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Liberte-se: identificar e quebrar amarras?

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Quando alguém te diz “liberte-se”, o que você imagina? Aqui a primeira coisa que nós pensamos é nas amarras emocionais que temos em nossas vidas. É interessante percebermos que às vezes estamos tão submersos a essas amarras que nem pensamos em sair delas. É nessa hora que ouvir um “liberte-se” é importante. Muito importante.

Nesse artigo nós queremos proporcionar conhecimento sobre o tema. Para isso, vamos falar sobre a definição de liberdade, de amarras e de amarras emocionais. Ademais, vamos te ajudar a entender como identificar as amarras e como se tonar livre delas.

O que é liberdade

Achamos importante começarmos essa conversa conceituando o que é liberdade. Afinal não é só ouvir “liberte-se” e pronto. Precisamos saber o que é a liberdade que devemos correr atrás.

Liberdade no dicionário

Segundo o dicionário, liberdade é um substantivo feminino e sua definição é:

  • Independência absoluta e legal de um indivíduo, de um povo, nação, ou cultura e que é considerado o padrão ideal;
  • É a particularidade de quem é livre, ou seja, a característica da pessoa que não se submete;
  • Estado da pessoa que não está presa;
  • É o atributo do que se encontra solto e sem obstáculos para se movimentar;
  • Independência;
  • Possibilidade de se interpretar como gostaria e seguindo apenas a sua consciência;
  • Comportamento que expressa intimidade;
  • Direito que um cidadão possui para praticar aquilo que é de sua vontade, dentro das limitações estabelecidas pela lei;
  • Para a filosofia, a liberdade é aptidão particular do indivíduo de escolher (de modo completamente autônomo). É poder expressar os distintos aspectos da sua essência ou de sua natureza.

Conceito de liberdade

A liberdade significa o direito de agir segundo o seu livre arbítrio, desde que isso não prejudique outra pessoa. Ela provoca uma sensação de estar livre e não depender de ninguém. Também pode ser classificada como um conjunto de idéias liberais e dos direitos de cada cidadão.

Dentro da filosofia, liberdade é o poder de um ser humano ter autonomia e espontaneidade. Porém, é um conceito utópico, uma vez que é questionável se realmente os indivíduos tem a liberdade que dizem ter.

Além disso, em várias áreas, como por exemplo a jurídica, liberdade assume outro conceito, como “estar em liberdade condicional”.

O que é amarra

Agora, vamos definir o que vem a ser as amarras. É importante a gente entender o que é isso, afinal, não há como se libertar do que a gente não sabe o que é.

O que o dicionário pode nos dizer sobre amarras

No dicionário lemos que a “amarras” vem do verbo amarrar.

  • É mesmo que: atas, anexas, ligas, unes, coadunas, adstringes, juntas, prendes, enredas;
  • Atar, ligar, prender, segurar com amarra, corda, barbante etc;
  • No sentido figurado significa prender moral, afetiva ou psicologicamente;
  • No sentido de transporte e negócios é ajustar, firmar, contratar.

Qual o conceito de amarra

Já quando procuramos o conceito de “amarras” podemos encontrar algo como:

Termo náutico com dois sentidos:  o primeiro é que é o nome dado ao cabo que segura a âncora e que sempre deverá ser feito de um material flexível. Além disso, deve ser resistente e que afunde juntamente com a âncora. O segundo sentido diz respeito ao conjunto de correntes para fixar e/ou ancorar plataformas semi-submersíveis. Essas também são usadas em uma série de serviços submersos a serem executados.

Pode ser também uma corda ou cabo com que se prende alguma coisa e que pode servir à amarração.

Podemos perceber que esse é um conceito muito material e objetivo. Ou seja, esses conceitos a princípio não contemplam as amarras relacionadas aos sentimentos. Contudo, mesmo assim, como veremos, essa noção física é parecida com a emocional.

As amarras emocionais

A psicologia ensina que todos nós temos amarras emocionais que nos causam sofrimentos. Além disso, elas são muito difíceis de serem desfeitas, mas isso não é impossível. Essas amarras estão guardadas dentro de nós. São sentimentos que nos provocam submissão. Essas amarras podem ser construídas culturalmente, inclusive.

