monogamia

O que é a Monogamia e sua origem histórica e social?

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Ao buscar o significado basilar e cru da palavra Monogamia no dicionário, encontramos a descrição simplista de: “relação estabelecida e desenvolvida com um só parceiro.

Pode se dar a partir do matrimônio ou de qualquer relacionamento estável e duradouro”. Mas e você? Já chegou a se questionar quanto ao significado social e individual da Monogamia?

Entendendo sobre a monogamia

Atualmente, muito tem se discutido no que se refere a esta temática, surgindo uma nova corrente de adeptos declarados a relacionamentos não monogâmicos, com tríades, políamor, amor livre, relacionamento aberto, poligamia, diversas expressões que questionam exatamente a instituição Monogamia. Insta salientar que cada um desses termos, possuem suas particularidades, ou seja, não se encaixam todos em poligamia, mas têm em comum a não adesão a um relacionamento monogâmico. A

través de um retorno a História dos constructos familiares e da base da formação da família nuclear, observa-se que gira em torno de um relacionamento heteronormativo e monogâmico matrimonial, que começou a ser adotado na Idade Média, onde através do apoio dos ideais cristãos propagados pela Igreja Católica, impulsionaram o Casamento como a única forma aceita de se ter sexo com o aval da moral da religião.

Esses valores que possuem a heterossexualidade como regra, foram propagados e perpetuados pela religião católica, bem como pela visão Eurocêntrica que serviu de base cultural empregada pelos colonizadores em suas conquistas territoriais. Há de se questionar o motivo e a origem dessa cultura heteronormativa ser tida como padrão adotado pelas famílias na Idade Média e depois propagada como o correto até os dias de hoje.

A monogamia e sua origem

Fato é que, estudos apontam que a monogamia teve sua origem ligada a questões biológicas que foram centralizadoras, por possuir grande importância na perpetuação da espécie e na união dos genitores em prol do sucesso no crescimento do filhote, que por serem mais frágeis que outros animais, necessitavam de um cuidado de ambos para “vingar” e crescer. Dessa união na criação, já que necessária a perpetuação da espécie, que começaram os primeiros sinais de civilização ao passo que se iniciou o retorno do homem ao seu lar para encontrar seus filhos e mãe destes.

A partir daí, quando se começou a almejar mais conquistas de terras, o homem começou a perceber que não seria interessante ter relações com seus entes familiares pois não iria aumentar o seu domínio territorial e poder. Com isso, se iniciou o Incesto, como um conceito que embasava a necessidade de expansão e ambição inicialmente, vindo depois a se tornar um pecado, diante das transformações que os costumes criam na cultura.

Começando também o domínio masculino sobre a mulher, ao passo que, com base em questões territoriais e de ambição, os homens da família (irmãos e pais), decidiam sobre o destino da mulher, que seria se casar com um homem, provedor de bens e interessante para o sucesso familiar oriundo da junção de interesses de ambas as famílias (do homem e da mulher), sem ter o direito de questionar a sua vontade e sem direito a escolher a sua sexualidade, sendo essa junção baseada no interesse mesmo e não no Amor, livre escolha, entre outros fatores que podem impulsionar uma decisão de se relacionar nos dias de hoje.

O livre arbítrio

Restava evidente que para a mulher além de não ter o livre arbítrio sobre o seu parceiro matrimonial, ainda não tinha nem a liberdade de titubear quanto a escolha de se relacionar com homem ou mulher, emergindo mais uma fonte perpetuadora da heteronormatividade e da impossibilidade de escolha feminina, baseada numa escolha de cunho pecuniário sobre o direcionamento da vida feminina, num ato de objetificação da mulher e da imposição do caráter monogâmico, já que para a perpetuação das riquezas e paz entre as famílias e sociedade, esta mulher, irmã, filha e depois mãe, não tinha o direito de escolher outros ou outras parceiras, já que era tratada como objeto passado de pai/irmão para marido.

Restando evidente que a monogamia surgiu como mais uma forma de oprimir as mulheres e perpetuar um família e cultura com laços patriarcais, tendo em vista que diante do casamento, era tido como normal a traição masculina e a feminina ou qualquer anseio que chegasse perto do não monagâmico e do casamento para a mulher tido como uma falha de caráter e obscuridade da sua reputação social.

Essa cultura e rito de passagem se perpetuou por muitos anos, permitindo a infidelidade masculina, tratada como traição fruto do instinto do homem, ou seja, normalizando essa hipocrisia de manutenção da monogamia perante a sociedade, mas ocorrendo a saciedade de desejos masculinos através da traição e realizações escondidas, com o intuito de manter a relação monogâmica matrimonial.

Os relacionamentos da monogamia

Fato é que tais traições sempre aconteceram em todo aparato social, independente de gênero, minando a visão e conceito da possibilidade de todos viverem harmoniosamente num relacionamento monogâmico a vida toda, num ato de nítida superestima e culto de uma monogamia por vezes forçada, que não funciona para todos os envolvidos nesse constructo cultural. Com a evolução dos conceitos e fruto das revoluções alcançadas pelos movimentos feministas, LGBTQIA+, negro, dos trabalhadores, que trouxeram consigo questionamentos acerca das formas arcaicas que embasaram a construção social e cultural em torno dos relacionamentos, da organização social, do trabalho.

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Ideais libertadores que abalaram as estruturas da sociedade capitalista, patriarcal, sexista, racista, valores que se embasam numa ética do Amor, amor livre para brotar na forma original e desejada no âmago das pessoas, sem estar enraizada pelos preconceitos que originam formas de repressão externa e recalques, que é um dos mecanismos de defesa contra desejos, sentimentos, considerados repugnantes.

