História da Sexualidade Feminina

Breve História da Sexualidade Feminina

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Não é de hoje que as mulheres lutam por direito, a história da sexualidade feminina se baseia em lutas. Desde 1909 as mulheres se uniram em prol de seus direitos. Trabalhar, estudar, votar, divorciar, dirigir, igualdade, entre tantos outros. Muitos direitos ainda permanecem a serem conquistados.

Entendendo sobre a história da sexualidade feminina

Muitas mudanças ocorreram ao longo dos séculos, onde até o século XVI, segundo Aries, a sexualidade era normalizada entre adultos (homens e mulheres) e até crianças; vista como algo normal e sem preconceitos ou repressão. A partir do século XVI, houve a transmutação para a supremacia e dominância da Igreja Cristã, onde acarretou a interdição da mulher, de sua sexualidade, de sua visão, de sua altivez, relacionando apenas a mulher com o intuito de procriação e zelar pelos seus.

Desde sempre já eram nítidos os conteúdos inconscientes e reprimidos nas mulheres. Isso era extremamente interessante para o Estado, uma vez que ele tinha o absoluto controle em questões relacionadas ao sexo. A Igreja, exercia um poder absoluto/ repressor sobre a sexualidade da mulher. Pregavam a essencialidade da mulher em ter aversão ao sexo, servindo apenas para a procriação, sendo assim, era considerado indecente, profano, pecado.

Com o passar dos tempos, por volta da metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, as mulheres começaram a reivindicar seu espaço no mercado de trabalho, melhores condições de trabalho, reconhecimento, igualdade e, segundo dados históricos, muitas mulheres eram submetidas a mais de 12 horas de trabalho, espancamentos constantes e assédios sexuais, estupros etc.; mesmo assim, as mulheres não desistem e vão em busca do alcance de suas satisfações e desejos, assim como seus direitos.

Foucault e a história da sexualidade feminina

Segundo Foucault (1988), em meados do século XVIII, surge então um encorajamento político para discutir sobre sexo, onde mecanismos contraceptivos foram criados com a finalidade do controle de natalidade, mortalidade e saúde. Com a psicanálise Freudiana, a partir do século XX, houve uma reviravolta, uma vez que foi dada uma nova perspectiva sobre a sexualidade, priorizando o prazer e reprodução em segundo lugar.

A luta do movimento feminista se engajava cada vez mais, a autonomia das mulheres crescia cada vez mais, métodos contraceptivos eram de suma importância nesse processo; iniciando assim uma pequena vitória sobre a repressão feminina, pequena, mas muito importante a ponto de ser um marco nas vidas de muitas mulheres.

Em meados da década de 70 o discurso sobre a sexualidade feminina adquire novo sentido – A mulher deveria deixar sua condição de assexuada e de ir à busca de orgasmos múltiplos, como “segura de si e exigente de direitos sexuais”. Introduz-se também o direito a masturbação, o que é chamado também de autoerotismo – “aproximadamente 50% das mulheres ocidentais desconheciam o orgasmo, e uma porcentagem ainda maior se mantinha passiva durante o coito” (XAVIER FILHA, 2003, p. 10).

Freud e a História da Sexualidade Feminina

Para Freud, a Libido é uma mobilidade em busca do prazer, ligado de forma pulsional, considerando os processos inconscientes tão importantes quanto a consciência, uma vez que na contemporaneidade, o prazer está em tudo: no consumo, no desejo em obter roupas, celulares, bens em geral, em relacionamentos. Logo, o prazer é algo de gozo efêmero resultando no final com a falta, o abismo, o VAZIO, onde a busca pelo prazer nunca é suprida e sua busca nunca findada. Porém, para muitas mulheres, sexualmente nada mudou, pois carregam em si, mesmo que inconscientemente a culpa da repressão.

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Elas apresentam muitas variações psicológicas e bloqueios para responderem a estimulação sexual; inclusive, muitas “toleram” o ato sexual sem excitação para satisfazer o parceiro, fingindo prazer com o intuito de acabar logo com aquilo, o que mesmo sem querer, causa um tremendo abalo psicológico, no inconsciente, podendo causar muitas frustrações e sintomas. Vivemos ainda em uma repressão velada, muitas vezes partindo da própria mulher e seu inconsciente.

Somente após trabalhar essa repressão, ocorrerá a liberação da sexualidade e liberdade para essa mulher, sem culpas, onde os aspectos sociais, religiosos e psicológicos não continuem mais intermediando essa relação, para que seu desempenho traga sua satisfação de maneira significativa e plena. Voltando então há séculos, podemos concluir que a repressão e a desigualdade de gênero acabaram né? Não, ela além de não ter acabado, nos surpreende cada dia mais.

A ONU

Segundo a ONU, hoje, em pleno 2021 moramos em um planeta mais desigual do que há 8 décadas atrás. Ela é um problema que necessita de soluções emergentes integradas. Se tratando de mulheres é mais delicado ainda. Em tempos de pandemia, o feminicídio aumentou cerca de 22% no Brasil. Isso é muito grave. Podemos também citar um horror que vem chocando o mundo. A retomada de poder do Taleban.

As mulheres não possuem direito algum, nem de estudar, falar, quem dirá serem vistas. Usam nas ruas uma burca, roupa essa que cobre a mulher por inteiro. O estupro não é crime. Isso é uma barbárie, uma atrocidade a humanidade e me surpreende que estamos em 2021 e ainda passamos por isso. A igualdade de gênero não é somente um direito, mas o alicerce para se construir um lugar pacífico e próspero.

A ONU, no ano de 2015 elaborou um plano de ação chamado de agenda 2030 para o planeta, prosperidade e paz universal. Nele existem 17 objetivos de desenvolvimento (ODS) e 169 metas para erradicar a pobreza e oportunizar uma vida mais digna e sustentável, inclusive no quesito direitos das mulheres, a igualdade entre os gêneros e o reconhecimento da mulher com equivalência.

Conclusão

Para nós, o que resta é não desistir e continuar a luta de um ser que foi subjugado durante séculos, mas que não aceitou e lutou, seja pelo seu prazer, por sua satisfação, pelos seus direitos e sobre poder exercer seu dom com maestria, seja ele maternar, ou ser uma CEO de uma empresa, pois segundo Freud, apesar do amor materno ser um ideal de conquista para a feminilidade, a mulher deve fazer com o seu corpo o que lhe dá prazer e satisfação, suprindo assim o seu desejo.

O presente artigo foi escrito por Patty Tena Theophilo. Neuropsicopedagoga, Psicomotricista, Especializada em ABA, em Transtorno Global do Desenvolvimento, Educação Inclusiva e Acadêmica em Psicanálise. Contato: [email protected]

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