deus e psicanálise

Religião, Deus e Psicanálise

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Como a Psicanálise percebe e concebe Deus? Ou qual a relação entre Deus e Psicanálise ? Esta pergunta é uma das indagações que se constitui no maior dos desafios dos pesquisadores e analistas da atualidade no campo psicanalítico.

Deus e Psicanálise

Desde que se firmou a premissa de que ‘Deus seria o ópio do povo’, atribuída a Karl Marx (1818-1883) que sistematizou o marxismo, cujo foco é o socialismo comunista denominado ‘científico’, rompendo com o ‘socialismo utópico’ começou o rompimento com a concepção do juízo ‘haja luz e houve luz’. Marx ao jogar no tecido social o seu Manifesto Comunista, de 1848, de fato ele disse que um fantasma passaria a rondar e assombrar o mundo. A partir desse momento, o materialismo histórico se consolidou e penetrou em todos os campos do conhecimento humano.

Começaram a surgir as correntes variadas; primeiramente, se dizentes ‘agnósticos’ e depois, os que se declararam ‘ateus’ e aderiram em massa a TBB (Teoria do Big Bang) da origem do Universo. Os cientistas passaram a estruturar a acelerador de partículas para tentar provar a teoria astronômica do bing bang da origem do universo, planetas e estrelas. Agregou valor a nova concepção a teoria de Charles Darwin (1809-1882) ao apresentar a tese da evolução pela ‘sopa primordial’ e buscar a partir desses marcos a chamada ‘teoria de tudo’ e tentar decifrar o mapa do genona humano.

Este desfecho teve como vértice de colocar em xeque a teoria do criacionismo. Antes desse desfecho, a macro visão social era focada na premissa ‘haja luz e houve luz’, uma percepção bem corrente. Com o advento do materialismo histórico dialético da teoria da luta de classes e da teoria de Darwin, a premissa haja luz e houve luz foi perdendo força motriz. E a batalha nas arenas diversas do mundo foi justamente tentar anular a premissa anterior e estabelecer a nova premissa, que expressa: ‘no começo houve uma mega explosão’.

Religião, Deus e Psicanálise

Foram dois trens que saíram da estações diferentes mas em sentido contrários, e terminaram se chocando, premissa contra premissa, numa das maiores batalhas dialética já travada, de tese versus contra-tese em busca de outra síntese, a materialista dialética.

O papel de Stephen William Hawking (1942-2018) foi muito decisivo para essa nova ala humana porque o teórico e cosmólogo britânico, reconhecido internacionalmente por sua contribuição à ciência, por ser um dos mais renomados cientistas do século ajudou a consolidar a percepção e embalar um ateísmo forte com base na tese da energia cósmica.

A concepção do ‘haja luz e houve luz’ para muitos já não serviria mais, pois para essa nova ala de mentes e corações humanos agnósticos, ateus e os em dúvidas, reunidos em torno da nova premissa, de que no começo ocorreu uma grande mega explosão, o big bang estava posta.

A criação humana

O princípio do aqui-e-agora e do já-provisório entraram na essência do espírito humano. Deus passou a ser considerado uma mera ficção, criação humana. Augusto Comte (Isidore Augusto Marie François Xavier Comte – 1798/1857) foi um filósofo francês que formulou a doutrina do Positivismo. Ele passaria a ser uma celebridade internacional e primeiro filósofo da ciência na modernidade e fundador da Sociologia.

Para ele, a matéria precedeu o espírito este considerado como o abstrato. Ele havia sistematizado que a saída da mente humana do ‘estagio teológico ou místico’ para o ‘estágio metafísico’ fatalmente levaria a humanidade para o ‘estagio positivo ou científico’ e de que não haveria mais volta. A visão de que o espírito precedeu a matéria estava sendo empurrado para o precipício.

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Que a ciência ia dominar o mundo todo e colocaram a ciência como o novo Deus. O novo ‘deus’ que emergiu foi a ciência seguida do dinheiro. As pessoas passaram a correr atrás do dinheiro de forma frenética e o metalismo cedeu ao monetarismo que engendrou o capital (capitalismo) e construiu a linha rentista-monetarista que nos domina nos dias atuais na pós-modernidade, a era do boleto. E neste bojo todo surgiu uma contratese ao capitalismo que seria o socialismo comunista a grande solução humana que acabou frustrando a todos.

