Estudos sobre a Histeria

Estudos sobre a Histeria Freud e Breuer

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Você é um histérico ? Ao ouvimos expressões sobre os estudos da histeria, vem à mente pessoas que possuem dores sem apresentar razões, que se jogam no chão, paralisadas, dando o que costumeiramente classificamos de “ show” em público. É uma dos conceitos psicanalíticos, dentre tantos, que necessitam sair do senso comum.

De modo resumido podemos definir histeria como o cerceamento de desejos existindo o que chamamos de “ auto sabotagem”, pensada junto com a fobia e obsessão, uma divisão da neurose.

Os estudos da histeria de Freud

Charcot, entre outros, no século XIX, faz um processo de descrever as manifestações histéricas qualificando-a como “ doença neurológica” examinando os seus sintomas : convulsão, paralisia, espasmo.

Freud, no começo, usa a hipnose para “ superar o sintoma”, pouco tempo depois procura um método para levar à consciência experiências ligadas aos sintomas, havendo uma rememoração do que foi recalcado. Importante frisar que as dores, na maioria das vezes, existem de fato e são catalisadas no físico.

A influência de Charcot

Vale notar que anterior a Charcot, a histeria era essencialmente feminina, ligado principalmente ao sofrimento da mulher e a partir do médico começa uma analise da histeria também como algo masculino.

Livro “ Estudos sobre a histeria”

No livro “ Estudos sobre a histeria”, Freud e Breuer desenvolvem a associação livre, abandonando os procedimentos clínicos como os da sugestão e da hipnose. A associação livre é um relato onde aparecem atos falhos, sonhos, lapsos e ao relatar os sintomas há uma relação do inconsciente com o que é falado.

Essa tomada de consciência leva a um processo de melhora. Apenas solicita que a “ paciente” se deite, feche os olhos e concentrasse, e a partir daí surgiam as memórias. Porém os resultados, nas palavras do próprio Freud, eram por demais demorados, analisando que se devia à resistência proveniente da própria pessoa.

A partir de tal ideia nasce os conceitos de resistência e defesa, instrumentos que impedem que cheguem ao Eu ( ego ) as representações da patogênica. O livro Estudos sobre a histéria se constitui peça chave do que posteriormente se designou psicanálise.

O caso de Elisabeth Von R.

Um caso analisado por Freud no livro é o de Elisabeth von R. , sendo o caso de número quatro: uma moça de 24 anos , húngara, que passa por Freud por um período de aproximadamente 10 meses. A queixa era de dor excessiva, um cansaço que aparecia simplesmente ao ficar em pé ou andar um pouco, distúrbios esses que apareceram pela primeira vez, segundo relato da mesma, quando cuidava do seu pai acamado. Porém antes do falecimento do genitor acontece o da própria irmã.

As fases do tratamento

O tratamento é dividido em três fases. A primeira fase foi a hipnose que não produz o efeito esperado, pois Elisabeth não se mostrava muito a vontade.

Passa no instante seguinte Freud começa a colocar a mão em sua fronte e a lembrança que apresentou foi que quando seu pai se encontrava doente apaixonou-se por um rapaz, e decidiu abandona-lo para cuidar do pai.

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Ao recordar do ocorrido surgiu a dor nas pernas – o que para Freud foi um mecanismo de conversão histérica. Mas a completa eliminação dos sintomas ocorre em um momento de “ sorte”, se é que podemos assim qualificar. Durante uma sessão, a paciente pede para sair : havia ouvido seu cunhado a chamando.

Após essa parada e na sua volta as dores nas pernas reaparecem. Olhando para o fato, Freud recorda que as dores remontam à morte de sua irmã e pai.

Relatos de Elisabeth

Relata Elisabeth então que a ideia da morte da irmã, deixa o cunhado livre e que a partir dessa situação poderia casar com o marido da irmã, mas isso entrava em atrito com a sua consciência moral, o que fazia dessa ideia algo intolerável e que precisava de “ repressão”. A melhora definitiva pode ser comprovada por Freud ao ver Elisabeth dançando em uma festa aproximadamente um ano após o final das sessões.

O caso de Anna O.

O caso mais emblemático foi o de Anna O, talvez por ser o primeiro a ser relatado por Breuer. Apresenta-se Anna como uma jovem de 21 anos, com distúrbios de visão, lado direito paralisado, alucinações, distúrbios na fala ( linguagem ) chegando a perder toda a gramática, mutismo, além de uma tosse insistente, sendo ela fruto de “ família de tendência puritana “ e que na definição é tida como uma pessoa que “ (. . . ) enquanto todos a julgavam presente, ela vivia contos de fada no pensamento”( . . . )

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    Começa a ser atendida e Breuer S percebe que os sintomas desaparecem quando uma memoria é relatada, sendo que a mesma revive os mesmos sentimentos, o que ocorria quando Anna se achava em estado diminutivo de consciência ( auto hipnose ou estado de hipnóide ). Aperfeiçoando sua técnica acaba ele mesmo hipnotizando a “ paciente”.

    A partir dessa experiência que Anna qualifica de Talking cure ( cura por / pela palavra ) e ao processo de memorização do ocorrido e que tem ligação com o surgimento dos sintomas de Chimmey sweeping ( limpeza da chaminé ).

    Catarse nos estudos da histeria

    Alguns sintomas são eliminados por catarse, que é também denominada de ab-reação. Esse é o primeiro texto que aparece o verbo reprimir, como também os conceitos de catarse e de ab-reação.

    Anna relata que sentada ao lado do pai enfermo vê uma serpente se aproximar, mas fica com o braço direito paralisado junto ao encosto da cadeira e que depois do acontecido apenas consegue se comunicar em inglês ficando com o braço imobilizado. Recorda que tal fato ocorreu quando da noite do falecimento do genitor e a partir dessa memorização começa a comunicar-se novamente em alemão e a paralisia do braço não ocorre mais.

    Foi a primeira elaboração do que ficou conhecido como método catártico, dando início ao processo de desenvolvimento da psicanálise. Além de Anna O e de Elisabeth von R. o livro relata também as experiências com Emmy Von N, Lucy e Katharina.

    O caso da Mortalha de Alzira

    Mas podemos pensar também em histeria, dessa vez masculina, fora do contexto freudiano. Em 1891, o escritor Aluísio Azevedo publica em um folhetim o romande “ A mortalha de Alzira”, que se passa nos arredores de Paris.

    Contando a história de um sacerdote (Ângelo) que tem um forte desejo por Alzira, uma cortesã da corte, mas que precisa reprimir esse impulso amoroso a todo custo. Um médico (Dr. Cobalt) é convocado para diagnosticar os motivos dos comportamentos do sacerdote, chegando a nomear que uma das causas é a educação extremamente religiosa que recebeu desde que foi abandonado à porta de uma igreja e desse modo não podemos ter a opção da escolha.

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    Pela primeira vez a histeria é apresentada como sendo de alguém do sexo masculino em literatura.

    Fica o convite a leitura de “Estudos sobre a histeria” para um aprofundamento das narrativas de Breuer e Freud e A mortalha de Alzira de Aluísio Azevedo.

    O presente artigo foi escrito pelo autor Ricardo Pianca([email protected]). Ricardo é filosofo e psicanalista em formação constante, pois acredita que o ser humano sempre tem algo a aprender e a ensinar.

     

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