tentação de Cristo

A Tentação de Cristo e seus reflexos psicanalíticos

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Você já deve ter ouvido falar sobre a ‘tentação de Cristo’ no deserto quando ele ficou vagando por 40 dias.

O episódio esta narrado nos evangelhos sinóticos, da Bíblia canônica e, também, nos livros apócrifos do NT. Vamos encontrar o relato nos sinóticos canônicos em Mateus 4:1-11, Marcos 1: 12,13 e Lucas 4:1-13 embora com algumas nuances e omissões.

Entendendo a tentação de Cristo

Em Mateus, vamos encontrar o relato nos seguintes termos: “(…) Então, foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. 5 Então o diabo o transportou à Cidade Santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.

7 Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus. Novamente, o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás. Então, o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos e o serviram (…)”

Abstraindo em nível de Psicanálise existem duas perguntas que se recusam calar, em relação a este tema: ‘Quais os reflexos disso tudo isso no tecido social e o que significou esse episódio para o mundo cognitivo esclarecido?! Podemos destacar a seguinte expressão, dita por Lúcifer, o anjo decaído, que tentou Cristo: ‘… e mostrou todos os reinos do mundo e a glória deles e disse: tudo isso te darei, se prostrado me adorares!.’ Ora o que isso significa ?! Que até então, tudo era do Lúcifer. Que o mundo é do capeta.

Tentação de Cristo e o relato de Jesus

Depois existe o relato que Jesus vai até o inferno e acorrenta o Lúcifer por mil anos. Muitos analistas que comungam o ‘paradigma da mega explosão original’ argumentam que essa questão é tão-somente da esfera do ‘paradigma haja luz e ouve luz’. E que no momento que o paradigma da mega explosão original vigorar com força e hegemonia, essas questões serão apenas algo metafísico a ser lembrado como ficcional e mito.

Esse foi o argumento de alguns que diante da incapacidade de explicar a tentação de Cristo apelaram para a ‘transmutação de paradigmas’. Jacques-Marie Émile Lacan (1901-1984) na formulação de seu conceito em nome-do- pai e forclusão tentou achar uma resposta para o contexto de Jesus, ainda em debate acadêmico. Alguns teóricos apelaram para o argumento de que a Psicanálise tentou suplantar a Filosofia o que é uma falácia. A analise dos objetos debelou completamente a questão. O objeto da Filosofia é o saber.

O objeto da Psicanálise é o inconsciente. Lacan melhorou a visão e percepção ao expor que o ‘inconsciente’ se revela atrás de uma linguagem própria que precisa ser bem interpretada e realizou proposta para capilarizar mais a Psicanálise. A Psicanálise estava refém de uma bolha, de nichos, era de uma só posição de classe e após Jacques Lacan se espraiou melhor pelo tecido social interclasses.

Tentação de Cristo e o sistema de passe

Na ânsia de qualificar melhor concebeu o ‘sistema de passe’, o que para muitos foi um equívoco. A Psicanálise continua perscrutando vários setores e buscando respostas com apoio inter, pluri, multi e transdisciplinar. Diante do impasse dos dois paradigmas, já começa a ser ventilada uma espécie de 3ª via, onde o modelo cosmológico da mega explosão original começa a ser substituído pelo modelo cosmológico circular, onde para muitos analistas o Universo já existia e nunca foi criado.

Essa idéia já começa a aparecer na internet e outras mídias. Ou seja, querem tentar tirar a percepção das premissas, de que na dúvida se o espírito precedeu a matéria, ou se a matéria precedeu o abstrato e se existe espírito? Surge aos poucos a visão de que foi a energia que é circular, que precedeu tudo. Na prática existe também a proposta da morte de Deus nessa concepção. A morte de Deus é a transmutação de paradigmas. Muitos poucos pesquisadores entendiam o que era afinal a morte de Deus.

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A morte de Deus só ocorrerá com o fim do paradigma ‘haja luz e houve luz’, ou seja, com a inversão das premissas, onde querem firmar que foi a matéria que precedeu o abstrato e que não existe paraíso e nem um mundo espiritual. Enquanto existir o paradigma haja luz e houve luz, Deus sempre será o vetor. Com o fim este paradigma ainda não sabem bem o que será o vetor. Para os defensores do paradigma da mega explosão original Deus inexiste, que tudo o que foi construído sobre a plataforma haja luz houve luz em tese e que irá se dissolver e desaparecer.

Considerações finais

A terceira via tenta se apresentar como uma solução intermediária, de que nem o espírito e nem a matéria seriam viáveis sem a energia e que foi a energia que precedeu tudo e o Universo é incriado, sempre existiu através dos multiverso ou universos paralelos.

Evidente que essas concepção causará muita dor humana e a Psicanálise como as demais ‘ciências psi’ e seus apoios, serão chamados para tentar decifrar e minorar essa questão e apaziguar o vale de lágrimas, no quesito posto: quem sou eu ? Da onde vim e para onde vou ? Se é que vou. O esforço passou a ser a busca pela pós-verdade.

O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira([email protected]). Formado em História e Filosofia. PG em Psicanálise. Realizando PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacológica; acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica. Contato via e-mail: [email protected]

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