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Série Maid: uma abordagem sobre violência doméstica

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Neste artigo abordaremos sobre a série Maid e sua relação com a Psicanálise. Segundo o artigo 5º da Lei Maria da Penha, a definição de violência doméstica e familiar contra a mulher é “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.

E é sobre esse tema, tão importante de ser discutido na atualidade, que a série Maid, lançada inicialmente pelo Netflix, retrata, o qual também, a seguir, iremos discutir baseando-nos nessa série fantástica.

Sobre a série Maid

Maid, que em português significa empregada, é uma série americana escrita por Molly Smith Metzler que tem por base o livro autobiográfico de Stephanie Land, intitulado “Maid: Hard Work, Low Pay, and a Mother’s Will to Survive”, tradução – Empregada doméstica: Trabalho árduo, Baixa remuneração e Vontade de sobreviver da mãe – descreve sua luta para sobreviver em meio à pobreza, à vida como mãe solteira e ao seu emprego como faxineira. Segundo Emily Cooke do The New York Times, “Land sobreviveu às dificuldades de seus anos como empregada doméstica, seu corpo exausto e seu cérebro cheio de aritmética sombria, para oferecer seu testemunho. Vale a pena ouvi-lo.”

A trama também acrescenta a realidade vivida por Land à violência doméstica, o que torna a série ainda mais enriquecedora de ensinamentos. Alex, nome da personagem que representa Land na série, se vê vivendo um relacionamento muito conturbado e cheio de violência psicológica, retratando o cenário vivido por tantas mulheres espalhadas por este planeta, e então toma a iniciativa de sair dele para proteger a si mesma e também a sua filha, que ainda era apenas uma criança. Porém ela não fazia ideia dos obstáculos que ela teria que enfrentar para vencer essa situação.

E assim, por ter vivido tanto tempo sob a dependência financeira do seu parceiro, Alex não possuía experiência para conseguir um emprego, pois não tinha referências muito menos um endereço fixo, não tinha o apoio de seus familiares, o que dificultou ainda mais na busca por esse emprego, e em consequência disso ela não conseguia vaga para deixar sua filha em uma creche, pois para matricular a criança na creche, exigia-se que a mãe estivesse trabalhando. Isso retrata a realidade que muitas mães vivem, enfrentando burocracias que dificultam ainda mais a colocação dessas mulheres, vítimas de violência, no mercado de trabalho.

Série Maid e o emprego de Alex

Passado o tempo, Alex vai a uma agência para diaristas e a partir daí consegue um emprego (em condições não muito justas) e mais tarde consegue morar em um abrigo para vítimas de violência doméstica. É importante destacar a importância do apoio familiar para as vítimas de violência doméstica, pois sem esse apoio fica tudo ainda mais difícil para as mulheres que querem sair dessa situação de abuso, que foi o que aconteceu com Alex na série.

Ela não havia estrutura familiar alguma e estava repetindo um ciclo que foi vivido exatamente igual pela sua mãe, Paula, onde seu pai, Hank, também foi um alcoólatra o qual também maltratava sua mãe, o que fez com que Paula considerasse o relacionamento vivido por Alex algo “normal”, já que também viveu com o pai dela e vivia novamente outro tipo de relacionamentos abusivo com seu atual namorado, e assim menosprezou o sofrimento da filha, não a apoiando como deveria.

Segundo Mônica Nogueira, Doutora em Psicologia e professora da Faesa, o término do relacionamento é um momento crucial da relação abusiva e que sem intervenção social, sem apoio, a mulher não vai conseguir sair do ciclo de violência, pois em geral as pessoas não entendem e julgam: ‘vou ajudar e amanhã vai estar com ele de novo’, afirma Mônica. E foi exatamente isso o que aconteceu com Alex em um dos momentos da série Maid. Ela não tinha o apoio que deveria ter e acabou retornando ao ciclo abusivo.

A violência

Isso nos mostra o quão é importante se fazer presente na vida de uma pessoa que esteja passando por esse tipo de violência, pois a qualquer momento a mulher pode ser atraída novamente por esse homem a embarcar nessa canoa furada, seja por dependência emocional, pedido de desculpas ou promessas de mudança do agressor, dependência financeira, por causa dos filhos, etc.

O importante é apoiar essa mulher para que ela não volte pra esse ciclo de abuso. Logo, Alex só conseguiu quebrar o ciclo de abuso após muita força de vontade e aliada a isso, ainda que tardiamente, conseguiu o apoio de pessoas como a conselheira Denise e a ex-patroa e atual amiga Regina, que a ajudaram com emprego, moradia e a conseguir estudo.

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Assim, Alex conseguiu a custodia total da filha e a seguir sua vida, apesar das dificuldades do cotidiano, mas longe daquele relacionamento abusivo e cheio de violência ao qual vivia. É como bem disse a psicóloga Mônica Nogueira em entrevista à revista A Gazeta: “… mas antes que seja necessário chegar a esse momento, a mudança tão propagada e necessária só vai acontecer quando a educação de meninas e meninos deixar de perpetuar conceitos de superioridade do homem sobre a mulher.”

O presente artigo foi escrito por Juliana Corrêa. Nasceu em Belo Horizonte no ano de 1990, é bacharel interdisciplinar em ciência e tecnologia, criadora do @analise_sem_neura no instagram, psicanalista clínica e programadora neurolinguística (PNL) em constante formação. Embora também possua formação em engenharia civil pela Universidade Federal de São João Del Rei, sua paixão pela mente humana, sua vontade de ser agente de transformação no mundo e o desejo de fazer dos seus esforços e ações serem acolhimento, evolução, sucesso e proporcionar paz aos sofrimentos, trazendo de volta a felicidade daquelas pessoas que a procuram, falaram mais alto do que a convivência com os números. Contato: Instagram @analise_sem_neura

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