filme Divertida Mente

Filme Divertida Mente: uma análise psicanalítica

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Divertida Mente é um filme americano lançado pela Walt Disney e produzido pela Pixar, dirigido e co-escrito por Pete Docter. Ele retrata a história de uma mocinha chamada Riley e a forma como sua psique atua perante as transformações em sua vida.

A seguir, abordaremos esse filme do ponto de vista da psicanálise. Paul Ekman, psicólogo famoso por sua especialidade nos estudos das emoções, pioneiro das microexpressões faciais, em uma de suas pesquisas mapeou cinco principais emoções globais: Raiva, Tristeza, Desgosto, Medo e Alegria.

Entendendo o filme Divertida Mente e as emoções

Essas emoções são representadas no filme Divertida Mente, em que Ekman foi também consultor, pelos personagens de mesmo nome, Raiva, Tristeza, Nojinho/Desgosto, Medo e Alegria. É através desses personagens que a história se desenrola a partir da mente de Riley, em que eles processam as informações que chegam à psique da menina e as guardam nas memórias.

É notório durante o filme que os personagens representados pelas emoções (Raiva, Tristeza, Nojinho, Medo e Alegria) encontram-se em uma sala (psique) onde permanecem em vigília, observando e tentando controlar tudo o que acontece na vida de Riley. O que acontece durante o dia da garotinha eles armazenam nas memórias (esferas). Cada tipo de esfera, representada por uma cor, é classificada conforme as emoções mais intensas sentidas naquele instante por Riley.

Ou seja, magnificamente o filme retrata que as memórias são gravadas pelas emoções. Segundo Freud, pai da psicanálise, os sonhos são manifestações do inconsciente, realização de desejos reprimidos e também recordações de acontecimentos diários.

Filme Divertida Mente e Freud

Quando no filme Riley dorme, acontece o processo de transferência para a repartição de longa permanência, representando assim o fato de que é no decorrer do sono que o cérebro processa e armazena os dados obtidos ao longo do dia. Já falava Sigmund Freud: “Não somos o que pensamos ser. Somos mais, somos também, o que lembramos e aquilo que nos esquecemos; somos palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, “sem querer”.

”É importante salientar que toda emoção tem o seu valor, embora elejamos a Alegria como a emoção principal, o Medo, a Raiva, a Tristeza e o Nojinho também são importantes na vida de uma pessoa, e isso fica evidenciado perfeitamente no filme. A personagem Alegria enxerga a todos os acontecimentos com exagerado positivismo, ignorando a realidade dos fatos, sempre excluindo a Tristeza.

Logo, o filme traz a reflexão em relação à cobrança social sobre o indivíduo, o qual ele sempre precisa parecer estar feliz, a qualquer preço, mostrando assim que a Tristeza é essencial, pois através dela compreendemos melhor a realidade dos fatos, e através dessa compreensão é possível alcançar um estado de bem estar verdadeiro e não superficial como aconteceria caso a tivéssemos ignorado.

O medo no filme Divertida Mente

Já o Medo e o Nojo são emoções essenciais para nos mantermos vivos. O Medo nos auxilia a pensar nas consequências de nossas atitudes, evitando assim nos colocarmos em situações de risco. O Nojo impede de nos expor a situações danosas para nossa saúde, evitando e identificando coisas sujas ou infecciosas que resultariam em doenças ou até a própria morte. A Raiva é uma emoção que nos ajuda a evitar que injustiças aconteçam, e caso aconteçam, ajuda-nos a corrigi-las.

Portanto, o que o filme nos mostra é a importância de sabermos ter um autocontrole de nossas emoções para um bom equilíbrio psíquico. Para a psicanálise, grande parte da personalidade de um ser humano é concebida ainda nos seus primeiros anos de vida. É fácil identificar no filme que as memórias bases são as memórias que estão ligadas e influenciam diretamente a personalidade de Riley, pois foram nelas que se guardaram ocasiões muito especiais da vida da garotinha, o que resultou na formação das ilhas da personalidade, representando assim no mundo real o processamento das lembranças no hipocampo cerebral, responsável por converter memórias curtas em memórias de longo prazo.

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É como já dizia Freud, o pensamento e o comportamento humano são governados por forças inconscientes cujas origens estão nas emoções da infância, as quais influenciam na formação das estruturas psíquicas e permanecem por toda vida do indivíduo. Logo, podemos concluir que o filme Divertida Mente nos mostra a importância, desde a mais tenra infância, do saber expressar as emoções e o saber ouvir dos pais, ou quando a criança ainda não sabe falar, o saber interpretar suas reações, pois como nos ensina a psicanálise, a cura de todo sintoma, de toda emoção mal vivida, se dá pela fala.

Considerações finais

Quando demonstramos nossos sentimentos, também através das palavras, conseguimos ouvir a nós mesmos e compreendemos melhor a realidade através dos ouvidos dos que verdadeiramente nos ouvem. Conhecer-se e entender as próprias emoções, deve fazer parte do processo de amadurecimento de todo ser humano.

É importante que todos entendam que sentir-se triste, com medo, raivoso, ou ter nojo é algo absolutamente normal e saudável. O que não é normal e não é saudável é o não sentir ou sentir de forma constante e desproporcional essas emoções.

O presente artigo foi escrito por Juliana. Nasceu em Belo Horizonte no ano de 1990, é bacharel interdisciplinar em ciência e tecnologia, criadora do @analise_sem_neura no instagram, psicanalista clínica e programadora neurolinguística (PNL) em constante formação. Embora também possua formação em engenharia civil pela Universidade Federal de São João Del Rei, sua paixão pela mente humana, sua vontade de ser agente de transformação no mundo e o desejo de fazer dos seus esforços e ações serem acolhimento, evolução, sucesso e proporcionar paz aos sofrimentos, trazendo de volta a felicidade daquelas pessoas que a procuram, falaram mais alto do que a convivência com os números.

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    3 thoughts on “Filme Divertida Mente: uma análise psicanalítica

    1. Excelente conteúdo que poderá ser explanado para o conhecimento dos traços de caráter ( Esquizoide, oral, psicopata, masoquista e rígido). Embora a colocação dos personagens como representantes das expressões emocionais, também há a relação com os traços de caráter onde cada personagem possui suas características únicas expressando suas dores e recursos existências. Essa verdade é vista no desenho por meio da estrutura corporal de cada personagem e os conflitos e semelhanças que há entre eles. Além disso, há um personagem que fica mais tempo no painel de controle que reflete diretamente no comportamento da Riley, ou seja, influencia na forma como ela pensa, sente e age. Dessa forma, fica claro que o conhecimento que o filme nos trás vai além das emoções que foram rotuladas para cada personagem.

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