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O que é Transferência em Psicanálise

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Vamos refletir sobre o significado de transferência em psicanálise. Entenderemos o conceito de resistência, para relacionar a transferência com a resistência na terapia psicanalítica.

A transferência é uma forma de resistência apresentada pelo indivíduo durante a análise psicanalítica, o que dificulta o progresso gradativo do tratamento, tão essencial para a psicanálise.

O que é transferência?

Freud começou a observar a transferência como um importante instrumento de trabalho para o analista, visto que para ele a transferência seria uma forma inconsciente do indivíduo reprimir conteúdos da sexualidade infantil ligados as zonas erógenas, que numa evolução normal do indivíduo, já deveriam estar desligados destas.

Segundo Freud, o conteúdo reprimido nunca fora expresso pelo indivíduo através de uma ou mais lembranças, mas sim através de um conjunto de ações repetitivas e inconscientes. Seria então, a transferência para Freud, uma série de experiências psíquicas prévias revividas no presente como uma espécie de vínculo atual com a figura do analista.

Ainda segundo Freud, o manejo da transferência seria uma maneira de transformar pouco a pouco a compulsão à repetição, promovendo no indivíduo uma reapropriação da sua própria história.

Relação entre transferência e resistência

Por ser a transferência um lugar de reprodução de determinadas tendências que se repetem, Freud fez uma analogia entre o processo de transferência e o processo de resistência, o que lhe trouxe a percepção de que quanto mais o indivíduo oferecesse resistência as suas lembranças infantis, mais a compulsão à repetição lhe viria à tona.

Em 1912, através de sua obra “A Dinâmica da Transferência”, Freud aprofundou os seus estudos sobre a transferência, classificando-a em dois diferentes tipos: a transferência positiva e a transferência negativa.

  • Na transferência positiva estariam todos os sentimentos amorosos, afetos e desejos eróticos, sob a forma de amor não-sexual, referindo-se as pulsões relativas à libido. A transferência positiva não representaria, portanto, um papel de resistência sobre a pessoa do analista. Seria ela, uma aliada do processo de análise, por permitir ao indivíduo falar mais facilmente das coisas difíceis que inconsciente ficaram recalcadas ao longo de sua vida.
  • A transferência negativa representaria uma espécie de resistência ao processo analítico. Isso, porque, na transferência negativa estariam a hostilidade e a agressividade dirigidas a figura do analista. Seria a transferência negativa, portanto, o fruto de inúmeras insatisfações libidinosas que manifestariam uma espécie de resistência ao processo analítico. Fixações inconscientes de necessidade e expectativa libidinosas, responsáveis por tais sentimentos de hostilidade e de agressividade frente a figura do analista.

No que concerne a resistência, seria a transferência uma arma de dois gumes. Isso, porque, se por um lado a transferência permitiria ao indivíduo a expressão máxima de confiança no processo analítico, através da fala e da associação livre de ideias, por outro lado seria ela o local das mais obstinadas resistências ao progresso da análise.

Como surgem as resistências?

Em “A Dinâmica da Transferência”, Freud disse: “Nada é mais difícil, em análise, do que vencer as resistências, mas não esqueçamos que são justamente tais fenômenos que nos prestam o melhor serviço, ao nos permitir trazer à luz as emoções amorosas secretas e esquecidas dos pacientes e ao conferir a essas emoções um caráter de atualidade”.

É justamente na pausa do falar, no esquecimento súbito do conteúdo abordado durante a análise e na mudança repentina de assunto, que surgem as resistências.

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Tais resistências surgem em função de uma defesa inconsciente ou não do analisando, na tentativa de deixar distante do ego tudo aquilo que vem do id e que lhe causa desconforto, dor e sofrimento. Freud explica ainda que existem diferentes tipos de resistências que surgem durante a análise e que estas devem ser percebidas, afim de que possam ser trabalhadas de modo a facilitar o processo de cura.

Os tipos de resistências

São três tipos de Resistências: de repressão, de transferência e de ganho secundário são as mais comuns delas.

Repressão

As resistências de repressão surgem quando o indivíduo evita falar de conteúdos que lhe são incômodos, constrangedores e dolorosos. Nesses casos, o indivíduo foge constantemente dos assuntos, focando em temas banais que nada condizem com o que está sendo abordado na análise.

Transferência

As resistências de transferência representam uma dificuldade de se estabelecer uma relação de confiança com o analista, através do não enfrentamento de temas profundos que fazem com que o analisando fuja do processo e do setting da análise.

Ganho secundário

Já, as resistências de ganho secundário, trazem ao analisando a percepção de que resistindo à melhora e deixando de investir no processo terapêutico, são eles beneficiados com o seu sofrimento e com as barreiras que mantém o seu estado de angústia.

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    Relações entre transferência e resistência

    Por fim, traçando-se um parâmetro entre a transferência e a resistência, pode-se dizer que ambas caminham juntas na psicanálise e que são fundamentais para a obtenção de um resultado satisfatório no processo de análise. Sendo assim, a compreensão da resistência e da transferência são primordiais na atuação psicanalítica, justamente por terem o poder de transformar qualquer tipo de atuação, criar novos caminhos, identificar diferentes sintomas, reconhecer dores e trabalhar a angústia.

    Tais elementos, transferência e resistência, quando bem assimilados pelo analisado, dão suporte ao processo analítico e servem de base para que o tratamento psicanalítico tenha um resultado eficiente e eficaz na vida do analisando.

    Este conteúdo foi desenvolvido por Caroline Cunha (instagram @caroline.cunha.31542), estudante de Psicanálise no IBPC, Terapeuta Reikiana e Cromoterapeuta. Reside na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul e é apaixonada pela mente humana. Em suas redes socias publica posts de reflexão, no intuito de auxiliar aos indivíduos com o seu processo de auto descoberta.

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