haja luz e houve luz

Haja luz e houve luz, sob a ótica da Psicanálise

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Possivelmente você já ouvir falar, da e na expressão “haja luz e houve luz”. E, também, sabe onde esta registrada tal expressão e que é uma manifestação até bíblica e esta no livro de Gênesis, que significa ‘origens’.

O livro Gênesis é o primeiro livro da coletânea de livros chamada de Bíblia. Porém, poderá não saber quem foi o pioneiro em usar a expressão e a sua significação mais profunda. Vamos encontrar essa frase, citação ou expressão em Gênesis capítulo 1, nos versículos 3 e 4, conforme ‘ipsis litteris’: (…) “E disse Deus: Haja luz; e houve luz. 4 E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.” (..).

Entendendo haja luz e houve luz

Quem primeiro registrou a expressão foi Moisés (1487AC-1406AC), a quem foi atribuído ser o autor dos cinco primeiros livros da Bíblia chamados de ‘Pentateuco’ (Gênesis, Êxodos, Levítico, Números, Deuteronômio). Moisés era letrado, sabia ler, tinha uma ótima formação, estudou nas escolas do Egito, que eram gerenciadas pelos sacerdotes.

Evidente que naquela época existiam os escribas e eles eram os registrados que copiavam os ditados verbais (orais) e da tradição expressando em letra, e registravam seja em papiro ou em couro de animais tratados. Usavam à época penas (hastes de bambu fino) ou pena de aves, com tinta feita a base de carvão. Os registros eram lentos, demorados, geralmente feitos à noite, usando luz de lamparinas de azeite queimado.

Consta que Moisés escreveu o Pentateuco por passos e etapas e levou muito tempo e estava muitas vezes inspirado, em transe, ditando aos escribas que registravam. Ele também escrevia porque consta que era até poliglota, falava o egípcio, o hebraico, o árabe da época e alguns pesquisadores argumenta que ele conhecia e falava aramaico além de grego e noções copta e até rudimentos de latim.

Haja luz e houve luz e a liberdade do povo israelita

Depois que ele libertou o povo israelita da escravidão do Egito ficou andarilho do deserto predominantemente do Sinai, por 40 longos anos. Enfrentou epidemias no deserto, pois liderava mais de 2 milhões de pessoas com seus pertences e animais. Mas, qual seria a verdadeira importância da expressão e qual sua conotação com a Psicanálise?

Moisés ao registrar no Genesis a expressão, ele estava informando a futura humanidade que primeiro de tudo que surgiu foi o espírito e não a matéria. A expressão ‘haja luz e houve luz’ remete a compreensão de que o espírito precedeu tudo, na ótica de Moisés. Para Moisés jamais a matéria puxada pela energia foi à causa fundadora do Universo.

A premissa chave de Moisés era de que primeiro de tudo nasceu o espírito e o espírito é um sopro de Deus incriado. Essa expressão inaugurou o primeiro e maior paradigma humano que esta alojado no inconsciente das pessoas.

Freud sobre a expressão: haja luz e houve luz

Sigmund Freud (1886-1939) que sistematizou a teoria da Psicanálise, uma das formas de psicoterapias, nos seus estudos do inconsciente, chegou à conclusão de que essa premissa esta oculta na mente humana.

Só mais adiante, já na modernidade rumo a pós-modernidade que surgirão novas concepções que vão se fundindo e lançam um novo paradigma numa concepção dialética, diante de uma tese, lançam uma contra ou antítese visando uma nova síntese, de que no princípio não houve o ‘haja luz e houve luz’ e sim, houve uma explosão de energia com massa, a matéria, e que somos produto da evolução da matéria e moléculas que formaram as células e estas se especializaram, num universo em expansão.

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O paradigma de Moisés depois de mais de 3500 anos, sofre um contraponto. A expressão é colocada em xeque. Caberia então à Psicanalise a missão primordial de examinar o choque traumático entre esses dois juízos que algumas ciências diziam que eram duas linhas correndo paralelas e que no infinito elas se cruzariam o que muitos discordaram. Essas linhas são opostas e cada uma segue o seu rumo.

O mundo sofre uma clivagem

O mundo sofre dessa forma uma clivagem, fica dividido entre duas correntes. Quem comunga a visão do ‘haja luz e houve luz’ tem todo um perfil bem diferenciado de quem comunga a linha chamada de ‘big bang’, (mega-explosão inicial) que nos levaria a evolução e contra a criação. O pano de fundo é que para essa teoria não existe espírito e alma, e sim o mero abstrato.

Já aquela entende que existe o espírito, a alma, a vida pós mortem, a eternidade, mas que o corpo é pó. Argumentam alguns pesquisadores que essa temática seria foco da Filosofia e da Teologia. Entretanto, este assunto virou algo delicado e muito sensível gerando uma crise psico-emocional chamada de trauma. E este trauma precisou da Psicanálise por que envolve o inconsciente.

Esta é a razão da conexão do ‘haja luz e houve luz’ com a Psicanálise. Contudo uma pergunta não quer calar, questiona: ‘Mas, o ‘big bang’ não seria também gerador de um trauma e alvo da Psicanalise já que a Teologia, Filosofia e a Antropologia entre outros campos do saber não sabem lidar com tal crise?

Haja luz e houve luz e a Psicanalise na pós-modernidade

A Psicanalise na pós-modernidade dos tempos líquidos ingressa na agenda do tecido social e nas instâncias de esclarecimentos quando envolver o inconsciente, o trauma, a crise psicoemocional, o ego e superego humano e suas relações e o id e os mecanismo associados. A Filosofia não esta instrumentalizada para lidar com o trauma e o inconsciente e a Teologia tenta explicar Deus sob o prisma do ‘haja luze e houve luz’.

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    Já a Antropologia esta mais preparada para lidar com a subparte da emergente teoria do ‘big bang’ como um novo produto da revolução cognitiva material humana. O único campo do saber atual que esta em condições de lidar com o trauma desse conflito de dois gigantes paradigmas é a Psicanálise porque esse conflito engendrou uma condição existencial de jornada humana com prazo de validade que nos conduz inexoravelmente a um ato final, a morte, o óbito, que é um fato psicanalítico.

    O ser humano nasce já morrendo, cada dia que flui morre um pouco e vai avançando numa cronobiologia culminando se for um processo natural, de envelhecer e entrar em óbito carregando consigo os atos e fatos psicanalíticos. Vamos tratar oportunamente o que sejam os atos e fatos psicanalíticos. Voltaremos indubitavelmente ao pó.

    Conclusão

    Nos escritos de Moisés constou isso: “ao pó te tornarás´’. O desafio de compreender tudo isso é da Psicanálise em Inter, pluri, multi e transdisciplinariedade na modernidade; e na pós- modernidade em meta, poli, eco e espiritodisciplinariedade.

    Sem estas interfaces jamais vamos decifrar a motivação humana no planeta que vaga pelo Universo em expansão.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]) é licenciado em Filosofia e História. Possui PG em Ciências Políticas, realizando PG em Psicanálise e acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica.

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