou poderíamos pensar ainda em alguns questionamentos de pessoas que tenta saber quem é Deus, se Ele pode sofrer ou se ele pode morrer.

Em resumo, nessa pesquisa entendemos que podemos dizer que Deus se revela em duas naturezas: humana e celestial. Afirmamos que Deus é Espírito e não tem corpo como os homens, Ele criou o ser humano a sua imagem e semelhança. A Bíblia diz que os anjos não têm sexo, mas Deus em Jesus se apresenta em forma masculina. Deus tem e detém todo poder, mas em Jesus como homem, sofreu, morreu, mesmo não possuindo o salário do pecado, Ele é imutável em seu ser. A abordagem comum a essa questão define onipotência da seguinte forma: Se Deus é onipotente, portanto ele pode fazer qualquer coisa.

Teologia reformada e a relação com Deus

É claro que Deus não pode fazer um círculo quadrado, ou um triângulo redondo, pois isso é em si mesmo uma contradição lógica. Mas a ideia da onipotência divina parece implicar no fato de que Deus deva ser capaz de fazer qualquer coisa que não envolva uma contradição evidente (MCGRATH, 2005, p 332). Deus não vai fazer algo absurdo que não seja possível e desnecessário. Ele possui o poder absoluto, Ele é imutável, Ele está bem vivo ao nosso redor, nos protegendo e nos amparando. Moldando-nos a cada dia, nos faz viver em santidade e a seguir seus mandamentos. Deus é onipotente, onisciente, onipresente. Soberano em todas as coisas.

E esses questionamentos não teriam sentido em existir. Os teólogos precisam entender claramente quem é Deus e sua forma de agir. Os cristãos reformados procuram entender toda a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, cada livro com sua importância. Entender quem é Cristo, porque recebemos a salvação. E é no Antigo Testamento que encontramos uma fonte sobre a natureza e o caráter de Deus, da revelação e da majestade de Deus em nossa vida. Toda e qualquer definição sobre Deus seria sem conclusão, ninguém conseguiria definir Deus, as definição que existe e que foram algumas citadas é simplesmente aquilo que Ele permitiu que soubéssemos.

Ele é um ser absoluto, imutável, infinito, imenso, soberano, planejou esse momento de estudos e reflexão sobre Sua pessoa. O Deus único e verdadeiro, o Deus trino. O termo trindade não consta nas escrituras, mas as ações da trindade são evidentes do início ao fim, um dos textos na Bíblia em que podemos destacar é o de Gênesis 1.26, quando diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Quando o verbo diz façamos, tem mais de uma pessoa. E no texto de Grudem registra praticamente como um resumo desse trecho bíblico, ele fala basicamente sobre a revelação completa da Trindade no Novo Testamento.

O batismo de Jesus e a teologia reformada

Quando do batismo de Jesus, “eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16-17). Aqui, ao mesmo tempo, temos os três membros da Trindade realizando três ações distintas. Deus Pai fala de lá do céu; Deus Filho é batizado e depois ouve a voz de Deus Pai vinda do céu; e o Espírito Santo desce do céu para pousar sobre Jesus e dar-lhe poder para o seu ministério. (GRUDEM, 1999, p. 168).

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    É sem dúvida, um entendimento complexo, principalmente, para explicar aos que ainda são incrédulos, mas aquele que fora alcançado pela graça inefável de Deus consegui ter a compreensão do Deus trino, a doutrina da Trindade é um mistério que jamais seremos capazes de entender em sua plenitude. Mas, o autor Grudem continua explicando na página 169, ele tenta resumir essa veracidade com três declarações:

    1. Deus é três pessoas;
    2. Cada pessoa é plenamente Deus;
    3. Há só um Deus.

    Essa simplicidade em suas declarações não parece tão simples. Entretanto, é grandioso afirmar que Deus é o criador supremo, Jesus é o verbo que veio habitar entre nós e o Espírito Santo, é o consolador no qual Jesus disse que iria ficar conosco quando fosse assunto aos céus. E essas três pessoas referem-se a um só Deus. Temos vários exemplos nas escrituras que provam a supremacia e majestade do Deus trino, único e verdadeiro Senhor.

