monstros e lendas medievais

Monstros e lendas medievais: entenda a origem

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Vamos aborcar a relação entre Psicopatia, Idade Média e a origem dos monstros e lendas medievais. O que justificaria o surgimento de tantos monstros nesta época da história? E por que o interesse atual por heróis e lendas que remontam a Idade Média?

Para o ser humano sempre foi difícil imaginar que outra pessoa possa cometer atos extremamente violentos e desprezíveis em relação ao seu próximo, muitos preferem associar tais atos a uso de drogas ou possessão demoníaca.

Na idade média isso não foi diferente, não existiam naquele tempo estudos a cerca de psicopatias como temos hoje, e a negação por parte das pessoas de que o ser humano pudesse ser tão cruel e sanguinário deu origem a lendas de monstros como:

  • lobisomens,
  • vampiros e
  • bruxas.

Isso pode ser visto nas obras Sons of Cain do historiador investigativo forense canadense Peter Vronsky, e Legends, Monsters, or Serial Murderers, de Dirk Gibson outro grande escritor especializado em assassinos em série.

A lenda do lobisomem

A aparição da figura do lobisomem foi na idade média, que na verdade era o assassino em série canibal, foram centenas de casos registrados e condenados pela igreja católica com a “santa Inquisição”.

O ato do canibalismo ou antropofagia era conhecida como prática de “licantropia”, e existiam leis em toda a Europa contra este tipo de crime.

A lenda do vampiro

A lenda dos vampiros nasceu dos assassinos psicóticos portadores da síndrome de Renfield que sofrem alucinações e delírios acreditando ter algum problema em seu sangue e precisam beber o sangue de outras pessoa, e também devido a isso surgiram leis contra a prática do vampirismo, sendo escrito inclusive escrito obras na época.

O pastor protestante luterano Michael Ranft, foi escritor, historiador e especialista em vampiros do Iluminismo na Alemanha escrevendo a obra “De Masticatione mortuorum in tumulis, publicado em Leipzig em 1728. O vampirismo na psicologia forense é considerado uma variação do canibalismo.

A lenda da bruxa

A bruxas na idade média seriam pessoas que praticavam rituais pagãos que em muitos casos sacrificariam pessoas em seus cultos. Não à toa que muitos contos surgiram nesta época como Chapeuzinho vermelho, João e Maria e tantos outros.

Chapeuzinho Vermelho

Chapeuzinho vermelho por exemplo antes de se tornar um conto infantil escrito por Charles Perrault em 1697 à princípio era um conto popular passado de boca em boca, onde uma mulher de roupa vermelha ao cortar o caminho na floresta encontrou um desconhecido, um bzou, um termo francês para lobisomem, que a aborda e a identifica como uma prostituta pois na época as prostitutas usavam alfinetes no ombro para facilitar a identificação, e ela fala que vai visitar a avó.

O lobisomem, entenda aqui como o maníaco canibal na época, cortou caminho matou a vó e preparou sua carne, quando a Chapeuzinho chegou ele vestido de avó oferece a carne da avó no almoço que come, depois é violentada pelo lobo.

Esse conto era uma das formas de alertar para os perigos que habitavam nas florestas, com o declínio do sistema feudal o problema só piorou, a prática do canibalismo se alastrou por toda Europa sendo posteriormente chamado de “os 200 anos dos lobisomens” como dito acima com milhares de condenações historicamente registradas pela igreja católica.

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Citando dois exemplos temos:

  • o caso de um fazendeiro alemão, Peter Stumpp, em 1589 foi preso e confessou que teria devorado várias pessoas em vinte cinco anos, inclusive confessou ter canibalizado catorze crianças e duas mulheres grávidas.
  • o lobisomem francês Gilles Garnier que confessou ter perseguido e assassinado pelo menos quatro crianças com idades entre 9 e 12 anos, também condenado a morte assim como Peter Stumpp.

Teorias do século XIX versus lendas medievais

Na virada do século XIX com o avanço cientifico, estudiosos como o psiquiatra italiano Cesare Lombroso entre outros desmistificaram tais atos, e começaram desenvolver estudos sérios sobre a mente criminosa.

E também trabalhos sobre o desenvolvimento da estrutura psíquica e pulsões como o do médico neurologista e psiquiatra Sigmund Freud, criador da psicanálise.

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    Hoje sabemos que tais indivíduos antes tidos como monstros são portadores de transtornos antissociais graves, no caso o vampirismo clínico temos a presença psicoses como a esquizofrenia e delírios que tiram do individuo a noção de realidade.

    À luz do avanço cientifico das áreas de estudo da mente humana (psiquiatria, psicologia e psicanalise) sabemos que os canibais, por exemplo, são indivíduos solitários, com pulsões sexuais violentas com fixação oral, onde o ato de devorar e saciedade foram ligados ao prazer sexual, tais indivíduos são solitários e com sentimento de vazio interior, o que também o levam a querer “preencher este vazio” com outras pessoas.

    Isso pode ser visto analisando casos de cambias assassinos em série famosos como Jeffrey Dahmer, Albert Fish, Andrei Chikatilo, Issei Sagawa, Armin Meiwes entre outros.

    As lendas medievais e a atualidade

    Vivemos hoje em mundo de acesso a todo tipo de informação e consequentemente a existência do assassinos em série em meio a sociedade não é uma coisa desconhecida do grande público como foi no passado, temos inclusive diversas referências na cultura pop, séries como:

    • Dexter,
    • Mindhunter,
    • Hannibal,
    • The Followin,
    • filmes, livros, quadrinhos, etc.

    Sabe-se hoje que de acordo com alguns estudos um por cento da população mundial seria de portadores de transtornos de personalidade antissocial grave.

    O avanço dos estudos forenses nos ajudou a compreender o funcionamento da mente destas pessoas e consequentemente facilitar na elaboração de perfis e identificação.

    O fato é que apesar de sermos seres racionais ainda sim continuamos a ser animais instintivos, prova disso se estudarmos vários momentos em nossa história, em diversos períodos de guerra como a guerra de Peloponeso, as cruzadas, guerras napoleônicas entre centenas de outras, veremos atos de canibalismo presentes.

    Em algumas pessoas portadoras de transtorno de personalidade antissocial grave devido fatores genéticos, ou um mau desenvolvimento psicossocial tais fixações podem se manifestar não por necessidade biológica de saciar a fome como na guerra, mas como uma perversão sexual.

    Para muitas pessoas ainda é difícil aceitar que existam pessoas com perfil primitivo predatório em nossa sociedade talvez isso se deva ao fato de se acreditarmos que se o ser humano é capaz de tais atos, talvez todos nós carreguemos uma sombra de nossa origem primitiva dentro de nós nos afastando do nosso desejo de imagem idealizada perfeita, como descrito na Bíblia: “a imagem e semelhança de Deus”.

    Este artigo sobre monstros e lendas medievais foi escrito por Marcos Antônio Ribeiro dos Santos (site: csinerd.com.br), funcionário Público, formado em Direito, Pós-graduado em Direito Penal, Psicologia Forense, e Investigação Criminal.

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