pensamento de Nietzsche

O pensamento de Nietzsche no mundo atual

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Veja hoje sobre o pensamento de Nietzsche. Autor e filósofo renomado que subsiste e persiste até o momento e através. Decerto cruzará o século XXI e XXII tão atual quanto começou. Sua crítica da moral e dos valores cristãos é amplamente atual e pertinente em uma era de doutrina às avessas, em que vítimas se tornam (proto) algozes, numa era de ressentimento e vitimismo.

E de patologização de tudo e de si, de rotulação. Era de crise de valores e de perda de ideais, onde o narcisismo acaba sendo a regra e o destino.

Pensamento de Nietzsche e sua originalidade

O autofoco, o foco em si, o orbitar a si mesmo e se relacionar apenas com o símile de si em uma câmara de confirmação, ou viés de confirmação adstrito a um ambiente – por excelência o digital, com seus escudos da vulnerabilidade, não abrir de si, do real de si e conjunto de solitários sequiosos pelo conjunto – à distância e sob a segurança de um clique, um ghosting, um block.

O pensador original ou espírito livre defendido por Nietzsche como um caminho necessário, ou transvalorar / perpassar os valores, filosofia do martelo, combater e derrubar falsos ídolos, e profetas, hoje chegou a um extremo do individualismo vazio, que não troca, não se submete a escrutínio, crítica, relações e, por que não?, ao olhar do espírito de rebanho.

O comportamento de manada do pensamento de Nietzsche

A vontade de conforto e paz – antítese do que defendia Nietzsche para uma vida valorosa, rica, feliz – viver perigosamente, dançar à beira do precipício. Assim, o espírito livre de hoje, pretensamente livre, inclusive do social se mimetizou em um grânulo do espírito de rebanho com ares de independente e original – ou autêntico (objeto de desejo em era de consumo em massa, inclusive de pessoas).

Avatares são consumidos, exibidos, mostrados, desejado, encantam, sorrateiramente se esvaem, simulam, estão e não estão. São como os fiéis deserdados de Zaratustra, ou notas de rodapé não lidas de A Genealogia da Moral. Guerreiros digitais corajosos, haters, sempre com a lança da crítica em mãos, semiprofissionais alçados ao estrelato pelos traços genéticos com empurrão da maquiagem e botox.

Reengenharias de faces, vácuos cerebrais e culturais. A arte, defendida como um meio por Nietzsche para se ter a redenção do humano utilitarista, se esvai. O olhar artístico se verte a consumo e olhar ágil e irrefletido. Deus está morto, dizia, mas hoje não seria a ciência a fazer, mas sim o olhar desatento, longe das nuanças e detalhes, longe do divino da percepção aguçada.

Um mundo pronto para o pensamento de Nietzsche?

Longe do pensamento abstrato, construído a duras penas, ou em meio a uma caminhada, quando se vêm à mente os únicos pensamentos dignos de nota, segundo Nietzsche. Uma era de massificação e de esvaziamento de sentido, sem o superego por combater, mas sim um id silencioso e dominante, ao menos como paradigma, cuja inércia impede ser acessado, mas que reluz como possibilidade sem fim e com desdobramentos infinitos.

Levam ao decaimento de relações reais e interações idem, com pessoas naturais e naturalmente dotadas de limites e óbices e lacunas em prol de um ideal virtual inexistente, mas sim, calcado dentre as mil opções ao deslizar de uma tela.

A liberdade de Nietzsche

Não mais os autores professorais e teleológicos, mas sim a ausência seria o verdadeiro oponente dos ideais de Nietzsche, a hesitação eterna, o medo da dor, a ausência de brios do espírito aristocrático e guerreiro, demandantes sem fim de direitos e de igualdade acima de tudo. Inclusive do dotado de tais valores ou do que ousa ser um simulacro moderno do além do homem, portando incessante vontade de potência, querendo implementar a lei do eterno retorno.

Viver o momento presente e ter paz em imaginá-lo como se fosse repetir ad eternum. Eis uma era em que sua mensagem se torna cada vez mais necessária, Nietzsche, o porta-voz de uma vida real e autêntica, vigorosa e férrea, anti fraquezas do espírito e rechaçares de caminhos pedregosos e alturas dos Alpes, vida com gosto, vida estética, o sabor é o que conta, o sentir, enfim, o gosto!

Sair do casulo virtual e do iminente metaverso e ir ao espetáculo real da vida e dos encontros com a dor e o inesperado, desertos e precipícios internos, solidão real ou então nada feito. O século cujo mal mor é a ansiedade e a laboriosidade, que não aceita o ócio e o viver artístico e contemplativo, ou a moral aristocrática.

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Conclusão

A sociedade do cansaço, segundo herdeiro de Nietzsche sul-coreano, de pensar equivalente e atualizado e que, como o mestre, tem igual e necessária voz, corroborando a homenagem que os existencialistas, franceses ou não, lhe emprestaram.

E até a cultura pop se rende aos seus encantos, com dicas e mandamentos para uma vida melhor segundo seus preceitos. Deve se sentir lisonjeado de tal não homenagem ou suave e irônica distorção. O pensador da liberdade pode ter sido pelo mercado cooptado. Pode. Não foi. Nunca será.

Este artigo sobre o pensamento de Nietzsche foi escrito por Max, pensador e burocrata, motos e natureza, filmes euro e psicologia. Instagram: @neversettle2049.

4 thoughts on “O pensamento de Nietzsche no mundo atual

  1. Parabéns, pelo comentário! A história sempre se repete, o ser humano é o mesmo, cheio de erros e acertos!

  2. Nietzsche é sempre atual , mas , mal interpretado em muitos conceitos ! Valeu pela análise !

  3. Fenomenal, as vezes me pergunto o que Nietzsche escreveria se vivesse no século XXI, mas acho que não é necessário traze-lo dos mortos vivos, sua filosofia previa a atualidade: O homem moderno crê experimentalmente ora neste, ora naquele valor, para depois abandoná-lo; o círculo de valores superados e abandonados está sempre se ampliando; cada vez mais é possível perceber o vazio e a pobreza de valores, o movimento é irrefreável […]. A história que estou relatando é a dos próximos dois séculos” (Fragmentos Póstumos apud REALE, G. O saber dos antigos. Terapia para os tempos atuais. São Paulo: Loyola, 1999, p.7).

  4. O mundo sofreu muitas transformações ao longo do tempo, entretanto o pensamento de Nietzsche permanece vivo . Seria porque o homem continua o mesmo?

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