interdisciplinaridade

Pluri, multi, trans, poli, meta, eco e interdisciplinaridade

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Você já deve ter ouvido falar em interdisciplinaridade ou em interfaces das disciplinas ou interfaces disciplinares ou ainda, interfaces epistemológicas (do conhecimento), com o uso dos termos ‘inter’, ‘pluri’, ‘multi’ e ‘trans’, ‘meta’, ‘poli’ e ‘eco’ disciplinares.

Com certeza, você também, já deve ter se autoquestionado: ‘afinal o que é isso tudo(?)’. Recentemente surgiram mais enfoques nesse sentido, a chamada visão meta, poli e eco disciplinares, que se somou as que já existiam, inter, pluri, multi e trans. Assim, cada vez mais se usam termos como ecodisciplinaridade, interdisciplinaridade, pluridisciplinaridade, multidisciplinaridade, polidisciplinaridade, metadisciplinaridade.

Será que isso é importante, questionam muitos. E logo surgiu a pergunta que não quer mais calar: “Quais são as reais implicações para o futuro, da interface dos saberes usando esses conceitos de inter, pluri, multi, trans, meta, poli e eco disciplinaridade? É o que vamos passar a examinar e ofertar uma alternativa de resposta.

Os diferentes enfoques sobre esses termos de interdisciplinaridade

Neste enfoque (pequeno artigo) vamos tratar dessas expressões conceituais (inter, pluri, multi, trans, poli, meta e ecodisciplinaridade) e seus impactos na epistemologia do conhecimento. Você com máxima certeza já deve ter ouvido falar e se autoquestionado, mas afinal, o que é isso tudo (?).

Recentemente, surgiram mais enfoques nesse sentido, com a chamada visão e percepção poli e ecodisciplinares, em que pese, ainda estejam se introjetando no cognitivo e na epistemologia dos conhecimentos humanos, eis que conceitos mais pós-modernos. Vamos examinar o que significa cada uma dessas expressões; também, vamos entender o que esperar para o futuro das implicações desses conceitos na teoria e prática.

E no fecho, vamos ofertar uma alternativa de resposta à questão proposta, sobre as implicações desses conceitos de inter, pluri, multi, trans, meta, poli e eco disciplinaridade. Vamos ofertar uma alternativa de resposta para a pergunta: “Quais são as reais implicações para o futuro, da interface dos saberes, usando esses conceitos de inter, pluri, multi, trans, meta, poli e eco disciplinaridade?” Para começo de conversa vamos entender o que é a interface.

O que é e o que significa o conceito interface e interdisciplinaridade?

Interface significa uma área ou limite comum entre dois ou mais sistemas ou subsistemas ou unidades que permite a princípio, comunicar, interagir, interligar, interconectar ou gerar pontos de interação criando ‘pontes de ligações’ entre informações, dados, metadados (que são dados que explicam dados, mas ainda não são informação), conhecimentos e saberes. A sede dos saberes são as plataformas e bibliotecas humanas.

Interfaces, portanto, são pontos de contato entre vários saberes ou plataformas que se ajudam visando uma melhorar a sinergia da outra. Proporciona a interface ligações entre as partes que não poderiam antes se conectar diretamente em situações diversas.

Existe atualmente uma multissignificação do conceito interface que se estendeu para outros campos do conhecimento, quanto a sua aplicação. Aqui vale lembrar que livro não é conhecimento ainda, livro é dado, metadado e informação com ou sem interfaces.

Dados e informações

Portanto, podemos afirmar que a interface permite comunicar ou interagir os dados, metadados, informações, conhecimentos, saberes, formando uma inteligência.

O vocábulo é de origem inglesa, surgiu em 1960, pela junção ou aglutinação do termo do Latim ‘INTER’ que significa ‘entre’, mais o termo ‘FACIES’, que significa ‘face, aparência ou forma’. Vamos agora examinar os tipos de interfaces, a começar pela primeira delas, a interdisciplinaridade.

O que é a interdisciplinaridade?

A Interdisciplinaridade foi uma das primeiras interfaces que surgiu no manejo da epistemologia dos conhecimentos e foi um movimento pelo intercâmbio mútuo e interação de diversos dados, metadados, informações, conhecimentos e saberes de forma recíproca e coordenada com uma perspectiva metodológica comum a todos de integrar os resultados, porém, permanecem os interesses próprios de cada disciplina, buscando soluções dos seus próprios problemas através da articulação com as outras disciplinas, busca de soluções associadas. Juntam-se disciplinas visando achar soluções que sejam comuns. Esta visão e percepção entraram forte nas academias, e logo surgiu a percepção multidisciplinar. Vamos examinar.

