eu grandioso

Autoestima e eu-grandioso patológico de Heinz Kohut

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Senso de autoimportância, do eu grandioso, falta de empatia e necessidade excessiva de atenção – estes são termos normalmente usados para descrever personalidades narcisistas.

Entendendo o eu grandioso

Na psicanálise freudiana, os narcisistas eram frequentemente vistos como não-analisáveis, porque eram considerados incapazes de formar uma ligação significativa com os outros. Sem a capacidade de formar uma conexão com o analista, os narcisistas eram considerados incapazes de mobilizar uma relação transferencial; movimento essencial na clínica psicanalítica.

O termo eu-grandioso – ou self-gransioso – foi introduzido pelo psicanalista austríaco Heinz Kohut para caracterizar uma autoimagem protetora que uma criança desenvolve quando seu narcisismo natural é prejudicado pela falha da mãe [ou cuidadora] em responder suas necessidades afetivas adequadamente. Esse eu-grandioso normalmente se modifica na medida em que a criança cresce e as respostas de seus pais mudam; no entanto, é suscetível a permanecer inflado especialmente se a mãe nunca responder adequadamente ou responder de forma irreal.

Nestes casos, a criança pode desenvolver transtorno de personalidade narcisista. A regulação da autoestima Na metapsicologia psicanalítica – o aspecto teórico da psicanálise -, o narcisismo é o investimento libidinal do Self. Assim, ele está em contraste com a libido objetal, que é o investimento libidinal direcionado nas representações mentais de um objeto externo. Na prática clínica, narcisismo significa a regulação da autoestima.

Eu grandioso e a autoestima

Normalmente, nossa autoestima é assegurada por uma série de estruturas psicológicas. De forma básica, isso inclui um senso integrado do Eu. Quando temos um senso integrado do Eu, temos um senso de continuidade em diferentes circunstâncias e ao longo do tempo. Essa é a primeira garantia para uma autoestima sadia.

Em segundo lugar, a autoestima é assegurada por nossa internalização da representação de outros significativos, o que em psicanálise é chamado de representação de objeto, ou seja, as representações daqueles que são importantes para nós, de quem amamos e por quem nos sentimos amados. Suas representações também fortalecem a nossa autoestima – estamos rodeados pelos amigos do nosso mundo interior. Além disso, nossa autoestima é fortalecida pela expressão de nossas necessidades instintivas.

Quando somos capazes de expressar tanto nossas necessidades sexuais, quanto as agressivas ou dependentes, nossa autoestima aumenta, enquanto a frustração dessas necessidades a diminui. A autoestima é também regulada por nossa estrutura de Superego; isto é, por nosso sistema interno de valores, consciente e inconsciente, que é construído gradualmente ao longo da infância e da adolescência.

O superego

Esta estrutura do Superego inclui duas subestruturas. 1) O ideal do ego: todos os ideais aos quais aspiramos. Quando vivemos de acordo com esses ideais, nossa autoestima aumenta; quando não somos capazes de corresponder a eles, diminui. 2) O aspecto proibitivo do Superego: autocrítica consciente e inconsciente.

Se não cumprirmos certas expectativas e exigências morais internalizadas, se nos sentirmos culpados pelo que fazemos, ou inferiores por causa dessa autocrítica, nossa autoestima diminui.

Todos nós flutuamos em nossa autoestima. Mas geralmente, se nós tivermos uma vida relativamente satisfatória com os outros, se formos relativamente livres para expressarmos nossas necessidades e instintos de maneira equilibrada, nossa autoestima está bem, mesmo que, de vez em quando, sejamos autocríticos ou temporariamente deprimidos.

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O desenvolvimento da personalidade narcisista

Agora, abordamos um primeiro grau de narcisismo patológico, ou seja, um primeiro grau de regulação anormal da autoestima, que vemos na organização da personalidade neurótica. Os transtornos da personalidade neurótica incluem a personalidade histérica, a personalidade obsessiva compulsiva e a personalidade depressiva masoquista. Em todos esses casos, há uma fixação normal de narcisismo infantil. No narcisismo infantil normal, há uma fixação em valores éticos inconscientes da infância.