    O antigo testamento

    No antigo Testamento diz o seguinte: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6.4); E ainda registra-se no texto sagrado “Assim diz o Senhor, Rei de Israel, seu Redentor, o Senhor Deus dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e além de mim não há Deus” (Is 44.6); E ainda temos como consolidar em êxodo no antigo testamento: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3); Nesses textos podemos resumir o poderio de Deus em sua Onipotência.

    Quando estudamos o Novo Testamento, vislumbramos um texto de fundamental importância que todo cristão deveria ter em mente que desmancha por completo as ideias dos “testemunhas de Jeová”, quando na Bíblia registra a fala de Jesus, “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30); E não só isso, muitos são os argumentos bíblicos, temos como exemplo o livro de Tiago que diz: “Crês, tu que Deus é um só? Fazes bem” (Tg 2.19); Toda Bíblia do Gênesis ao Apocalipse traça um caminho de ação pela trindade, Deus comanda o universo a história da humanidade por meio de três funções que não pode ser confundido por pessoas sem conhecimento bíblico por três deuses, mas Ele é um Deus trino com três maneira de se apresentar ao seu povo ao longo da história.

    Vejamos mais alguns exemplos de textos do Novo Testamento: “Sabemos que o ídolo de si mesmo nada é no mundo, e que não há senão um só Deus” (1Co 8.4); e ainda em outro texto vemos o seguinte: “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Ef 4.5,6); e a Bíblia não cessa de exemplos, é impressionante descrever o trecho de apocalipse quando afirma em seus escritos : “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim” (Ap 22.13).

    O mistério de Deus e a teologia reformada

    Em todos esses textos supracitados, seria óbvio dizer que Deus é Um, Deus é único e verdadeiro Deus que sempre esteve presente com seu povo apresentando-se de três maneiras diferentes. Embora não tenha na Bíblia a palavra trindade, visualizamos de forma explícita as funções do Criador, Salvador e Consolador. Parece algo misterioso. Um mistério que só a Deus pertence e que talvez nunca saibamos os motivos de seu projeto para a humanidade. Como Deus sendo Criador do céu e da terra, Ele planejou criar o ser humano e este foi capaz de trair seu próprio criador, por causa disso, o homem perde o livre arbítrio em relação a salvação e toda humanidade sofre por esse pecado.

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    O homem cometeu o pecado da desobediência e assim transformou toda humanidade em decadência espiritual e só pelo sangue de Jesus o filho de Deus, o próprio Deus que seria enviado ao mundo com a missão de salvar, redimir esse pecador poderia restaurar essa humanidade novamente. Jesus Cristo como seu filho, sendo Ele o próprio Deus encarnado vem para ser sacrifício por nós. O filho 100% homem morre e 100% Deus ressuscita para mostrar seu poder e glória, garantindo-nos a vitória sobre o pecado, adquirindo assim a vida eterna, uma volta ao paraíso.

    O filho de Deus, Jesus Cristo, 100% Deus, o próprio Deus, volta ao céu dizendo que deixaria o consolador conosco. Podemos dizer que do Gênesis ao Apocalipse, a Trindade se faz presente. Mas, só a fé salvadora nos faz entender a humanidade e a divindade de Cristo, A Onipotência do Deus Senhor de todas as coisas e a presença do Espírito Santo que veio sobre Jesus em forma de pomba e encontra-se no meio de nós. Esse é o Deus do Cristianismo, o Deus que cremos, o Deus a quem servimos e adoramos.

    O Rei do universo

    O Deus, Rei do universo, dono do tempo, um Espírito que não tem corpo como os homens, mas se fez um de nós. O seu Filho, fora gerado por obra do Espírito Santo, sem relação sexual, não precisou nem de um espermatozóide celestial, mas apenas pela sua ordem, a fecundação foi feita pela vontade divina, Jesus foi gerado no ventre de uma mulher humana sem o uso de meios naturais para a gestação de uma criança, Jesus homem foi enviado ao ventre de uma escolhida, Deus escolheu Maria para gerar e cuidar da infância de Jesus, talvez por algum atributos que ela possuía, era chamada de bem aventurada. Depois que Jesus é crucificado e estando morto o seu corpo não entrou em estado de decomposição, seu corpo era divino.

