George Vaillant

George Vaillant: conceitos e contribuições para a psicanálise

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George Vaillant é um psiquiatra norte americano, que nasceu em 16 de junho de 1934, obteve formação em medicina no Colégio de Medicina de Harvad, (Harvard Medical Shool) onde obteve o titularidade de médico psiquiatra especialista e após iniciou suas pesquisas junto ao Departamento de Psiquiatria do Hospital Brigham and Women, em Boston, EUA, onde se dedicou a pesquisar a psicose denominada esquizofrenia por dependência de drogas,(maconha, cocaína, heroína, alcoolismo), e transtorno de personalidade.

A contribuição de George Vaillant para Psicanálise

Vaillant trabalhou incansáveis 30 anos como diretor de estudos do desenvolvimento de adultos no serviço de saúde da aludida universidade. O estudo traçou o perfil pregresso e prospectivo de 724 homens e mulheres por ele observados.

Ele já vinha de um sofrimento imenso que foi a perda do genitor (pai) que havia se suicidado em 1945, quando ele estava com 11 anos e foi um choque na família. Ele desenvolveu profundas razões emocionais para se interessar por ciências psicológicas focando a Psiquiatria e demais ciências ‘psi’ (psicologia e psicanálise) notadamente a linha freudiana.

Realizou residência médica psiquiátrica no Massachusettes Centro de Saúde Mental onde se interessou por Psicanálise e foi para o Instituto Psicanalítico de Boston, EUA. Ele foi bolsista do Centro de Estudos Avançados em Ciências do Comportamento do American College of Psychiatrists e foi palestrante convidado e consultor para seminários e workshops em todo o mundo.

George Vaillant e os os mecanismos de defesa

O seu grande mérito foi focar os mecanismos de defesa psicológicos por razões óbvias, ele considerava o suicido um mecanismo de defesa, a opção pela finitude. Porém, a ‘finitude’ nunca figurou na lista oficial de mecanismos de defesa. Finitude como mecanismo de colocar fim na vida para se livrar de tudo. Ele sempre buscava tentar entender porque seu pai optou por se suicidar.

Em 2008, ele foi para o Hospital St. Vincent’s em Melbourne, Austrália e em 2009, publicou um artigo com o título ‘O que nos faz felizes?” um estudo com 268 homens ao longo de muitas décadas. Ressalte-se que ele foi casado quatro vezes. Atualmente esta casado com Diane Highum, MD, (portadores do título de doutor (M.D. = Medical Doctor), o grau máximo da profissão), uma psiquiatra graduada pela Harvard Medical School e moram na Califórnia. EUA.

Conhecido como Dr. Vaillant recebeu o famoso prémio em Psiquiatria, da APA, Associação Americana de Psiquiatria e outros prémios mas o grande prémio de sua vida foi o que recebeu em 1995, da International Psychogeriatric Society, quando conseguiu de forma brilhante por estudos de campo e observacionais fazer a classificação em quatro grupos dos 32 mecanismos de defesa até então conhecidos, que publicou em 1992.

George Vaillant e as defesas psicológicas

Ele classificou as defesas psicológicas segundo nível de adaptação e utilização das mesmas em mecanismos de defesas (1) narcisistas, (2) imaturos, (3) maduros e (4) psicóticos. O Dr. Vaillant profundo conhecer do legado de Freud e um observador de campo foi mapeando as defesas psicológicas nos grupos de indivíduos e aglutinando em categorias até chegar em 4 grupos distribuindo dentro deles os 32 mecanismos de defesa conhecidos mundialmente.

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Não existe no planeta ninguém que tenha conseguido esse feito e documentado em artigos. Para Vaillant, os mecanismos de defesa narcisistas são acionados por crianças e psicóticos e são eles: a projeção, a negação e a distorção. Ele observou pessoalmente em campo de pesquisas.

Os mecanismos de defesa imaturos são muito usados predominantemente por adolescentes e também são sua utilização é observada nas depressões, obsessões e compulsões e são eles: atuação, bloqueio, hipocondria, introjeção, comportamento passivos-agressivo, projeção, regressão, fantasia esquizoide, somatização e retorno contra si ou autoagressão. Neste particular mecanismo de autoagressão poderia se encaixar o suicídio ou a finitude.

