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Serial Killers: entre psicóticos e perversos

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A maioria das pessoas são levadas a pensar de maneira equivocada por conta da mídia: filmes, séries, livros, games, etc. que todo serial killers é psicopata.

Neste artigo vamos mostrar os dois principais tipos sob a ótica da psicanálise: psicótico e o portador de psicopatia (o perverso). Serial Killers (assassinos em série) estão presentes na história humana desde o inicio do surgimento da sociedade.

A história dos serial killers

Na Idade Média era difícil para as pessoas comuns aceitarem que existência de seres humanos capazes de atos tão atrozes, então preferiam crer que tais pessoas estariam dominadas por forças demoníacas e se transformavam em monstros como: lobisomens, vampiros, bruxas, e outros monstros.

No final do séc. XIX com o desenvolvimento da metodologia científica e contribuições de pessoas como Lombroso, Raffaele Garofalo, Enrico Ferri, começaram surgir ainda que de maneira simplório e até equivocada as primeiras tentativas de se entender as mentes criminosas fora do mundo mítico. Neste cenário surgiu o primeiro criador de perfil Criminal o cirurgião inglês, o Dr. Thomas Bond, que traçou um perfil para a polícia do assassino em série Jack, o Estripador, que atuava na época.

Mas onde entra a psicanálise nisso tudo? Graça a criação da psicanálise por Sigmund Freud foi possível uma imersão na psique humana. As estruturas topológicas (id, ego, superego), complexo de Édipo, fenômeno da castração, perversão, subestruturas como sadismo, fetichismo, psicose são conceitos psicanalíticos que nos permitiram entender o ser humano e consequentemente conhecer a mente criminosa. E o Serial Killer seguindo os conceitos psicanalíticos pode ser tanto psicótico quanto perverso.

A percepção de realidade dos serial killers

Sendo que a principal diferença entre eles é a percepção de realidade do mundo que os cercam. O Serial Killer do tipo psicótico seria aquele indivíduo portador de psicose, então comete seus atos bárbaros devido a falta de contato com a realidade que pode ser resultante de esquizofrenia, alucinações, ou algum outro transtorno deliróide.

Como por exemplo, o assassino americano Richard Chase, conhecido como o vampiro de sacramento, que achava que seu sangue estava virando pó, e era vítima de abdução alienígena acreditando que precisava consumir sangue humano para continuar vivo. Já o serial killer do tipo perverso ao contrário do psicótico tem plena consciência dos seus atos, mas os realiza por puro prazer de realização de suas fantasias sádicas de poder e sexo.

Mas como alguém pode agir de maneira tão desumana? A psicanálise explica. Quando nascemos chegamos com um ego em formação e com um id pronto com nossos instintos primitivos com nossas demandas, com o relacionamento com a mãe esses instintos vão se adequando e o ego começa a se formar e evoluir por meio desta comunicação.

Melanie Klein e os serial killers

Como a psicanalista Melanie Klein explica que nesta relação passamos pela fase esquizoparanóide onde temos as nossas demandas primitivas que queremos que sejam sanadas a qualquer custo como a necessidade de ser amamentados e protegidos. Com isso vamos desenvolvendo uma boa relação projetando e introjetando, evoluindo o nosso ego.

E tão logo reconhecemos a mãe como “um indivíduo independente” existente separado do nosso corpo passamos então para a fase depressiva que se caracteriza pela culpa devido a nossa forma agressiva e raivosa que nos expressávamos no inicio. Assim, começamos a desenvolver uma consciência de limite entre nós e o outro. Mas ainda não temos uma consciência social e moral que ainda virá na terceira infância na “fase edipiana”.

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Na terceira infância chegamos à fase chamada por Freud de “Complexo de Édipo”, onde reconhecemos a presença da figura paterna como companheiro da nossa mãe, então as energias pulsionais do id direcionadas inicialmente a ela são redirecionadas para a sociedade em busca de novos relacionamentos e experiências.

