o que é condição humana

Condição Humana: conceito em filosofia e em Hannah Arendt

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Sobretudo, a condição humana envolve as características e eventos ocorridos durante a vida. Neste sentido, pode ser usada em contextos sobre o significado da vida, nascer ou morrer, ou sobre o aspecto de questões morais e sociais.

A condição humana trazida por Hannah Arent, em sua obra de 1958, traz aspectos que trouxeram uma abordagem crítica para a sociedade da época. Assim, mostrou seus pensamentos sobre as atividades do homem sobre trabalho, obra e ação, que, somadas, se referem a vida humana.

Ao passo que, para a filosofia de modo geral, a condição humana nos remete a um passado mais distante, onde Sócrates tornou o homem como um ser admirável com sua natureza humana. Ao passo que, neste mesmo sentido, Aristóteles concedeu ao homem a classificação de ente de linguagem.

Significado de condição humana

Basicamente, a condição humana é o conjunto das características e eventos entendidos como essenciais à vida humana. Como, por exemplo:

  • nascer
  • crescer;
  • sentir emoções;
  • ter aspirações;
  • entrar em conflitos;
  • e, enfim, morrer.

O conceito de condição humana é sobremaneira longo, analisados sob a ótica de diversas ciências, como religião, arte, antropologia, psicologia, filosofia, história, dentre outros. Diante da extensão do tema, nos remeteremos neste artigo somente ao seu aspecto filosófico.

O que é condição humana?

Nesse sentido, conforme a antiga visão de Platão, a condição humana é explorada basicamente através dos seguintes questionamentos: “O que é justiça?”. Então, pretendia o filósofo, explicitar que a condição é vista de maneira geral, pela sociedade, não de maneira individualizada.

Somente dois mil anos apareceu uma nova explicação sobre o que é condição humana. René Descartes declarou a famosa frase “Eu penso, logo existo.”. Assim, sua visão era de que a mente humana, particularmente em seu arbítrio da razão, era o fator determinante da verdade.

Neste ínterim, partindo para o século XX, temos Hannah Arendt (1903-1975), trazido a condição humana a um aspecto político, tendo em vista o regime totalitário da época. Em resumo, sua defesa, sobremaneira, era para o pluralismo no âmbito da política.

Quem foi Hannah Arendt?

Hannah Arendt (1906-1975) foi uma filósofa política alemã, de origem judaica. Que, diante de sua representatividade, passou a ser considerada uma das filósofas mais influentes do século XX. Formada em Filosofia na Alemanha, em 1933, assumiu sua posição na luta contra o nacionalismo na Alemanha.

Logo após, devido às regras pelo regime nazista, Hannah acabou presa e sem nacionalidade, tornando-a apátrida em 1937. Logo após, emigrou para os Estados Unidos, quando, em 1951 nacionalizou-se norte-americana.

Em síntese, Hannah Arendt foi referência por desenvolver uma inovadora forma de reflexão sobre a política. Para isso, lutou contra os conceitos tradicionais sobre polícia, como, por exemplo, a questão da “direita” e “esquerda” na filosofia.

Portanto, foi autora de diversos livros, sobre os quais o segundo fez muito sucesso, “A condição Humana”, de 1958. Porém, publicou outras obras importantes, como, por exemplo:

  • “As origens do Totalitarismo” (1951)
  • “Entre o Passado e o Futuro” (1961)
  • “Da Revolução” (1963)
  • “Eichmann em Jerusalém” (1963)
  • “Sobre a violência” (1970)
  • “Homens em tempos sombrios” (1974)
  • “A vida do Espírito” (1977)

Condição humana para Hannah Arendt

Em síntese, para Hannah Arendt, a humanidade contemporânea era prisioneira de suas próprias necessidades, sem motivações morais e sociais. Ou seja, sem qualquer responsabilidade acerca das questões políticas-sociais. Assim, conflitando-se pensamentos éticos com relações humanas.

Despotismo, tirania e ditadura

Neste ínterim, o aspecto da condição humana no regime fascista da época está em sua negação quanto à Natalidade, ou, até mesmo, possibilidade individual. Fato este que torna esta política repugnante e desprezível.

Sendo assim, Arendt tem como enfoque que, somente através de uma libertação mútua, de nossas ações, que os homens continuarão sendo agentes livres. Ou seja, deverá o homem buscar uma constante evolução para alteração de sua mente e recomeçar.

Vale destacar que Arendt destaca que o desejo de vingança é sobremaneira automática e previsível. Sendo assim, entende que o perdão é mais humano, do que a reação animalesca da vingança. Assim, este fato é o que impede que as vidas humanas entre em conflito.

Labor, trabalho e ação

Portanto, Arendt destaca que labor, trabalho e ação são atividades humanas essenciais. Então, o labor refere-se a atividade de viver, crescer, ou seja, que a condição do labor humano é a sua própria vida. Logo após, entende que o labor é uma maneira do ser permanecer vivo, sem futilidades.

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    Por fim, indica que a ação é a atividade que não se exige coisa ou matéria. Assim, torna-se a essência do ser humano, que buscam sempre fazer coisas para ser reconhecido perante os outros. Em resultado, esta condição humana faz com que redescobrimos a glória.

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    A obra “Hannah Arendt, A Condição Humana”

    Em sua obra “A condição Humana”, uma teoria inspiradora, acerca do nascimento e da ação. Assim, a natureza humana se resume ao nascer e morrer, o que pode trazer a destruição dos seres mortais. E essa destruição é somente evitada através do direito de agir do ser.

    Ou seja, os homens não nascem só para viver ou morrer, mas sim para começar ao novo, que ressignifique sua vida. O nascer é um milagre, mas a glória vem através de nossas ações e pensamentos. Assim, poderá ter valores morais, sociais e políticos.

    Sendo assim, com essa capacidade inata de liberdade de tomar decisões, nossas ações podem não ser previsíveis. Sendo assim, entende que a vida é uma improbabilidade, que ocorrer de maneira regular.

    Contudo, a condição humana contemporânea reduziu os seres humanos a consumidores, sem paciência para política. Neste sentido, acabamos renunciando ao nosso privilégio de atuar em coisas que podem, de fato, mudar o mundo ao nosso redor. Ou seja, somente agimos em benefício próprio.

    Desse modo, Arendt indica que o que somos é o nosso corpo. Porém, quem somos, é revelado basicamente em nossas palavras e ações. Por fim, Arendt deixa uma mensagem importante: que somente por meio do amor, que por sua natureza não é mundano, individualizado e apolítico, seremos energizados para termos efeito na vida pública.

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    2 thoughts on “Condição Humana: conceito em filosofia e em Hannah Arendt

    1. Ótimo artigo. A propósito, importante destacara que este blog começa a ser referido por muitos nos bastidores, como duma potência de produção de temas excelentes ligados a Psicanálise. Já começa a despertar uma grande taxa de atenção na sociedade brasileira porque tem uma variedade de temas show de bola e bem atuais. Esse blog vai explodir (será uma grande referência) no tecido social como comentam alguns. Esta despertando muita atenção.

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