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Libido: o que é, como aumentar?

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Neste texto, falaremos sobre a parceria estabelecida entre Sigmund Freud e Carl Jung e sobre como os dois enxergavam a sexualidade e libido. Assim sendo, confira essa interessante leitura!

Ademais, apontaremos o principal ponto de divergência que culminou na ruptura de uma relação profissional tão próxima, que durou um período de sete anos. Também demonstraremos as significativas divergências anunciadas desde as primeiras correspondências trocadas por eles. Elas dizem respeito ao papel da sexualidade na vida psíquica do indivíduo.

O debate psicanalítico sobre libido

O debate acerca da sexualidade é o pano de fundo para todo o desenvolvimento da parceria com Jung. Assim sendo, a hipótese central deste trabalho é a de que o conceito de libido foi, certamente, um ponto crucial. Ele definiu os rumos da psicanálise em relação à sua concepção do mecanismo causal das psicoses. 

Esta abordagem é relevante porque evidencia os principais pontos de discordância que separaram dois principais nomes da psicanálise e psicologia. Assim, buscamos, no encontro entre Freud e Jung ou, mais especificamente, na controvérsia estabelecida sobre a teoria da libido, a nova etapa da psicanálise que se constituiu a partir deste momento. 

Como forma de estabelecer uma hipótese e respaldá-la, a metodologia que empregamos foi a de pesquisa bibliográfica. Portanto, nos baseamos nas obras dos dois autores temas deste trabalho. Ademais, investigamos o trabalhos de autores que estudaram o assunto.

Primeiras cartas: as divergências começam a surgir

As conversas entre Sigmund Freud e Carl Gustav Jung começaram em 1906. Nessa época, Jung teve a iniciativa de enviar a Freud suas obras sobre associações, um estudo resultante de suas experiências com associações verbais.

O envio deste livro para Freud determinou o início de uma estreita colaboração que ambos mantiveram por correspondência. Ademais, juntos, os autores fizeram um trabalho intenso por aproximadamente sete anos.

Quando Freud recebeu o estudo de Jung sobre a psicologia da demência precoce, ele revelou através de uma carta que estava totalmente de acordo ou simplesmente aceitando suas exposições sem discussão. Nessa época, sua experiência com psicose era pequena.

Ele também observa a inclinação de Jung em recorrer a toxinas, omitindo o fator sexual presente nas doenças. Freud, por outro lado, confia na sexualidade, embora até então não tenha chegado a uma conclusão.

A partir das primeiras letras trocadas, podemos perceber uma incompatibilidade teórica se tornando cada vez mais evidente ao longo do trabalho feito por elas.

No entanto, é importante notar que Freud estava interessado na experiência do psiquiatra suíço. Ele enxergava nessa associação uma oportunidade de empurrar os limites de seu conhecimento da psicose, bem como “cortar o cordão umbilical judaico da psicanálise e torná-lo aceitável para não-judeus” (ZIZEK, 2002, p.14-15).

O conceito de libido nas cartas de Jung e Freud

Analisando as obras e correspondências entre Freud e Jung, podemos ver que o conceito de libido foi, sem dúvida, um ponto decisivo que definiu os rumos da psicanálise em relação à sua concepção do mecanismo causal da psicose.

A partir deste ponto, Freud foi capaz de reorientar sua primeira teoria do dualismo impulsivo, referindo-se ao auto-erotismo. Ademais, introduziu o eu como exemplo de investimento libidinal e não mais apenas os objetos de unidade.

Narcisismo: Uma Introdução

Ficou claro, portanto, que o debate sobre a libido freudiana teve consequências cruciais para a concepção psicanalítica da psicose, tanto que Freud relata sobre “Narcisismo: Uma Introdução”, que o conceito de narcisismo oferece uma alternativa à libido não sexual de Jung, presente nesses casos.

Neste mesmo texto, está a crítica de Freud à concepção monolista de Jung sobre libido. Essa crítica permitiu a Freud estabelecer as bases para uma futura unidade de dualidade necessária para sua concepção de que o conflito está estruturando o funcionamento psíquico.