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O que é a percepção multidisciplinar?

A visão e percepção multidisciplinar surgiram com a concepção epistemológica que evoluiu da visão e percepção interdisciplinar de que mais de uma disciplina que aparentemente, não tem relação uma com a outra, onde cada disciplina permanece com sua metodologia própria e não há um resultado integrado.

Ou seja, quando a solução de um problema requer a obtenção de dados, metadados, informações, conhecimentos ou saberes bem sistematizados de uma ou mais ciências ou setores do conhecimento (disciplinas) sem que as matérias evocadas sejam alteradas ou enriquecidas. Paralelo a esta concepção surgiu a percepção pluridisciplinar. Vamos ver como é este conceito.

O que é a percepção pluridisciplinar?

A visão e percepção pluridisciplinar foi concebida como sendo um sistema de um só nível e de objetivos múltiplos. Ou seja, quando se instaura uma parceria de cooperação, mas sem coordenação haverão trocas entre elas, ainda que não sejam organizadas.

Em síntese, existe a proposta de estudar o mesmo objeto pelos sujeitos, em várias disciplinas ao mesmo tempo, de forma sincronizada ou não, mas de forma paralela, sem um cronograma ou até pode haver um cronograma, vai depender das metas pretendidas, contudo, dentro da percepção pluri vai continuar ainda a existir a finalidade “multidisciplinar”.

A pluridisciplinaridade é uma derivação da multidisciplinariedade, porém com suas peculiaridades. Ato contínuo e na sequência surgiria uma nova visão e percepção, a transdisciplinar. Vamos examinar.

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    Interdisciplinaridade: o que é a percepção transdisciplinar?

    A percepção e visão transdisciplinar é uma etapa superior a inter, multi e pluri disciplinares porque não foca apenas interações ou reciprocidades, mas situa essas relações no interior de um sistema maior, duma dimensão de interação global das várias disciplinas. Entretanto, uma vez aglutinadas as disciplinas não é possível separar as matérias. Existe uma fusão de dados, metadados, informações, conhecimentos e saberes.

    Alguns estudiosos acoplaram o conceito ‘inovação’ dentro da visão transdisciplinar. Importante ainda frisar que, em tese e a priori, alguns pesquisadores e estudiosos das interfaces epistemológicas, apontam que tanto o Inter, como a multi e o pluri disciplinaridade ainda estão reféns e presos às disciplinas.

    Porém, a transdisciplinar vai além dessas amarras e não fica presa ao âmbito das fronteiras das disciplinas. Nessa configuração surgiu a visão ‘poli’ das disciplinas.

    O que é a percepção polidisciplinar?

    O termo “poli” é um prefixo semântico que significa, etimologicamente: ‘muitos, vários’, Vem do grego “poly’s” (muitos). Esta interface foi concebida para agrupar várias disciplinas, saberes, ciências, campos do conhecimento, enfoques, com vistas agregar mais poder de abordagem dos temas e buscar soluções.

    Mantém a Independência dos profissionais de diferentes áreas de atuação, existe uma forte interação onde cada um é responsável pelo seu campo do saber. A percepção e visão ‘poli’ agrega e exprime uma grande reunião e conjugação de esforços potencializando a sinergia. É um passo imenso dentro da pluridisciplinaridade. Muitos e variados ramos numa interação em grande rede e escala.

    Quando a busca de soluções em interfaces multi, pluri e trans disciplinares não conseguem resultados, a pluridisciplinaridade é considerada um caminho de excelência porque consegue abarcar uma força de solução fortíssima reunindo várias matrizes em inteligência. A inteligência é considerada uma força de aplicação, inteligência é saber aplicar bem os dados, metadados, informações, conhecimentos e saberes. Diante de novos desafios surge a metadisciplinaridade.

    O que a visão metadisciplinar?

    A metavisão ou visão metadisciplinar é uma concepção polidimensional, multidimensional, onde o objeto e o sujeito são estudados sob o ponto de vista de vários níveis de dimensões e consegue ir muito além. Meta seria ultrapassar, mas conservar. Os enfoques vão muito além das disciplinas já consolidadas entretanto, sem se transformar em mera especulação. Visa firmar premissas que vão ou não serem confirmadas.

    Um dos exemplos é o buraco negro no Universo. Outro exemplo típico é o estudo do Universo, para se tentar responder se está em expansão ou retração e o que seria a massa preta e se existem outros universos ligados por buracos negros; este estudo só ganhou tração depois de ter uma visão polidisciplinar e metadisciplinar, associados a tecnologia e a imagenologia (estudo das imagens transmitidas do sideral) por redes de satélites bem posicionados e com telescópio lançado no espaço sideral para melhorar resoluções e mais profundidade.

