Principais inovações de Freud e da Psicanálise

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A psicanálise pode ser entendida como uma ciência à parte da psicologia. As inovações de Freud, que fundou a psicanálise, auxiliaram na compreensão da mente e do comportamento humano. Atualmente, o modelo psicanalítico e o emprego desse termo podem ter mais de um significado. A psicanálise pode ser entendida como o acúmulo sistemático de conhecimentos sobre a mente humana. Ela é um procedimento para investigação dos processos mentais. Essa investigação da mente humana busca pensamentos, sentimentos, emoções, fantasias e sonhos.

As inovações de Freud são muito importantes para se entender melhor a mente humana. Processos que eram praticamente inacessíveis tornaram possíveis por meio da psicanálise e do método psicanalítico. Esse método se baseia numa investigação, utilizado para o tratamento das neuroses, e muitos outros problemas relacionados à mente humana.

Dentre as principais inovações de Freud está a sua descoberta do inconsciente e os avanços relação ao tratamento da neurose. Além disso, há o famoso complexo de Édipo, por Freud teorizado, e suas descobertas com relação aos sonhos. Também o estudo realizado sobre a cocaína e a teoria da representação estão dentre as principais inovações de Freud.

O inconsciente e as inovações de Freud

Dentre as principais inovações de Freud está a sua descoberta do inconsciente. Segundo Freud, a mente humana é formada pela consciência, pela pré-consciência e pelo inconsciente. Na sua segunda teoria, Freud concebeu a mente humana como o id, o ego e o super-ego.

O que acontece no inconsciente não se reflete apenas nele, mas também se reflete ou se traduz em aspectos conscientes. O que pode repercutir nos atos das pessoas. Por isso seu estudo se faz muito importante. Para Freud, esses três elementos de que se forma inconsciente determinam e coordenam o comportamento humano.

  • O id é onde está o nosso desejo libidinal. No id estão todas as energias psíquicas e as pulsões humanas cujo intuito é a obtenção do prazer.
  • O ego é o meio termo entre os três elementos. Ele é o resultado da tentativa de se estabelecer equilíbrio entre os desejos do id e as exigências do super-ego.
  • O superego é o representante das regras morais, regras que, muitas vezes, nos impedem de realizarmos os nossos desejos. O super-ego nos gera proibições e impõe limites, por meio de regras sociais ou morais. É ele que nos impõe exigências morais e sociais.

Assim, podemos compreender a ligação entre esses três componentes da mente humana e de que forma eles atuam. É como se nossos desejos e pulsões se reportassem ao “id”, porém o “super-ego” tenta nos proibir de vivê-lo. E o ego fica entre o id e o superego, “negociando” um pouco de satisfação (para o id) e um pouco de regras morais ou sociais (para o superego).

Entendendo a função desses três elementos, compreendemos melhor o funcionamento da mente humana. Também assim compreendemos mais profundamente o que é psicanálise.

A teoria topográfica (consciente, pré-consciente e inconsciente) distingue-se da teoria estrutural (ego, id, superego). Não são teorias incompativeis, nem Freud abandonou uma em detrimento de outra.

É possível dizer que ego, id e superego tenham pelo menos uma parte inconsciente. Por exemplo:

  • no ego: os mecanismos de defesa do ego não são mecanismos absolutamente conscientes;
  • no id: todo o id é inconsciente;
  • no superego: a parte das regras morais que respeitamos sem nos perguntar por quê.

A neurose e os sonhos

Os estudos sobre a neurose também estão dentre as inovações de Freud. Um dos principais assuntos estudados pela psicanálise é a neurose. Trata-se, no entanto, de um termo bastante amplo. As neuroses são fenômenos gerados por um conflito psíquico, envolvendo a frustração de um impulso instintivo. Assim, a neurose pode ser considerada como uma doença psíquica. Além disso, podemos entender como neurose nossos traumas ou recalques, ou problemas relacionados à fixação da libido e à fixação problemática, conforme pontua a psicanálise.

O sonho tem um grande significado para a psicanálise. A psicanálise procura destacar a importância que o que sonhamos pode ter em nossas vidas. Para Freud, os sonhos podem exercer influência sobre nossos pensamentos ou atitudes. Os sonhos tiveram grande importância na criação do modelo de análise usado por Freud. Para ele os sonhos eram muito úteis, do ponto de vista terapêutico. Já que a sua análise poderia auxiliar o psicanalista durante o processo de tratamento. Análise essa que se dava no decorrer da terapia do indivíduo.