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    Neste ponto do trabalho de Freud, a bipolaridade é explicada pela existência de duas libidos – a libido do eu e a libido do objeto. Cada uma implica uma escolha de objeto, dependendo do tipo narcisista ou do tipo de conexão.

    O rompimento entre Freud e Jung

    Esta reformulação da teoria psicanalítica ocorreu imediatamente após o rompimento com Jung. Contudo, mais tarde, ele estabeleceu outras modificações que culminaram em uma reformulação total de sua concepção de impulsos, em que o impulso da morte se destaca.

    A parceria de Freud e Jung já havia anunciado desentendimentos desde sua criação. As cartas trocadas revelam que o interesse pela psicose foi colocado tanto do lado de Jung quanto de Freud. O mesmo vale para a dificuldade dos suíços em capturar a essência da noção de sexualidade de Freud.

    As principais diferenças da teoria da libido

    Jung fez inúmeras tentativas de neutralizar o papel da sexualidade, acreditando que a comunidade científica não seria capaz de alcançar a amplitude dessa noção. Contudo, a noção de sexualidade, na teoria freudiana, escapa à noção restrita de genitália.

    Assim sendo, a posição de Jung permaneceu divergente da de Freud no essencial da libido: para ele, a libido não poderia ser apenas a energia do impulso sexual. Eleva-a a tal proporção que passa por muitas transformações, atingindo formas espirituais.

    Alguns livros sobre libido

    Este também é o tema de seu livro Metamorfose e símbolos de libido, no qual Freud decide cortar definitivamente as relações com Jung, acusando-o de deturpar a teoria psicanalítica e não ter entendido nada sobre o inconsciente.

    Em Os Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (FREUD, 1905/1990), Freud apresenta como ele é sexual em seus escritos. Neste trabalho, parte do estudo de “perversões” afirma que todas as atividades que constituem a vida sexual dos ímpios desempenham o mesmo papel que a satisfação sexual normal desempenha em nossas vidas.

    Lacan oferece uma chave para ler o texto freudiano: há um caráter paradoxal na satisfação libidinal. Esse personagem já está presente em suas elaborações durante esse período, mas só será formalizado em 1920, com a publicação de Além do Princípio do Prazer.

    A teoria de Jung

    É precisamente esse caráter paradoxal de satisfação libidinal que escapa a Jung. E aqui, Lacan nos ajuda a perceber que a perspectiva de Jung sobre a libido permanece cativa ao imaginário. Para ele, a libido continua sendo um movimento infinito de inverter e desinvestir o eu e os objetos, tornando-se figuras variadas, típicas da mitologia.

    Na teoria junguiana, a libido é essencialmente simbólica, daí sua conclusão da existência de um inconsciente coletivo. Como esta libido é uma energia que é transmitida a gerações, é o inconsciente arquetípico que tem estruturas fixas universalmente transmitidas.

    A teoria de Freud

    O problema da sexualidade, na teoria freudiana, é mesmo em casos de psicose. Em um texto de 1894, Freud afirma que “é precisamente a vida sexual que traz oportunidades para o surgimento de representações intoleráveis” (FREUD, 1894a/1990, p.59). Ademais, afirma que “o eu rejeita a representação intolerável através de um voo para a psicose” (FREUD, 1894a/1990, p.63).

    Haveria para Freud, naquela época, um tipo específico de “repressão” que ele chama de “projeção”. Trata-se de uma ideia originária do interior é projetada para fora, reaparecendo como se viesse de fora, como uma realidade percebida.

    Portanto, a repressão se manifesta em oposição a essa ideia. O afeto correspondente é preservado no eu, a reversão no desgosto ocorreu.

    Neste caso, temos paranóia. Ela ocorre quando, na tentativa de redescobrir o objeto, a libido transforma representações em alucinações, com uma inversão de afeto no desgosto. A libido enfatizada gradualmente se transforma em convicção, crença, dando toda a sua ilusão de força.

