Viena

Viena: conhecendo a cidade onde a psicanálise começou

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Todos da área da psicanálise sabem da relação de Freud com Viena, eterna imperial capital austríaca, ou, à época, mais precisamente fim do século XIX, do Império Austro-Húngaro.

Vamos conhecer um pouco mais sobre a origem e atualidade da cidade de Viena, atual Áustria, cidade de Viena. Falaremos sobre aspectos históricos, naturais e lugares para se visitar em Viena.

Arquitetura e cultura de Viena

Muito mais que o Schönbrunn, o igualmente imperial palácio com jardins à la Versalhes, o quadrilátero dos Habsburgos em pleno centro comercial chama atenção e compõe com os passeios de charretes oferecidos, criando uma atmosfera semelhante à vivida pelo pai da psicanálise – cuja casa, para estudiosos do tema e atuantes, vale conhecer, por simbólico que seja.

Os ares europeus inequívocos e a arquitetura neoclássica, evocando o classicismo original grego de milênios antes. Uma infraestrutura urbana e de transportes de dar inveja – e com muitos belos parques para usufruto dos locais e de turistas. A insofismável Sache-torte, quitute tradicional a acompanhar um bom chá preto – ou Schwarz Tee.

Klimt aqui e acolá, notório artista quiçá contemporâneo de Freud. S-Bahns impecáveis desfilando para cima e para baixo nas elegantes e limpas ruas, os modernos bondes, que, se ativarmos a imaginação, também nos levam ao “fin de siécle” novecentista.

O cenário natural da cidade de Viena

O rio Danúbio compõe a bela paisagem urbana, de edifícios bem delineados e horizontais, mormente. A ciclovia que o margeia perpassa pontes e transporta o transeunte a belas perspectivas do rio e culmina na vista de arrojada arquitetura de uma usina térmica ou afim, com fortes tons pós-modernos.

Capital irmã de Bratislava, Eslováquia, chega-se de trem, igualmente moderno, em duas horas, o que permite um belo day-trip. A Budapeste também não se leva muito tempo, no mesmo modal, e com semelhante prazer ao rodar e observar, deixar a livre associação se fazer, as memórias, o inconsciente em fissuras do consciente aflorar.

As tão evocativas viagens à Europa… palco de história e cultura, berço da civilização ocidental. Um colírio e deleite para os sentidos e paladares.

Culinária e gastronomia

Para além da culinária germânica, dos Würste, ou linguiças, há o famoso Schnitzel, que pode ser degustado com a mostarda típica da região. De preferência com uma boa cerveja ou um bom vinho do país vizinho ao norte, a Itália. Os Alpes estão logo ali, a oeste. Alcança-se com igual facilidade e praticidade cidades austríacas idílicas como Innsbruck, às margens do rio Inn, e Salzburg.

Linz e Graz são destinos igualmente interessantes, tendo uma delas inclusive um café flutuante de destaque para os turistas, em meio ao rio que corta a cidade. Albergues para os jovens ou não tão jovens permitem a troca com os locais e demais turistas. Hotéis são encontrados à farta e sempre têm um padrão mínimo de qualidade. Os cafés-da-manhã com toques locais dão ainda mais graça à imersão na capital da psicanálise e da arte.

Os cafés são imperdíveis e levam a reflexões sobre o clima e Zeitgeist do fim do século XIX e início do século XX, quando Freud por lá transitava e lecionava e analisava, trocando com os pares nacionais e eurocontinentais. Se a fome apertar e se se estiver na rua, uma boa pedida é o kebab, feito com generosidade e frescor pelos muitos imigrantes turcos e seus descendentes que por lá habitam.

Museus e lojas para visitar em Viena

A rua de pedestres principal, Mariahilfer Strasse, com suas lojas sofisticadas e de público geral entremeadas a cafés e restaurantes, vale a visita. Expressões culturais de música e performances de artistas de rua se fazem à larga por lá. Em seu início, o Museums Quartier, com destaque para o primeiro, de arrojada e brutalista arquitetura, cinza escuro e impenetrável ao olhar, a se desvelar em seu interior, como o inconsciente, por meio dos sonhos e dos atos falhos ou chistes.

O Rathaus – prefeitura – e a praça onde se dão shows e manifestações populares também vale conferir, assim como a igreja de Sankt Stephen. A noite é um prazer à parte, com luzes e sombras que nos levam ao mundo de outrora ou ao mundo atual, a depender do local e do estabelecimento. Ainda se lê com voracidade jornais em cafés, enquanto que em pubs e locais afins se tem um aspecto neon, jovial e hi-tech.

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A mescla enriquece o olhar atento do visitante e gera curiosidade. As normas sociais, que podem ter levado a um constatar do superego vigilante e castrador, lá se fazem, bem como flertes em panfletos e cartazes ou pichações de partidos políticos mais à linha da ascensão ultimamente notada no continente.

Língua e história na cidade

O idioma é um espetáculo à parte, e para os fluentes em alemão fica ainda o desafio de conhecer um pouco da entonação e do linguajar modulado da região e da cidade luz do Danúbio, a começar pelo Servus, em vez do Guten Tag – bom dia.

Uma soma de perspectivas, locais e memórias, que decerto influenciaram Freud no delinear de sua tese psicanalítica e que se faz presente em detalhes a serem apreendidos em cada esquina de tal bela capital europeia, que merece permanência de ao menos uma semana, como os muitos tratados internacionais que lá foram celebrados, o fluxo cosmopolita, a visão de futuro, os ares históricos e ela, sempre ela, a psicanálise.

Este artigo sobre o que visitar em Viena foi escrito por Luís Freitas (instagram: @luis2049edu), motociclista e apreciador de bons textos e filmes e da natureza.

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