Portanto, a regulação inconsciente da autoestima pelo Superego é realizada em termos de proibições da infância, que na idade adulta não devem mais ser obedecidas. Isso fica evidente no tratamento psicanalítico da neurose, no qual, quando o terapeuta tenta colocar em questão os traços de caráter patológicos, o paciente se sente agredido. O narcisismo infantil o “protege” da patologia. Um segundo grau de patologia narcisista, este descoberto por Freud, foi descrito como narcisismo patológico.

Aqui, o paciente projeta seu Self em outra pessoa, ao mesmo tempo que se identifica com uma pessoa de quem precisava no passado. Normalmente, Freud descreveu como presente em alguns casos de homossexualidade masculina, em que o paciente projeta seu Self infantil em seu objeto, seu parceiro, enquanto ele mesmo se identifica com sua própria mãe, tratando seu parceiro como ele gostaria – de ser tratado por sua mãe.

O transtorno narcisista de personalidade e o eu grandioso

O transtorno narcisista de personalidade – o eu-grandioso patológico O terceiro grau – e o tipo mais grave de narcisismo patológico – é constituído pelo transtorno narcisista da personalidade. Embora não tenha sido descrita por Freud, é a aplicação mais importante do conhecimento sobre o narcisismo iniciada por Freud, mas só descoberta, muito mais tarde, na obra conjunta de Karl Abraham (1919), Joan Rivière (1936), Belà Grunberger na década de 1950, Herbert Rosenfeld nas décadas de 1960 e 70, Hans Kohut nos anos 1970.

O complexo patológico do eu-grandioso é uma combinação dos aspectos ideais do Eu e dos outros. É uma versão idealizada e irreal do Eu. Assim, o self-grandioso patológico significa uma absorção de tudo que é bom e um afastamento do mundo interno das representações, dos outros significativos. O que é bom nos outros é absorvido pelo Eu; o que é mau é projetado. Na teoria de Kohut, o eu-grandioso é originalmente equilibrado.

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    No entanto, o eu-grandioso patológico absorve aqueles aspectos ideais do self e de outros que normalmente constituem uma idealização do ego: portanto, o paciente com narcisismo patológico não tem um ideal do ego integrado e, portanto, carece do sistema interno que reforça a autoestima. Da mesma forma, os aspectos críticos do Superego tendem a ser fortes, uma vez que não são neutralizados pelo ideal do ego, que têm dificuldade em tolerar este Superego muito severo que cria uma tendência para se projetar – a criticar os outros.

    Conclusão

    O resultado final é um Superego enfraquecido e uma tendência a se sentir criticado pelos outros. Este resultado é uma falha na regulação da autoestima. Como o Superego é fraco, não há representações de outras pessoas significativas para sustentar a autoestima.

    Os outros na realidade são desvalorizados porque os aspectos inaceitáveis de si mesmo – e dos outros – são projetados sobre o outro, de modo que a regulação normal da autoestima que vem do amor aos outros também é fraca, resultando em um paradoxo essencial.

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    O eu-grandioso patológico significa que o indivíduo tem uma visão grandiosa, mas muito frágil de si mesmo, pois carece de mecanismos internos de suporte, o que faz com que o indivíduo fique excessivamente dependente da admiração dos outros.

    Referências bibliográficas

    • Kohut, H. A Restauração do Self. Editora Imago. Rio de Janeiro, 1998 • Siegel, A. M. Heinz kohut e a Psicologia do Self. ‎CASA DO PSICÓLOGO; 1ª edição. 2005. • Narcissism: Heinz Kohut’s Thoughts on Self-Love. Disponível em: https://depthcounseling.org/blog/ngiam-narcissism-kohut

    Este artigo sobre a autoestima e o eu-grandioso patológico de Heinz Kohut foi escrito pela autora Sue Pareico([email protected]), psicanalista e mestre em Medicina Tradicional Chinesa.

    One thought on “Autoestima e eu-grandioso patológico de Heinz Kohut

    1. Muito bom artigo! Normalmente é muito difícil lidar com uma pessoa narcisista, ela sempre se acha superior aos outros.

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