o que é um ditador

O que significa ditador: origens e características

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Mao Tsé- Tung, China, exterminou setenta e sete milhões de chineses; o líder Pol Pot, Camboja, assassinou dois milhões de seres humanos; Stálin, União Soviética, matou quarenta e três milhões; Hitler, Alemanha, encabeçou o número de vinte milhões; Kublai Khan, Mongólia, dezenove milhões; Imperatriz Cixi, China, doze milhões. Leopoldo 2°, Bélgica, dez milhões; Chiang Kai-shek, China e Taiwan, dez milhões; Gêngis Khan, Mongólia, quatro milhões e Hideki Tojo, Japão, quatro milhões. Continue a leitura e entenda o que é um ditador.

Elenquei, amigo leitor, e consultando algumas fontes, os ditadores mais assassinos da História da Humanidade. Quero caminhar junto com você neste artigo, entretanto, é pertinente, antes de avançarmos em linhas, darmos uma olhada na etimologia da palavra gênese.

O que é um ditador?

Ela vem do grego e significa: fonte de vida, origem ou nascimento. Por conseguinte, qual é a fonte de origem de um ditador? O ditador, na cultura romana, era o magistrado, o supremo que ditava à lei em tempos beligerantes. Ainda um pouco mais: o ditador elaborava o regulamento e exigia o cumprimento do mesmo.

O ditador romano exercia poder absoluto, ele era revestido de mandos e desmandos. Mas eis que o significado da palavra ditador tomou alguns outros contornos na sociedade atual. O ditador é alguém despótico, arrogante e autoritário. Ele sempre almeja impor suas vontades sobre os demais, não importando quem e como.

É, leitor, as bigas romanas ainda tronituam na roda da História da Humanidade, deixando um estrado de autoritarismo e convicções parcas. Suas incursões ciciam no psíquico humano. Vamos atrás delas! Das bigas, suas marcas de incivilidade verduga ainda estão latentes no chão da História da Humanidade.

A biga que carrega o que é um ditador

Sigmund Freud, pai da psicanálise, escreveu sobre a coletividade, ou seja, a psicologia das massas. Das massas emergem inúmeras extensões psicológicas, elas influem profundamente no psíquico do indivíduo. O psíquico da pessoa é modificado com as incursões das extensões.

Os indivíduos, parte da estrutura social, possuem particularidades e individualidades, mas as extensões psicológicas alteram as estruturas psíquicas. É como, de acordo com Freud, uma “alma coletiva”. O sujeito anula o seu aspecto individual e age de uma maneira bem diferente.

O grupo, digamos assim, assume uma atitude homogênea, todavia, o aspecto heterogêneo não é perdido, está apenas anulado. E o mesmo grupo anulado é como uma biga, carro de combate romano, que leva o seu ditador quando ele quiser e para onde quiser.

Mas é importante frisar uma questão: o ser humano, desamparado enquanto ser individual, encontra poder enquanto agremiação. É um empoderamento e uma liberdade para extrapolar os instintos primitivos. Pois é na massa que a pessoa encontra o anonimato como refúgio e fortaleza.

Discurso orientador do ditador

O coletivo possui orientações próprias e as mesmas levam o sujeito para o interesse da grei. O aspecto consciente é colocado de lado para seguir o discurso hipnotizador. A vontade do ser humano é entregue para o discurso orientador e o mesmo leva o grupo para onde ele quiser.

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Na verdade, leitor, o discurso leva o coletivo para a brutalidade. O indivíduo, antes cordato e dotado de racionalidade, busca amparo na barbárie e nos heroísmos construídos pelo pensamento da massa. Pensar em um grupo é saber que ele possui características volitivas e tais características são construídas apaixonadamente.

A massa é acrítica e manobrável, não existem incertezas nela, apenas uma vontade imperial de realização irascível. A autoridade é tida como um semideus, ela quer atos heróicos do líder e, caso seja preciso, que ele exerça o rigor e ferocidade.

Moral e o que é um ditador

A sociedade desenfreada carrega uma espécie de moral, os elementos do grupo procuram seguir à moral instituída. A lógica é bem constituída, não existe ilogicidade, pois a grei está amparada em, digamos assim, fórmulas frasais, que impulsionam o andar das pessoas.