    Fliess e sua contribuição para a parceria entre Freud e Jung

    Assim como Jung, Freud também se interessou pelo trabalho do suíço Wilhelm Fliess, que foi otorrinolaringologista em Berlim. Assim sendo, os dois iniciaram uma correspondência que se estende até 1904.

    A interlocução entre Freud e Fliess levanta uma hipótese sobre a tolerância de Freud às idéias de Jung, especialmente sua tendência a recorrer a toxinas, excluindo a sexualidade. Para ele, a ideia de que a secreção endócrina pode ser a causa de distúrbios psíquicos. Ademais, talvez a produção de toxinas se deva às glândulas sexuais.

    No entanto, devido à falta de evidências, ele abandonou essa hipótese, aplicando-a posteriormente à epilepsia. Aqui, segundo as leituras, o complexo sexual-religioso ocupa um lugar central (McGUIRE, 1993, p.58).

    Em sua troca teórica com Fliess, Freud enfrentou a tendência do médico de se orientar de uma forma supostamente científica. Ambos tinham em comum um grande interesse pela sexualidade e esse interesse os leva a perceber que a causa das doenças que tratavam estava lá: elas se originaram da sexualidade.

    Os autores tentaram descrever os fenômenos da fisiologia médica. Assim, para isso, confiaram nas descobertas da física, química e matemática. Seu interesse era descobrir as bases científicas, especialmente orgânicas, de uma nova síndrome, que ele chamou de neurose nasal reflexiva (SANTIAGO, 2001, p.79-80).

    Ansiedade e excitação

    Freud, por sua vez, tenta estabelecer a teoria da neurose da ansiedade. Ela consiste em um acúmulo físico de excitação e de tensão sexual física. Para ele, a neurose da ansiedade é uma neurose de reservatório. Assim sendo, ela surge da transformação, da tensão sexual acumulada.

    Contudo, o que interessa a Freud é a excitação endógena. Isto é, a fonte que está dentro do corpo do indivíduo. São exemplos fome, sede e impulso sexual. É só quando esse estresse endógeno excede um certo limiar que se torna significado psíquico.

    Portanto, “acima de um certo nível, essa tensão sexual física desperta a libido psíquica que induz a relação sexual. Quando a reação específica deixa de ocorrer, a tensão físico-psíquica (afeto sexual) aumenta excessivamente” (FREUD, 1894b/1990, p.273).

    O termo libido aparece pela primeira vez aqui, nas palavras de Freud. Isso nos permite concluir que o que ele chama de “tensão sexual acumulada” é outra maneira de nomear libido.

    A teoria tóxica da libido

    Percebe-se que, na origem da psicanálise, a teoria tóxica da libido ocupa um lugar essencial. É exatamente a hipótese substancial da libido um dos pontos de contato entre a teoria de Freud e a de Fliess, que também é a concepção de Jung.

    Como o diálogo entre Freud e Fliess contribuiu para o avanço da teoria da libido

    A relação de Freud e Fliess ficou abalada após o episódio dramático com Irma (FREUD, 1900/1990). Freud então se retira de qualquer assimilação da sexualidade ao princípio único e universal da toxina. Ademais, passou a não acreditar mais no princípio único dessa toxina.

    Para Freud, a libido apresenta um impulso manifesto constante no impulso sexual. Ademais, essa concepção de libido é radicalmente incompatível com a natureza periódica da descarga da toxina sexual em Fliess.

    Ao contrário de Freud, a libido de Fliess necessariamente envolve o fluxo periódico da substância sexual. No corpo, viaja entre o nariz e o sexo, passando por vários órgãos e, alternativamente, fazendo-os inchar e murchar.

    Freud concebe a libido como uma constante energética, como uma energia suscetível a transformações e trocas. Baseia-se no ideal do reducionismo científico ao rejeitar tudo além dessa termodinâmica energética. Isso porque “todo o conhecimento previsível da libido real corre o risco de cair no delírio paranóico” (SANTIAGO, 2001, p.85).

    Expectativas freudianas

    Ao considerar a toxina sexual um elemento da teoria analítica, Freud acreditava que o progresso da ciência poderia, no futuro, esclarecê-la.

