entendendo as parafilias

Entendendo as Parafilias segundo a psicanálise

Posted on Posted in Conceitos e Significados

Nesse artigo vamos examinar para entender o que são as parafilias. Vamos responder uma indagação: ‘As parafilias podem ser curadas?’ Existe um dado inegável de que as parafilias crescem de forma assustadora, na pós-modernidade dos tempos líquidos, muitas delas gerando escândalos e processos penais e precisam de uma abordagem técnica. Este será o desafio desse enfoque.

Entendendo as parafilias

Neste enfoque, (pequeno artigo), vamos examinar um tema que tem reverberado muito e que vem efetivamente mostrando alta incidência social com repercussões e desfechos muitas vezes policiais e penais: as parafilias.

Vamos entender e compreender o que são as parafilias, suas características e peculiaridades; os escândalos públicos e privados envolvendo parafilias; se é possível uma cura ou um plano de tratamento pelo menos alopático ou internação e recolhimento em clínicas dos portadores da condição; as consequências de risco penal e por fim, vamos responder se as parafilias são curáveis.

O tema é instigante e muito polêmico, e ainda, no domínio das pesquisas das ciências P (Psiquiatria, Psicologia e Psicoterapias, onde a Psicanálise se insere) e merece mais taxa de atenção social. Porém, temos que entender o conceito do que são as parafilias, antes de aprofundar uma abordagem mais técnica.

O que são as ‘parafilias’?

Desde a antiguidade já existem relatos sobre as ‘parafilias’. Na Bíblia temos vários cases relatando o travestismo, voyeurismo, zoofilia, exibicionismo, bestialismo com punições graves e até com lapidação (morte por apedrejamento) No mundo contemporâneo atual tem um marco, ano de 1952, quando a APA (Associação de Psiquiatria Americana) através do DSM- 1 (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais) lançou luzes sobre esse transtorno como condutas sexuais desviantes com distúrbios de personalidade psicopática.

Os estudos foram evoluindo, até que no DSM 5, (2013) foi muito melhor definida a parafilia como um estado de interesse psicossexual intenso e persistente voltado para manifestações de condutas e postura das intersecções humanas e também com animais e objetos (fetiches) atingem o genital ou carícias em terceiros, com ou sem consentimento. São atos deflagrados ‘por homens e mulheres’, com a busca de satisfação de jeitos variados de predileções e fetiches diferentes ao longo da existência. Importante salientar que a parafilia não é postura apenas masculina.

Existem muitas mulheres parafilicas. A condição do transtorno pode ser ocultada ou dissimulada, mas o ato ou o fato parafílico tem incidência e repercussão em ambos os sexos. As parafilias são variações do comportamento sexual que foge ao padrão estabelecido pela sociedade. O termo ‘parafílico’ vem do grego, ‘para’ que significa ‘paralelo a’ e ‘filia’ que significa ‘de apego à’, sendo fantasias e imaginações, bem como atos concretos, ou comportamentos frequentes, intensos e sexualmente estimulantes que envolvem objetos, animais ou pessoas (crianças ou adultos, até idosos) e geram sofrimento ou humilhação de si próprio ou do parceiro marcados por um grau de descontrole com impacto na esfera mental e cognitiva, gerando traumas, e afetando a vida relacional do indivíduo e gerando ainda, risco de dano para terceiros, sendo que em muitos casos acabam em processos penais. Vamos examinar os tipos de parafilias.

Tipos e peculiaridades específicas das parafilias e dos transtornos parafilicos

Existem vários tipos de ‘parafilias’, quanto a personificação do outro, quanto ao visual ou imagética, quanto ao objeto, muitos ligadas as atos pós-morte, ligados a dor psíquica e fisiológica, anatômicos, olfativos, quanto a fluídos e excrementos, quanto a relação interpessoais e até ligados a furtos e roubos. Podemos citar alguns tipos: bestialismo, necrofilia, assédio sexual e moral, violentação, pedofilia, incesto, exibicionismo, adultério, autossatisfação (sadomasoquismo), travestismo, voyeurismo, fetichismo, asfixiofilia ou hipoxifilia, sadismo, masoquismo, que pode ser independentes entre si ou unidos; podofilia (adoração dos pés), não confundir com pedofilia (atos com crianças); mortofilia, cropofilia, zoofilia, edofilia, frotteurismo, narratofilia, Kleptofilia, entre outros tipos e subtipos.