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O psicanalista procura compreender a formação dos sonhos. E assim, ele busca entender como são elaborados os seus mecanismos de defesa. E também quais são os princípios para a interpretação dos sonhos.

O Complexo de Édipo

O complexo de Édipo também está dentre as principais inovações de Freud. Esse é um termo psicanalítico criado por Freud em sua teoria de estágios psicossexuais do desenvolvimento. Freud, em sua teoria do desenvolvimento psicossexual, afirmou que ela se divide em três fases. A fase oral, a fase anal e a fase fálica.

De acordo com Freud, o complexo de Édipo tem um papel muito importante na fase fálica do desenvolvimento psicossexual. Trata-se de um termo usado, basicamente, para descrever os sentimentos comuns de um menino nessa fase. Nessa fase ele sente desejo pela mãe e ciúme do pai, como visse o pai como um rival. Isso ocorre por ele querer a atenção e afeto de sua mãe. Mas ele acaba superando esses sentimentos, e assim, a conclusão desta etapa envolve a identificação do menino com o pai. Segundo Freud, isso contribui para o desenvolvimento de uma identidade sexual madura.

Os estudos sobre cocaína

Freud desenvolveu um estudo sobre a cocaína o que, na época, também foi bastante inovador. Ressalta-se que na época a cocaína não era proibida, antes de seu banimento das prateleiras das farmácias. Havia muitas expectativas positivas quanto ao uso medicinal da cocaína. Freud foi um defensor de seu uso, tendo a usado e a receitado a alguns de seus pacientes. Até o começo do século XX, a cocaína era sintetizada por laboratórios. Ela era comercializada como tratamento para o vício da morfina, sendo utilizada pela medicina e reconhecida pela ciência.

Apesar de muitos criticarem os estudos de Freud sobre a cocaína e seus experimentos com ela, ele é considerado como um pioneirismo. Isso deve ao fato de Freud inserir uma droga psicotrópica no campo da psiquiatria. Freud a usou como medicamento, além disso, ele nunca negou o potencial nocivo da cocaína. Depois, deixou de usar ou recomendar o uso.

A Representação na Psicanálise

A teoria da representação foi muito importante na psicanálise e um das grandes inovações de Freud. O fenômeno representacional psíquico está diretamente relacionado ao sistema nervoso humano. Para Freud, as representações são analógicas e imagéticas, são unidades mentais de objetos, situações, sensações, relações, etc. E as associações se inter-relacionam por meio de redes associativas. Esse processo ocorre por um mecanismo de reflexo em que a informação sai de uma rede associativa de neurônios e chega à região motora e sensorial. Provocando modificações nas células centrais, o que acarreta na formação das representações.

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    Assim, a representação de objeto também pode ser chamada de representação da “coisa”. Ela pode ser formada por diversas apresentações, como visuais, acústicas, táteis, cinestésicas, dentre outras.

    As inovações de Sigmund Freud e da psicanálise auxiliaram a compreender mais sobre a mente humana. Assim, Freud contribui para compreendermos mais sobre o homem e sobre a sociedade atual. Não apenas sobre o homem como indivíduo em si, mas sobre o homem civilizado e seu papel ou comportamento na sociedade.

    6 thoughts on “Principais inovações de Freud e da Psicanálise

    1. Renan, a teoria topográfica (cs, pcs e ics) distingue-se da teoria estrutural (ego, id, superego). Não são teorias incompativeis, nem Freud abandonou uma em detrimento de outra. É possível dizer que ego, id e superego tenham pelo menos uma parte inconsciente. Por exemplo: (1) no ego: os mecanismos de defesa do ego; (2) no id: todo inconsciente; (3) no superego: a parte das regras morais que respeitamos sem nos perguntar por quê.

