Medo música de Lenine

Medo (Lenine): interpretação psicanalítica da música

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A letra de Medo música de Lenine expressa com muita propriedade o que é o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) tão comum nos tempos pós-modernos.

Medo música de Lenine e a Ansiedade Em Freud

Para Freud , a ansiedade é um conflito da mente. Um conflito que, se transforma em uma doença da alma. Aos poucos, ela corrói a psique do sujeito. Verdade. Todo ser humano é um pouco ansioso, afinal, a vida é cheia de curvas sinuosas, expectativas e surpresas.

Algumas, desagradáveis. Porém, quando a ansiedade é excessiva e impede a pessoa de viver o presente, a saúde mental fica comprometida. A expectativa diante do futuro se transforma em um medo irracional de viver, causando dor e sofrimento.

Pulsão De Morte em “Medo música de Lenine”

O medo pode ser uma força que nos impulsiona para a morte interior. O sujeito amedrontado diante da vida e dos desafios existentes no caminho, não consegue agir em determinadas situações. Como diz a música de Lenine : “ O medo é uma chave que apagou a vida.”. A indecisão o paralisa e o coloca num labirinto de ansiedades. Um indivíduo, por exemplo, que tem um relacionamento afetivo com outra pessoa e desconfia da fidelidade do parceiro ou da parceira, é alguém que caiu nas armadilhas do medo, e da angústia .

Assim, corroído pelas desconfianças, se deixa levar pelo medo da traição. Antes, a relação que dava prazer e satisfação, passa a ser um instrumento de agonia e fonte de medos e ciúmes patológicos. O indivíduo então, foge de novas relações que poderiam ser prazerosas. Porém, o pensamento persecutório o impede de buscar novos relacionamentos. É como diz a letra da música de Lenine : “ O medo é uma brecha que fez crescer a dor”. Restando então, a amargura.

Perfeccionismo Indivíduos que têm tendência ao perfeccionismo e gostam de manter a vida sob controle, ao sentirem a situação fugindo das mãos, passam a viver em estado de angústia permanente. Não querem perder a rédea da situação. A idealização de si mesmo acaba também desenvolvendo o medo de não conseguir corresponder às expectativas do outro.

Mau Conselheiro

Alguém que exige muito de si mesmo e deseja apenas agradar o outro, perde a sua verdadeira essência e vive na dependência da aceitação de alguém. E aí, como diz a letra da música do Lenine, o sujeito vive o “ Medo que dá medo do medo que dá.” É comum também, acontecer em relacionamentos profissionais, de amizade, familiares e amorosos. Principalmente em família. Um filho, por exemplo, que está sempre em busca da aceitação dos pais rigorosos e controladores, não consegue ser ele mesmo. Passa a fazer somente aquilo que os pais desejam. Acaba assim, na dependência de ser aceito.

Buscando ser perfeito para agradar e ter o amor dos pais. Sem conseguir ser ele mesmo. Este indivíduo, quando adulto, pode sofrer um processo de despersonalização. Certamente tem “ o medo circulando nas veias.”. O medo nunca foi um bom conselheiro. Ele causa insegurança e noites insones. Na hora de dormir, quando é preciso relaxar para se ter uma boa noite de sono, o sujeito dominado pelas incertezas da vida, não consegue parar de pensar nos problemas. A cabeça gira.

Ao acordar, se tem um encontro de trabalho pela manhã, fica com medo de chegar atrasado, porque “ O medo é medonho, o medo domina.” Ou ainda, se tiver um primeiro encontro amoroso, fica inseguro. Teme fazer alguma coisa errada que desagrade o outro e o encontro pode não sair como idealizado, frustrando expectativas.. Outro medo muito comum, que gera angústia e ansiedade , é o de quem vive nas grandes cidades.

Histórias trágicas influenciam negativamente

O medo de ser vítima da violência é uma constante na mente de determinadas pessoas. Noticiários sangrentos com histórias trágicas influenciam negativamente apsique do sujeito amedrontado, afinal, “ O medo é uma sombra que o temor não desvia.” Medo de Amar Há quem tenha medo de amar, por ter experiências passadas negativas. Afinal, “ O medo é uma força que não me deixa andar.” O indivíduo paralisado, deixa de amar. E o amor fica dentro do peito. Adoecendo. Guardado. Pois, para o ansioso, Lenine manda um recado: “O medo é uma armadilha que prendeu o amor”

Considerações finais

E assim, o indivíduo sobrevive à sombra do medo do que não aconteceu, mas pode acontecer. Sempre de uma forma negativa. Sendo impedido de viver uma vida plena de experiências e desafios. Viver sob o domínio do medo é viver uma vida sem qualidade. Sempre na expectativa do amanhã, esquecendo-se de viver o momento presente. Pois, o pensamento está sempre à frente e de forma pessimista.

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O indivíduo ansioso, geralmente vive com os músculos tensionados, testa franzida, dores de coluna, sudorese, falta de ar, dores de cabeça e aperto no peito. Temor que atinge não somente o psicológico, mas também o físico. Como diz com muita propriedade a música do Lenine : “ O medo é uma brecha que fez crescer a dor.” Filósofos Gregos No livro do filósofo francês , Luc Ferry, ele lembra que os filósofos gregos “ pensavam no passado e no futuro como dois males que pesam sobre a vida humana”.

Seriam então estes males, geradores da angústia e da ansiedade. Por quê ? Porque ressentidos ou saudosos pelo tempo passado e ansiosos pelo futuro, o homem deixa de viver o momento presente . Que na verdade, é o único existente. Já diziam os filósofos: o passado já passou e o futuro ainda não existe. Portanto, para que o medo não seja mais um laço que aperta o peito, refletir sobre seus temores encoraja a seguir em frente. Fazer psicanálise ajuda.

O presente artigo foi escrito por Celamar Maione([email protected]). Jornalista – Pós-Graduada em Psicologia Forense e Direitos Humanos. Formada em Psicanálise Clínica pelo IBPC. Em constante estudo e pesquisa.

2 thoughts on “Medo (Lenine): interpretação psicanalítica da música

  1. Muito bom artigo! O medo existe e é necessário. Mas é importante o equilíbrio,senão se torna doenças! O que não pode acontecer que o medo tome conta da pessoa. Parabéns!

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