As fórmulas são selecionadas e espalhadas pelo líder do grupo, ditador. O líder é o elemento vital para manutenção do coletivo, ele precisa de um senhor e o senhor precisa revigorar o mesmo coletivo com crenças dele mesmo.

As pessoas anseiam obediência e veem no ditador uma fonte saciável para o término da angústia. A biga possui uma significativa devoção pelo ditador que carrega sobre si. O ditador faz a biga ir para a direita, ela vai; para a esquerda, também vai. O ditador quer que ela bata contra um amplo muro, ela bate e com vontade. O sentimento pelo ditador a nutre, mas é um amor não durável e emoldurado pelas selvagerias ocultas nos recônditos do inconsciente.

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    O ditador que está em cima da biga

    Em cima da cega e armada biga está alguém com características de psicopatia. Geralmente o ditador possui desvio comportamental. Ele precisa corresponder à sua grei, o ditador é fascínio, fascínio sobre suas próprias ideias.

    Ele precisa da aceitação dos seguidores e eles vão aceitar o ditador por meio do fanatismo que ele carrega. O ditador é como algo além da realidade palpável e empírica. Ele é alguém com poderes capazes de interferirem na História da Humanidade, ao redor do ditador existe uma densa camada de magicidade, um certo ocultismo latente.

    Tudo o que é intelectual no indivíduo desaparece, e o que fica é uma personalidade suplantada e viciada na autoridade do verdugo. O ditador usa o ato da violência como justificativa para os seus fins, isto é, todo ato infracionário é punido com severidade.

    O ditador não é movido pela autoridade

    a realidade, estimado leitor, o ditador não é movido pela autoridade, mas pelo autoritarismo. E o autoritarismo é a mola propulsora das aglomerações inertes chamadas seguidoras do autoritarismo no ditador. Autoritarismo movido pela intolerância, extremismo, basbaquice, irracionalidade e outros.

    objetivo do ditador é anular o ego do indivíduo, padronizado pelo seu discurso totalitário. O líder ditatorial faz dos seguidores corpos sem entendimento, apenas seguem o carismatismo do discurso do dele. Enfim, os ditadores romanos ainda estão por aí, com outras roupagens, claro, mas, leitor, eles continuam com os discursos simplórios e carregados de intenções egoísticas. Em linhas anteriores, eu mencionei que o ditador é alguém com traços de psicopatia.

    O psicopata é o indivíduo que possui traços que não concordam com os padrões sociais, isto é, ele apresenta comportamentos amorais e antissociais, ele não é capaz de expressar o amor ou ter laços afetivos profundos com terceiros ou ter algum tipo de remorso.

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    O Psicopata em cima da biga e a carência de compaixão

    Faz-se necessário observar de uma maneira mais pormenorizada o que está em cima da biga. Quais são os traços de psicopatia que um ditador carrega?

    Ausência de compaixão é ausência de relação, em outros termos, o psicopata percebe o outro como um mero objeto. Não existem laços de afetividade ou empatia, interessante observar que compaixão, etimologicamente falando, significa: sofrimento.

    Sofrer junto com o outro, pelo outro, em síntese, o psicopata possui um psíquico tencionado para o cinismo e o desprezo pelo seu semelhante. É ausência de afeto, a dor do outro não o comove, é algo totalmente descartável.

    Ele quer alcançar os seus objetivos

    Ele faz de tudo para alcançar os seus objetivos, nem que ele precise passar por cima do outro. O psicopata é o centro, ele quer apenas saciar os seus desejos, o que está ao seu redor não importa. O outro é apenas um meio para chegar ao fim que ele almeja.

    Anestesia moral e o que é um ditador

    A ética é reflexão que alcança o aspecto moral do indivíduo. A moral é o constituto do cidadão, é parte dele. Entretanto o psicopata é ausente das faculdades morais. A vontade dele não é capaz de decidir entre o bem o mal, o psicopata não tem sensações ansiolíticas, conflito ou tensão.

    Ele tende a ir para caminhos que não são aceitos pelos padrões sociais: vícios, criminalidade, etc. Ele constrói metas e não está preocupado da maneira como realizá-las. Diante de tal cenário, faz-se necessário pensar: a moralidade de um psicopata, como encontrar?

    A moral é o absoluto valor da conduta humana, ela move a engrenagem do controle social. É ação genuína dentro de um dado espaço moral. O psicopata é movido pelo egoísmo, são indivíduos incapazes de assumirem um comportamento integrativo. Andam de grupo em grupo, geralmente as relações não são longevas e declinam com o tempo.