      1. Ter uma parte de inconsciente dentro do ID, EGO e SUPEREGO não significa que eles fazem parte do INCONSCIENTE. Ficou mal explicado e realmente acabamos absorvendo conteúdo errado. Além da quantidade de erros. Passa a impressão de não ter qualquer cuidado com o que está sendo publicado

        1. Karina, a teoria topográfica (cs, pcs e ics) distingue-se da teoria estrutural (ego, id, superego). Não são teorias incompativeis, nem Freud abandonou uma em detrimento de outra. Sua dificuldade em entender provavelmente passa pela suposição de que apenas o id é inconsciente. Se assim o fosse, por que Freud criaria uma outra teoria? Ele só diria que são as mesmas coisas, com outros nomes. Outro ponto da sua dificuldade seja pensar que o inconsciente seja um “lugar” no cérebro. Se tivermos de comparar as duas teorias de Freud, diríamos que o Id é TODO inconsciente. O ego é parte consciente (da lógica racionado e do que estamos pensando agora, por exemplo) e parte inconsciente (dos mecanismos de defesa do ego, por ex.). O superego é parte consciente (das regras morais que sabemos que existem, como “não matar”) e parte inconsciente (das crenças e valores que temos e que acreditamos serem naturais, por exemplo). É possível dizer que ego, id e superego tenham pelo menos uma parte inconsciente, sendo o Id TODO inconsciente.

          Esta imagem ajuda a entender a justaposição das duas teorias freudianas. (mas não a veja literalmente, como lugares no cérebro).

          Sua crítica avalia todo o nosso projeto, aparentemente baseando-se em UM texto, que nos empenhamos a criar e colocar GRATUITAMENTE na internet. Nós publicamos cinco artigos por dia e não temos receio de errar (e corrigir). Suas expectativas em relação a nós são muito altas, nunca nos propusemos a criar um conteúdo imune a erros, nem pretendemos ser unanimidade. Ainda assim, o aspecto apontado por você é incorreto, daí a importância de pontuarmos.

          1. Olá, chamo-me Edgard Fagundes, sou graduando em Psicologia e estou no terceiro período no momento dessa resposta. Entendo que fazer ciência, passa por estudos, pesquisas, publicações, exposição de conteúdo aos pares e os pares e muito mais… E no campo das ideias podem confirmar, complementar ou até refutar, se for o caso… Até aí, tudo bem. O que eu não entendo é a forma deselegante, e até com certa agressividade, em refutar e em responder essa mesma refutação. Gente, deveria ser normal o ato de negar um artigo ou um publicação qualquer, e mais, não tomar como algo pessoal na refutação ou na resposta do próprio blog. Como o próprio conteúdo da resposta diz, equívocos podem acontecer de diversas forma, todavia, o equívoco da falta da elegância na hora de propor o debate, seja de uma parte ou da outra, é quase imperdoável. Se eu discordo, coloco as minhas ideias e explico o ponto da discordância e o porquê. Ao responder, vou também explicar o ponto divergente e porque não há equívoco (simples assim), propondo o debate e dizer por que estou certo ou reconhecer que errei se for o caso, porém, meus caros e caros, sem carregar nas tintas das expressões e adjetivos desnecessários. Digo tudo isso, pois não achei interessante a colocação de refutação, porém, e da mesma forma, não achei legal a resposta do blog em algumas expressões escolhidas para responder. Todavia, não estou aqui para condenar ninguém. Serviu muito para eu refletir meu futuro como psicólogo.
            Pra terminar deixo uma frase da música do Lulu Santos e um pensamento para refletir tudo isso.
            “Nós somos feitos de silêncios e sons. Tem certas coisas que eu não sei dizer” (composição de Lulu Santos/Nelson Motta)
            “A língua (e ou palavras) não tem ossos, mas é forte o suficiente para cortar um coração. Por isso tenha cuidado com o que diz!” (prof. Fragoso)

    2. Parabéns aos pareceristas dos textos publicados a ciência é feita de ensaios e erros. Só podemos aprender se realmente nos colocar a disposição do conhecimento reelaborado.Todas as teorias são passíveis de construção e recontrução por isso teorias…

      1. Haja vista que… quem vive no erro não se acha estar errado, só se percebe um erro quando tomamos consciência dele. Quem acreditava na Terra Plana lá nos primórdios da civilização acharia um absurdo crê que a Terra era esférica , embora ainda existam o novos terraplanistas , creio eu … difícil acreditar em Terra Plana HOJE com tanta tecnologia e provas cabais que a Terra não é plana, mas um dia já se pensou e acreditou nisso! Errar é muito didático, permite a evolução pessoal e coletiva.

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