psicopatologia

O que é psicopatologia: visão histórica e psicológica

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A psicopatologia abrange um vasto terreno no conhecimento do estudo científico das alterações mentais. A etimologia da palavra explica que sua origem grega significa: psiché, alma e patos, doença, porém não foi esse o real sentido que a expressão era entendida no decorrer de pouca mais de um século de seu desenvolvimento até os dias atuais.

Se tornou uma ciência autônoma que objetiva estudar os estados psíquicos relacionados as sofrimento mental em suas causas, mudanças estruturais e funcionais associadas a ela e seus formatos de manifestação, embora nem todo estudo psicopatológico obedeça aos rigores de uma ciência “strictu sensu”.

Psicopatologia e sua historicidade

A psicopatologia em um olhar mais holístico pode ser entendida como o conjunto de conhecimentos referente ao adoecimento mental do ser humano que possui essência sistêmica, elucidativa e desmistificante. Como saber científico, não contempla critérios de valor, nem admite dogmas ou verdades absolutas e imutáveis.

O objetivo da psicopatologia, deve ser dissociado do objetivo da psiquiatria, pois seu campo é mais restrito se limitando aos fenômenos anormais da vida mental e adota como metodologia a fenomenologia. Para alcançar uma melhor compreensão na classificação da psicopatologia, necessário se faz fazer um recorte em alguns aspectos históricos abordando a sociedade e ciência, suas relações, influencias e ligações.

Importante ressaltar que sociedade e ciência não são vertentes paralelas pois ambas sempre se posicionam uma influenciando a outra. Um exemplo esclarecedor advém da teoria da evolução de Charles Darwin (1809 – 1882) que precipitou uma grande turbulência tanto no meio científico como na sociedade, assim como a propaganda dentro do modelo nazista coordenada por Paul Joseph Goebbels (1897 – 1945) que defendiam os arianos como raça superior, se pautando nas próprias teorias de Darwin.

Psicopatologia, variação da orientação sexual e cultura

Isso também acontece do modo oposto onde a sociedade também influencia contextos científicos. Podemos também exemplificar os relacionamentos homo afetivos, pois a homossexualidade nem sempre foi vista como uma variação da orientação sexual com a naturalidade dos dias atuais, mas em um passado não remoto a homossexualidade era vista como uma parafilia, uma alteração da sexualidade, portanto foi tratada como doença por muito tempo.

Muitas pessoas foram internadas e mais ainda, tratadas através de bloqueios hormonais e outros métodos aterrorizantes, em função da forma com que era compreendida a homossexualidade.

Essa é uma forma clara de analisar como a sociedade já influenciava a ciência, o que justifica o entendimento do quanto nosso conceito de doença varia ao decorrer do tempo de acordo com as mudanças dos contextos mundiais que são moldados conforme o aspecto cultural.

Psicopatologia e transtornos mentais

Determinados transtornos mentais se manifestam de formas diferentes em países distintos. Isso por conta da variação cultural, ou seja, sociedade e ciência estão constantemente se entrelaçando, uma influenciando a outra simultaneamente. Porém na ambiência da perspectiva histórica, doença e saúde sempre foram compreendidas sob um olhar binomial, coisas opostas, uma boa, outra ruim, estabelecendo um hiato para dois extremos, o que não se sustenta como verdade.

Essa visão calcificou esse olhar equivocado pela cultura antiga na ocasião das bruxarias. Nem sempre na história da ciência se teve acesso ao corpo humano da forma com que se tem nos dias atuais, pois o corpo humano era tido como algo sagrado e portanto o máximo de preservação, pois a igreja possuía um manipulador e influente poder sobre as pessoas que eram alienadas quanto ao aspecto de inacessibilidade ao corpo humano depois da morte.

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Com o renascimento, essa ideia foi mudando, pois a cultura passou a ser menos teocêntrica se transformando em antropocêntrica, onde o racionalismo começou a crescer, e com isso as pessoas começaram a aguçar o desejo em saber o que se tinha por traz do corpo humano e como funcionava a dinâmica orgânica existencial.

Fisiologia e psicopatologia

Com isso, começa o declínio do poder da igreja sobre a compreensão das pessoas na época quanto a anatomia e fisiologia, humana. Aí começou um grande movimento na exploração de cadáveres para trilhar a busca de conhecimentos mais empíricos sobre o funcionamento da dinâmica orgânica dos seres humanos dando robustez a parte do conhecimento que conhecemos como fisiologia.

Durante muito tempo a humanidade acreditava que a doença era uma condição divina através da punição em forma de alguma reparação por supostos pecados. Porém com o advento do renascimento, iniciou-se um processo de melhor compreensão de que a doença como punição, não era necessariamente verdade.

Assim como a fisiologia possui uma lógica, a patologia também é precedida de uma lógica, daí se foi entendendo que do adoecimento se antecediam algumas etapas, logo o adoecimento não era um fenômeno repentino e sem origem. Percebeu-se que sinais eram emitidos e expressos pelo corpo no início do adoecimento.

A semiologia

Pessoas que morriam de enfarto já possuíam fatores predisponentes ou desencadeantes percebidos por tais sinais dentro do histórico de outras pessoas que morreram da mesma doença como: limitações na respiração, falta de resistência a pequenos esforços, desconfortos na caixa torácica, etc… Foi nesse cenário da história que surgiu a semiologia, o estudo de sinais e sintomas. Uma questão se formulou dentro desse contexto; como se capta esse sinais?

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    A resposta é: através dos sentidos que possuímos, uma espécie de antenas captadoras de sinais em diversas formas, avaliando através do sinal captado se naquele ponto está tudo certo, ou se algo está em não conformidade, ou ainda se há variação de intensidade provocando anomalias. Como podemos entender essas antenas que possuímos ?

    Uma delas são nossos olhos que percebem os movimentos e alterações externas codificando uma tradução da dinâmica no mundo. O olfato é outro sentido captador que possibilita interpretação de muitas coisas através do cheiro. O tato como antena captadora, foi fundamental para a evolução da medicina, pois uma simples palpação pode aproximar o médico de um determinado diagnóstico.

    Considerações finais

    Não menos importante a audição é particularmente fundamental na psiquiatria, psicanálise, psicologia, assim como nos mais diversos campos da necessidade humana. O paladar que também faz parte desse rico contexto de antenas captadoras de sinais.

    A partir dessa compreensão o contexto da psicopatologia abre novos horizontes para ganhar espectros com maiores dimensões, o que enriquece a psiquiatria através de uma contribuição ímpar no desenvolvimento da imersão na saúde mental.

    Em artigos posteriores abordaremos a psicopatologia nas esferas das classificações, tipos, alterações, semiologia e anatomia.

    O presente artigo foi escrito por José Romero Gomes da Silva([email protected]br).Psicanalista mestrando, colunista, estudante de gestão em recursos humanos.

     

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