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    Ele se convenceu da necessidade de olhar para as manifestações da libido para o traço material do princípio da única toxina sexual. A crença de Freud no substrato tóxico da libido verificou-se em um momento importante de reformulação de sua teoria, no que diz respeito a considerações sobre narcisismo.

    Ao responder às críticas de Jung, Freud nos adverte que as ideias provisórias da psicologia um dia serão baseadas em uma subestrutura orgânica. Isso sugere que os responsáveis pela realização de operações de sexualidade são substâncias e processos químicos.

    Ademais, Freud propõe que essa probabilidade seja levada em conta ao substituir produtos químicos especiais por forças psíquicas especiais (FREUD, 1914b/1990). É evidente, nesta passagem, a esperança de Freud de encontrar uma base explicativa para fenômenos psíquicos nas ciências da natureza.

    Portanto, devido ao fato de que Fliess também tomou a toxina sexual como substância e princípio único de vida e morte é possível entender a tolerância de Freud para as idéias de Jung. Podemos sugerir que Jung, propondo a origem da toxina dos afetos, encontre em Freud um interlocutor ávido pelos avanços que a ciência poderia fazer em relação à origem da libido.

    A troca de conhecimento como contribuição para novos conceitos

    A autobiografia de Schreber

    Jung insiste que o fato de Freud ler a autobiografia de Schreber é outro capítulo importante nessa relação. Na psicologia da demência, Jung já se referia ao livro de Schreber, publicado em 1903. No ambiente psiquiátrico, esse livro havia sido amplamente comentado.

    No entanto, Freud só estaria realmente interessado em ler e analisar essa autobiografia muito mais tarde (FREUD, 1911/1990). Esse interesse tardio no livro de Schreber deve-se provavelmente ao fato de que ele ainda não tinha uma elaboração consistente sobre psicose e trabalhar com o círculo de psiquiatras suíços permitiu pesquisas psicanalíticas psicanalíticas.

    O que ele fez com As Memórias de Schreber (SCHREBER, 1995) tornou-se tão relevante que é impossível não associar Schreber com Freud. Deve-se notar também que o autor, a partir de seus comentários sobre o longo e delirante texto de Schreber, acaba por introduzi-lo, obrigatoriamente, no caminho de cada psicanalista.

    O desejo homossexual

    Sua análise conclui que há, na paranóia, uma defesa contra o desejo homossexual. Portanto, ela é exatamente a tentativa fracassada de dominar a homossexualidade a causa da doença. Assim, para Freud, o que está no centro do conflito paranóico é a fantasia do desejo homossexual.

    Essa confirmação se dá a partir da gênese das principais formas de delírios paranóicos, que constituiriam uma defesa contra impulsos homossexuais e produziriam, exaustivamente, formas de negar a proposição: Eu (um homem) o amo (um homem) (FREUD, 1911/1990, p.85).

    De Schreber, ele descreve o mecanismo de repressão na paranóia, no qual a libido é silenciosamente desconectada das pessoas e das coisas que eles amavam. O que é barulhento é o processo de cura, que desfaz o trabalho de repressão e traz a libido de volta para as pessoas que ele havia abandonado. Retifica, portanto, o mecanismo de projeção, afirmando que “o que foi abolido internamente retorna do exterior” (idem, p.95).

    Megalomania, neurose e psicose

    A megalomania aparece aqui como uma característica comum na maioria dos casos de paranóia, pois constitui um efeito de desconectar a libido do objeto e, ao mesmo tempo, de tratar a paranóia, uma vez que investe em mim mesmo, supervalorizando-o.

    A conclusão de Freud, em sua análise de Memórias, é que fenômenos paranóicos e esquizofrênicos podem se combinam em várias proporções. A ciência disso o levou a propor o diagnóstico de demência paranóica, para Schreber.

    Esse diagnóstico é feito a partir do fato de que, “na produção de fantasias e alucinações, Schreber apresenta traços parafênicos, enquanto, na causa da ativação, no uso do mecanismo de projeção e no resultado, exibe um caráter paranóico” (idem, p.103).