A relação com a terceira infância

Este processo dentro da fase edipiana é chamado de castração, e acontecendo de forma adequada é muito benéfica ao indivíduo pois direciona as suas energias pulsionais de maneira construtiva para a sociedade. Porém, se esta transição for disfuncional onde a criança sofra da ausência da figura paterna, ou ainda seja vítima de maus tratos desta, poderá direcionar suas energias de forma destrutiva para o mundo, formando uma personalidade perversa, não tendo empatia com outras pessoas e não respeitando figuras de autoridades, entre outros fatores.

O perverso possuí subestruturas ligadas a sadismo, masoquismo e fetiche. E uma vez formando uma personalidade perversa ela pode variar entre leve, moderado e grave. Os serial killers são perversos graves, ou seguindo o DSM5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) são portadores de transtorno antissocial do tipo grave, e são motivados pela necessidades de impor dor e sofrimento a outra pessoas.

Muitos começam já na infância treinar em pequenos animais. Podemos mencionar aqui a “tríade de Macdonald” ou também conhecida como “tríade homicida” descrita pelo psiquiatra forense neozelandês John Marshall Macdonald em seu artigo ‘The Threat to Kill’ (1963), onde se evidencia um padrão de comportamentos na infância dos assassinos em série, sendo um conjunto de três fatores: crueldade com animais, obsessão com fogo, e enurese noturna. Analisando cada um destes fatores podemos verificar o que está escondido por trás delas: Crueldade contra animais: A crueldade contra animais na infância é uma forma de sadismo voltado as formas de vida inferiores, ou pode ainda ser uma forma de treinamento psicológico para chegar iniciar com pessoas, algumas vezes pode ser contra crianças mais frágeis.

O serial killer Edmund Kemper

O serial killer americano Edmund Kemper enterrou seu gato de estimação vivo; igualmente o maior canibal americano conhecido, Jeffrey Dahmer, que enforcou um gato. O psicopata brasileiro Chico Picadinho enforcava gatos em árvores. (aparentemente serial killers e gatos não se dão bem :c).

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    Obsessão com fogo: brincadeiras do fogo e incêndios devem ser entendidos como uma forma de liberar sentimentos de frustração e raiva. Enurese noturna: Após os cinco anos de idade a enurese (o ato de urinar na cama) persistindo até a puberdade, pode sinalizar um desequilíbrio emocional.

    Considerações finais

    Todos os conceitos vistos acima são importantes, e somados com o estudo de locais do crime, entrevista com criminosos, análises de seus modus operandi (como agem no momento do crime), vitimologia (análise do perfil das vítimas), troféus (objetos retirados da vítima, que podem ser um pedaço de roupa, objeto ou até parte do corpo), e outros contribuíram para a evolução dos estudos da psicologia forense, e consequentemente a construção de perfis criminais.

    Hoje com todo conhecimento é possível durante a investigação de um caso traçar um perfil do criminoso, o tipo de classificação em que ele pode se enquadrar, e por consequência o que o motiva, como escolhe suas vítimas, que ferramentas usa, e quais troféus leva e qual o significado destes troféus servindo assim de ferramenta para auxiliar a equipe de investigação chegar a um suspeito.

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    Então como pudemos ver a percepção da realidade é a principal diferença pela ótica da psicanálise dos serial killers, os diferenciando entre psicótico e perverso. E que o desenvolvimento dos estudos da mente humana juntamente com a evolução da metodologia seguindo procedimentos científicos criteriosos nos permitiu sair do campo da superstição, e entender e classificar estes perigosos indivíduos com perfil predatório que vivem entre nós.

    O presente artigo foi escrito por Marcos Antônio Ribeiro dos Santos, funcionário Público, formado em Direito, Pós-graduado em Direito e Processo Penal, Psicologia Forense, e Investigação Criminal. Site CSI-Nerd: https://www.csinerd.com.br

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