Mona Lisa

Mona Lisa: psicologia no quadro de Da Vinci

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O famoso e misterioso quadro “A Mona Lisa” do famoso pintor Leonardo da Vinci, também conhecido como “La Gioconda”, teve sua criação iniciada em 1503 e foi concluída 3 anos depois.

Trata-se de uma pintura a óleo sobre madeira, com medida de 77 cm x 53 cm, utilizando-se da técnica “sfumato” e que retrata uma figura emblemática, misteriosa, um leve sorriso de canto, assentada com as mãos repousando sobre os braços. Entenda a psicologia e o mistério de Da Vinci sobre o quadro de Mona Lisa.

O que significa o termo “Mona Lisa”?

Primeiramente, vale dizer que a origem do termo “Mona” é resultado da contração da expressão “Madona” que, em italiano, significa “Senhora”.

Trata-se de obra extremamente famosa e conhecida mundialmente. É objeto de poesia, textos, filmes e músicas. Atualmente, a obra se encontra exposta no Museu do Louvre, em Paris.

A figura exsurge em uma paisagem bucólica e ao mesmo tempo contrastante, já que no pano de fundo do quadro, verifica-se a existência de rios, caminhos entre montanhas, gelo, lagos e possíveis árvores.

Quem é a mulher da foto?

Há várias teorias que apontam quem deveria ser a mulher da foto. Uns afirmam que se tratava de Lisa Del Giocondo, esposa de Francesco Del Giocondo, homem importante da sociedade de Florença, na Itália.

Afirmam que o quadro seria uma encomenda do marido de presente para a esposa que tinha acabado de ter um filho. Usam como argumento que foram utilizadas diversas camadas de tinta, pois na versão original, Mona Lisa estaria usando um tipo de véu típico de mulheres que haviam dado à luz.

Há outros estudiosos, todavia, que dizem que o quadro retrata Isabel de Aragão, uma duquesa. E há também quem defenda ser auto retrato de Leonardo Da Vinci, vestindo roupas femininas.

Mas do ponto da Psicanálise, o que pode ser extraído da referida obra?

Tal obra, assim como o inconsciente, traz um complexo de indagações que podem apresentar as diversas respostas, se analisarmos o contexto em que foi criado e a mensagem que o autor passou. Vejamos 3 detalhes.

Primeiro traço: O olhar e a ausência de sobrancelhas em Mona Lisa

Ao deparar com o referido quadro, é interessante como ele transmite a sensação de perseguição com os olhos para a direção em que se está indo. Ou seja, A Mona Lisa está te vendo! Recentemente, estudiosos da Universidade de Bielefel, na Alemanha, constataram que não é sempre que o referido efeito acontece.

Deve ter uma determinada posição e de acordo com o ângulo para que se tenha o efeito de que o quadro está seguindo o espectador com os olhos. Contudo, em regra, o olhar da Mona Lisa o acompanha.

Do ponto de vista psicanalítico, analisando o perfil dos olhos que acompanham, parece ser de alguém que tudo vê, uma pessoa observadora e pela profundidade do olhar, parece estabelecer julgamentos.

Sobre o olhar de Mona Lisa

A forma que com que somos olhados por alguém, muitas vezes, evidencia o que a pessoa está pensando. Sabe-se quando há um olhar de reprovação, de raiva, de amor ou de indiferença.

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Na verdade, o olhar também se estabelece como uma forma de linguagem. Aliás, historiadores que dizem que o ditado “Os olhos são a janela da alma” foi de autoria do próprio Leonardo da Vinci.

Uma brincadeira com os espectadores?

Outra indagação que também surge seria a de que Leonardo Da Vinci, na verdade, teria feito um tipo de “brincadeira” com os espectadores. Teria se utilizado de técnicas para fazer com que quem contemplasse o quadro tivesse a sensação de estar sendo por ele observado.