    Nesta visão e percepção alguns estudiosos dos tipos de interfaces epistemológicas afirmam que a palavra chave é unificação das disciplinas e foco na perspectiva de que é possível chegar melhor nos objetos e nos sujeitos em estudos. Porém, diante de falhas de concepções face a mistérios mais bem elaborados, surgiu a visão ecodisciplinar.

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    Interdisciplinaridade: o que é ecodisciplinariedade?

    O termo ‘eco’ já nos remete ao meio ambiente, que evoca ‘ecologia’. Esta visão considera que todas as coisas sem exceção alguma, são causadoras e causadas, ajudadas e ajudantes, divisíveis e indivisíveis, abertas e fechadas, visíveis e invisíveis, servindo a todos os saberes fragmentados. Existe um elo natural e imperceptível que é legado do meio ambiente, onde todos nós estamos inseridos reféns do oxigênio.

    Não existiria História fora da atmosfera do oxigênio. Para os pesquisadores que já estão propondo a visão e percepção ecodisciplinar seria ‘em tese, e a priori’, impossível colocar as partes sem conhecer o todo ou colocar o todo sem conhecer as particularidades, as partes. Um exemplo típico que podemos pinçar se refere a neuropsicanálise, onde o cérebro seria o causador da mente e na mente, estaria alojado o inconsciente.

    Como entender o inconsciente objeto primordial da Psicanálise de exercício leigo e livre, sem entender o cérebro? Seria, portanto, uma questão de enfoque ou abordagem ecodisciplinar. Alguns pesquisadores têm o entendimento que a ecodisciplinaridade foi um regresso às origens onde a pluridisciplinaridade não pode mais evoluir, tendo que reexaminar posições e voltar novamente pela via da multidisciplinaridade para tentar encontrar soluções.

    Como entender a massa escura do Universo se é ou não uma espécie de plasma sem compreender a gravidade?

    Ou como entender os transportes e transferências de matéria e energias sem a morte? Ou como entender a teoria científica da personalidade, que é a base da Psicanálise sem entender o cérebro e a mente? São ‘n’ tópicos que levaram a uma ecodisciplinaridade.

    Vale destacar que, a partícula ‘eco’ vem do grego ‘oikos’ e significa casa, lar, domicílio, meio ambiente. Não confundir com ‘éco’ que é a reflexão do som.

    Conclusão sobe a interdisciplinaridade

    Diante de tudo que acima foi exposto para considerações e reflexões, tendo como eixo a Psicanálise, vamos ofertar uma alternativa de resposta à pergunta que não quer mais calar: “Quais são as reais implicações para o futuro, da interface dos saberes usando esses conceitos de inter, pluri, multi, trans, meta, poli e eco disciplinaridade ?” Esta questão levantada do que poderemos esperar sobre as implicações desses conceitos de interfaces para o futuro, entre teoria e prática é que sem um enfoque mais avançado não chegaríamos a novas respostas e inovações desafiadoras.

    A migração de visões e percepções em novos níveis, como se fosse camadas de cebola, usando uma metáfora, possibilitaram um novo olhar, um novo descortinar e uma nova perspectiva. Uma dada questão balizada apenas pela cooperação, objeto e projeto comum, porém somente no prisma ‘inter’, ‘multi’ e ‘pluridisciplinares’ obterão novas configurações se transferidos para uma visão e percepção ‘trans’, ‘meta’, ‘poli’ e ‘ecodisciplinares’.

    Essa premissa passou a ser inegável e irrefutável. Por exemplo, a ressonância magnética e a tomografia computadorizada e o fatiamento do corpo humano foi uma revolução usando a visão e percepção meta, poli e ecodisciplinar com foco no cérebro. As implicações foram impactantes e serão imensas no futuro à medida que evoluir a tecnologia.

    Exemplo

    Outro exemplo foi o uso dos drones na Arqueologia assim como satélites numa pluridisciplinaridade. As implicações e impactos para o futuro com novas interfaces epistemológicas vão revolucionar o planeta todo em curto espaço de tempo.

    A internet, por exemplo, foi uma revolução tecnológica imensa e gigante paralelo aos celulares. As interfaces epistemológicas não tem mais volta, serão as sementes de um novo mundo futuro.

    Artigo escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]), Licenciado em História e Filosofia. PG em Psicanálise. PG em Filosofia Clínica, PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica. Cursando Neuropsicanálise.

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