Para o DSM-5/2013, as parafilias atualmente são considerada práticas sexuais atípicas de grau não patológico a menos que os sintomas se traduzam em mal-estar no contato pessoal ou interpessoal ou socioprofissional, o que poderá, em tese e a priori, ser denominado de perturbação parafilica, e neste caso, vai ter uma reclassificação de grau patológico, pois estaremos diante do ‘transtorno parafílico’. O DSM-5 resultou de lutas muitos fortes do movimento social que se autoproclama libertário mas que muitos chamam de libertino, e incorporou condição existencial no lugar de doença mental, porém, resistiram os critérios das peculiaridades que não foram abalados.

Leia Também:  Doze trabalhos de Hércules: análise de cada um deles

Até tentaram superar esses critérios das especificidades, mas a literatura e a pesquisa da prática clínica foi vitoriosa, eis que, no conjunto de critérios toda a parafilia que cause sofrimento ou prejuízo aos indivíduos ou animais ou mesmo objetos valiosos, que implique risco de dano pessoal e patrimonial, a parafilia em questão, seja de que tipo for, passa a ser condição de transtorno parafílico merecendo intervenção até com internação. Possuímos vários exemplos, como a pedofilia, pessoa que se aproximam de creches para ganhar confiança de crianças e com elas praticar atos parafílicos, rapto, cárcere privados e tudo mais.

Escândalos públicos e privados envolvendo parafilias

Outro exemplo clássico, chefes ou diretores de organizações públicas ou privadas, que praticam atos e fatos parafílicos de forma descontroladas. Recentemente tivemos um grande escândalo suspeito de parafila. Não podemos confundir a paquera e flerte com cantadas, que não tem pressão mas que tem o lado lúdico com atos parafílicos que possuem forte pulsão de desejo e pressão psicológica, humilhação e submissão, gerando escândalos e constrangimentos.

É comum no mundo atual, porque a parafilia é algo mundial, que esta em transição da modernidade para pós-modernidade eclodirem escândalos envolvendo parafílicos geralmente em atos de assédio sexual seguido do moral, porque envolve dominação, humilhação e muita pressão psicológica. A vítima é compelida a aceitar os atos e tenta resistir. Algumas reagem se escondendo do autor ou evitando o cerco que se estabelece.

A parafílico não desiste tão fácil de submeter às vítimas usando várias táticas, tirar fotos, roçar, passar mão nas nádegas, dar tapinhas ‘na bundinha’ como eles mesmos referem, alguns mordendo mamilos por cima das roupas, beijando beiradas das mamas das mulheres, ofertando colinho em gabinetes. Alguns instalam câmeras ocultas em banheiros e se masturbam em suas salas de trabalho. Existem casos de furtos de calcinhas e sutiãs em alojamentos femininos para cheirar (parafilia olfativa).

Um transtorno

Outros usam binóculos para espiar apartamentos e casas, o voyeurismo. O uso de drones espiões por parafílicos vem crescendo. Muitas vezes são descobertos ou denunciados e se transformam em grandes escândalos tanto públicos como privados com desfechos judiciais e indenizações. Além da responsabilização penal. Existem algumas inovações em sentenças judiciais que obrigam os autores a se tratarem para tentar a remissão (cura) da condição numa transação penal de composição de danos. Busca judicial da remissão da condição do transtorno de parafiia.

Muitos autores de atos e fatos envolvendo a prática de vários tipos de parafilia que venha eventualmente de público e são amplamente divulgadas na Mídia, ficam surpresos com desfechos de sentenças inovadoras, em vários países, onde magistrados e acusação ministerial, os Ministérios Públicos e Defensorias, impõem como pena acessória a obrigação natural de se tratarem e buscarem uma possível remissão (ou cura) da condição. Muitos recorrem a uma alopatia (uso de remédios psicofarmacos) e até ficam internados em clínicas por um período, sob supervisão médica, na esperança de se livrarem do estigma e informar o Poder Judiciário da evolução numa transação em troca do fim da pena de prisão.

O portador da condição uma vez preso sem tratamento possível vai continuar na toada se expondo e desencadeando mais casos mesmo entre seus pares presos. O parafílico sem ajuda esta num beco sem saída. Sozinho e sem assistência não tem como sair do labirinto em que esta aprisionado. Não consegue achar a porta de saída. Por isso que tais inovações de composição são bem vistas pelos operadores das ciências P (Psicologia, Psiquiatria, Psicoterapias, onde Psicanálise encontra-se inserida).