Normas morais de uma comunidade ou religião que são internalizadas e nos oprimem são bons exemplos de amarras culturalmente impostas. Assim, são forças poderosas e resistentes que estão soldadas nos pilares da nossa formação cultural e educacional.

Nós vivemos seguindo regras sociais, que ditam o que é socialmente aceito como normal, correto e aceitável. Por exemplo: estudar, casar, ter filhos, trabalhar com algo que nos dê futuro profissional e dinheiro. Tudo isso nos constitui, faz parte de quem somos. Não são coisas erradas ou ruins em si mesmas, mas existem outras ideias e possibilidades.

Muitas vezes, nos sentimos infelizes ou frustrados, por não podermos manifestar desejos internos. Somos condicionados a calar nossas capacidades frente a muitas possibilidades que a vida nos oferece. E é aí que essas normas se tornam opressoras e precisamos combatê-las.

O preço que pagamos por não atuar contra essas amarras emocionais é uma vida com sofrimento.

Portanto, serão anos de lamentações, tristezas, mágoas, dores, baixa autoestima, insatisfações, deterioração. Isso pode resultar, até, em suicídio, sendo muito perigoso. Tratar essas amarras irá nos possibilitar conviver melhor com nossos dramas.


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Assim sendo, nós abriremos um espaço saudável para o aproveitamento de nossas vidas. Continuaremos a ter sofrimentos, mas eles não serão uma constante única. Assim, teremos também alegrias, e isso impulsionará nossa vontade de viver.

Como se libertar das amarras?

Quando nos sentimos oprimidos, de alguma forma, pelas normas sociais, precisamos lutar contra isso. Por exemplo, quando não fazemos algo só por medo do que os outros vão falar, ou porque a sociedade não acha tão legal. E o primeiro passo que precisamos dar é perceber e reconhecer a origem do nosso desequilíbrio interior.

Depois disso, precisamos aceitar essa descoberta. Isso é determinante para que possamos iniciar a transformação daqueles sentimentos que estão nos oprimindo. Dessa forma, é essencial para o nosso bem-estar rever e reformular certas crenças, desatar as amarras e, depois de quebradas, devem ser transformadas.

A terapia será importantíssima para o processo de libertação dessas amarras. E é nesse tratamento que o “liberte-se” vai se materializar. Ou seja, é aqui que o “liberte-se” vai ser ouvido constantemente, e não será uma ordem apenas, mas um incentivo para conseguirmos.

Por fim, é através da ajuda de profissionais que iremos mergulhar mais a fundo em nós mesmos. Iremos finalmente entender como experiências pontuais interferiram em nossos comportamentos e pensamentos. Nossas mentes são complexas, e precisamos de ajuda para agir com elas. Esse é o tipo de discussão que fazemos em nosso curso de formação em Psicanálise Clínica, por exemplo.

Contudo, mesmo assim, algumas amarras continuarão, pois a mente retroalimenta as neuroses. Nós quebraremos muitas amarras, mas com outras amarras remanescentes teremos que aprender a conviver. Ao final de tudo, a qualidade e a grandeza das nossas histórias dependerão da relação que tivemos com todas essas amarras emocionais.

Agora sim: liberte-se!

Quando ouvirmos um “liberte-se”, precisamos olhar para nós mesmos, para nossos comportamentos. Só com esse olhar seremos capazes de reconhecer nossas amarras e lutar contra elas. Nós merecemos a felicidade e não dá pra vivê-la com grilhões.

Em resumo, é importante que saibamos o que significa liberdade e ser livre. Com isso, poderemos entender a necessidade de nos libertarmos das amarras da sociedade e da nossa própria mente, para seguirmos com uma mente saudável. Ademais, sabemos que as amarras sociais são capazes de adoecer o indivíduo e a destruir seu psicológico. Então, é importante que tenhamos acesso a terapias e a psicólogos, para entendermos nossas próprias amarras e, com o tempo, nos livrarmos delas.

 

 

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