o que é masoquismo

O que é masoquismo em Psicanálise?

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Já pensou como a nossa mente leva a comportamentos tão diferentes? E às vezes, até mesmo surpreendentes? Um exemplo é o masoquismo, um jeito de ser fora do comum.

Hoje, vamos entender juntos o que é masoquismo e como a Psicanálise vê esse assunto. Este artigo te convida a explorar esse tema fascinante e como ele se relaciona com nossa mente e comportamento.

O que é masoquismo?

O masoquismo se trata de uma anomalia comportamental em que o prazer é obtido na dor. Ou seja, em vez da repulsa que o sofrimento físico ou mental pode trazer, existe um acolhimento, uma satisfação aqui. Isso é comum em atos sexuais, onde a dor estimula a excitação.

Ser masoquista significa ligar experiências como relações próximas e autoestima ao sofrimento.

Mas nem todo masoquista desenvolve uma sexualidade masoquista. Nisso, alguns especialistas em saúde mental acabam incorporando o termo “autoderrotismo”.

Muitos profissionais veem que alguns pacientes se satisfazem ao falar de tratamentos antigos que não deram certo. Isso porque é difícil conseguir resultados tão visíveis utilizando tratamento semelhante à depressão.

Nos casos mais sérios, esse comportamento pode ser prejudicial e até fatal.

Origem do masoquismo

O termo masoquista surgiu em 1886, criado por Kraft-Ebing em uma enciclopédia sobre comportamentos sexuais incomuns. Nisso, o psiquiatra cunhou o termo “masoquismo” tendo como base o trabalho literário do escritor austríaco Sacher-Masoch.

Masoch era um escritor masoquista e como indivíduo mantinha comportamento parecido com suas obras.

Anos depois Freud iniciou uma pesquisa sobre o tema e propôs se isso se configurava como uma perversão. Para ele, o masoquismo poderia ser visto como manifestação possível e natural da sexualidade humana. Ademais, o conceito acabou vindo a ser pilar para compreendermos o psiquismo dentro do caminho teórico freudiano.

Além de Kraft-Ebing e Freud, é importante mencionar a evolução do conceito de masoquismo ao longo do século XX. Psicanalistas como Melanie Klein e contemporâneos têm explorado como o masoquismo se relaciona com outros aspectos psíquicos, incluindo a forma como indivíduos lidam com ansiedade e culpa.

Essa visão mais ampla ajuda a compreender o masoquismo não apenas como perversão, mas como parte de um espectro mais amplo de comportamentos humanos.

Com isso, dentro da pesquisa freudiana, masoquismo ganhou contornos mais complexos e se tratava de uma perversão integrante da sexualidade. Além disso, como função estrutural do Eu com base da segunda teoria das pulsões.

Para finalizar, algumas leituras pós-freudianas entendem isso como subjetivação para conseguirmos lidar com o desamparo.

Causas do masoquismo

Após entender o que é masoquismo, fica difícil encontrar material que possa explicar o que influencia isso. Para alguns a dor física seria um estímulo para que alguém consiga se excitar, usando perspectivas neurológicas. Isso acaba fazendo com que a dor libere endorfina, dando uma sensação prazerosa logo após a dor inicial cessar.

Outro ponto comentado fala a respeito da repressão vivenciada quanto as fantasias sexuais, a moralidade julgando como inapropriadas. Nisso, o indivíduo acaba suprimindo isso ao mesmo tempo em que torna essa postura mais desejável.

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    Além disso, experiências impactantes na infância ou traumas podem induzir uma pessoa a apresentar esse comportamento.

    Diferenciando masoquismo de comportamentos autodestrutivos

    Enquanto o masoquismo é muitas vezes associado a comportamentos autodestrutivos, é crucial diferenciá-los. Comportamentos autodestrutivos são geralmente impulsivos e visam aliviar a angústia emocional de maneira nociva, sem busca de prazer.

    Já o masoquismo, particularmente na esfera sexual, envolve uma busca consciente de prazer através da dor, muitas vezes em um contexto controlado e consensual.

    Dois lados da moeda: satisfação e dor

    Na busca para entender o que é masoquismo na Psicanálise, o masoquista se atormenta porque quer “romper-se”. Esse tipo de postura se mostra como a expressão exterior de algo torturante se traduzindo em lamentos masoquistas.

    Assim, o ato de se machucar seria pertencente a um desejo de se libertar das tensões instintivas interiores.

    Nesse caminho, a angústia do prazer acaba impedindo que o masoquista possa sentir qualquer satisfação em sua iniciativa. Existe uma dependência, de modo que precise de uma outra pessoa para que isso seja libertado.

    Por si só não consegue se satisfazer, necessitando de algo externamente proporcionado e flagelante para conseguir isso.

    Em sua autodepreciação, seu caráter masoquista passa a ser mais abraçado e apreciado enquanto ativo. No fim, sentir um prazer genuíno e inofensivo em qualquer escala é quase que impossível para ele.

