Mito de Eros

Mito de Eros e Psique: sexualidade e psique humanas

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O tema sobre o mito de Eros é de vasta complexidade para o estudo da Psicanálise, assim como para outras áreas de conhecimento… A sexualidade é um tema de estudo bastante interessante e continuamente está sendo pesquisada e refletida.

Estudos de Freud sobre o mito de Eros

Os estudos de Freud no romper do século XX trouxeram um novo olhar para a ciência ocidental a respeito da sexualidade e o desenvolvimento da psique humana, ampliando a compreensão desse campo para além do ato sexual apenas, mas à toda experiência que envolva prazer e a (in)satisfação do mesmo, refletindo-se na relação do indivíduo consigo mesmo e com o mundo.

Dessa forma, de acordo com Freud, a sexualidade se manifesta desde a mais tenra idade em diferentes maneiras e fases ao longo do desenvolvimento do ser humano, sendo, portanto, um fator fundamental em vários aspectos. Certamente Freud enfrentou muitas resistências pela sociedade de sua época ao abordar seus estudos sobre esse tema, envolto até hoje em uma série de “tabus” morais e religiosos.

Muitas teorias freudianas foram ao longo do tempo comprovadas, enquanto outras já foram refutadas e reelaboradas por estudiosos e psicanalistas posteriores ao fundador da Psicanálise, pois estamos diante de um universo complexo representado pela sexualidade em sua abrangência, entremeado por crenças, fatores biológicos, traumas, prazeres e emoções.

O comportamento humano e o mito de Eros

Na teoria freudiana está a origem de muitas neuroses e boa parte do comportamento humano se estrutura a partir de sua relação com a sexualidade, por isso é tão importante abordar esse tema na clínica psicanalítica, ainda que este não surja nos primeiros momentos da análise, invariavelmente irá surgir no decorrer do tratamento terapêutico.

Interessante observar como desde a cultura helênica já nos era indicada essa relação profunda entre a sexualidade e psique, como aponta o mito de Eros e Psique (palavra que significa “alma” e que, não por acaso, deu origem ao nome desta área de conhecimento, a Psicanálise e também a Psicologia).

Em um breve resumo sobre o mito, Eros é o deus do prazer e sexualidade, filho de Afrodite, e se apaixona por Psique, filha do rei Mileto, detentora de rara beleza… E por sua grande beleza, Afrodite se sentiu ameaçada, ordenando então que esta fosse colocada no alto de um penhasco para ser noiva e devorada por um monstro.

O encanto de Eros por Psique

Contudo, Eros se encanta por Psique e a toma para si como esposa, sem que sua mãe soubesse e nem mesmo a própria Psique, que se relaciona intimamente com Eros às escuras, sem poder ver sua verdadeira face. Mas um dia ela quebra o acordo, e com uma chama acesa em sua mão observa a face de seu oculto marido enquanto este adormecia ao seu lado.

Não era um monstro o seu esposo, ao contrário, era o próprio deus da beleza e paixão, e ainda assim Psique se sentiu atemorizada, pois a força do amor provoca medo e ao mesmo tempo desperta à transformação. O mito se desenrola em uma grande jornada de Psique até o submundo para reencontrar Eros e tornar-se sua esposa divina, e também uma jornada de Eros para resgatar a Psique do sono da inconsciência.

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Há muitas interpretações simbólicas acerca desse mito, mas sua mensagem central está justamente na relação intrínseca existente entre sexualidade e a psique, como mencionado anteriormente. Tentar separar esses aspectos seria ignorar algo fundamental da condição humana e que está na origem da própria vida.

O mito de Eros e as religiões

As religiões ao longo do tempo entendem cada uma a seu modo esse tema, sendo que a religiosidade cristã acabou influenciando mais a mentalidade da sociedade ocidental. Por séculos a sexualidade foi delimitada ao ato sexual e com a finalidade de reprodução apenas, logo, o prazer era considerado algo “pecaminoso” pela crença cristã, que supervaloriza a ideia de espírito/alma sobre a matéria/corpo.