    Além disso, afirma que as duas teses que seriam as principais, no sentido de que o estabelecimento da teoria da libido da neurose e da psicose estariam avançando. Ou seja, as neuroses surgem, sobretudo, de um conflito entre o eu e o impulso sexual, e as formas que tomam carregam a marca do curso de desenvolvimento seguido pela libido — e pelo eu (idem).

    As formas tomadas pela neurose e psicose são diferentes. Essa diferença se deve não apenas aos distúrbios do desenvolvimento da libido. Ela se deve também aos distúrbios do desenvolvimento de mim mesmo. A afirmação de Freud já anuncia que o conflito entre o impulso do eu e o impulso sexual não explicará mais a etiologia da psiconeurose.

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    Libido para Jung: o desenvolvimento da teoria

    Em Símbolos de Transformação: Análise dos Prelúdios da Esquizofrenia (1911/1990), Jung propõe analisar a suscetibilidade às influências sugestivas de um jovem esquizofrênico. Assim, ele investigou o lugar de Deus e a religião na vida psíquica do homem. Ademais, fez uma extensa análise dos símbolos em que a libido pode se transformar.

    Nesse contexto, o autor propõe o que definitivamente termina sua relação com Freud: a dessexização da libido.

    Usamos, mais uma vez, a terminologia lacaniana para dizer que a teoria junguiana da libido é fundamentalmente imaginária. Assim sendo, prevalece o caráter analógico da libido. Este achado refere-se ao fato de que sua libido, tomada como uma energia neutra, muda sucessivamente para outras formas.

    Porque Jung não segue a noção freudiana da natureza paradoxal do impulso sexual que ele postula essa extensão da libido. Consequentemente, leva à dessexualização.

    Repressão

    Essas considerações nos levaram a concluir que, sem um ponto que interrompa a sucessiva metamorfose da libido, há na teoria junguiana o mecanismo de repressão. Ele é essencial para introduzir o sujeito no universo da cultura. Ele se recusa a banir o incesto, ele rejeita a função simbólica do pai. Isso explica sua insistência no movimento regressivo da libido.

    Como, para ele, o pai não tem a função de interceptar a mãe e voltar a ser acalmadora, o sujeito permanece absolutamente sujeito ao jogo incessante de (sua) libido, que não conhece nenhum limite. Jung também rejeita a noção de constância libidinal. Isso faz parte de uma das propostas de Freud num momento muito inicial na teoria psicanalítica.

     Sublimação

    Outro aspecto a considerar na proposta de Jung de dessexualizar a libido pode ser encontrado na noção freudiana de sublimação. O conceito de sublimação foi introduzido por Freud para indicar que, se não há atividade sexual, não há repressão.

    Assim, a sublimação freudiana coloca o paradoxo de que é possível satisfazer impulsos sem atividade sexual e sem repressão. Isso leva Jung a pensar que se a libido pode ser sublimada. Portanto, não deve ser sexual. Por isso, enfatiza a metamorfose da libido, em suas transformações.

    E uma vez que essa libido é transformada de tal forma que se satisfaça sem sexualidade. Portanto, é um elemento não sexual nos homens (MILLER, 1998, p.321).

    O fim das colaborações entre Freud e Jung

    Voltando de uma série de palestras que realizou nos Estados Unidos, Jung escreveu para Freud entusiasmado com as mudanças que fez na teoria psicanalítica, particularmente em relação à teoria da libido. Ele acreditava que sua nova versão da psicanálise havia ganhado a simpatia. Muitas pessoas que até então estavam confusas com o problema da sexualidade na neurose se afeiçoaram à proposta (McGUIRE, 1993, p. 521).

    Freud aprecia calorosamente as notícias sobre a situação da psicanálise nos Estados Unidos. Contudo, diz que “a batalha não seria decidida lá”. Ademais, critica a atitude de Jung em reduzir a resistência com suas modificações teóricas.  Freud também não hesita em avisá-lo que, “quanto mais longe do novo na psicanálise, mais seguro é o dos aplausos e menos resistência é encontrada” (idem, p.523).

