O que é Método Psicanalítico?

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O método psicanalítico é o método criado por Freud para realizar terapia, compreender a mente humana e interpretar o funcionamento da sociedade. Mas, o que é o método psicanalítico: significado hoje? Como funciona na prática as etapas deste método e quais as colaborações de outros psicanalistas?

Dividindo o aparelho psíquico para entender melhor o método psicanalítico

Um dos mais relevantes influenciadores do método psicanalítico foi Sigmund Freud, o qual dedicou os seus trabalhos ao estudo da mente humana. Em especial, destacamos o inconsciente humano, por este se tratar de um verdadeiro detentor de traços mnêmicos.

No entanto, apenas conhecer os conteúdos do inconsciente não era suficiente, era necessário trazê-los para a consciência.

Mas como fazer isto? Qual a relação entre os sistemas mentais e a personalidade do ser? Como realizar a psicanálise? Estes foram apenas uns dos milhares de questionamentos feitos por Freud, pelos profissionais e pela sociedade.

Com o intuito de esclarecer estas dúvidas, Freud dividiu o aparelho psíquico em três grandes sistemas, os quais compõem a topografia psíquica. Ou seja, mostram as inter-relações destes sistemas e a relação deles com a consciência.

Alguns mecanismos dentro do método psicanalítico

O primeiro destes sistemas foi o Inconsciente , o qual atua pelo processo primário. Sua principal característica é a tendência de apresentar descargas totais e imediatas das energias mentais.

Este sistema abrange os elementos psíquicos cuja acessibilidade à consciência é muito difícil ou impossível. Ou seja, impulsos e sentimentos dos quais o indivíduo não tem consciência.

Sendo assim, as formas mais comuns de se acessar estes conteúdos são através dos:

  • sonhos
  • associação livre no processo de diálogo
  • atos falhos
  • chistes
  • testes projetivos
  • história de sintomas neuróticos e psicóticos

Através destes artifícios os conteúdos reprimidos no inconsciente passam à pré-consciência, após passarem pelos mecanismos de deslocamento, condensação, projeção e identificação. Manifestam-se no consciente.

Pré-Consciente e Consciente

O segundo sistema foi o Pré-Consciente, o qual compreende os elementos mentais prontamente acessíveis à consciência. São regidos pelos processos secundários. Nele também estão os pensamentos, ideias, experiências passadas, impressões do mundo externo e outras impressões que podem ser trazidas à consciência. Entretanto, por meio de representações verbais.

O sistema pré-consciente é a interseção entre o inconsciente e o terceiro sistema Consciente .

O Consciente, por sua vez, inclui tudo o que for consciente em determinado momento.

As três instâncias propostas por Freud

Entre os sistemas ICs e PCs opera uma censura intersistêmica que faculta ao PC excluir elementos indesejáveis do sistema IC e recusar-lhe o ingresso no sistema Cs.

Isto é, ficando este no campo recalcado do inconsciente. Para facilitar ainda mais a compreensão destes processos, definiu-se que o fato acontecesse no consciente. Assim, grava-se no pré-consciente e é recalcado no inconsciente e, para que um ato psíquico seja consciente, é necessário que percorra os níveis do sistema psíquico.

No entanto, Freud notou que este percurso nem sempre ocorria de maneira eficaz. Era como se existissem algumas barreiras que o impedisse ou o limitasse. Notando isto, Freud subdividiu o sistema psíquico em três instâncias:

  • Id
  • Ego
  • Superego

Estas estariam submersas nos três sistemas da topografia psíquica, citados acima. Sendo que o sistema Consciente compreende parte do ego. O Pré-consciente, a maior parte do ego e o Inconsciente, todas as três instâncias inclusive o inconsciente recalcado.

O Superego como mediador

Nesta nova classificação há uma relação direta com a personalidade do ser. O Id é composto pelos impulsos instintivos, sejam estes de origem sexual ou agressiva.

Sofrem modificações pelo impacto ou interação das pulsões internas e dos estímulos externos e passam a compor o ego. Sua principal função é coordenar funções e impulsos internos e fazer com que os mesmos possam expressar-se no mundo exterior sem conflitos. Então, para realizar a sua função, o ego conta com a atuação do superego.

Ele permite que o mesmo seja desenvolvido de modo socialmente possível. Isto é, atuando como um mediador entre ele e as restrições morais e todos os impulsos de perfeição.

Esta era a realidade psíquica do ser humano, segundo a visão freudiana. Porém, mesmo após dividir e subdividir o aparelho psíquico, ele ainda se questionava: Como poderia um psicanalista auxiliar o homem nos seus problemas psíquicos? Muitas especulações foram feitas e a mais aceita e adotada pelos psicanalistas clínicos até os dias atuais configura-se pelo tratamento ensaio.

Os procedimentos do método psicanalítico

Este tratamento chamado de entrevista preliminar, por Lacan, onde há uma pré-seleção, ou seja, nela o possível paciente traz a sua queixa para o psicanalista. O próprio psicanalista fará associações livres com a mínima interferência do psicanalista.

Esta participação é mínima, pois o intuito do profissional é formular uma hipótese sobre a estrutura psíquica do indivíduo, ou seja, classificá-la em neurose, perversão ou psicose. Além disto, será o próprio paciente que irá introduzir os seus significantes.

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Após esta entrevista o psicanalista irá direcionar a transferência àquele analista específico. Neste caso, ele retificará a demanda, transformando a demanda de amor ou cura trazida pelo sujeito em demanda de análise. Ou, caso não queira aceitar o paciente seja por qualquer motivo, irá dispensar este possível paciente.

Aceitando esta demanda de análise, o ser torna-se paciente e o analista seguirá para a análise propriamente dita. Para conduzir esta análise, fará uso de algumas técnicas, dentre elas a hipnose diagnóstica.

Ela, juntamente com as associações livres, as superações das resistências por parte do paciente e a produção de um sistema analítico permitirão que os conteúdos do inconsciente sejam trazidos para a consciência.

Conclusão

Diante de uma avaliação profunda acerca deste método psicanalítico, conclui-se que a psicanálise tem como principal alicerce a transferência e é uma terapia causal. Isso significa que seu foco é a remoção das causas daquele problema, embora, não incida somente sobre as raízes dos fenômenos.

Ela coloca o sujeito a questionar-se sobre seus sintomas, historicizando seu discurso e elaboração por parte do analista, de uma hipótese diagnóstica. Isso transforma a doença em neurose de transferência, e ao eliminar esta neurose, elimina-se a doença inicial e o paciente fica curado.

Artigo de Tharcilla Barreto, para o blog do Curso de Psicanálise.

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