    O Psicopata e o processo de coisificação

    Para um psicopata, já foi mencionado em escritos anteriores, mas é válido reforçar, a pessoa, o outro, passa por um processo de coisificação. Ele coisifica o seu semelhante ou os sentimentos dele para benefício próprio, o outro é apenas uma ferramenta de uso.

    Ele mente quando é preciso; ele seduz quando é preciso; ele teatraliza quando é preciso; ele dissimula uma falsa moralidade. O universo psicótico é amoral, ele não possui juízo de consciência.

    Ressonância ególatra

    O egoísta, psicanaliticamente falando, é o indivíduo que quer receber mais e dar menos. O egoísta é dependente do outro, ou seja, ele precisa de uma dada coletividade para ter o necessário. Geralmente, o egoísta é simpático e amistoso, ele age assim para conquistar o que necessita.

    O ego visa o prazer, é natural o indivíduo proteger o ego, mas o problema é quando ocorre uma proteção excessiva. E o sentimento ególatra do psicopata, por se excessivo, parte para a prática da rapinagem.

    Ele trata o coletivo como um grande tabuleiro de xadrez, onde todos são peões e ele é o rei. A inveja o move, molda o sentimento egoístico que habita em seu ego. Ele busca pelo reconhecimento, aliás, o psicopata é movido pela autovalorização, ele é o rei e os demais são massa de manobra e terminou.

    Apaixonado por sua própria imagem espelhada a água

    O psicopata é a lembrança da mitologia de Narciso. A pessoa narcisista direciona a energia libidinal para si própria, ao invés de enviar para o mundo externo. O psicopata não descarrega a energia libidinal, ela fica centralizada no próprio indivíduo. No mundo narcísico do psicopata, o ego é nutrido pela libido e o eu é engrandecido.

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    Ele é o investidor e o investido, um apaixonado pelo seu reflexo. A mente narcisista e psicótica é conduzida pelo narcisismo primário, melhor dizendo, o psicótico possui um senso de onipotência e superioridade: eu é que mando; eu sou o melhor; os demais obedecem e assim por diante.

    É, leitor, o psicopata é o sujeito que almeja ser uma espécie de mito, mas é tudo fantasia de uma mente com transtorno.

    Boquirroto

    O psicopata não guarda segredo, ele é boquirroto, cria intrigas e é mal- educado. Insubordinado e desobediente, o psicopata não suporta estar sob a lei.

    É antissocial e de inteligência limitada, tanto que o psicopata, devido à inteligência seletiva, gosta de praticar bizarrices e ele não gosta do arrependimento.

    O arrepender psicótico sempre é feito com quesitos estratégicos para benefícios particulares. Ele é um elemento de alta periculosidade, pronto para realizar vinganças.

    A condutopatia do ditador

    Diante de tudo que foi escrito até aqui, a psicanálise é vital para lidar com os comportamentos nocivos. Os traços comportamentais precisam ser dissecados diariamente para o salutar convívio social.

    Ditadores e bigas precisam ser detectados para que a engrenagem da História da Humanidade não sofra novos reveses. O olhar peculiar para a conduta, isto é, conduta vem de conduzir, guiar.

    O papel da psicanálise é descortinar o que guia e os guiados.

    Considerações finais

    E você, leitor, que agora está lendo este artigo neste momento, que está atravessando a História da Humanidade agora, as lideranças que você está submetido possuem alguma das características citadas acima?

    Observe com o caminhar silencioso e cirúrgico da psicanálise, capte por meio dos métodos do fundador da psicanálise. Sim, os ditadores romanos estão ainda por aí, aflorados ou latentes. Ditadores do passado, mas com aparências do presente e, obviamente, com grande sede por um futuro para si e não para os outros.

    Não deixe de ouvir o barulho das rodas das bigas, estardalhaços feitos com frases prontas, anulações identitárias, moralidade delével e violenta. O reflexo dos atos ditatoriais na coletividade mostra os objetivos no porvir. A relação entre o líder psicopata e seguidores é o nascedouro do ditador, em síntese, a gênese.

    O presente artigo foi escrito pelo autor Artur Charczuk ([email protected]), pastor luterano no Rio Grande do Sul. Psicanalista em contínua formação.

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