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Perfeccionismo: o que é, como funciona?

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Apesar de parecer um elogio, um sinal de excelência, o perfeccionismo é um traço de personalidade que afeta a saúde emocional. Pessoas que se cobram um alto padrão de realização, se exigem tanto ao ponto de perder o prazer por executar uma tarefa, pois o compromisso delas é com a perfeição.

O prazer virá ao final, se estiver tudo perfeito. Mas, como a perfeição não existe, surgem angústia e ansiedade. Uma porta para a depressão.

O que é o perfeccionismo?

A pessoa perfeccionista é aquela que ao realizar uma tarefa imagina o modo perfeito para fazê-la e se esforça para alcançar esse ideal. Não quer dizer que a pessoa é perfeccionista em todas as áreas de sua vida. Pode alguém ser extremamente atento e perfeccionista no trabalho, mas não com as atividades domésticas. O perfeccionista é submisso à imagem de um ideal que está sempre tentando alcançar, consciente ou inconscientemente.

Dar o melhor de si e buscar a perfeição muitas vezes é o caminho mais rápido para a angústia. O perfeccionismo é apontado como um dos fatores de risco para depressão, mas o maior sofrimento é a ideia de se estar passando por uma dor insuportável. A pessoa perfeccionista sofre de uma angústia constante em querer tudo correto e alinhado com os seus ideais e para que isso ocorra ela assume todos os afazeres.

Possui dificuldade em aceitar ajuda, pensa que o outro nunca fará tão bem quanto ela. Assim, torna-se uma pessoa sobrecarregada e propícia a desenvolver outros tipos de transtornos. Muitos perfeccionistas são procrastinadores, esperam até o último momento para concluir algo. Agem assim no intuito de evitar lidar com a imperfeição caso o resultado alcançado não seja o que imaginou e, com isso, entrar em um ciclo de autocobrança, culpa e frustração.

Perfeccionismo, culpa e humilhação

Nesse processo, dois sentimentos estão diretamente ligados: culpa e humilhação. Isso está relacionado com experiências vividas na infância e com o nível de exigência dos pais. A busca pela perfeição pode estar relacionada à culpa se eu for uma criança má, pois meus pais não irão me amar.

Ou na direção da humilhação se eu não for perfeito, serei publicamente envergonhado. Quando isso ocorre na infância, formamos dois tipos de perfeccionistas. A pessoa que está na direção da culpa e do medo, da perda do amor, terá tendência em agradar. Fará o que é certo pelos outros e evitará situações de conflito.

Já quem busca o perfeccionismo na direção da defesa, da humilhação, procura proteger sua autoestima. O problema é que quando a pessoa vai para o perfeccionismo, gera tensão em suas relações, uma vez que há uma fantasia de que se a pessoa tiver o controle de tudo nada de mal lhe acontecerá.

A psicodinâmica do perfeccionismo

Submissa a um ideal, que faz cobranças o tempo todo, a pessoa perfeccionista é diferente de uma pessoa que decide, voluntariamente, exercer virtudes como a responsabilidade. Ela não busca a excelência como uma escolha racional, mas porque se vê obrigada a isso. O perfeccionismo é um traço difícil de ser abandonado, renunciar essa tendência automática de sempre buscar o controle de tudo significa abrir mão de uma parte muito valorizada.

Por outro lado, há muita vaidosa. Para ela, os que não compartilham de sua ânsia em buscar a perfeição são julgados como preguiçosos e medianos. A pessoa perfeccionista possui um sentimento de superioridade, uma certa arrogância que nada mais é que uma defesa contra um sentimento, consciente ou não, de impotência e insegurança. Em psicanálise, sabe-se que por trás dessa superioridade do perfeccionista existe muito medo. O que sustenta a ânsia pela perfeição é o medo de não estar à altura de seus próprios ideais.

Embora cada pessoa tenha tido as suas razões para desenvolver uma tendência perfeccionista, há algo em comum na história da maioria dessas pessoas que é o fato de, durante a infância, terem sido levadas a crer que a perfeição é alcançável. Por isso, a pessoa não coloca os seus ideais no plano de referências que conhecemos como inalcançáveis, mas que nos incentivam a melhorar.

Uma crença infantil

A crença da perfeição possível faz com que os ideais possam ser atingidos, o que se torna impossível. E em algum momento, a pessoa percebe-se como de fato é, com limitações, falhas e dificuldades.

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Outro problema ocorre, a crença infantil ainda existe e o perfeccionista troca a constatação verdadeira de suas falhas pela ideia de que ela tem apenas imperfeições passageiras das quais precisa fugir por não aceitá-las ou por não saber lidar com elas.

O perfeccionismo é o seu mecanismo de fuga. A pessoa tenta fugir, a todo instante, de suas impotências.

Maior dificuldade do perfeccionista

A agressividade pode estar presente em algumas pessoas perfeccionistas, mas elas também podem agir da forma oposta, se retraindo. Por exemplo, se alguém critica o perfeccionista, ele pode se fechar. Nesse caso, ele está tentando se proteger. Há um medo de perder a relação que possui. Ele usa o perfeccionismo como forma de aliviar a angústia do medo de perder a relação com o outro.

Em outros casos, do medo de que sua autoestima seja abalada. Como a pessoa se vê é mais importante do que como os outros a veem, há uma busca pela perfeição ligada à autoimagem. O que o outro pensa, em ambos os casos, não importa. O que é relevante é o fato da pessoa pensar que o outro ainda a ama. A vergonha não é o que o outro pensa, mas o que ela pensa dela mesma diante do outro.

O que importa é se ela pensa bem a respeito da sua autoestima. Logo, a maior dificuldade da pessoa perfeccionista é a possibilidade da perda do amor do outro, a percepção dessa perda ou a questão da decepção, do fracasso que pode levar à perda da autoestima.

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    Como ajudar

    A noção da perfeição que implica na repetição mecânica do acerto, não abre portas para a novidade nem para a criatividade. O novo acontece no espaço onde o perfeccionista ainda não domina. Quando o paciente recupera sua história para entender como tudo começou, percebe o sentido de precisar tanto ser perfeccionista.

    Se o sentido dessa busca é para aliviar, por exemplo, uma concepção criada quando criança de que ninguém vai amá-lo se ele não for perfeito, ou se vai ser publicamente humilhado, ou percebe-se como imperfeito e já se sente humilhado por isso. Recuperando como o perfeccionismo se configurou em sua vida, possibilitamos que uma outra voz, mais adulta, ganhe espaço perante àquela voz infantil.

    Vejamos o exemplo: se a pessoa perfeccionista está realizando uma tarefa e alguém a critica, ao invés de responder com um impulso agressivo ou se retrair, ela pode parar e pensar consigo mesma: “Esta pessoa está me tratando como eu meu pai me tratava.

    Um sentido diferente

    Mas agora posso olhar para esta situação de maneira diferente e ver onde ele teria ou não razão e expor para ele com calma, inclusive o meu ressentimento por ele me tratar neste tom.” Toda descrição parece longa, mas corresponde a um processo que acontece rapidamente. Quando a pessoa elabora isso em terapia, essas experiências passam a ter um sentido diferente para ela.

    Este artigo sobre o que é perfeccionismo foi escrito por Thaise Reis (@psicthaisereis), Psicanalista clínica, Psicolinguista, autora e professora.

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