    Ao terceiro dia, Ele ressuscita, vence a morte e nos liberta do pecado. Está consumado, “Tetelestai”, é o termo usado em grego para dizer que sua obra foi concluída, foram essas as últimas palavras de Jesus quando estava na cruz, realmente é sublime pensar num Deus que oferece a sua vida para restaurar a obra de sua criação. O Espírito Santo, terceira pessoa da Trindade, se manifesta na hora do batismo e está no meio de nós, sentimos sua presença, sua proteção, seu consolo. Não estamos sozinhos, o Espírito Santo está aqui neste momento, na leitura dessas simples palavras desse estudo e em meio ao período pandêmico que estamos enfrentando Ele está cuidando, amparando, curando, restaurando, transformando.

    O consolador prometido, santificador de nossa existência. “ Eis, que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28.20). É de suma importância o estudo das doutrinas sistemáticas, na doutrina da trindade, visualizamos como um mistério, estamos cercados de mistérios, vivemos sem saber os motivos e os porquês onde a cada dia temos uma descoberta de novos conhecimentos a respeito do mundo e a respeito da grandiosidade do nosso soberano Deus. Essas doutrinas são paradigmas ao Cristianismo e ao nosso amadurecimento espiritual. Sem elas podemos ser atraídos por ventos de conhecimentos errôneos e falaciosos a respeito de Deus.

    Teologia reformada e a segunda pessoa da trindade

    Percebemos nos registros nas histórias bíblicas a dureza do povo e a ira de Deus. Desde o antigo testamento, no Pentateuco, em Gênesis, vemos o comportamento do povo que murmurava e não confiava em Deus criador. Depois, dando um pulo para o novo testamento, as pessoas que viveram com o mestre Jesus Cristo, Deus encarnado, segunda pessoa da trindade, mas vivem como se Ele fosse um alguém qualquer, como o personagem de Judas que trai o Senhor Jesus ou mesmo Tomé que precisou tocar nas cicatrizes para acreditar em sua ressurreição, tudo isso, não é nada diferente de hoje. Conhecemos a revelação final, o texto sagrado, as doutrinas sistemáticas e mesmo assim agimos de maneira que desagrada a pessoa de Cristo. Vivemos pela graça, pela fé.

    Conhecemos a história e exemplos bíblicos, mas não damosimportância à veracidade bíblica. A história de Ananias e Safira tem sido um exemplo de como a igreja atual precisa mudar as lentes espirituais. Nosso Deus trino é o mesmo, detém todo poder e Glória. Mas, não adianta apenas conhecer a verdadeira história, precisamos saber a vontade Dele para cada um de nós. Estamos debaixo da graça e misericórdia Dele, Ele tem o universo em suas mãos. O sacro e o profano não podem caminhar juntos, as escrituras afirmam que não podemos nos conformar com este século. É o amor ao dinheiro, à confiança nos bens, a conquista pela amizade por interesses pessoais, à preocupação por um mundo passageiro.

    Entretanto, quando passamos pelo novo nascimento, automaticamente, nasce o desejo em servir, adorar, exaltar o nome do altíssimo, orar sem cessar, prestar louvores, é um desejo de se colocar no lugar de servo, tendo um contato direto com o Deus vivo e verdadeiro no lugar secreto, nasce à vontade e a sede em ler a Bíblia para entender a vontade de Deus em nossas vidas. Atualmente, percebemos que a espiritualidade tem sido cada vez mais esquecida. São “crentes” que não são tão crentes assim. A igreja é formada por um conjunto de pessoas diferentes, com mundos diferentes, mas que têm ou precisam ter uma unidade de pensamento. O servir a Cristo!

    A obediência ao IDE e a teologia reformada

    Infelizmente, presenciamos no seio da igreja, pessoas convencidas do evangelho, pessoas que reconhecem a veracidade bíblica, são iluminados, alcançados pela graça comum, sem conversão, sem o conhecimento do Deus Pai, Filho e Espírito Santo. A Bíblia relata o joio e o trigo. Assim, parece que a igreja foi transformada em clube social, local de encontros e amizades, com uma superficialidade cristã. Pessoas que demonstram uma robusta espiritualidade dentro da igreja e do lado de fora são demônios a infernizar a vida do outro, pessoas tidas como verdadeiros esquizofrênicos espirituais. Ora santos, ora demônios. Em tempos pandêmicos deveriam ser diferentes, os cristãos deveriam se aproximar mais do Deus trino.

