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Função dos Sonhos: para que servem os sonhos afinal?

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Qual a função dos sonhos? Além da curiosidade comum pelo significado dos sonhos, outra questão interessante é entender para que servem os sonhos.

Sonhos

Alguns dicionários, trazem a definição de sonho, basicamente, como uma atividade mental composta por um conjunto de ideias e imagens, mais ou menos realistas, que se manifesta durante o sono.

Porém, se estendermos o debate para distintas áreas do conhecimento como a psicanálise, neurociência e religião, por exemplo, os sonhos ganham conceitos e funções diferentes.

Qual a função dos sonhos? Algumas visões que podem auxiliar nessa compreensão.

Para que servem os sonhos: visão da psicanálise

A psicanálise busca a compreensão dos sonhos por meio do interesse pelo seu significado. Segundo, Sigmund Freud, o sonho é a realização disfarçada (fachada) de um desejo reprimido (inconsciente) e sua linguagem ocorre por meio de símbolos.

O pai da psicanálise fez com que esse tema adquirisse um caráter científico com a publicação do livro “A Interpretação dos Sonhos”, em 1900, o qual gerou polêmica pela relevância atribuída pelo autor ao conteúdo inconsciente do pensamento humano.

Freud criou uma ligação entre os sintomas da histeria (transtorno psiquiátrico caracterizado pela somatização) e os sonhos por meio da livre associação, ou seja, relato do paciente durante a sessão psicanalítica. Alguns críticos são céticos quanto à recuperação fiel do conteúdo do sonho descrito pelo analisado, bem como, quanto à relação causa e efeito entre o desejo e o sonho.

A função dos sonhos segundo Bion, Jung e Winnicott

Invertendo o conceito trazido por Freud, o psicanalista britânico Wilfred Bion dizia que os sonhos não são um resultado de ideias inconscientes (latentes) e sim produzem por conta própria o que é consciente e inconsciente.

Para o psiquiatra Carl Gustav Jung, os sonhos seriam uma forma de compensação a fim de manter o equilíbrio da mente, o que ampliou a função dos mesmos como uma forma de expressão e não apenas como uma fachada (realização de uma vontade reprimida) – assim descrita por Freud.

Em 1971, o psicanalista Donald Winnicott publicou o artigo “Sonhar, Fantasiar e Viver”, chamando a atenção para o que é falso e verdadeiro na experiência humana e salienta que os sonhos constituem uma ferramenta valiosa do sujeito que amadureceu de forma sadia.

A função dos sonhos e as lembranças

Diversos autores atribuem ao sonho um papel terapêutico ao associar lembranças traumáticas, o que permite o alívio das tensões geradas por tais recordações perturbadoras.

De todas formas, na psicanálise há um entendimento de que os sonhos estão carregados de conteúdo emocional e que, consequentemente, podem auxiliar na interpretação de dado momento psicológico do paciente.

Sonhos na visão da neurociência

Enquanto os psicanalistas têm interesse pelo significado dos sonhos, os neurocientistas se debruçam sobre o estudo dos aspectos biológicos relacionados à elaboração desses.

Embora antagônicos, os achados psicanalíticos e da neurociência são complementares e contribuem muito para a relação corpo e mente, como afirma o psiquiatra Morton Reiser.

Para neurocientistas o sonho é um dos elementos menos conhecidos até os dias atuais, contudo, já sabe-se que ele pode ocorrer em qualquer fase do sono.

A neurociência traz as bases biológicas do sono que está composto pelos estágios:

1. não REM (sono de ondas lentas) caracterizado por ser uma fase mais leve de relaxamento corporal e pela queda das funções metabólicas e pelo

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    2. sono REM (paradoxal) que trata-se de uma fase mais profunda do sono, com rápido movimento dos olhos, maior consumo de oxigênio, perda quase total de tônus muscular e presença dos sonhos mais elaborados e profundos.

    Segundo teorias científicas recentes, os sonhos são consequência de associações e memórias do córtex cerebral, que durante o sono REM, geram emoções e imagens conhecidas. Para a neurociência sono e sonho são reparadores físico e mental, que visam manter a saúde do organismo e a consolidação da memória.

    Para que servem os sonhos: visão de algumas religiões

    Nas antigas tradições, os sonhos eram uma forma de contato divino e, segundo algumas passagens bíblicas, os sonhos serviam de advertência para os profetas. Na passagem intitulada “A fuga para o Egito”, José adverte Jesus sobre o sonho que teve com Herodes e a intenção deste rei em matar Jesus.

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    Na visão espírita os sonhos são viagens para outras dimensões que são imperceptíveis para o indivíduo. Isso é possível, segundo o espiritismo, pelo desprendimento do espírito da matéria corpórea durante o sono.

    Ainda nessa linha, os sonhos podem ser uma forma mediúnica de manter vínculo com pessoas já falecidas a fim de obter algum ensinamento. Para algumas religiões de matriz africana, os sonhos possuem um caráter de chamamento religioso, ou seja, transmissão de mensagens das entidades espirituais para o sonhador.

    Experiência de quase morte ou apenas sonhos? Ciência x Espiritismo

    Como já mencionado, na visão espírita o corpo liberta a alma durante o sono. Baseados nessa teoria existem relatos de pessoas que passaram por experiências de quase morte como: verem-se deitadas no leito do hospital e/ou visitando familiares já falecidos.

    Essas experiências, segundo estudiosos da doutrina, validam o capítulo 8 do “Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, que entre outras coisas afirma sobre a capacidade do espírito de emancipar-se do corpo, durante o sono, e voltar a habitá-lo.

    Em contrapartida, para a ciência, em algumas situações de crise como uma parada cardíaca, por exemplo, a modulação entre o estado de vigília e o sono REM fica prejudicada e é quando ocorrem as experiências de quase morte, pois o mesmo mecanismo que produz o sonho é acionado gerando alucinações, assim definido como ‘sonhos lúcidos’, ou seja, mais próximos do estado consciente.

    Conclusão: a função dos sonhos

    Apesar dos avanços científicos, ainda há um longo caminho a estudado sobre os mecanismos de funcionamento dos sonhos e, portanto, é necessária muita cautela ao abordar o assunto a fim de evitar desinformação e possíveis conflitos entre as distintas áreas do conhecimento.

    Este artigo foi escrito por STELA MARIS MACIEL ([email protected]), jornalista, especialista em saúde e estudante de psicanálise.

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