    As principais características clínicas do masoquismo

    Entendendo melhor o que é masoquismo, é preciso reconhecer os sinais e características dessa alteração comportamental. Cabe ressaltar que em caso de diagnóstico apenas pessoal qualificado tem aval para sugerir ou classificar algo adequadamente.

    Ainda assim, é possível notar padrões semelhantes nos casos, como:

    Engajamento na missão de sentir dor

    O masoquista não se sente acanhado em se engajar nas atividades dolorosas, especialmente de cunho sexual. Por conta disso que gosta de atividades como ser acorrentado, espancado, humilhado ou qualquer outra forma de sofrimento.

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    Embora isso não diga respeito apenas ao sexo, é mais comum de se ver nesse campo.

    Excitação

    Para algumas pessoas, a dor serve como estimulante natural para se atingir a excitação sexual. Essa, aliás, é o alvo da atividade sexual, indo até casos graves de mutilação ou morte. Logo após a dor que sente, um prazer imediato surge, e é assim que se faz a associação entre prazer e dor.

    Desinibição

    Ainda que possa sentir alguma culpa, ansiedade ou vergonha posterior, isso não vai impedir que repita o ato. Tanto que pode fazer a sua prática de forma isolada ou com alguém lhe infligindo algum castigo. Entretanto, não é incomum o surgimento de lesões graves ou até mortes acontecendo por acidente.

    Tipos de masoquismo

    Fazendo um estudo sobre o que é masoquismo, entendemos que o mesmo vai bem além da categoria sexual. Tanto que pode se mostrar como:

    • Masoquismo submisso: Trata-se do prazer obtido através do sofrimento oriundo da humilhação por parte de alguém. O desamparo ou estar sozinho não ganham qualquer importância, mesmo sendo mais saudáveis, do que ser submisso a alguém.
    • Masoquismo social/moral: Aqui temos a pessoa masoquista que sempre está sujeito à obediência quanto as normas. Consequentemente, isso faz com que perca a sua subjetividade e se desvitalize. O seu Superego é muito forte, o reprimindo constantemente.
    • Masoquismo erógeno: Sendo o mais conhecido, na Psicanálise, é a pulsão entre a vida e morte, o eros e tánatos. Em outras palavras, a busca pelo prazer desenfreado que a dor pode trazer.

    Tratamento

    Para ajudar pacientes a compreenderem o masoquismo e seus riscos, os profissionais de saúde recorrem frequentemente à psicoterapia e à medicação. Este tratamento pode ser desafiador devido à ligação entre o masoquismo e comportamentos depressivos. No entanto, entender essa relação é essencial para um tratamento eficaz.

    A psicoterapia geralmente foca em terapias de aversão. Nesta abordagem, os terapeutas ajudam os pacientes a evitar e não se envolver com os estímulos que desencadeiam comportamentos masoquistas. Esse tipo de terapia trabalha para mudar a resposta do paciente aos estímulos, promovendo alternativas saudáveis de enfrentamento.

    Já no uso de medicação, os médicos podem prescrever antidepressivos. Estes medicamentos têm como objetivo reduzir a intensidade do impulso sexual que está frequentemente associado ao masoquismo. Isso pode resultar em uma diminuição da excitação e do desejo sexual, ajudando o paciente a gerenciar melhor seus impulsos.

    É importante destacar que cada caso é único e requer uma abordagem personalizada. Além disso, o apoio contínuo e o acompanhamento são cruciais para o sucesso do tratamento. Pacientes e terapeutas trabalham juntos para entender as raízes do comportamento masoquista e desenvolver estratégias eficazes para lidar com ele.

    Compreender profundamente o masoquismo e suas manifestações é fundamental para escolher a melhor forma de tratamento. Ao abordar tanto os aspectos psicológicos quanto físicos, os profissionais de saúde podem oferecer um suporte mais completo aos seus pacientes.

    Considerações finais sobre o que é masoquismo

    Algo importante que devemos nos lembrar é que muitas pessoas que têm comportamentos masoquistas não veem isso como um problema. É interessante notar que, embora seja uma parte natural do ser humano. Mas em situações extremas, o masoquismo pode ser perigoso.

    Além disso, é bom pensar em como a sociedade e a cultura mudam o jeito como a gente vê o masoquismo. Em alguns lugares, esse comportamento é mais aceito ou até admirado. Em outros, não é tão bem-visto. Isso mostra como o masoquismo é complexo e varia muito de um lugar para outro.

    Nossa inteção aqui é informar de maneira clara e sem julgamentos. Além disso, queremos ajudar cada um a entender melhor a nós mesmos, nossos limites e a descobrir coisas novas sobre como a gente age em sociedade.

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    Após entender melhor o que é masoquismo, pode agora incrementar a sua postura para fazer profundas avaliações humanas!

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