Essa dicotomia até hoje influencia muitas culturas, sobretudo as ocidentais ou marcadas pelo cristianismo, e que provocou (e ainda provoca) intensos conflitos na mente humana. Foi um grande avanço para a ciência dissociar os dogmas religiosos sobre o prazer e a sexualidade. De acordo com Eric Berne, “a humanidade deu um grande salto ao separar os prazeres do sexo de seu propósito biológico meramente reprodutivo”, pois assim foi possível desenvolver novos olhares sobre esse importante aspecto da vida humana.

Ainda que até hoje a sociedade se depare com impasses e conflitos entre ciência, sexualidade e as crenças religiosas, vemos que muitas barreiras e preconceitos já foram superados. Estudos científicos do ponto de vista fisiológicos só foram iniciados em torno de 1954, por William Masters e Virgínia Johnson, e publicados primeiramente em 1966 na obra “A resposta sexual humana”, em que os autores estabelecem quatro fases principais da resposta sexual humana: Excitação, “Plateau”, Orgasmo e Resolução.

Estímulo, Desejo, Excitação e Orgasmo

Posteriormente, Helen Singer Kaplan avança nos estudos nessa área ao longo da década de 1970, propondo uma nova compreensão das fases da resposta sexual, que inclui o fator da libido ou desejo, estabelecendo então as seguintes etapas: Estímulo, Desejo, Excitação e Orgasmo.

A partir de seus estudos, Kaplan pôde observar e classificar os principais transtornos sexuais (de causa não orgânica) nas diferentes fases, e com isso possibilitou o diagnóstico e possíveis direcionamentos no tratamento desses transtornos. Como se pode notar, o estudo científico sobre a sexualidade humana, para além do ponto de vista da reprodução, é muito recente.

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    Vemos a relevância dessas pesquisas na contribuição considerável para a ciência como um todo, validando, ampliando ou modificando teorias e conceitos conhecidos da Psicanálise. Dentro desse campo de estudo, a sexualidade feminina é ainda mais complexa (seja pelos fatores psicoemocionais seja pelos dogmas religiosos que deturparam e reprimiram em muitos aspectos o corpo e a sexualidade feminina), e que passou a ser melhor compreendida a partir das décadas recentes.

    Considerações finais

    O Psicanalista, portanto, necessita conhecer os fundamentos básicos sobre esses estudos e ousar ir além dos preconceitos e “tabus” para compreender tanto a si mesmo quanto ao seu analisando. Não é questão de ter um conhecimento aprofundado da anatomia ou da neurofisiologia sexual, mesmo porque não cabe à Psicanálise tratar distúrbios anatômicos e biológicos dos órgãos sexuais, nesses casos cabe à própria Medicina.

    Contudo é crucial ter uma base de conhecimento interdisciplinar, seja para detectar se é um caso de tratamento psicanalítico ou não, seja para diagnosticar as possíveis neuroses ou patologias, bem como suas causas ligadas a sexualidade, e então conduzir da melhor maneira a análise.

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    O presente artigo foi escrito por Mayra Faro. Mestra em Ciências da Religião (UEPA), especialista em Psicologia Analítica Junguiana/Arquetípica (Unyleya/DF), estudante do curso de formação em Psicanálise Clínica (IBPC). Realiza estudos a respeito da dança circular e sagrada, dançaterapia, espiritualidade e o arquétipo do Feminino Ancestral. Email p/ contato: [email protected]

    2 thoughts on “Mito de Eros e Psique: sexualidade e psique humanas

    1. Costuma-se dizer que enfezado, seja, também, aquele que tenha prisão de ventre ou hemorroidas, que podem causar dor na hora de evacuar! Com sexo pode ocorrer muitas vezes, a fase do coito ou gozo espontâneo quando, na prática a pessoa poderia querer ter relação homoafetiva ou hetera e, não seria sexualidade fluida, mas dar carinho a quem ama! E a mesma situação vive quem se sinta dividido entre ter relações sexuais ou celibato e, ainda junto o sacerdócio como vocação! A igreja exige uma utopia, já que serão bem poucos os que não terão relações sexuais!

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