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Mente sã Corpo são: como isso funciona?

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No presente artigo discutiremos sobre o significado de “Mente sã Corpo são”. Neste exato momento, é provável que você esteja lendo este texto em um computador portátil (PC, notebook, tablet, smartphone, etc.).

Independente do dispositivo, considere que ele é formado basicamente de duas coisas: Substância e essência. Uma substância nada mais é que uma combinação de matéria e forma. Por sua vez, uma matéria é formada pelo seu substrato, isto é, o material que a compõe.

Mente sã, corpo são. Afinal, como a mente funciona?

A matéria propriamente dita não possui qualidades, e é isso que a torna capaz de receber as formas. Por exemplo, a matéria do seu dispositivo são os componentes eletrônicos, bateria, plástico, vidro, etc., ou o que quer que constitua o dispositivo em potencial, enquanto a forma da substância é o dispositivo real, ou seja, tudo o que nos permita definir algo como um dispositivo como o que está em suas mãos neste momento.

Já a essência, seria o conjunto dos elementos imateriais que compõem o dispositivo e o tornam útil para exercer sua função, por exemplo, os softwares e aplicativos. Toda esta linha de raciocínio pode servir de comparativo com a mente – onde o cérebro é a matéria e a essência é o próprio psiquismo – e está baseada na metafísica de Aristóteles, filósofo clássico da Grécia considerado um dos primeiros filósofos da mente e fundador da psicologia antiga.

A metafísica de Aristóteles e seus conceitos sobre a natureza da lembrança e dos esquecimentos deram origem a inúmeros experimentos posteriores na área da aprendizagem, assim como sua doutrina da associação afirmativa, em que a memória é facilitada pela semelhança ou dessemelhança de um fato atual e um passado, ou ainda, por sua estreita relação no tempo e espaço. Sua obra “De Anima” (Sobre a Alma) foi o primeiro grande objeto de estudo da psicologia. Aristóteles formulou teorias sobre desejos, apetites, dor e prazer, reações e sentimentos, tendo ainda inspirado Joseph Breuer e Sigmund Freud com sua doutrina da catarse – ideia que veio formar uma das teses fundamentais da psicanálise.

Mente sã Corpo são: o que é a mente?

Em termos gerais, a mente é o conjunto de funções superiores do nosso cérebro relacionadas à cognição e ao comportamento. E estas funções podem estar inseridas em duas grandes classificações que se inter-relacionam constantemente:

As funções conscientes (interpretação, desejos, temperamento, imaginação, linguagem e sentidos) e as funções inconscientes (pensamento, razão, memória, intuição, inteligência, arquétipos, sonhos, sentimentos, etc.).

Funções da mente

Pensamento: Nos permite entender as coisas, representá-las e interpretá-las. Controla nossas escolhas, nossos conhecimentos, nossas ideias, nossa fala (discurso) e imaginação. Engloba dois processos – primário e secundário. O processo primário, de acordo com Zimmerman (2007), caracteriza-se por um fácil deslocamento e descarga da energia psíquica (libido), que circula livremente, de forma que ela tende a descarregar-se imediata e totalmente.

Por exemplo, o corpo perde energia (força) após um período de trabalho e precisa repor tal desgaste. A mente, através do pensamento, interpreta esta necessidade como fome, transformando essa fome em libido que circula livremente pelo psiquismo, sendo descarregada (aliviada) imediata e totalmente no exato momento em que o corpo se alimenta. Já no processo secundário, a energia psíquica está represada e circula de forma mais restrita, sempre ligada a alguma representação psíquica, que Freud chama de “representação-palavra” e que está diretamente ligada ao princípio da realidade e determina uma lógica do pensamento.

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No mesmo exemplo da fome, o sujeito pode, pelo processo secundário, discernir o que e como comer de forma lógica. Ao invés de comer um pedaço de sanduíche que ele encontra jogado no lixo, por exemplo – que rapidamente saciaria os impulsos do seu processo primário, mas lhe faria mal – ele decide logicamente esperar até chegar à sua casa e comer algo muito mais saudável e apetitoso.

A Memória

Preserva, retém e recupera conhecimentos, informações ou experiências e está ligada diretamente aos aspectos cognitivos. Imaginação: Gerar ou evoca situações, imagens, ideias e outras qualidades na mente.

É uma função estritamente subjetiva, em vez de uma experiência direta ou passiva. Entre suas muitas funções práticas, estão a capacidade de projetar futuros possíveis (ou histórias), “ver” as coisas da perspectiva de outra pessoa e mudar a maneira como algo é percebido, inclusive tomar decisões para responder ou encenar o que é imaginado.

Além destas três funções básicas, também são componentes psíquicos os afetos, emoções e paixões (amor, ódio, medo, tristeza, felicidade, etc.).

Consciente X Inconsciente

A consciência nos mamíferos engloba qualidades como subjetividade, senciência (percepções conscientes) e capacidade de perceber a relação entre si e o ambiente. Para filósofos da mente como Chalmers, Kripke, Jackson e Lewis, entre outros, a consciência pode ser dividida em consciência fenomênica ou fenomenal (experiência subjetiva) e consciência de acesso (disponibilidade global de informações para os sistemas de processamento no cérebro).

