devastação na relação mãe e filha

Devastação na relação mãe e filha: o que fazer?

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Este texto de Gladis Meiry Matteo traz uma reflexão sobre como a Psicanálise pode ajudar em situações de devastação na relação mãe e filha.

Freud explica que tanto os meninos como as meninas quando ainda bebes; recebem igualmente cuidados e as primeiras sensações prazerosas no ato de sucção durante a amamentação.

Entendendo a devastação na relação mãe e filha

Nesse momento da vida do menino se estabelece a raiz do complexo de édipo fase de desenvolvimento psicossexual da criança, em que ele começa a sentir desejo por sua mãe e ódio e ciúme de seu pai. Este complexo acontece em meninos, que nada mais é que o amor que ele sente pelo genitor do sexo oposto . Essas características podem desaparecer naturalmente à medida que o menino se desenvolve e percebe que a mãe não responde aos seus sentimentos da forma como gostaria, passando a se comportar de forma semelhante ao pai.

Dessa forma, o menino passa a ser menos dependente da mãe e se interessa por outras mulheres. Porém, isso não acontece com a menina ainda bebê, mais tarde Jung deu a essa manifestação nas meninas de “ Complexo de Electra “ , se referindo a uma fase normal do desenvolvimento psicossexual da maioria das meninas, na qual existe uma grande afeção pelo pai e um sentimento de rancor, ou má vontade, em relação à mãe, podendo até ser possível que a menina tente competir com a mãe para ganhar a atenção do pai.

Geralmente, esta fase surge entre os três e os seis anos, e é ligeira, mas pode variar de acordo com a menina e o seu grau de desenvolvimento. Na maioria dos casos, o complexo acontece porque o pai é o primeiro contato que a menina tem com o sexo oposto. Assim como o complexo de Édipo, desenvolvido por Sigmund Freud, a resolução do complexo Electra influenciará o desenvolvimento da vida sexual adulta e como a menina se relaciona com o sexo oposto. Porém , o afastamento da menina da mãe ocorre através de muitos conflitos pois a forte ligação entre mãe e filha passa por fases de muita hostilidade, ressentimentos e até ódio .

O ciúme na devastação na relação mãe e filha

Todo processo pode ser desencadeado pelo ciúme do irmão, pelo desmame ou o sentimento de não ter sido amamentada o suficiente . Freud também considerou que este desligamento e afastamento da menina de sua mãe seja causado pelas proibições à masturbação (FREUD, 1996[1931]) . Alguns estudiosos chegaram a conclusão de que o motivo principal do afastamento entre mãe e filha surge da castração que a mãe exerce sobre a menina .

Dessa forma a menina culpa a mãe por não ter o falo e ser considerada pela criança menina , um ser fálico .Explicando o que é um ser fálico começo pela definição de falo :falo é a forma de representação do órgão reprodutor masculino como símbolo de fertilidade. Assim, quando a menina se afasta da mãe porque a considera uma mãe fálica ; ela esta sentindo que o menino significa algo vital para a mãe , e sendo ela uma menina segue na procura da feminilidade .

Nesse processo a menina precisa encontrar o caminho que mude o objeto de seu amor ( a mãe ) e o transfira para o pai . Porém, outra manifestação pode ocorrer na relação mãe e filha , manifestação relatada por estudiosos como Colette Soler (2005), Chodorow (2002): existe um vinculo forte da filha com a mãe e da mãe com a filha que nunca é rompido mesmo que a relação entre ambas seja intensa e com sentimentos concomitantes e contraditórios sobre a mesma questão. Dessa forma a filha sente-se atraída por dois impulsos de sentido oposto e ao mesmo tempo, sem saber qual deles seguir.

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A devastação na relação mãe e filha para Freud

Fato esse que se comprova na vida de filhas que se tornam adultas e não estabelecem nenhuma relação real e verdadeira com os homens, visto que durante suas vidas permanecem na ligação inicial com a mãe. Freud tem como rogatória o amor e ódio na relação mãe e filha, devido o que acontece com o falo na mulher e por esperar receber da mãe o que ela não pode oferecer. A menina reivindica a identificação de mulher e não recebe da mãe e nesse fase pode se instalar um ressentimento.

Freud durante seu empenho admitiu que para a menina a relação com a mãe vem com bagagem diferentes comparando os benefícios da relação mãe e filho: “no apego ao filho o único amor sem ambivalência, …que, para a menina, o veredicto era mais sombrio, talvez até inapelável” (SOLER, 2005, p. 99). Freud usou o termo “catástrofe” e Lacan “devastação” , ambos se referiam aos laços entre mãe e filha que são construídos para abarcar a feminilidade.