Mecanismos de defesa neuróticos

Para Vaillant o hipocondríaco é um imaturo que usa muitos remédios suspeitando que esta doente, olhando-se no espelho ou sendo influenciado por terceiros e pode se suicidar com super ou overdoses. É um mecanismo de defesa grave que acomete depressivos. Os mecanismos de defesa neuróticos possuem grande incidência em adultos sob estresses e pessoas obsessivas compulsivas e histéricas.

São eles: controle, deslocamento, dissociação, externalização, inibição, intelectualização, isolamento, racionalização, formação reativa, repressão, esquecimento, sexualização e anulação. E por fim, os mecanismos de defesa maduros que ele normalmente observou na adaptação adulta e em pessoas consideradas saudáveis, felizes, com bons casamentos, carreiras, e bem sucedidos e estabilizados.

E são eles: o altruísmo, a antecipação, o ascetismo, o bom humor, a sublimação e a supressão. Cada mecanismo de defesa tem seu conceito e aplicação e para Vaillant podem ser operacionalizados intragrupos (entre os grupos), pois existe a intersecção dos mecanismos de defesa onde um grupo pode emprestar a outro o seu conceito como ocorre por exemplo nos narcisistas que usam a projeção e nos imaturos que também usam a projeção.

George Vaillant e os mecanismo de defesa de Sigmund Freud

O ponto de partida dos estudos de Georg Vaillant foram os mecanismo de defesa do ego usados pelo Sigmund Freud (1856-1939). Os mecanismos de defesa podem ter sobreposição por isso o olhar do terapeuta ou analista para os mecanismos e seus entendimentos deve ser bem clinico, porque a sublimação se manifesta nos maduros, mas ela pode ser usada por um psicótico num dado contexto e cenário vivencial ou existencial.

Um adulto maduro pode também usar mecanismos de defesa narcisistas. Ele chamou a atenção para o fato que a sua classificação não é estática e estanque, mas muito dinâmica.

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    Nos grupos de estudos selecionados ele observou os mecanismos e fez a classificação básica, o esquema de linha geral, porém ressaltando que devemos atentar que cada caso é um caso com suas especificidades e singularidades peculiares ao contexto e configuração onde a pessoa esta interagindo, ou seja, o tipo de intersecção que a pessoa esta vivenciando que pode ser positiva ou negativa, indiferente ou até confusa.

    Não houve até atualidade uma contribuição tão imensa como a do Dr. Georg e Vaillant para a Psicanálise de Freud que agrupou os mecanismos de defesa.

    George Vaillant, mecanismos de defesa e a modernidade

    Vale destacar que muitos mecanismos de defesa utilizados por pessoas e detectados na modernidade se concentram em mecanismos que seguidamente aparecem nos quadros de análises, como o mecanismo de aceitação, encenação, antecipação, altruísmo, anulação, conversão, negação, deslocamento, fantasia, humor, humildade, dissociação, Idealização, identificação, intelectualização, introjeção, isolamento, agressão passiva ou ativa ou reativa, projeção, racionalização, repressão, regressão, viés de auto-serviço ou prestativo, comparação social, divisão, sublimação, somatização, supressão, desfazimento, pensamento ansioso e evitação porém eles não estão fora de uma classificação de grupos patológicos mas o mecanismo chamados de finitude sempre foi preterido ou excluído ou jogada para o campo dos estudos de ideação.

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    Considerações finais

    Vaillant tem ainda se destacado muito em que pese na chamada pós-modernidade dos tempos líquidos as patologias psicomentais esteja sendo questionadas e revisadas e três grupos passaram a se destacar, psicoses, neuroses e perversões frente a uma pretensa normalidade que continua em debate o seu conceito.

    A tentativa de riscar da literatura das ciências psicológicas os mecanismos de defesa como meras ficções inexistentes foi malogrado.

    Tornou-se com o passar dos séculos, impossível negar os mecanismos de defesa com a visão do futuro homem e mulher perfeitos ou uma sociedade utópica sem os mecanismos de defesa nas intersecções das relações humanas.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]) é licenciado em Filosofia e História. Possui PG em Ciências Políticas, acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica.

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