histeria na internet

Histeria na internet e algumas reflexões

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Hoje entenderemos sobre a histeria na internet. Vivemos atualmente em um mundo onde as grandes metrópoles e algumas cidades vizinhas a elas, estão quase que completamente governadas por computadores.

Desde a interferência na produção de grãos de soja, por exemplo, até as grandes transações financeiras acontecem de forma eletrônica e automática em uma velocidade inimaginável. A comunicação interpessoal também evoluiu muito.

A histeria na internet

Uma série de ferramentas, nos últimos anos, passaram a ser criadas com o intuito de promover a interação entre as pessoas sendo que, os mais diferentes tipos de intercâmbios de ideias onde diversos assuntos que vão desde filmes, séries e novelas; passando por política, religião e economia, são tratados. As famigeradas redes sociais como facebook, instagram, twitter, bem como o aplicativo whatsapp entre outros, são as ferramentas mais utilizadas dentro desse contexto.

Porém toda essa interação pode acarretar em alguns malefícios os quais muitas pessoas não se dão conta. Sabemos que nas redes sociais se trabalha muito com a imagem de cenas que revelam uma suposta vida cotidiana daqueles que ali estão. Enquanto mais fascínio e teatralidade aquela foto ou vídeo demonstrar, mais “likes” e visualizações terá, apresentando-se, dessa forma, como um cenário convidativo perfeito para o exibicionismo, voyeurismo e a consequente aparição do fenômeno psíquico conhecido como histeria.

De acordo com Zimerman em seu Vocabulário contemporâneo de Psicanálise, algumas características como “o uso consistente, de forma manifesta ou dissimulada, de alguma forma de sedução”; “uma supervalorização do corpo, tanto nos exagerados cuidados estéticos, como na possibilidade de surgimento de somatizações”; bem como “a ânsia para obter alguma forma de reconhecimento dos outros…”, são algumas das características presentes na histeria e que, coincidentemente, fazem parte do contexto das redes sociais.

A histeria na internet e o mundo tecnológico

Essas novidades desse mundo tecnológico acaba permitindo que características voyeristas e exibicionistas caminhem juntas, trazendo a idéia do sujeito que não apenas quer ver, mas também quer aparecer; ser visto. Tudo isso pode acabar promovendo uma exacerbação da competitividade entre as pessoas e, como consequência, o surgimento de hostilidades e o sentimento de inveja por conta do estímulo à disputa, resultado da busca por padrões muitas vezes inatingíveis.

Muitos, em boa parte do dia, procuram, através do uso dessas redes, transparecer uma imagem de felicidade e bem estar que, na verdade, pode esconder uma realidade de sofrimento e dor daquele que ali se expõe. Por outro lado, a pessoa que ver toda aquela exposição pode não se sentir bem ao constatar que não faz parte de todo aquele teatro maniqueísta, repleto de histórias e experiências diversas que têm como único objetivo atrair o olhar e os comentários alheios.

Não tão longe disso, nos últimos anos, tais mecanismos eletrônicos de comunicação têm sido bastante utilizados não apenas como palco de exibição da vida íntima fugaz, volátil e mascarada com efeitos, mas também para a disseminação de conteúdos que envolvem discussões e propagandas de cunho político.

Confusões conceituais

Inúmeras pessoas debatem e tornam públicas suas opiniões acerca de assuntos que, em grande parte, não são dominados por essas, o que acaba produzindo uma série de confusões conceituais, contribuindo para o acirramento dos ânimos, prejudicando, ainda mais, as relações pessoais presentes nesses ambientes.

Por mais que esses mecanismos eletrônicos tenham proporcionado uma maior aproximação do povo com a classe política, bem como mais liberdade para expressar sua opinião em debates acalorados, ainda precisamos evoluir muito em um quesito que é primordial para qualquer tipo de convivência: a educação. Vivemos em um país onde uma verdadeira legião de pessoas ainda vivem sem acesso ao mínimo de informação, matéria prima essencial para a geração de conhecimento.

Esses mesmos cidadãos são aqueles que, de alguma forma, possuem acesso à rede mundial de computadores e podem, através dela, criar seus respectivos perfis e se transformarem em verdadeiros reféns das “timelines”, navegando por horas.

Conclusão

De acordo com o Jornalista Edmundo Pascoal em seu artigo para o site JusBrasil, uma reflexão deve ser feita a respeito de quem utiliza tais ferramentas: “São consumidores passivos de informação, o espaço de tempo dedicado à prospecção é mínimo”. O mesmo jornalista continua seu pensamento dizendo que “…as pessoas (…) muitas vezes adotam um comportamento impulsivo (…) contribuindo para o sentimento coletivo de urgência e eliminando o tempo da reflexão (…) o resultado pode ser o estabelecimento de um consenso artificial e perigoso.

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Daí as reações, muitas vezes enraivecidas…” Não podemos esquecer que, infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade de diferenças extremas. Muitas pessoas ainda vivem sem ter o seu básico atendido. Fome, analfabetismo e outras mazelas entram em confronto com aquela realidade apresentada de forma “maquiada” nas redes sociais e, por conta do déficit educacional, muitos não saberão discernir e questionar o que se apresenta nesses veículos de comunicação, criando um cenário perfeito para o surgimento de sintomas de histeria e outras psicopatologias.

Devemos está sempre atentos e procurar nos informar a respeito dessas armadilhas informacionais para que estejamos, na medida do possível, protegidos e cientes de que, apesar dos benefícios que a vida online nos traz, os malefícios podem vir disfarçados e acabar esfacelando todo nosso alicerce emocional e nos levar à uma condição de vida difícil de reverter.

Este artigo sobre histeria na internet foi escrito por Humberto Santos de Andrade, psicanalista clínico, especialista em grafologia e neuro escrita, formado pelo IBPC (Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica) e membro da ABP. Contato: instagram – @psicanalistah; e-mail [email protected]

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