incompletude humana

Incompletude humana segundo as religiões e a psicanálise

Posted on Posted in Conceitos e Significados

Veja sobre a incompletude humana. O indivíduo, durante seu desenvolvimento psíquico, passará por todas as fases as quais Sigmund Freud descreveu em seu compêndio: a fase oral, anal, fálica, latência e a fase genital. Neste artigo, veremos o tema: Quando a incompletude humana encontra lugar de descanso: a insatisfação inata do sujeito x olhar psicanalítico à ideia de salvação da alma.

Freud e Lacan sobre a incompletude humana

Durante a fase fálica, diante de seus complexos Edipianos, o sujeito vê-se diante de sua incompletude. E ao longo das experiências e abstrações, ao amadurecer, temos a sensação de que não somos completos. Somos seres faltosos, nossa relação com o mundo é marcada pela existência da falta. Somos marcados pela insuficiência. Não somos sujeitos plenos.

Segundo Lacan, a maneira com que o sujeito vem a lidar com essa questão não é reencontrar o objeto de desejo em si, mas o lidar com essa incompletude da falta. Freud e Lacan defendem que, o analista ajudará o analisado a sanar essa questão compreendendo que essa insuficiência é da ordem da impossibilidade, que não é possível obter satisfação plena e isso é inerente à condição de existir.

Portanto, a Psicanálise traz a noção da incompletude do ser humano e que a vida plena existencial é inviável em si mesma. A Soteriologia, ramo da Teologia que estuda a salvação das religiões, vem trazer justamente a concepção de completude metafísica, para que a alma do homem encontre repouso. Portanto, será explanado neste artigo uma visão psicanalítica da visão de obtenção da satisfação e do gozo de 3 religiões: Islamismo, Espiritismo e Cristianismo.

Ideias do islamismo sobre a incompletude humana

O adepto do Islamismo encontrará o gozo pleno enquanto sujeito apenas no plano espiritual, somente no paraíso e caso haja merecimento para tal (Ego totalmente obediente e sujeito ao superego, ID e suas fantasias recalcadas até atingir o metafísico por meio da morte); e existe diferenciação do prazer masculino e feminino, como vemos a seguir. Segundo o site <iqaraislam.com>, para os homens: “Allah prometeu aos homens e mulheres justos que se casaram no mundo que eles se reunirão e encontrarão juntos sua felicidade espiritual no Paraíso.”

“Em verdade, os companheiros do Paraíso naquele Dia estarão ocupados em diversão, eles e seus cônjuges à sombra, reclinados em sofás adornados. Alcorão (36:56) ”. Em verdade, nós produzimos as mulheres do Paraíso em uma nova criação e as tornamos virgens, dedicadas e pareadas em idade, para os companheiros da direita. Alcorão (56:35-38)”. E para as mulheres: “Circularão entre eles jovens eternos.

Quando você os vê, você os considerará tão belos quanto pérolas dispersas. Alcorão (76:19) ” “Para eles o que eles desejarem, permanecendo eternamente, uma promessa de seu Senhor digna de ser cumprida. Alcorão (25:16) ”. Conclui-se que a ideia de satisfação da falta está em realizar a fantasia do prazer sem censura, pois não há mácula. Não há necessidade de recalcar as pulsões, pois haverá aprovação de Allah (consciência). Portanto, o gozo pleno consiste na extinção do superego, a consequente liberdade do Ego e a concepção do livre prazer do ID.

A incompletude humana vista pelo olhar do espiritismo

No Espiritismo, vemos a crença direta de que o gozo está em expurgar a culpa e afetação de toda uma vida, por meio de consecutivas encarnações. Segundo o site <espirito.org.br>, “Céu e Inferno são estados de consciência“. Esta tese foi desenvolvida pelos Espíritos Reveladores do Espiritismo, respondendo a Allan Kardec – O Codificador da Doutrina -, na questão 1.012 de “O Livro dos Espíritos“.

Ou seja, a aflição psíquica será vivenciada tanto na existência carnal quanto na metafísica, pois não há a concepção da liberação total do ID em nenhum dos planos. O ID pode até vivenciar suas fantasias na existência carnal mediado sempre pela consciência (Ego) por meio da ideia de compensação (obras e merecimento para o alívio da culpa existencial/moral) ou de que haverá uma purgação futura (simbolismo do medo da castração edipiana).

A visão do cristianismo sobre a incompletude

No Cristianismo, vemos algo estritamente peculiar, pois nenhuma religião trouxe a concepção que Jesus, líder religioso trouxe, a saber: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. Bíblia Sagrada, Mateus 11:28-30”. E também: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. ” Bíblia Sagrada, João 14:6.

Leia Também:  Conflitos de Personalidade em Wilhelm Reich e Alexander Lowen

Ele autodeclarou-se como a resposta que falta ao ser humano, nunca em todos os relatos históricos, nem nas artes, nem na tradição oral houve tal declaração. Trouxe com isso a concepção de que é possível ter vida plena na própria existência terrena, visto que relatos históricos declaram que ele ressuscitou e supostamente está vivo e isso possibilita ter com ele um relacionamento até os dias de hoje, através da fé.

Traz a concepção em vida de liberdade do Ego, visto que não existe compensação da culpa por merecimento: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é presente de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Bíblia Sagrada, Efésios 2:8-9”.

Uma resolução

A ideia do Cristianismo traz resolução do conflito edipiano em sua raiz, o medo da castração pelo pai, apresentando um simbolismo de pai amoroso metafísico, não castrador e humanizado que adota os fiéis como filhos e a figura de “Deus” ser pai é a premissa da liberação da angústia: “Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre?

Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim. Bíblia Sagrada, Isaías 49:15-16”. “Se me amais, guardai os meus mandamentos. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. Bíblia Sagrada, João 14:15,18,21”.

Temos também a seguinte declaração: “E nos predestinou para filhos por adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça. Bíblia Sagrada, Efésios 1:5-7”. Entende-se que essa purgação ocorre na vida física presente, não apenas na compreensão pós morte e parece não requerer do sujeito nenhum comportamento condicionante a não ser a fé.

Conclusões: o humano como ser incompleto

Portanto, pode-se concluir que existe a liberdade do ID por não haver necessidade de recalcar a angústia da castração por rememorar a triangulação com a figura do pai, mas agora não castrador. As fantasias dão lugar a uma compreensão de resolução catártica. O Ego fica livre de tensões e o superego cumpre apenas sua função social, sem tensões psíquicas.

Este artigo sobre a incompletude humana foi escrito por RENATA BAZANTE, especialista em Gestão de Pessoas, Professora, Consteladora Sistêmica Familiar e Hipnoterapeuta Clínica; Instagram @renatabazante.terapeuta.

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    One thought on “Incompletude humana segundo as religiões e a psicanálise

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.