Relações humanas, Deus e Psicanálise

Para tentar evitar um caos na implantação das novas relações humanas com base no big bang, surgiram os que passaram a defender a premissa de que a matéria não precedeu o abstrato (espírito/alma) e nem o espírito precedeu a matéria, mas sim, a ‘energia’ precedeu a matéria e criou com ela o espírito e a alma.

Este foi o reforço do Stephen Hawking, astrônomo, ao ajudar a estruturar a visão da energia, uma explosão a partir de uma partícula do tamanho de uma noz, como ponto zero, de origem e irradiador do Universo em expansão. Esta nova concepção de que a energia precedeu a matéria e germinou o abstrato que nasceu místico e marchou em direção a ciência dividiu o planeta em duas alas bem distintas, entre os que comungam o ‘haja luz e houve luz’ (criacionismo) versus os que comungam ‘no começo houve uma mega explosão’ (apelidada de big bang, o evolucionismo).

Nunca mais o planeta seria o mesmo. Essa nova macro visão foi um divisor de águas. De um lado, os defendores de que o espírito precedeu a matéria e de outro, os defensores de que nada disso, a energia é que precedeu e organizou a matéria e dessa interação energia-matéria surgiria o espírito, a alma que é considerado o abstrato. O software surgiria depois de acabado o hardware e nele gerarias mios e metafísicas dizem os novos deuses.

Freud e religião

Para essa nova ala, somos todos energia em escala de frequências e ondas imperceptíveis. Porem, o dilema ‘do ovo ou da galinha’ continuou. A concepção do Pentateuco (cinco livros da Bíblia: Genesis, Êxodos, Levítico, Números e Deuteronômio), escrito em tese, por Moisés (1487 AC-1406AC), no século XIV AC, trouxe consigo a visão do judaísmo. Não podemos perder de vistas que Sigmund Freud (1856-1939) era de origem judaica, eis que seu nome Sigmund é Salomão. Habita a alma e o espírito judaico-israelita a percepção do ‘haja luz e houve luz’.

E Marx era também judeu e considerado em teoria, materialista e ateu. São os paradoxos que temos que avaliar e pesar bem. Moisés era filho de Anrão com Jocabed, e irmão de Arão e Miriam, mas, eram da linhagem de Levi, portanto eram levitas, de Levi, o 3º filho de Jacó, que mudou nome para Israel. O haja luz e houve luz veio dessa vertente por via de Moisés, que abre o Genesis expressando a premissa ‘haja luz e houve luz’.

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    Posteriormente, já em meados de 1800 DC é que começa a batalha pela substituição da considerada velha premissa, ‘do haja luz e houve luz’ e pela nova premissa, ‘no começo houve uma grande explosão mega atômica’ que gerou o Universo que esta em expansão. Bem no fundo a nova premissa é uma substituição ou inversão dos termos da premissa.

    Considerações finais

    A ciência passa a apostar todas suas fichas de que foi a energia que precedeu a matéria e com ela, engendrou o abstrato (espírito/alma). E o mundo atualmente esta dividido entre essas duas premissas. Entretanto, vale ressaltar que a ciência até presente momento não criou leis naturais e universais cosmológicas, mas descobriu muitas dessas leis e criou equipamentos culturais e tecnológicos.

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    O acelerador de partículas ainda não foi decisivo para provar ‘big bang’ e como o planeta flutua no Universo e o que é a energia escura do universo, e nem Darwin conseguiu provar a chamada ‘sopa primordial’ que geraria humanos, animais e vegetais pela evolução. E a decifração do mapa genômico também não logrou êxito, pois persiste um elo perdido e não sabemos nossa real origem, os DNA não combinam.

    Existe um mistério nisso tudo ainda muito forte. Esse é mérito da Psicanálise que tenta numa de suas subpartes de pesquisas e estudos decifrar de forma pós-moderna Deus. O tema é instigante e será mais explorado, eis que é um processo aberto e em construção teórica.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]) é licenciado em Filosofia e História. Possui PG em Ciências Políticas, realizando PG em Psicanálise e acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica.

     

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