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    A inteligência fez com que Leonardo da Vinci fosse considerado um dos maiores gênios da humanidade. E o próprio Freud descreve sobre o referido autor em uma de suas obras, a saber Cinco Lições de Psicanálise, Leonardo da Vinci e Outros Trabalhos 1910 Vol. XI.

    Sua ausência de sobrancelhas

    Quanto à ausência de sobrancelhas, curiosamente, constata-se que naquela época, as mulheres retiravam as sobrancelhas por orientação da igreja, já que qualquer tipo de pelo era sinal de devassidão e pecado.

    Dessa forma, percebe-se que Mona Lisa seguia as referidas regras. Provavelmente, era uma mulher religiosa e conservadora.

    Segundo traço: O Sorriso Emblemático de Mona Lisa

    Já cantava Jorge Versillo: “Paralisa…com seu olhar Mona Lisa, seu quase rir ilumina tudo ao redor, minha vida (…)”. Bem verdade que o sorriso de Mona Lisa é dos sorrisos mais emblemáticos e misteriosos da história da Arte.

    Há quem aponte que a expressão seria de angústia, medo ou incômodo. Outros afirmam que há uma ideia de felicidade por trás do sorriso, já que aparecem pequenas rugas ao canto da boca. Fato é que se trata de uma forma tímida de expressão.

    A timidez em sua expressão

    A timidez se constitui em um complexo de características psíquicas que resultam em introspecção, mecanismos de regulação de comportamento e auto cobrança. Está presente em pessoas que não gostam de falar em público, não gostam de sobressair ou posar para fotos.

    Será que Mona Lisa realmente tinha o desejo de ser o objeto da obra de arte? Fica a indagação.

    Seu sorriso emblemático

    O ar emblemático do sorriso faz transparecer uma mulher tímida e ao mesmo tempo misteriosa, já que o sorriso, parece ter um caráter ambivalente.

    Pode ser interpretado como um “parecer ligeiramente alegre” ou parecer “disfarçadamente triste”. Vai depender do ponto de vista ou até mesmo o estado de espírito de quem o aprecia.

    KK Adour, membro do Departamento de Otorrinolaringologia do Kaiser Permanente Medical Center, Oakland sustenta que o sorriso de Mona Lisa pode ser resultado de uma contratura muscular facial que se desenvolve após a paralisia de Bell, quando há degeneração do nervo facial e depois a regeneração.

    Terceiro traço: A Postura de Mona Lisa e a Paisagem

    Ao verificar a postura de Mona Lisa pode-se notar que se encontra sentada e com as mãos apoiadas. É uma postura formalista, típica de quem realmente está posando para uma foto. Ao lado esquerdo de Mona Lisa aparece uma cadeira, mais conhecida como “cadeira pozzetto”.

    Pozzeto tem o significado de pequeno poço. Como no pano de fundo do quadro, há imagem de água, lago e gelo, dá a entender que o autor da obra relacionou a cadeira aos referidos elementos.

    Segundo Freud, a água representa manifestação de desejos reprimidos. Como no quadro, percebe-se a água representada de várias formas, ora em um lago, ora em um gelo, provavelmente, Da Vinci externou seu inconsciente através deste simbolismo.

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    Considerações finais

    A Arte, assim como a Psicanálise, possui em comum o seguinte traço: a relatividade e a incerteza. O artista utiliza-se de sua obra para expressar sentimentos, opiniões, extravasar afetos, desafetos, amor e ódio. Cada pessoa que aprecia seu trabalho tem uma diferente interpretação.

    A Psicanálise, como forma de estudar o consciente e mergulhar no inconsciente, também apresenta uma série de indagações que ora convergem e divergem, sendo uma verdadeira viagem ao interior do autoconhecimento.

    O presente artigo foi escrito por Elen Batista Lins [[email protected]]. Elen é aluna do Curso Psicanálise Clínica, Graduada em Direito – Pós Graduada em Direito Privado.

     

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