reflexão sobre ser mãe

Reflexão sobre ser mãe: não se fazem mães como antigamente

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Hoje veremos uma reflexão sobre ser mãe. O ser humano, a todo momento, vive em busca de uma aceitação no meio em que vive e nas barreiras pessoais. Para as mulheres, além das lutas constantes por espaço no mercado de trabalho, do equilíbrio da balança entre a “Vida Pessoal” e as “Obrigações profissionais”, nos vemos em uma necessidade constante de ser a “melhor mãe”, a “melhor filha”, a “melhor dona de casa”, a “melhor amiga” e a “melhor profissional”, devido ao mercado capitalista, cada vez mais aquecido.

Além disso, vivemos na era do empoderamento feminino, onde além de todas as “obrigações citadas anteriormente”, também temos que ser Super Mulheres, seguindo padrões impostos pelo o mercado da moda, estética e beleza nos mostrando a todo momento: O melhor corpo, o melhor corte de cabelo, unhas, sobrancelhas e até cílios!!

Reflexão sobre ser mãe

Não podemos esquecer que vivemos em um mundo globalizado, e desta forma, recebemos diariamente uma avalanche de vídeos, newsletters e fotos de vidas perfeitas e organizadas através das redes sociais, as quais apenas reforçam este ciclo vicioso e de metas eternas.

Passamos da fase, de receber uma visita presencialmente indesejada palpitando sobre tudo em nossas casas, para as bagunças de informações dos grupos de whatsapps, mensagens via inbox, e várias outras mídias inimagináveis que devem existir por aí.

Mas, a cada dia que passa, observo que existe uma parcela de usuários onlines com insatisfações idênticas às minhas, cada dia cresce os termos como: “Maternidade Real”, “Não Romantize a maternidade”, “Tabu da maternidade” e várias outras chamadas “hashtags”, apoiando as coitadas das “super mulheres”, “mães” e tralalás. Esse é apenas um cenário,que prova que não podemos ser perfeitas a todo momento, e está tudo bem!

Reflexão sobre ser mãe hoje

Com base em todas essas ações da sociedade atual, e a parcela significativa de mães lutando nas redes sociais, por mais empatia e entendimento, podemos associar tranquilamente os Conceito de Winnicott, que desde o século passado, fala de um universo, em que o bebê possui menos proteções exageradas, com o objetivos de criarmos indivíduos que saibam lidar com frustrações e adaptação ativas.

Atualmente, conforme o artigo 482 da CLT, as mulheres têm o direito à licença maternidade após o parto de 05 MESES, e os homens, conforme o artigo 473 da CLT, poderão deixar de comparecer ao serviço, sem prejuízo do salário por 05 DIAS consecutivos. Analisando minimamente essas leis, vemos transparentemente o quanto é necessário o tempo útil de vínculo do bebê com a mãe, porém a discrepância das licenças homem x mulher, mostra o machismo estrutural e cultural que ainda enfrentamos em nossa sociedade.

Onde paramos para pensar: O bebê é de responsabilidade única e exclusiva da mãe? O homem não possui habilidades para o cuidado e trato com as crianças, e os afazeres de casa? Caso a mãe queira voltar ao mercado de trabalho, e deixar a criança em uma creche, é irresponsabilidade ou falta de amor e carinho para com o bebê? Infelizmente, essas perguntas são feitas frequentemente por milhares de mulheres, no período de retorno das atividades.

O desenvolvimento do bebê e a reflexão sobre ser mãe

Winnicott em seus estudos, fala sobre o desenvolvimento gradual, trazendo à tona a importância da família na formação do ser humano, de uma forma constante, catalisadora e tolerante. Onde, precisa ter um ambiente saudável e confortável, para todo o crescimento e frustrações do indivíduo que está se formando. Com esse conceito, vemos a necessidade de instalar um bom ideal, direito e valores no nosso lar, trabalhar assuntos polêmicos, porém necessários de uma forma transparente e acolhedora, pois a família é o objeto que fará a formação de um adulto, que tem propriedade sobre o meio em que vive.

Por sua vez, a figura materna está presente constantemente no Desenvolvimento psíquico da criança, subdividida em 03 fases:

  1. Integração e Personalização ( é o contato direto da mãe e filho, é a apresentação para a realidade em que vive – ego),
  2. Adaptação à Realidade ( Em contato com o mundo, a criança enxerga uma realidade diferente do que a presente com a mãe, a partir disso, possui os primeiros aprendizados sozinhos e suas adaptações com o Diferente),
  3. A última fase é a Pré – inquietude ( Quando entende a diferença do mundo em que vive, e os seus quereres são alterados, desenvolvendo a criança).

Conclusão: refletindo sobre ser mãe e suas demandas

Conhecendo os conceitos e estudos de Winnicott, agora, podemos responder a pergunta realizada anteriormente, por diversas mães. Sim! Você pode voltar ao mercado de trabalho, ter um happy hour, fazer o papel de mãe, mulher, filha e amiga, sem que o seu filho perca carinho ou amor em sua criação.

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Em troca, ele receberá a contribuição do âmbito saudável com a família, fortalecerá o laço pai e filho, e você como mãe, estará presente não apenas no amor, mas também em todos os momentos de apresentação à realidade, suporte para a adaptação ao novo, e a superação das frustrações.

Pois como o próprio Donald Winnicott diz: “Não ter mãe é um problema, mas ter excesso de mãe é muito pior”.

Este artigo foi escrito por Letícia Lima(LETICIALIMA.[email protected]). Mãe, professora, analista comportamental, formada em Administração e recursos humanos, amante de gatos e estudiosa da psicanálise, apaixonada pela a vida e pelas barreiras que podemos ultrapassar, através do desenvolvimento humano. Prazer, Letícia Lima!

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