quem foram os pais de Freud

Jacob e Amalie: Quem foram os pais de Freud?

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Você sabe quem foram os pais de Freud ? O século XIX foi marcado pelo declínio dos impérios Espanhol, Francês, Romano-Germânico e Mogol e pela ascensão dos Impérios Britânico, Russo, Alemão e Japonês, além dos Estados Unidos, estimulando conflitos militares, mas também avanços científicos e de exploração que lançaram as bases para os avanços tecnológicos do século XX. A Revolução Industrial foi a principal destas mudanças.

Houve um êxodo rural jamais visto. Várias cidades ultrapassaram populações de um milhão ou mais, durante esse século. Londres transformou-se na maior cidade do mundo e na capital do Império Britânico, chegando a atingir a marca, inacreditável para a época, de 6,7 milhões de habitantes.

Entendendo que foram os pais de Freud

No campo das ciências, a Origem das Espécies, de Charles Darwin representou uma importante ruptura com os paradigmas religiosos, colocando o homem em pé de igualdade com toda a natureza, questionando as ideias da sua origem divina até então dominantes e, consequentemente, de toda uma tradição patriarcal posta em cheque.

No meio de toda esta efervescência, surge, em Viena, a Psicanálise, numa tentativa de revalorizar simbolicamente a figura do Pai – com toda a rigidez e certezas que ele representa – diante de um esfacelamento surreal trazido pela modernidade. Não é à toa que a geração de pessoas nascidas entre 1883 e 1900 ficou conhecida como a “Geração Perdida”.

Entendendo quem foram os pais de Freud! O pai do pai da Psicanálise Freud, tomou seu próprio pai como exemplo dessa falência do patriarcado de fin de siècle para embasar suas teorias no campo da nova ciência psicológica que acabara de criar.

Quem foram os pais de Freud: O pai

Jacob Kallamon Freud nasceu em Tysmenitz, na Galícia Oriental, província polonesa da Áustria, no ano de 1815. Descendia de uma família judia de comerciantes. Era bastante ligado aos valores tradicionais do judaísmo e transmitiu aos filhos uma sólida cultura judaica. Casou-se três vezes: A primeira esposa, Sally, teve quatro filhos, dos quais apenas dois sobreviveram.

A segunda, Rebekka, não teve filhos. A terceira e última, Amalie, teve oito filhos, sendo, o primeiro, Schlomo Sigismund (aquele a quem conhecemos como Sigmund Freud). Jacob saiu de Tysmenitz em 1848, instalando-se em Freiberg in Mähren (atual Pribor, República Tcheca).

Seguindo a tradição da família, tornou-se negociante de tecidos, jamais fazendo fortuna no comércio e sendo pobre durante toda a vida. Em agosto de 1859, já casado com Amalie, levou a família para Leipzig, onde permaneceu algum tempo, antes de se instalarem definitivamente em Viena, no ano seguinte.

Um homem simples e quem foram os pais de Freud

Biógrafos de Sigmund descrevem Jacob como um homem simples, tranquilo, simpático, bem-humorado, generoso, pouco autoritário e mal preparado para enfrentar a forte industrialização do seu tempo.

Ainda assim, apostou tudo na inteligência precoce de Sigi, dando-lhe todas as oportunidades para que ele se tornasse “alguém” na vida.

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A relação de Sigmund com o pai foi fundamental para a consolidação da teoria freudiana da paternidade.

Acontecimentos marcantes

Dois acontecimentos foram marcantes nesse processo: O episódio do chapéu jogado na lama e a suspeita de sedução. Um dia, Jacob relatou ao filho um episódio antigo como exemplo, ao argumentar que aquela época que em que viviam era melhor que o passado.

Isso porque, há pouco menos de um século, os judeus austríacos haviam conquistado direitos de igualdade com os outros súditos do império, com a condição de que adotassem um nome de família alemão e renunciassem à organização comunitária – base da maioria dos grupos de judeus ortodoxos, a exemplo dos ancestrais de Freud.

A própria família Kallamon adotou o sobrenome Freud (uma variação da palavra felicidade, freude em alemão) e abandonou o hassidismo (vertente do judaísmo ortodoxo). Mesmo assim, a exemplo dos ciganos da Romênia, os judeus do Império Austríaco constituíam o grupo minoritário mais discriminado pelos católicos que dominavam a região.

Sigmund e a posição de inferioridade do pai e quem foram os pais de Freud

Certa vez, Jacob caminhava por um passeio público quando um cristão jogou seu chapéu na lama e gritou: “Judeu, desce do passeio.” Ao ouvir a história, o pequeno Sigmund perguntou a Jacob o que ele fizera e este respondeu com toda sua simplicidade: “Apanhei o meu chapéu.” Sigmund Freud carregou essa história em sua lembrança pelo resto da vida, com um misto de pena, indignação e vontade de vingança.

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    Tal memória representava para Sigmund a posição de inferioridade do pai diante do antissemitismo e, ao mesmo tempo, o desejo de um filho que assume a missão de revalorizar a função paterna através de um ato de rebelião, não apenas superando o pai, mas tornando-se o herói – no caso de Freud, o fundador de uma nova doutrina filosófico-científica – tudo isso, sem trair sua judeidade, isto é, a maneira de alguém continuar a se identificar judeu, mesmo sendo descrente, agnóstico, humanista, leigo ou ateu – como se designava Sigmund Freud.

