Ecologia e Psicanálise

Meio ambiente, Ecologia e Psicanálise

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Qual a relação entre a Ecologia e Psicanálise ? Diante da emergente pós-modernidade dos tempos líquidos e da disruptura social, que todos estamos presenciando no contexto e configuração global atual e com o florescimento da era do algoritmo (digital) e o fim, passo-a-passo gradual da fase analógica na sociedade que usa ainda muito papel de árvores, pesquisadores das ‘ciências psi’, (Psiquiatria, Psicologia e Psicoterapias) e, em especial, a Psicanálise, que é uma das formas de Psicoterapia passaram a indagar e questionar qual seria a real interface ou conexão do Meio-Ambiente (Ecologia) com estas esferas do conhecimento humano, entre outras.

A conexão entre Meio-Ambiente, Ecologia e Psicanálise

Em face deste emergente debate se consolidou concepção de que todas as ciências, artes, métodos, técnicas, filosofias e conceitos estão de uma maneira ou de outra, vinculadas ao novo princípio social humano que se traduz no paradigma ecológico. Ou seja, nenhum ramo, do saber e conhecimento humano atual consegue se desvincular desse novo paradigma do meio ambiente, o paradigma ecológico.

É um caminho apontado por especialistas, de alta proa e boas luzes, considerado já sem volta. Todas as vertentes do saber e conhecimento humano estão caminhando de mãos dadas para uma meta, poli e ecodisciplinariedade. Estão saindo do campo da inter, pluri, multi e transdisciplinaridade sem abandonar evidente essas interfaces já consagradas, porém, estão rumando paralelamente para uma concepção global ecológica voltada ao paradigma do meio-ambiente. Isso já é notório.

A motivação desse novo olhar, rumo, direção e sentido tem seu lastro no simples fato de que a ‘poluição ambiental em escala global esta afetando a meteorologia e a climatologia de todo o planeta. É uma realidade incontestável que não suporta o negacionismo. O negacionismo ambiental não tem mais lastro, liame, nexo causal e elos com a realidade concreta dos fatos climáticos.

Aquecimento global, Ecologia e Psicanálise

O aquecimento global pelo efeito estufa esta já plenamente demonstrado através da mãe natureza e as consequências tem sido graves e penosas, com tufões, furacões, tempestades, nevascas imensos calores insuportáveis, incêndios, países com 50ºC como ocorreu na Grécia e Itália.

Muito analistas perguntam de onde estão saindo os dados e metadados que confirmam a informação do aquecimento global ? O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática) relata em seu 6º relatório global recente que caminhamos para um aquecimento de 1,5º C (graus Celsius) de forma global. E os eventos meteorológicos estão provando o juízo objetivo dos órgãos laterais.

O planeta esta aquecendo e esta sendo alvo de grandes eventos cíclicos meteorológicos afetando concretamente o clima mundial. E essa situação requer formação de políticas públicas e privadas não só locais, regionais, nacionais como internacionais de larga escala. A teoria do aquecimento global pelo efeito estufa e a teoria do gás dióxido de carbono são irrefutáveis e solida, provas, estreme de dúvidas.

Efeito estufa, Ecologia e Psicanálise

A teoria do efeito estufa foi proposta pela primeira vez ao planeta, no ano de 1859, por John Tyndall (1820-1883), físico britânico, que lançou a teoria e conseguiu provar cientificamente o efeito como um fenômeno em processo de absorção e emissão de radiação infravermelha por gases atmosféricos no mundo todo, resultando num aquecimento crescente de suas superfícies e com reflexos na atmosfera.

E a teoria do dióxido de carbono foi proposta por Joseph Black (1728-1799), médico químico escocês com ferramentas e aparelhagem projetadas por ele, em laboratório e com observações externas e trabalho de campo, descobriu e provou a existência planetária do gás dióxido de carbono que inicialmente teria chamado de ‘ar quente’ cuja fórmula molecular é CO₂.

