Neurose não é frescura

Neurose não é frescura! Compreenda para compreender quem tem!

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Compreendendo que a neurose não é frescura e é oriunda do conflito psíquico que envolve a frustração de um impulso instintivo (recusa da satisfação pela realidade); e compreendendo que são também o resultado dos nossos traumas, vivências e recalques; e considerando o momento econômico, emocional e psicossocial gerados pela Covid e de forma apátrida, repito, de forma apátrida os efeitos de mais uma guerra que se anuncia, da qual a mídia em busca de audiência não poupa esforços para nos inundar de dor e sofrimento empático, as neuroses merecem uma atenção toda especial.

Neurose não é frescura!

Para entendermos melhor as neuroses vamos retornar à Freud quando ele aprofundou no estudo dessas patologias e porque ele aprofundou. Para quem desconhece, no final do século XIX Freud praticou por anos a autoanálise (o que ele chamou de esplêndido isolamento).

Nesse período ele se dedicou a enfrentar de forma racional e “de cima do muro” suas gavetas escuras que surgiram em sua infância, seus problemas de relacionamento com seu pai e depois o quanto a morte do pai o afetou, seu excessivo zelo e amor pela mãe, os intrigantes efeitos psíquicos que os sonhos causavam e até mesmo os fantasmas mentais que chegaram após esse período também. Nessa análise ele avaliava um por um como eles o afetavam, porque afetavam e como se livrar deles.

E a partir daí, ele começou a analisar de igual forma seus pacientes e com os resultados ele foi fundamentando suas teorias. Não à toa, as neuroses eram para Freud um dos pilares da psicanálise, assim como a sexualidade e sua importância para a saúde mental. E aprofundando nessas questões ele pontuou a somatização corporal relacionada a estados específicos, daí surgindo a “neurose atual”.

Na atualidade, neurose não é frescura

E na neurose atual temos: a neurastenia vinda da brutalidade do fator sexual, cefaleias e as prisões de ventre, entre outras causadas por atividade sexual não satisfatória, como o excesso de masturbação por exemplo; a neurose de angústia que tem como sintomas principais a diarreia, congestão, distúrbio respiratório ou cardíaco, entre outros; Vale lembrar que embora a hipocondria não apresente sintomas somáticos específicos, ela conduz a pessoa à nosofobia (medo de ficar doente), logo é associada à neurose de angústia.

Esboçado de forma resumida o constructo teórico de parte das neuroses, segue alguns sintomas por ela apresentados segundo Freud. Vale lembrar que os sintomas variam de indivíduo para indivíduo, porém existem alguns mais comuns que acedem a luz de alerta do transtorno. São eles: medo de situação comum do cotidiano, alteração de humor sem motivo aparente, preocupação excessiva em coisas pequenas mesmo que sem uma causa específica e fobia.

Vamos explorar agora os mais variados tipos de neurose e suas características: Neurose de Angústia – Se manifesta com maior frequência em pessoas mais ansiosas. Seu principal sintoma é a angustia que evolui em crises mais ou menos próximas; Neurose de Abandono que como o próprio nome diz, oriunda da dor do abandono, além também da necessidade de segurança.

Neurose não é frescura! Entenda algumas

Neurose familiar – Em alguns casos familiares as neuroses individuais se completam de forma recíproca. Em muitas situações ela pode vir carregada da influência do casal parental exercida sobre as crianças; Além dessas, ainda existem muitas outras neuroses, tais como: Neurose de destino – alimenta uma crença de fracasso ou sofrimento que projeta o futuro; Neurose do fracasso – quando alguém recebe um reconhecimento mas acha que não é digno dele, repudiando e sabotando tal reconhecimento; Neurose narcísica – a pessoa sofre com o sentimento de inadequação resultante do conflito entre o ego e o superego.

Neurose traumática – tem como causa o susto e não o dano causado. Exemplo: você cai de moto ou bicicleta. O trauma que fica não são as cicatrizes, mas sim o susto ao cair (o que inclusive gera posteriormente o condicionamento respondente, mas isso é assunto para outra oportunidade); Neurose de caráter – quando há conflito entre os conceitos recebidos no desenvolvimento em analogia com conceitos adquiridos em seu constructo particular.

Neurose obsessiva compulsiva – Nessa neurose o indivíduo tem um superego exageradamente severo, logo, o ego que seria submisso ao superego, manifesta reações como consciência, piedade e asseio. Neurose fóbica – Essa merece atenção especial justamente por ser pejorada e destorcida como “frescura” pelas pessoas que não cultivam empatia por esses neuróticos. Ela nasce do medo paralisante de lugares, objetos e situações. E o resultado é a insegurança e o evitamento, o que faz com que o indivíduo fique em estado permanente de alerta e de fuga por exemplo.

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Conclusão

Finalizando o material, voltamos para as considerações iniciais. Estamos em um momento muito delicado da condição humana no que diz respeito às emoções e ao psíquico. E além de delicado, o momento é de transformação, de mudanças e sabemos que toda mudança gera desconforto, insegurança, predominância do narcisismo involuntário oriundo das necessidades pessoais.

Gera também a necessidade de empatia social de amparo, empatia psicossocial em relação aos que foram acometidos por alguma neurose oriunda de tudo que está acontecendo! Todo o constructo técnico desse artigo teve como pilar e fonte inspiradora as teorias freudianas “Teorias do Aparelho Psíquico e os Aspectos Teóricos e Clínicos nas Obras de Sigmund Freud” do Curso de Psicanálise Clinica do Instituto Brasileiro de Psicanálise Clinica.

O presente artigo foi escrito por Og Silva Jr. Analista Comportamental/Mentor de Carreira e de Relacionamento/Consultor de RH

3 thoughts on “Neurose não é frescura! Compreenda para compreender quem tem!

  1. Nossa eu estou amando tudo sobre a psicanálise e uma matéria excelente.
    Eu estou encantada com tudo que estou lendo.

  2. Não sabia que muitas teses “Freudianas”, viriam ao encontro do muito que vivi e ainda vivo! Costumo dizer que a depressão e fobia social, não possuem cura ou afastamento pleno de tais “problemas”, mas estamos sempre “em recuperação”! Sexualidade “resolvida” e saúde mental, concordo que são inerentes entre si! É lamentável o sensacionalismo e Indiferença jornalistica nas entrevistas que traz: A parturiente, pouco tempo depois de dar a luz, em subsolo de um prédio, ouviu a pergunta (“sui generis”) do que ela achava daquela situação. A Sabedoria da Maternidade, esteve na resposta dela: “Bebê nasceu e estamos bem”! Ontem li um paradoxo, do porque vacinados morrem de Covid-19 e que o Governo concordou com a cláusula de fabricante de vacina em Não arcar com efeitos colaterais “consumados”! Nesse milagre eleitoral, de tantos candidatos ao Executivo e Legislativo, foi Autorizado o Não Uso Obrigatório de máscaras, mesmo circulando o vírus, ainda e com mutações! Mas as “Senhorinhas” parece Não quererem “arriscar” a Aposentadoria ou Pensão que recebem e, conquistada depois de décadas de trabalho/”suor”, mantendo o uso das máscaras. Já um primo meu, caminhando para os 77 anos (e com graduação superior!) deixou-se guiar pelo “milagre” do ano eleitoral!

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