Método Científico

O Método Científico na Clínica Psicanalítica

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De forma geral, o Método Científico e os métodos de pesquisa baseiam-se no desenvolvimento de hipóteses e no seu teste.

As suposições são, por definição, declarações associadas a um maior ou menor grau de incerteza. Como, em geral, é muito difícil formular uma hipótese isolada, somos levados a desenvolver sistemas de hipóteses, ou seja, modelos.

Entendendo o Método Científico

Esses são conjuntos estruturados de hipóteses inter-relacionadas com diferentes graus de generalidade. Além disso, na prática, não é possível validar em conjunto um grande número de hipóteses. Na maioria das vezes, estes resultam experimentalmente no estudo da influência de certos fatores nos dados observados.

No entanto, lidar experimentalmente com mais de três fatores com um plano adequado é quase impossível, especialmente porque a noção de interação entre fatores ocupa um lugar importante na psicologia. Na verdade, o pesquisador muitas vezes é forçado a buscar validar uma hipótese, ou um pequeno número de hipóteses, no quadro de um modelo, ou seja, admitindo temporariamente o resto do modelo.

Geralmente chamamos de hipóteses de trabalho as hipóteses que colocamos entre parênteses ao aceitar sua validade, mas sabendo que podem perfeitamente ser questionadas no âmbito de outra pesquisa. O teste de hipóteses envolve a comparação de previsões e observações – ou seja, dados empíricos conforme foram observados. A partir dessa comparação, deve-se ser capaz de voltar indutivamente às conclusões a respeito da hipótese teórica.

Método Científico e hipóteses

Mais precisamente, deve ser possível garantir a generalidade das conclusões. Além disso, a principal dificuldade encontrada pela abordagem clínica ao reivindicar o estatuto de método de pesquisa é a garantia de suas generalizações. O objetivo de testar uma hipótese é modificar a plausibilidade que foi anexada a essa hipótese antes da verificação, tentando trazê-la para um grau mais alto ou, se procedermos por eliminação, para um grau mais baixo.

Geralmente, ao formular hipóteses, o pesquisador prefere formulá-las com base em considerações semânticas afirmativas, ou seja, preditivas de fenômenos reais, em vez de formalmente metodológicas ou informativas: ele então parte daquelas que considera serem para ele as mais plausíveis a priori. Na pesquisa atual, o pesquisador frequentemente começa tentando, com base em uma hipótese semântica que é fortemente plausível aos seus olhos, coletar um corpo de dados afirmativos, compatível com essa hipótese.

Só então ele leva em consideração as hipóteses concorrentes, aquelas que provavelmente explicariam seus dados da mesma forma que sua hipótese preferida. Ele então tenta invalidar essas hipóteses concorrentes. Esta estratégia tem todo o seu valor apenas em subcampos de investigação já mais ou menos explorados, se houver apenas um pequeno número de hipóteses concorrentes e se estas forem tomadas em conjunto, logicamente exaustivas em relação ao problema proposto.

O Método Científico na Clínica Psicanalítica

Podemos então, em princípio, chegar por eliminação a uma conclusão dotada de Além disso, geralmente se considera que uma das características importantes de uma pesquisa é a qualidade das hipóteses semânticas que estuda. Esse valor é baixo se o pesquisador se compromete a testar uma hipótese trivial, para a qual os fatos estão prontamente disponíveis e, portanto, desprovidos de interesse específico. Por outro lado, uma hipótese muito particularizada pode ser muito tênue e não relacionada aos fenômenos psicológicos mais difundidos.

Em qualquer caso, na maioria das pesquisas específicas em psicologia, o ganho de informação é baixo. Na verdade, é excepcional que se chegue repentinamente a certas conclusões. É apenas por meio de pesquisas cumulativas que se consegue aumentar a plausibilidade de uma hipótese. É por isso que os artigos de resenhas de pesquisas experimentais em revistas científicas de psicologia passaram, em poucas décadas, da apresentação de um único experimento e seus resultados à apresentação de um pequeno conjunto de experimentos.

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A fase do processo de pesquisa que consiste em concluir as hipóteses obedece a um certo número de condições de verdade. Em princípio, há acordo entre a comunidade de pesquisa sobre as condições em que as conclusões empíricas podem ser aceitas. As regras e metas da metodologia clássica, e mais precisamente da indução estatística, são um bom exemplo da realização dessas condições de verdade. A própria interpretação não obedece a nenhuma regra especificada, exceto as regras de consistência ou consistência lógica.

Considerações finais

Depende muito da natureza dos conceitos aceitos por esta ou aquela interpretação da comunidade científica (comportamental, psicanalítica, cognitiva etc.). No entanto, uma vez satisfeitas as condições de verdade comum, ou seja, quando o grau de plausibilidade de uma afirmação tornou-se muito alto, a ponto de levar ao apoio de todos (ou quase), pode-se dizer que a hipótese foi tem sido corroborado, e mesmo em um grau ainda mais alto de antiguidade, pode-se falar de conhecimento estabelecido em psicologia.

Em geral, a obtenção desse conhecimento leva anos, senão décadas. Como em qualquer ciência, esse conhecimento estabelecido ainda deve ser capaz de resistir às verificações novas, mais refinadas e mais rigorosas das gerações posteriores. Às vezes falamos de conhecimento robusto para designar aqueles que foram mantidos bem ao longo do tempo.

Como exemplos de conhecimento estabelecido e robusto, podemos citar os principais resultados relativos à constância perceptiva, memória de curto prazo, a influência do nível de motivação no desempenho, as principais etapas do desenvolvimento intelectual etc.

O presente artigo foi escrito por Michael Sousa([email protected]). Possui MBA em Gestão Estratégica pela FEA-RP USP, é graduado em Ciência da Computação e especialista em Gestão por Processos e Six Sigma. Possui extensão em Estatística Aplicada pelo Ibmec e em Gestão de Custos pela PUC-RS. Entretanto, rendendo-se aos interesses pelas teorias freudianas, foi formar-se em Psicanálise no Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica, e procura diariamente especializar-se cada vez mais no assunto e na clínica. É também colunista do Terraço Econômico, onde escreve sobre geopolítica e economia.

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