Ainda citando a disfarçada exigência da filha para com sua mãe quanto ao falo esse ressentimento vem acompanhado de falta amorosa , reprovação , culpa e ódio . Cumpre citar que na relação mãe e filha ainda possa surgir um problema em relação à própria feminilidade da menina ,pois no nível inconsciente ela assimila a privação do prazer ; ao perceber que a mãe é castrada a menina possivelmente abandone o objeto amoroso ( a mãe ) e nasce nesse instante uma hostilidade permanente ou não.

O complexo de masculinidade

A hostilidade que a menina nutre então pela mãe é igual ao amor que sente por ela. Porém, o amor pode acabar se a menina dedicar esse amor ao pai esperando que ele lhe dê o falo que a mãe negou. Nessa etapa da vida da menina pode ocorrer um complexo de masculinidade, um dos destinos de Édipo nas meninas . Assim, a menina se recusa em aceitar a castração e adota comportamentos rebeldes e acentuada masculinidade.

Segundo Freud, há dois motivos para que o complexo de masculinidade permaneça na menina, ou ela não deixa a atividade clitoriana ou busca se refugiar , se esconder e se identificar com a mãe fálica ou com seu pai. Sendo assim, Freud considera o homossexualismo feminino o resultado do complexo de masculinidade. Freud considera catastrófico e talvez irreparável ao psiquismo da mulher , a descoberta da realidade acerca da castração.

Concluímos então que no inconsciente é comum a mãe falhar com sua filha , pois para a filha , a mãe é uma imagem de suas primeiras dúvidas, angústias, medo e castração. Muito importante aqui citar que a mãe não deve se ressentir como eco de sua filha fazendo disso um círculo vicioso de decepções. Mães e filhas precisam se conhecer e se aceitarem , fazendo disso um caminho em que cada uma seja o que realmente são.

Considerações finais

Nos momentos que estiverem juntas que o utilizem para se conhecer profundamente e para isso é preciso escutar sem oposição ou julgamento .O relacionamento entre mãe e filha é fundamental para que ambas desenvolvam sua identidade feminina de tal modo que a mãe possa manter a identificação com sua filha ao longo da vida sem que a mãe projete seus sentimentos e busque suas próprias realizações através de sua filha .

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    Durante a história da humanidade esta provado que as mulheres perpetuaram os laços e cuidados com a família , sendo então possível que a relação mãe e filha contribua e possa promover o que se conhece como “ identificação emocional e de papeis” (Mottram &Hortaçsu, 2005) e através do conceito de similaridade ocorra uma relação mais próxima como ocorre nas amizades (Hinde, 1997).

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    Para encerrar devemos nos conscientizar que o positivo e negativo coexistem numa relação entre mães e filhas e que esses sentimentos são normais ; porém as discussões com sentimentos negativos devem ser evitadas bem como qualquer conflito . Neste contexto em especial , as mães percebem os pontos similares das filhas e caminhos de aproximação , enquanto as filhas envelhecem e valorizam a relação sem aproximando mais e mais de sua mãe.

    Bibliografia e fontes

    Flavia Gaze Bonfim: Este artigo é resultado de trabalho apresentado no “IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental”, cujo tema era “O amor e seus transtornos” – Curitiba, Setembro/2010.Apoio: Programa de Pós-graduação da UERJ. https://www.scielo.br/j/fractal/a/ybh9SJBp5hfVm37RwQvyHvk/?lang=pt; https://galvanicarvalho.com.br/2018/03/27/mulher-falica-mae-falica-filha-falica-como-entender-essas-relacoes-e-melhora-las/; https://www.tuasaude.com/complexo-de-electra/; http://psicoativo.com/2016/09/diferencas-entre-egocentrico-e-narcisista.htmlhttps://www.scielo.br/j/fractal/a/ybh9SJBp5hfVm37RwQvyHvk/?lang=pt;A Devastação Materna e Suas Repercussões Nas Parcerias Amorosas – Andrea Eulálio de Paula Ferreira,2015;Mães e filhas: da possível separação à construção do espaço de concepção- Lívia Mariane de Sousa Schechte,2014

    O presente artigo foi escrito por Gladis Matteo([email protected]), nascida em Campinas década de 60. Se dedicou a arte de instrumento musical , teatro e dança . Cursou Engenharia e se dedicou ao ensino técnico por 12 anos. Autodidata desde 1985 , no estudo da mente, religiões, crenças, psicologia . Atualmente aluna do curso de psicanalise clinica .

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