    Aliás, podemos dizer que foi este episódio do chapéu jogado na lama que fez com que Freud absorvesse a cultura grega, latina e alemã e o fizesse sair do gueto. Já a suspeita de sedução se refere a uma ideia distorcida que Sigmund construiu do próprio pai e da qual se culpou amargamente durante anos após a morte deste. Desde 1893, quando Freud começou a investigar a etiologia das neuroses para a Comunicação Preliminar (escrito em parceria com Breuer), ele estabeleceu como hipótese a sedução sexual da criança pelo adulto, chegando a confessar ao seu amigo e confidente Wilhelm Fliess, numa carta de 1897, que efetivamente, por muitos anos, suspeitou que Jacob fosse um sedutor e lamentava amargamente que este tivesse morrido (em 1896) antes do abandono dessa teoria.

    Quem foram os pais de Freud: A Mãe

    Mas, se de um lado, Sigmund matou simbolicamente Jacob e tomou seu lugar (também simbólico) no patriarcado familiar, por outro lado amou Amalie e foi plenamente correspondido nesse amor edipiano. Amalie Freud, nascida Malka Nathanson, em 1835, na cidade de Brody, era praticamente o oposto absoluto de Jacob.

    Vinte anos mais jovem que o marido, Amalie, também de família judia da Galícia Oriental, casou-se com Jacob em 1855. Um ano depois, deu ao primeiro filho, o nome de seu avô paterno, Schlomo Sigismund, que nunca usou esse nome, passando a se chamar Sigmund Freud.

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    Uma judia polaca típica Os biógrafos de Freud descreveram Amalie como uma mulher vibrante, bela, dotada de um humor cortante e altamente narcisista. Uma “judia polonesa típica, com todos os defeitos que isso implicava […]. Falava bem e não tinha papas na língua; uma mulher de caráter resoluto, pouco paciente e extremamente inteligente”, diria Martin (o primogênito de Sigmund), anos depois em suas memórias.

    O egocentrismo de Amalie

    Amalie era egocêntrica e tirânica com as filhas, mas adorava Sigmund, a quem chamava carinhosamente de “mein goldener Sigi” (meu Sigi de ouro).

    Conta-se que esse amor era tamanho que sua irmã Anna foi obrigada a largar os seus estudos de piano para não atrapalhar os estudos escolares de Sigi.

    Pedra fundamental para a teoria do Complexo de Édipo

    A nudez de Amalie Com apenas quatro anos de idade, o menino Sigi deslumbrou-se com a nudez da mãe e esta visão marcante foi a pedra fundamental para sua teoria do Complexo de Édipo, anos depois.

    Como nos versos de Goethe, Freud sabia que “quando se foi o favorito inconteste de sua mãe, guarda-se pela vida inteira uma sensação conquistadora, uma segurança de sucesso que muitas vezes leva efetivamente ao sucesso”. E Freud foi a prova viva disso. Encorajado pelo amor de sua mãe, Freud enfrentou as adversidades de sua vida com total segurança.

    A historiadora e psicanalista francesa Elizabeth Roudinesco (1998) observou que essa segurança fez com que o pai da Psicanalise adotasse ao longo de toda sua trajetória uma atitude de aceitação, em relação à morte, “típica daqueles que se sentem imortais porque puderam realizar o luto do primeiro objeto de amor: a mãe amorosa”.

    O peso da presença

    Por outro lado, a presença tão forte da mãe ao longo de toda sua vida, acabou gerando angústia em Freud. Ele não queria morrer antes dela. Em uma carta a Karl Abraham, em 1918 ele dizia: “Minha mãe terá 83 anos neste ano e não é mais muito saudável. Ocorre-me pensar que, se ela morrer, isso me dará um pouco mais de liberdade, pois a ideia de que seria necessário dar-lhe a notícia de que eu morri tem algo que me faz recuar.”

    Finalmente, Amalie morreu aos 95 anos bem vividos. A esta altura, Freud, sofrendo de câncer e já inválido, sentiu-se aliviado. Não compareceu ao funeral e declarou ao amigo e discípulo Sandor Ferenczi: “Nada de dor, nada de luto”.

    Mas ele próprio sabia que não vivenciar aquele luto, nas camadas mais profundas do inconsciente, aquela perda iria desestabilizá-lo pelo resto da vida. Freud morreria em Londres, nove anos depois.

    Referências

    HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem – Do Feudalismo ao Século XXI. 22ª ed. São Paulo: LTC, 2010. ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Tradução Vera Ribeiro, Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

    O presente artigo foi escrito por Silvio Carneiro Bastos Neto. Graduado em Jornalismo (UEPB). Possui pós-graduação em Docência do Ensino Superior (Meta; Macapá-AP) e em Psicologia Positiva (PUCRS; Porto Alegre-RS). Possui formação em Terapias Holística (Instituto 3ª Visão; Garibaldi-RS) e Psicanálise Clínica (IBPC; Campinas-SP). Contato: [email protected]

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