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E por fim, Charles David Keeling (1928-2005), climatologista e cientista pesquisador norte-americano, concebeu o instrumento denominado ‘curva Keeling’, para realizar com maior exatidão possível a medição (métrica) dos níveis do CO₂ (Dióxido de Carbono) na atmosfera do meio ambiente. E ele conseguiu fazer uma projeção das métricas geo-ambientais em ‘ppm’ (partes por milhão) desde o período da pré-revolução industrial,(até 1760); depois, da revolução industrial propriamente dita (1760-1840) e, na pós revolução industrial, (pós 1850) e que chegou aos nossos dias, pós modernidade dos tempos líquidos.

A parametrização geo-ambiental da curva de Keeling

Essa projeção denominada de parametrização geo-ambiental da curva de Keeling, é uma ferramenta considerada de alta acuracidade e que serviu de base à confecção do Relatório Especial de Cenários de Emissão de GEE (Special Report on Emissions Scenários GEE), a partir de 2010, numa visão de longo prazo que são monitoradas pela Sala Mundial de Situação Ambiental do IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas).

A curva de Keeling é uma análise métrica precisa e registra a concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Começou a ser realizado a partir de 1958, até o presente, tendo como ponto de partida o OLM (Observatório de Mauna Loa) no Havaí, EUA. Essa escala métrica é a melhor do mundo, melhor que a mera avaliação da oscilação de temperaturas em graus ºC, ºK e ºF.

Segundo a NOAA,( Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) que faz a métrica junto ao IPCC, ligado a ONU, em abril de 1999, a concentração de dióxido de carbono era de 372,23 ppm (partes por milhão) no mundo todo. Essa métrica é global. Em 2013, já registrava 400,63 ppm. O mais grave é que em 2019, registrava 417,23 ppm de concentração em todo o mundo. E atualmente, pasmem-se, junho de 2020, estamos com 421,36 ppm de concentração apenas do dióxido de carbono.

As ciências psi e o meio ambiente

Não estamos considerando o segundo gás do gradiente dos GEE (Gases Efeito Estufa) o metano. Fora os outros gases ( N2O, O3, halocarbonos e vapor d’água). Os pesquisadores se focaram mais no dióxido de carbono por ser um gás que rivaliza mais frontal e diretamente com o oxigênio. É um quadro ambiental muito grave e paulatinamente crescente que prova que nem com pandemia do Covid-19 baixaram as emissões.

O meio ambiente é um vetor muito sério e esta numa conexão muito forte com as ‘ciências psi’ porque as causas da poluição ambiental são antropogênicas, ou seja, são resultados das ações humanas. E psicologicamente, os seres humanos não estão dando a mínima para o meio ambiente. O acordo de Paris, que foi firmado em NY,EUA, 2015,se transformou num completo fracasso.

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    Não conseguiu reduzir as emissões. A interface do meio ambiente com a Psicanálise a partir desta análise é plenamente demonstrada que o vértice do problema e do desafio reside no campo psicológico e ético humano.

    Considerações finais

    Estados nacionais que induziram acordos não resolveram o impasse ambiental e tentam fragmentar o paradigma geo-ambiental. Por hora, construíram uma farsa social eivada de narrativas verdes e hipocrisias e com uma impostura e crise ética imensa. A apresentação atual via mídia de um eixo de preocupações com meio ambiente é ainda um sofisma global.

    As emissões não diminuíram e estão a cada ano aumentando mais. A projeção é de que se não houver uma reação global séria e abnegada, vamos atingir em 2050, o possível patamar por volta de 470,00 a 475,00 ppm. E, em 2100, se não debelarem as emissões estaremos com patamar possível por volta estimada de 510,00 ppm fruto das vaporizações veiculares, canos de emissões e outras fontes.

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    O desafio passou a ser tentar entender psicologicamente porque existe uma negação e resistência para construírem políticas publicas e alterar matriz energética. As ‘ciências psi’ serão chamadas para tentar decifrar esse dilema.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]) é licenciado em Filosofia e História. Possui PG em Ciências Políticas, realizando PG em Psicanálise e acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica.

     

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