Melanie Klein

Melanie Klein: a mulher que marcou a história da Psicanálise

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Melanie Klein foi uma mulher que contribuiu com uma nova visão teórica dentro da psicanálise. A importância de Klein dentro do campo psicanalítico é de grande valia pois, até nos dias de hoje encontramos analistas que se titulam como Kleinianos.

Suas grandes obras eram com crianças. Mas, antes de falarmos mais detalhadamente sobre sua contribuição na psicanálise, primeiro vamos conhecer um pouco da vida extraordinária e marcante dessa mulher.

A vida de Melanie Klein

Melanie Klein nasceu no dia 30 de Março de 1882 em Viena e, faleceu em Londres no dia 22 de Setembro de 1960 aos 78 anos. O pai de Melanie se chamava Moriz Reizes, que era médico e judeu ortodoxo. Moriz, foi um grande estudioso de Talmud (coletânea de livros sagrados dos judeus). A Mãe de Melaine se chamava Libussa Reizes, era uma bela mulher e corajosa, possuía uma loja de plantas e animais com o intuito de ajudar na renda familiar.

Melanie teve uma vida cercada de perdas e traumas, aos 5 anos de idade sua irmã chamada Sidonie falece de tuberculose. Klein, possuía um grande afeto por sua irmã e, tinha como grande recordação seus ensinamentos iniciais no campo da leitura e aritmética. Com o passar do tempo, tomou a decisão de ser tornar médica, no qual, essa escolha poderia ter sido influenciada por ajudar seu irmão Emmanuel, já que ele sofria de cardiopatia.

No entanto, aos 17 anos desistiu do curso de pré-médico pois, tinha em mente o seu casamento e, acabou por cursar Arte e História, em Viena. Porém, quando completara 20 anos, morre seu irmão Emmanuel.

Ainda sobre a vida de Melanie Klein

Aos 21 anos, Melanie acaba se casando com Artur Klein, com o qual teve 3 filhos: Melitta Schmideberg, Hans Klein e Erich Klein. O seu casamento não teve sucesso, já que seu marido era conhecido por ter um caráter sombrio e tirânico, sendo assim, acabou se separando. No ano de 1934, falece seu filho Hans, vítima de acidente de alpinismo.

Melanie Klein e o Contato com a Psicanálise

Aos 21 anos Melanie se casa e vai morar em Budapeste, onde teve o seu primeiro contato com a interpretação dos sonhos de Freud e, acaba se identificando com as ideias da obra. Foi por conta desse contato com a psicanálise, que Melanie decide iniciar sua análise com Sándor Ferenczi. Ferenczi, foi um grande analista contemporâneo e, um dos principais discípulos de Freud.

A análise com Ferenczi começa em 1912 e vai até 1919 tendo uma duração de 7 anos. O papel de Ferenczi na vida de Melanie foi fundamental pois, ele já observava que ela tinha uma certa vocação para trabalhar com crianças e, sendo assim, se tornou o seu maior incentivador. No ano de 1916, Melanie inicia sua carreia de psicanalista com crianças em uma policlínica de Budapeste. Em 1919 Melanie registra sua primeira obra: O desenvolvimento de uma criança.

No entanto, foi através dessa obra que Melanie se intitula como membro da sociedade psicanalítica da Hungria. Após a guerra, em 1920, foi realizado o Congresso Psicanalítico de Haia, e, nesse congresso Melanie é apresentada a outro grande autor no campo psicanalítico chamado de Karl Abraham. Abraham, era um dos mais fiéis discípulos de Freud, ficou conhecido na história da psicanálise pela sua obra: Psicose maníaca depressiva, hoje em dia esse termo é chamado de Transtorno bipolar.

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O encontro entre Melanie e Abraham

O encontro entre Melanie e Abraham acaba rendendo alguns frutos. Abraham ficara encantado com o talento de Klein e, a convida para morar em Berlim. Portanto, Klein acaba se mudando para Berlim e, chega a abrir um consultório para tratamento com crianças e adultos. No ano de 1924, Melanie começava sua análise com Abraham, porém, a análise não durou muito tempo pois, Abraham acaba falecendo prematuramente aos 48 anos de idade.

As principais obras de Melanie Klein

Melanie Klein tinha sua própria forma de ver e entender o mundo, produziu vários conceitos dentro do campo da psicanálise. Obviamente, é impossível falar de todas as suas obras, pois são muitas. No entanto, vale a pena destacar as mais clássicas como:

  1. Os princípios psicológicos da análise infantil (1926);
  2. Notas sobre a formação de Símbolos (1930);
  3. Psicanálise com crianças (1932);
  4. Psicogênese dos estados maníaco-depressivos (1934);
  5. Identificação projetiva (1946);
  6. Contribuições a Psicanálise (1948);
  7. Desenvolvimentos em Psicanálise (1952);
  8. Novos desenvolvimentos em Psicanálise (1955);
  9. Inveja e Gratidão (1957);
  10. Sentimento e Solidão (1959);
  11. Narrativa de uma análise Infantil (1961).

As controvérsias entre Melanie Klein e Anna Freud no campo psicanalítico

Dentre as principais contribuições de Melanie Klein na área da psicanálise está justamente a técnica de análise com crianças. Porém, é preciso destacar que Klein não foi a primeira e única psicanalista a trabalhar com crianças, outras psicanalistas como: Anna Freud (1895-1982) e, Hug- Hellmuth (1871-1924) desenvolveram trabalhos com crianças dentro da psicanálise.

Contudo, apesar de ambas trabalharem com crianças existia um pequeno detalhe que as diferenciavam. Melanie , acreditava que o tratamento psicanalítico realizado com adultos era possível com crianças.

No entanto, Anna discordava de tal conceito e afirmava que, trabalhar dessa forma com crianças não era possível pois, entendia que as crianças não tinham capacidade desenvolver a transferência pelo fato de possuírem ainda um vínculo muito próximo com os pais. Isso gerou diversos debates que, serviram justamente para analisar as divergências e o olhar de cada uma sobre o tema.

Considerações finais

No final da trajetória Melanie acaba comprovando suas teorias e se destacando no meio psicanalítico. Contribuições de Melanie Klein É inegável que Klein deixou um legado, nas obras de vários psicanalistas contemporâneos como: J.Rivière, S. Isaacs e P. Heimann, continuram como pós-kleinianos, integrados por ex analisandos e alguns discípulos como: H. Segal, H. Rosenfeld, D. Meltzer, W. Bion, no qual ressoam suas marcas.

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    Os Neokleinianos são representados na atualidade por diversos autores psicanalíticos dentre eles: B. Joseph e J. Steiner. É relevante destacar que alguns analistas kleinianos romperam com Melanie que, foi o caso de Paula Heimann, no qual, o seu trabalho sobre contratransferência contrariava klein, isso foi o suficiente para cortar o elo que tinham.

    Winnicott que também era discípulo de Melanie acabou rompendo ligações com ela devido a divergências ideológicas. Assim, Melanie deixou a sua marca e contribuição na psicanálise, uma mulher forte, guerreira, autêntica e com um olhar diferenciado para a sua época.

    O presente artigo foi escrito por Ana Bortolin é Psicanalista, com formação em psicanálise pelo – Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica de Campinas/SP. Certificada em “Transtorno ansioso e depressivo” pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein – São Paulo/SP. Certificada em “Álcool e Saúde Mental: da Prevenção ao Tratamento” pelo instituto Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa – São Paulo/SP. Participação na palestra: Setembro Amarelo (Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio) desenvolvido pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein – São Paulo/SP. Realiza atendimento on-line através do site: www.anabortolin.com.br

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