Uma condição singular

Em muitos cases o transtorno de parafilia não é bem especificado, precisa de pesquisa para o correto achado, o que envolve um bom estoque de tempo dos especialistas que se debruçam sobre cada caso. A parafilia é uma condição bem singular, cada caso é um caso bem peculiar, envolve historicidades e enraizamentos. Existe e é bem real com vários exemplos do risco penal e também do despreparo judicial em lidar com tais condições existenciais.

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    O Poder Judicial e as esferas policiais, no Brasil, ainda estão muito despreparadas para lidar com as condições existenciais psicopatológicas. Alguns operadores do Direito ficam surpresos porque nunca ouviram falar de muitas parafilias e nem sabem que existem. Algumas defesas e acusações não raro, pedem prazos para estudar a condição eis que desconheciam.

    Leia Também:  Lobo ou ovelha? As Parafilias vistas pela Psicanálise

    Conclusão

    Face ao que foi exposto, vamos ofertar uma opção de resposta ao questionamento levantado: ‘As parafilias podem ser curadas?’. A questão envolve uma série de complexidades porque o mecanismo de ação e reação dos parafílicos é vinculado a pulsão e desejo, que são forças psíquicas ligadas a evolução psicossexual de cada pessoa dentro de suas circunstâncias e cenários de vida que é chamado de enraizamento existencial. O estudo do enraizamento da pessoa é fundamental. Pesquisadores tentam decifrar a condição existencial que é muito singular.

    Impossível uma resposta padrão generalizado bem como na formulação do diagnóstico tem que ser levado em conta que cada caso é um caso bem peculiar com suas especificidades e o achado da causa sempre é difícil. Ainda permanece a atuação sobre os efeitos inclusive com o desfecho penal quando o case vira processo. O estudo do cérebro e das pontes neurológicas, poderão num futuro possível, revelar alopatias eficazes que ainda não temos.

    A alopatia atual poderá no máximo, auxiliar em desarmar cadeias de episódios havendo consciência e força de vontade da pessoa em tentar lutar contra pulsão num processo treinado em clinica de auto monitoramento. Alguns erram o time do momento de agir e dá a recaída. O trabalho terapêutico mais eficiente, mas não eficaz tem sido na esfera cognitiva para o indivíduo ir se monitorando e quando sentir o início da pulsão (start) deflagrando recorrer a uma alopatia preventiva de auxiliar e tentar aguentar o episódio, que alguns chamam do ‘clic da pulsão’ até ser desligada, mas ela voltará porque é cíclica nos portadores da condição.

    Uma energia incontrolável

    Evidente que envolve período até de ideação quando a pessoa se reprime muito e tenta aprisionar a pulsão que é uma energia incontrolável. O avanço da ressonância magnética poderá ajudar como já vem ajudando a decifrar o mecanismo em diversas patologias mentais como na esquizofrenia.

    Portanto, entendemos que não existe uma cura (remissão) para parafilias e nem alopatia eficaz e que poderá haver o auxílio clínico de treinamento de uma reatividade cognitiva auto-monitorada para minorar a emergência cíclica da condição e segurar e deter a sua eclosão nervosa. Infelizmente, partilham muitos analistas, nada mais do que isso.

    Ofertar a esperança de uma cura sem sua efetividade passa a ser um risco para o próprio portador da condição existencial. O indivíduo precisa aprender ir se conhecendo bem como seus gatilhos e ir se auto monitorando. Para muitos portadores, conviver com a parafilia será para vida toda onde a análise com ótimos profissionais será um grande caminho.

    Artigo escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira, formado em História e Filosofia. PG em Psicanálise. Realizando PG em Filosofia Clínica e estudos de Psicanálise Clinica. Contato via e-mail: [email protected]

    2 thoughts on “Entendendo as Parafilias segundo a psicanálise

    1. Penso que as parafilias acabam englobando aspectos que deveriam ficar apenas em fetiches como o travestir e, a urina “engolida” e chamada de “chuva dourada” e, pelo menos nos homens resulta da ativação das supras renais, daí ela ser formada e não possível conter no sexo oral, por exemplo, sua liberação! Já quando a liberação da urina, toma viés humilhante como direcionada ao rosto, daí sim seria parafilia, tal como o parceiro que induz a feminilidade como condição de namorar homem, “presenteando” o parceiro com peças do guarda roupa feminino! Nem tudo que Não consta como heteronormativo deva ser evitado, afinal tudo que seja consensual e Não atinja a dignidade humana, penso pode ser vivenciado a dois!

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.