Desde a Antiguidade, a ideia da existência de uma atividade mental diversa da consciência sempre foi objeto de múltiplas reflexões. Mas foi só em meados do século XVI para o XVII, com René Descartes, que se postulou o princípio de um dualismo entre o corpo e a mente. Com a sua máxima “Penso, logo existo”, Descartes estabeleceu a consciência como o “lugar da razão”, em oposição ao universo da “desrazão”, isto é, tudo aquilo que não for consciente na mente é loucura

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    No século XVIII, com a expansão da psiquiatria dinâmica, desenvolveu-se a ideia de que a autonomia da consciência seria necessariamente limitada por forças vitais desconhecidas e, frequentemente, destrutivas. Isso abriu caminho para uma terapêutica fundamentada na teoria do magnetismo animal, onde uma força magnética dispersa no ar influenciaria o comportamental inconsciente.

    Nietzsche e Schopenhauer em “mente sã corpo são”

    O grande nome dessa terapêutica na época foi Franz Anton Mesmer, que afirmava ser o inconsciente uma dissociação da consciência, uma subconsciência ou automatismo mental, atingível através do hipnotismo ou da sugestão. Em uma perspectiva totalmente diversa, a filosofia alemã do século XIX, com Schelling, Nietzsche e Schopenhauer trouxe uma visão que enfatizava o lado sombrio da alma humana e procurava fazer emergir a face tenebrosa de uma psique imersa nas profundezas do ser.

    Misturando essas duas tradições — a psiquiatria dinâmica francesa e a filosofia alemã —, Freud criou uma concepção inédita do inconsciente, sintetizando a técnica hipnótica de Charcot, a técnica de sugestão de Bernheim e a técnica da catarse de Breuer, fazendo nascer assim a psicanálise que, num segundo momento, forneceu um arcabouço teórico ao funcionamento do inconsciente a partir da interpretação dos sonhos. Já em 1893, no trabalho “Comunicação preliminar”, escrito em parceria com Breuer, Freud falava sobre a “dissociação” da consciência no contexto da histeria: “Estudando mais de perto esses fenômenos, convencemo-nos cada vez mais do fato de que a dissociação do consciente, chamada de ‘dupla consciência’ nas observações clássicas, existe rudimentarmente em todas as histerias.

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    A tendência para essa dissociação e, através dela, para o surgimento dos estados de consciência anormais que reunimos sob o nome de estados ‘hipnoides’ seriam, nessa neurose, um fenômeno fundamental.” Podemos discernir, claramente, nessa declaração, os primórdios da ideia freudiana do inconsciente. Foi numa a Wilhelm Fliess (1896) que Freud evocou explicitamente, pela primeira vez, o aparelho psíquico, formulando as instâncias constitutivas do que viria a ser a sua famosa Primeira Tópica: O consciente, o pré-consciente e o inconsciente.

    Mente sã Corpo são: Freud e o nascimento do inconsciente

    Em outra carta também dirigida a Fliess em 1898, Freud situou o nascimento do inconsciente entre 1 e 3 anos de idade, período no qual “se forma a etiologia de todas as psiconeuroses”. Partindo do inconsciente descritivo do romantismo alemão do começo do século XIX, Freud definiu o inconsciente de maneira totalmente original – não mais como o inverso do consciente. A “observação da vida normal de vigília” validaria essa concepção clássica do inconsciente.

    Mas “a análise das formações psicopatológicas da vida cotidiana e do sonho” fez o inconsciente surgir como “uma função de dois sistemas bem distintos”. A partir de então Freud concebeu, ao lado do consciente, dois tipos de inconsciente: O inconsciente propriamente dito (ICs), cujos conteúdos nunca podem chegar à consciência, e o pré-consciente (PCs), cujos conteúdos podem atingir a consciência sob certas condições – em especial após o controle de uma espécie de censura (recalque).

    Finalmente, para Freud, “tudo o que é recalcado tem, necessariamente, que permanecer inconsciente. […] o recalcado é uma parte do inconsciente.” Assim, somente o tratamento psicanalítico, pode levar o sujeito a tomar conhecimento dos elementos concretos de seu inconsciente, na medida em que permite, uma vez superadas as resistências, uma transposição ou uma tradução do inconsciente em consciente.

    Referências

    FREUD, Sigmund S. (1893-1895). Estudos sobre a histeria. Imago, Rio de Janeiro, 1967. (Obras Completas, 02) ___. (1900). A interpretação dos sonhos. Imago, Rio de Janeiro, 1967. (Obras Completas, 04) ___. (1900-1901). A interpretação dos sonhos (II) e Sobre os sonhos. Imago, Rio de Janeiro, 1967. (Obras Completas, 05) ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Tradução Vera Ribeiro e Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. ZIMERMAN, David E. Fundamentos psicanalíticos: Teoria, técnica e clínica: Uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 2007.

    O presente artigo foi escrito por Silvio Carneiro Bastos Neto. Graduado em Jornalismo (UEPB). Possui pós-graduação em Docência do Ensino Superior (Meta; Macapá-AP) e em Psicologia Positiva (PUCRS; Porto Alegre-RS). Possui formação em Terapias Holística (Instituto 3ª Visão; Garibaldi-RS) e Psicanálise Clínica (IBPC; Campinas-SP). Contato: [email protected]

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