    Toda crise social que estamos enfrentando poderia nos aproximar mais de Deus. Temos todo aparato tecnológico. Mas, estamos presenciando o contrário. Deus pode ser três em um ao mesmo tempo, pois Ele é Deus, possui vários atributos, e cabe a Ele decidir o motivo de suas funções, mas para Ele ser apenas um sem existir a trindade é algo não concebido, pois fere seu planejamento. A doutrina da Trindade é uma das mais importantes da fé cristã. Estudar os ensinamentos bíblicos sobre a Trindade nos traz um conhecimento mais profundo sobre nosso Deus. A trindade não está explícita nas escrituras, mas Ele existe e prova suas funções distintas nos acontecimentos.

    Deus é um ser com três funções onde não há hierarquia. Jamais seria pensado de forma diferente. E Grudem, registra com sabedoria em suas declarações. Outra afirmação sobre a teologia reformada interessante é quando ele diz: Por fim, pode-se dizer que não existem diferenças em divindade, atributos ou natureza essencial entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada pessoa é plenamente Deus e tem todos os atributos de Deus. As únicas distinções entre os membros da Trindade estão nas formas como se relacionam uns com os outros e com o restante da criação. Nessas relações eles desempenham papéis apropriados a cada pessoa. (GRUDEM,1999, p. 185).

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    As três diferentes pessoas da Trindade

    Grudem registra na página 169, que Deus se revela em três pessoas, observe o que ele fala: “Deus é três pessoas e cada pessoa é plenamente Deus”, assim cremos, ele reafirma o que diz as escrituras, não podemos dizer que são três deuses numa ideia politeísta, mas um Deus com três maneiras distintas de se apresentar à humanidade, Grudem, continua afirmando que “As Escrituras deixam bem claro que só existe um único Deus. As três diferentes pessoas da Trindade são um não apenas em propósito e em concordância no que pensam, mas um em essência, um na sua natureza essencial. Em outras palavras, Deus é um só ser. Não existem três Deuses. Só existe um Deus”. (GRUDEM,1999, p. 174). E Grudem faz em seus registros colocações importantes sobre a Trindade dizendo que: “parece correto concluir que Deus existe necessariamente como Trindade – não pode ser diferente do que é” (GRUDEM, 1999, p.177).

    Aqui está a resposta segundo Grudem. Sobre a teologia reformada, seria um imenso erro pensar ao contrário. O modalismo refere-se à negação das relações entre as pessoas da Trindade. Por isso, negar a Trindade seria o mesmo que negar os planos de Deus deixado nos manuscritos a nossa única regra de fé e prática a revelação final. Não podemos deixar de concordar com as palavras desse autor que reitera a veracidade de nossos estudos bíblicos. Uma das questões que também nos traz paixão é quando nos aprofundamos na doutrina de Cristo. O sacramento ordenado por Jesus tem base bíblica. As últimas palavras de Jesus Cristo foram uma ordem para batizar: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mt 28:19).

    No dia de Pentecostes, encontramos Pedro dizendo: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38). Compreendemos que todo cristão deve ser batizado, a questão da imersão ou aspersão gera grande polêmica no seio da igreja. Para a igreja reformada seria um erro doutrinário pensar num batismo por imersão, pensamos que para haver batismo só precisa de água e não de mergulho. Temos como exemplo : o carcereiro de Filipe que foi batizado repentinamente à meia-noite na prisão (At. 16:33) É pouco provável que eles tenham sido batizados por imersão, levando um prisioneiro para algum tanque ou piscina daquela época.

    A teologia reformada e o batismo

    A bíblia não registra mergulho, a água é mais um símbolo, neste sacramento anunciamos que somos e pertencemos a Deus, que fazemos parte do corpo de Cristo, somos membros daquela determinada instituição. No batismo não é a quantidade de água usada que vai fazê-lo Cristão, mas se Deus o alcançou com sua irresistível graça e misericórdia, o seu coração responderá ao sacramento que será administrado. O processo de santificação passa pela confissão de pecados, renúncia de ações errôneas e a vontade de servir ao Deus verdadeiro. E o batismo consolida esse ato, a trindade se faz presente no coração do salvo.

    No caso das instituições reformadas como a Igreja Presbiteriana do Brasil, o batismo é feito por aspersão. O batismo é realizado em crianças e em adultos. Em relação às crianças, elas são batizadas a qualquer idade, geralmente bebezinhos, quando se tornam adolescentes ou quando alcançam uma maturidade para entender o significado do batismo, essas passam por alguns estudos em sala de catecúmenos, estudos doutrinários a fim de se tornarem aptos a membresia, compreendendo e confessando Cristo como seu Senhor, faz-se então a sua pública profissão de fé e torna-se membro da instituição. E os pais se responsabilizam com sua educação no caminho correto à luz das escrituras.

