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Família na visão psicanalítica: conceito

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Ao nos depararmos com o conceito de família, reduzimos o seu alcance ao que enxergamos. Contudo, as suas ramificações atingem pontos que por vezes não conseguimos compreender. Com a ajuda de um olhar mais clínico da Psicanálise, entenda o conceito e as entrelinhas propostas pelas relações familiares.

O que é família?

Em suma, segundo Freud, a família é construída diante do assassinato da figura paterna pelas mãos do filho. Falando assim, parece algo super negativo, não é? Explicamos melhor. De acordo com Freud, há uma rivalidade do filho contra o seu próprio pai. O filho acredita que existe uma onipotência patriarcal que fere gravemente tanto ele quanto a sua mãe. Com base nisso, mira o pai a fim de subjugá-lo.

Isso acontece também porque o filho cria uma relação quase que incestuosa com a própria mãe. Sendo ela o primeiro amor de sua vida, o mesmo fará de tudo para protegê-la. Instintivamente, o pai se torna uma barreira entre ele e o fruto de seu afeto. Como este divide a atenção e carinho dados pela figura materna, tem de ser eliminado de alguma forma.

A proposta acima, intitulada complexo de Édipo, foi alcançada com base na tragédia grega de Sófocles, Édipo Rei. A obra trabalha como o menino nutre desejos amorosos pela mãe e sentimentos hostis pelo pai. Na peça de Sófocles, Édipo acaba assassinando o pai e casa com a mãe, acabando com o poder deste. Nas meninas, por outro lado, há um fenômeno semelhante, chamado de complexo de Electra, mas este direciona o amor ao pai.

Todos somos Édipos e Electras

A peça de Sófocles foi um sucesso de público, principalmente no final dos anos de 1800. Perto dali, Freud abordou em sua obra A interpretação dos sonhos como a imagem da família se perpetua. Graças à própria peça, Freud concluiu que esse fenômeno é universal e inerente a nós.

Para chegar a essa conclusão, observou as reações de cada espectador da peça. O público divergia bastante entre idade e classe social, o que causava uma disparidade grande e natural entre percepções. Contudo, cada um se identificou perfeitamente com o personagem. Com base nisso, Freud constatou que se trata de um fenômeno enraizado em nossa natureza.

Emancipação

O conceito de família proposto pela Psicanálise alcança um patamar mais profundo. Toda a sua estruturação visa a libertação de um sistema patriarcal que chega a ser visto como falho pela nova geração. O destronamento do pai serviria para a entrada de novas atitudes e permissões. Dessa forma, a família podia seguir adiante sob uma nova liderança a um caminho mais aceitável.

Além disso, a intervenção do filho tinha o intuito de libertar a mãe da influência do seu pai. Isso porque a mulher é vista pelo filho como um ente submisso às vontades da figura dominante. Com a sua queda, a mãe poderia exercer um papel de maior liberdade e autoridade que o filho lhe atribui.

Não apenas ela, mas ele também alcança uma libertação do modelo antiquado. Contudo, essa relação conflituosa esbarra em alguns pontos ainda no seu crescimento. Desafiar uma figura mais forte que ele e lidar com o que vem depois mexe em sua consciência. Até o momento em que vence, ele é atingido pelo medo e a própria repressão.

Bases da família freudiana

De acordo com Freud, a família possui uma estrutura bem simples com base na relação entre pais e filhos. Graças a isso, é possível observar as interações entre as causas e efeitos decorrentes desse contato. Vamos para elas:

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Lei moral

Ao subjugar a figura do pai, o filho passará pelo crivo da sociedade. Ainda que não aja diretamente sobre o ato, a lei moral incide em sua consciência. Isso porque, nos estudos de Freud, a sociedade proposta naquele tempo advertia qualquer sinal de oposição aos costumes.

Culpa

Com o desejo da deposição do pai sob o julgamento social, um sentimento de culpa o afligirá. Conscientemente ele sabe que relegar o pai a um papel irrelevante é algo desgastante emocional e socialmente. Quebrar sua autoridade, ultrapassar limites e até cometer crimes pode enchê-lo de remorso.

Castigo

Tomamos essa parte como uma consequência da depositação da figura paterna. O filho lida com o desejo da ausência do pai, enfrentando o seu poder. Como ainda é mais fraco, será facilmente castigado, a fim de que entenda quem manda ali.

Composição do Complexo de Édipo

O complexo de Édipo no círculo familiar carrega sinais bem característicos. Como dito parágrafos acima, o fenômeno é universalmente identificado em cada família, independente da classe ou idade. Sendo assim, há um padrão a ser seguido, independente do círculo ou seio familiar. Começa por:

Estágio fálico

Essa fase se inicia aos 3 e vai até os 6 anos, onde há um desenvolvimento psicossexual. Freud acreditava que esse era o momento onde as crianças começavam a se desenvolverem sexualmente. O psicanalista concluiu que a criança começava a ter noção do prazer através de cinco estágios. Sendo assim, havia o estágio oral, anal, fálico, de latência e o genital.

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Libido

Com o estágio fálico, surge também a construção da libido. Isso porque, sendo a mãe o ente que atende diretamente seus desejos, a criança começa a focar seu desejo sexual nela. Ainda que não entenda conscientemente, a criança enxerga a sua mãe como a fonte de uma sexualidade latente e crescente.

Ego

Para conseguir se unir com a mãe, o desejo impulsivo da criança é eliminar o pai. Contudo, esse impulso do Id é freado pelo Ego. O Ego é o responsável por mostrar a realidade contra a sua vontade primitiva. Seria uma forma de apaziguar esse desejo incontrolável, mostrando que haveria consequências e castigos se seguisse em frente.

Considerações finais sobre a leitura da Psicanálise sobre a família

A visão da família trabalhada pelos olhos da Psicanálise mostra uma relação constante de crescimento e identidade com nossos pais. Desde novos, respondemos a um chamado natural, como que uma forma de renovar um ciclo. Dessa forma, estaríamos nos adequando a uma nova realidade, quebrando leis e paradigmas vistos como inadequados.

Tomando a figura de nossa mãe para si, conseguimos preservar a primeira imagem do amor que conhecemos. Para isso, o pai passa a ser visto como “inimigo”, sendo o causador de má repressão à mulher. Como não somos páreo para a sua força, criamos um mecanismo de identificação, o que nos protege da sua ira. Com isso, acaba diminuindo a ansiedade por castração, já que não há rivalidade entre eles.

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