Essa visão patriarcal origina ditames a serem seguidos para que não venham á tona desejos considerados fora da forma estabelecida, essa inibição forçada desses desejos gera nos indivíduos um adoecimento generalizado, já que todos têm que se encaixar numa forma de ser e de amar que por vezes não se encaixa na sua realidade e vontade individual.

A estrutura social

Como bem preceitua, Erich Fromm no livro “A arte de amar”: “importantes e radicais mudanças em nossa estrutura social são necessárias, para que o amor se torne um fenômeno social, e não um fenômeno individualista e marginal”. Em nossa sociedade formas de amor que sejam divergentes ao modelo monogâmico, heterossexual e matrimonial, são de pronto marginalizadas o que notadamente gera conflitos familiares, psicológicos e uma propagação de verdades absolutas e interferências sobre formas de vida e de relacionamentos próprias de cada um.

Atualmente, estão sendo mais aceitos e tem sido dada abertura a novas formas de relacionamentos, mais de acordo com a verdade individual. Estar adepto a não monogamia é uma nova forma de não se enquadrar a todo um modelo já vigente e tido como padrão de respeito e sucesso.

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    Sendo assim, no campo psicológico, ficam abertas lacunas a respeito de como as pessoas que se declaram não monogâmicas possuem interesse em viver, basear o relacionamento eticamente, porque relações não monogâmicas já existem aos montes, só que geralmente não é algo declarado e aceito por ambos os envolvidos, gerando quando dessa forma traições, mentiras e abertura para sofrimento, diante da hipocrisia dos envolvidos em se adequar a um padrão que não os fazem felizes, geralmente agem de maneira egocêntrica ao passo que além de basear o relacionamento em mentiras ainda não permitem a outra pessoa também ter o direito de aderir ou não a não monogamia.

    Conclusão

    Sendo assim, pautada em escolhas sinceras e sem repressões sociais, a não monogamia pode ser uma forma social de não repressão aos desejos, abrindo ensejo para cada um viver livremente de sua forma originando o chamado: Relacionamento aberto que é a relação romântica que os parceiros se adequam a uma forma que as relações românticas ou sexuais com outras pessoas não são consideradas traição ou infidelidade.

    Será que todos estão maduros e preparados psicologicamente e socialmente para exaurir todo um constructo social e patriarcal a respeito dos relacionamentos? Como individualmente isso reverbera na construção psicológica de posse, ciúme e aprendizado introjetado quanto a monogamia?

    Este artigo sobre o que é monogamia foi escrito por Priscila Wanderley Saraiva ([email protected]), advogada e psicanalista em formação com foco no social.

    3 thoughts on “O que é a Monogamia e sua origem histórica e social?

    1. A monogamia, em última análise, viria ao encontro de evitar que ocorra o incesto, na crença, que homem e mulher, casados, buscariam formar famílias com filhos em comum! Só que nem sempre a Sociedade seguiu essa “regra”, até recentemente a Globo, tratou de reprisar a novela Império, dando uma desvirtuada na palavra “bastarda” visto que o personagem do Zé Alfredo, teve uma filha com a cunhada antes de casar e Não durante o casamento! Também a palavra adultério deixou de ser trazida em processos de separação, visto que há tempos existe o advento da União Estável para quem não oficializa a separação, mantendo o vínculo do casamento, mesmo sem coabitar! Quanto a volta da fluidez sexual dos anos 60, hoje chamada de Diversidade, se deu pela decisão da mulher em fazer desde o controle de natalidade a até decidir por não ter filho! Como outrora disse o parapsicólogo Pedro Grisa, a homossexualidade seria um dos controles de natalidade! E percebe-se que muitas mulheres passaram a dizer com a carreira profissional e casamento, contemporâneos, da dupla jornada de cuidarem dos filhos e/ou do marido e trabalhar. Algo que dá impressão de mero “reprodutor” a ele e, claro, aproximando mais o homem casado de seus amigos homens, que efetivamente se completam e sem essa sensação de “estorvo” na vida da esposa, quando ouvem dela com conhecidos, dizer a frase: (como atribuição doméstica): “cuidar do marido”!!!

    2. Em um dos pontos no texto descrito acima, podemos perceber a seguinte sentença: “que por serem mais frágeis que outros animais, necessitavam de um cuidado de ambos para vingar e crescer…construção psicológica de posse, ciúme…”.

      Tal sentença tem sua parcela de verdade, e acredito que o ato monogâmico, só se estabeleceu fortemente na sociedade por meio das crenças religiosas. De um Deus que abomina pecados contra a castidade e cobiças em geral.

      De uma entidade poderosa que nos diz que não devemos sucumbir aos desejos carnais, em troca de uma vida bela a maravilhosa no pós vida.

      Um dos leitores deste artigo (Geraldo), por sua vez usou o termo “casados” em um dos seus comentários, o que expressa muito bem a forte conexão que algumas religiões tem com a monogâmia.

      Mas quem será que nunca se sentiu atraído por outro alguém enquanto estava em uma relação monogâmica?

      Existem estudos que dizem que nosso cérebro, pode ser dividido em 3 partes, são elas: Neocórtex, Límbico e Reptiliano. A grande verdade é que enquanto houver o cérebro reptiliano (que controla nossos instintos), poderá haver instintos que nos levem a cometer atos poligâmicos.

      Não que você em sã consciência você vá comete-los, mas que nosso cérebro considerará como alternativa, sim, ele considerará.

      As funções intelectuais e superiores controladas pelo Neocórtex, podem até inibir de forma temporária nossos desejos carnais, mas a verdade é que nenhum dos 3 cérebros se sobrepõem ao outro.

    3. Mizael Carvalho disse:

      Muito boa explicação. Parabéns!

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