    Os que não foram batizados na infância, podem realizar o batismo e a profissão de fé na fase adulta. Apresentamos aqui os dois sacramentos: o batismo e a santa ceia. A Santa Ceia é um sacramento que nos confere graça e todos os que são batizados e fizeram sua pública profissão de fé podem participar desse ritual onde lembramos do sacrifício de Cristo por nós. É uma ordenança de Jesus quando nos pede para comer e beber o pão e vinho anunciando a volta de Cristo. A santa ceia é um momento de comunhão da igreja e fortalecimento espiritual de cada membro do corpo de Cristo. Pois a cada participação há uma reflexão de nossa vida Cristã, fazendo parte do processo de santificação, confissão de nossos pecados.

    Cristãos e teologia reformada

    No livro de coríntios, nos orienta que devemos fazê-lo conscientemente “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.” (1Co 11. 27). Os católicos romanos acreditam que os elementos da Ceia (pão e vinho) se transformam no próprio corpo e sangue de Cristo no momento da Ceia. Isso quer dizer que Cristo morre a cada ceia, vamos refletir! Se assim fosse nós seríamos canibais em comer e beber do corpo literalmente em todos os momentos do ritual. Nós cristãos reformados, rejeitamos plenamente esse pensamento, respeitamos cada pessoa como ser humano e independente de religião, O respeito é diferente de aceitar, entendemos que é no mínimo absurdo imaginar Cristo morrendo em todas as missas, é simplesmente uma falta de embasamento bíblico.

    Jesus instituiu a Santa ceia antes de sua morte e disse que deveríamos realizar esse momento até a sua volta. Para isso, a Bíblia nos orienta a examinarmos o nosso coração, é, sobretudo uma avaliação de nossa vida cristã. A teologia reformada segue exatamente o pensamento calvinista e resumi-se em um acróstico em inglês TULIP (Total Depravity, Unconditional Election, Limited Atonement, Irresistible Grace, Perseverance of Saint), a total depravação do homem refere-se a adão e Eva, O homem nasce com o pecado original e só Deus pode resgatar o homem decaído. Na eleição incondicional significa que a salvação do homem não depende dele nem tão pouco de suas boas ações, mas unicamente de Deus.

    Quando se fala em expiação limitada quer dizer que a salvação não é para todos, mas para pessoas escolhidas, eleitas por Deus porque Ele é soberano, e tudo já está determinado, ele é o alfa e o ômega, o Princípio e o Fim. Na irresistível Graça o homem, não tem como resistir ao chamado de Cristo. O homem recebe a conversão pela graça e misericórdia de Deus. E quando ele é alcançado por esse novo nascimento ele não tem como dizer não. Não somos nós que escolhemos a Cristo, é Cristo quem nos escolhe.

    Conclusão sobre a teologia reformada

    E, finalmente, temos a perseverança dos santos, quando recebemos o chamado, Deus nos confere graça e temos uma firmeza na fé mesmo em meio às dificuldades da vida permanecemos tranqüilos em sua presença. Portanto, em resumo, o que podemos destacar nos fundamentos e pensamento cristão reformado são os 5 solas: “ somente a escritura, somente Cristo, Só a graça, só a fé, somente a Deus a Glória”.

    Aqui temos a grande diferença de ser Cristão, nessa pandemia, a tecnologia e a teologia reformada pode ser nossa aliada nas pesquisas e no jeito novo de interação e sociabilidades nos relacionamentos interpessoais. E se Cristo estivesse em nosso meio nesse período de pandemia e nessa era digital? Como seria nosso comportamento enquanto Cristãos? Então, acredite, Ele está aqui nesse exato momento de sua leitura. Ele disse que estaria conosco todos os dias até a consumação dos séculos.

    O presente artigo foi escrito por Humberta Lucena de Alencastro([email protected]). Psicopedagoga Clínica e Institucional, Formada em atendimento educacional especializado -AEE, Formada em Gestão Pública – MBA, Graduada em Pedagoga, Teóloga, Autora do Livro Afetividade Refletindo na Educação. Atualmente, navega sobre o mundo da psicanálise.

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