    As últimas cartas

    A primeira carta de Freud a Jung em 1913 contém a proposta de que abandonem completamente suas relações pessoais. Freud diz nesta carta que “um homem deve subordinar seus sentimentos pessoais aos interesses gerais de seu ramo de empresas” (idem, p.545-546).

    As cartas revelam que Freud, apesar de várias tentativas, não convenceu Jung do mal-entendido de sua teoria. O esforço de Freud para separar a teoria da amizade também é visível. Ele elogiou o livro de Jung várias vezes. Portanto, a posição radical de Freud distingue a psicanálise definitivamente da teoria de Jung.

    Ainda que eles continuassem se correspondendo, nenhuma outra referência é citada sobre vida pessoal de cada um. Eles discutem basicamente questões institucionais, publicações e preparativos para o Congresso de Munique, que seria realizado em 7 e 8 de setembro de 1913.

    Consequências das teorias sobre libido

    Jung visitou a Inglaterra no início de agosto. Ele fez a viagem com o objetivo de apresentar documentos na Sociedade Psicomédica de Londres e no 17º Congresso Médico Internacional.

    Ele apresentou suas diferenças com a teoria freudiana da neurose. Assim, propôs que a teoria freudiana se libertasse de um ponto de vista puramente sexual. Portanto, em vez disso, deveria levar em conta o “ponto de vista energético” (idem, p.558).

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    As consequências da “Quarta Reunião Privada” — o Congresso de Munique— culminaram na reeleição de Jung para a presidência do IPA. Assim sendo, ele ganhou ainda que dois quintos dos presentes negassem o apoio.

    Com a partida de Jung, a publicação toma as mãos de Karl Abraham. O volume seguinte foi exibido em meados de 1914 e continua vendido por mais um ano, mas com outro título: Jahrbuch der Psicanálise (Um anuário da Psicanálise).

    Uma consequência importante a destacar desse período são, sem dúvida, duas obras de Freud que entraram em circulação no primeiro volume sobre as diferenças entre suas visões e as de Jung e Adler. São considerações que já aparecem em “A História do Movimento Psicanalítico” (FREUD, 1914a/1990) e em “Sobre narcisismo: Uma Introdução” (FREUD, 1914b/1990).

    Conclusão

    Ao longo deste trabalho, pudemos observar na origem da psicanálise, a importância da participação de Freud e Jung na formulação de suas próprias teorias. Também observamos a importância que essa associação teve para a realização de novos conceitos e novas possibilidades de abordagens psicológicas analíticas e psicanalistas.

    No entanto, é evidente que desde o início dessa relação, os autores trataram o mesmo tema de formas diferentes.

    Acreditamos que a tolerância inicial de Freud às idéias de Jung se deu por causa de sua história com Fliess. Assim, os suíços entram nessa lacuna, capturando o ideal de Freud em relação ao progresso da ciência. Ademais, esclareceram a possibilidade de aspectos tóxicos na origem da libido.

    Jung era um pesquisador disposto a aplicar técnica psicanalítica aos seus pacientes psicóticos e espalhá-la no ambiente científico de Zurique. A teoria junguiana da libido, como vimos, passa por transformações que atingem a esfera do transcendente. Assim sendo, a libido é essencialmente simbólica.

    As consequências imediatas do debate entre Freud e Jung levaram o primeiro a retomar uma discussão ainda mais antiga. Discussão essa que veio antes da discussão com o psiquiatra suíço. Trata-se da própria constituição da realidade. Portanto, ela culminou em uma maior consistência à ideia de que a realidade está configurada devido a pontos de contato com o objeto perdido.

    A realidade é organizada à medida que o sujeito enfrenta sinais da primeira experiência de satisfação. O que o sujeito busca é o reencontro com o objeto uma vez perdido. Ou seja, com o objeto extraído dele, com a libido (sexual) que foi subtraída.

    Este conteúdo sobre libido foi escrito por Michele Rocha para o Curso de Formação em Psicanálise Clínica.

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