maternidade e sentimento de perda

Maternidade e sentimento de perda

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Neste artigo, entenderemos mais sobre a maternidade e sentimento de perda na vida de uma mulher. Um aborto revela a perda e, por muitas vezes, um luto prolongado. Esse luto jamais será resolvido após anos desse evento ter passado.

É um trauma complicado. Durante a vida gestacional de uma mulher, pelo menos quatro delas terminam em aborto. Essas mulheres acabam em longa depressão, leva a perda da autoestima e certo ódio de seus próprios corpos, julgando-os como corpos inúteis que não conseguem ter filhos vivos, como suas mães. Sua auto-representação fica danificada/destruída.

Entendendo a maternidade e sentimento de perda

Durante a gravidez, os valores maternos, relacionados ao feto, podem ser influenciados por conflitos internos não resolvidos. Esses conflitos são resultados do estado de ansiedade, que se apresenta no estado inicial do desenvolvimento psíquico da mulher, durante a sua infância, ou no período inicial da gravidez. O vínculo materno não ocorre de imediato. Ele acontece com o passar do tempo, por meio do amor e da compreensão.

Assim, se começa a transparecer a função adequada de ser mãe. Os laços devem ser construídos durante a gestação. Eles são extremamente necessários e fundamentais, pois são momentos íntimos estabelecidos pela mãe, feito através do contato com o feto, por meio do som da voz ou um simples toque na barriga. Quando se sentir ou não mãe? Será que existe um tempo certo?

O desejo de se tornar mãe, consciente ou inconscientemente, acontece muito antes de uma gravidez, tendo sensação do sentimento de mãe ao decorrer dela ou mesmo no início dessa gravidez. A cada etapa, existem incertezas e medos, sendo uma delas, a etapa inicial aonde se lida com o medo do aborto espontâneo.

A maternidade e sentimento de perda e o desejo de engravidar

O desejo de engravidar é uma fantasia, marcada pelo complexo de Édipo, trazendo uma relação de parentesco entre uma morte súbita, da visão de família ou do luto. O desejo de uma gravidez, de ter uma criança, é uma forma de se reviver diferentes momentos de repressão da vida, o desejo de um filho pode ser a manifestação da perda de uma parte de si.

O desejo de ter um bebê pode partir do desejo de destruir o corpo da mulher, visto como o estágio Oral. O estágio Anal, ter um bebê é a necessidade de cobrir e compensar sentimentos da solidão. O desejo de ser mãe é poder se identificar com a sua própria mãe ou a mãe que gostaria de ter tido, é a vontade e o sentimento que providenciar afeto, ao mesmo tempo, essa mãe tem como reviver a própria experiência quando criança, recebendo, compartilhando com seu bebê o sentimento e as sensações de ser uma boa mãe.

No momento de reviver a experiência dela como criança e a identificação com a sua mãe podem gerar conflitos que não foram resolvidos na sua própria infância, podendo assim decidir por percorrer dois caminhos, onde poderá, no início da maternidade, se dedicar a todas as necessidades do seu bebê e quando este estiver mais independente, ela decide se afastar um pouco, podendo a segunda forma ser o inverso.

O inconsciente, a maternidade e sentimento de perda

Isso tudo dependerá do inconsciente, das memórias e sentimentos que existem guardadas da sua infância. É importante entender a diferença entre o desejo de engravidar e o desejo de ser mãe. Toda perda durante uma gestação é diferente, não existe uma forma certa ou errada de se sentir, o sentimento vai depender das circunstâncias, da experiência e do significado que aquela gestação teria.

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Poderia ser um aborto na primeira semana, ou um pouco mais tarde. Poderia ter levantado alguma suspeita ao decorrer dessa gravidez que alguma coisa não estava tão bem quanto parecia, assim como pode ter sido um choque absoluto.

Pode ter sido uma gravidez especial, assim como também pode não ter sido a primeira vez que isso aconteceu e consequentemente lida com a preocupação de se acontecer mais uma vez, como lidar com mais uma perda? e está se sentindo mal e fisicamente esgotada com essa experiência difícil.

Misto de sentimentos

São tantos sentimentos de imediato e a longo prazo que começam a se manifestar, mas sejam quais forem, é muito comum se encontrar em uma montanha-russa de emoções, raiva, culpa, tristeza, depressão, mesmo se o término foi cedo, a sensação e o vínculo que foi criado entre a mãe e o bebê pode ter sido muito forte.

Aceitar é difícil pois ainda estará em seu estado de negligência, a maioria das vezes estará com raiva, do seu médico ou do seu parceiro, mas mais ainda com raiva de si, um sentimento de culpa pois sente que poderia ter feito mais. Mas não existe um culpado, é algo que ocorre naturalmente mesmo quando se está fazendo todas as coisas certas.

Quando as coisas tendem a dar errado, procuramos sempre achar um culpado. A perda, um aborto espontâneo, não existe um culpado fazendo com que de alguma forma continuemos lutando para que as coisas possam dar sentido ao que acaba de acontecer, perdendo a raiva e a culpa, e como fica em transe com uma vasta experiência de emoções, tudo pode acabar por levar a depressão.

Considerações finais

O piscar, aceitar que sim, isso realmente está acontecendo, essa montanha-russa de sentimento finalmente levou a percepção do que é real. Olhe para o espelho, agora está pronta para descobrir como irá conviver com a perda.

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    Aceitar não significa que você está bem com tudo isso que acabou de acontecer, ao passar por uma experiência de milhões de emoções em sua mente apenas é a confirmação de que isso tudo é real.

    Não significa que será fácil, porém você entende que precisa, está, e vai lidar com isso tudo. Cada etapa leva o seu tempo, às vezes a próxima mais do que a anterior. No caminho podem aparecer gatilhos completamente inesperados que podem levar a contratempos, mas se curar não significa esquecer ou tornar cada memória insignificante. Se curar é achar uma forma de se reorientar com alguns pedaços de toda essa experiência.

    O presente artigo foi escrito por Raïssa Grace J. Asobo. Escritora (literatura infantil), formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia e Neurociências. Formando em Psicanálise. Contato por: Redes sociais: @r.g.asobo (Instagram) E-mail: [email protected]

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