perda do desejo sexual

Perda do desejo sexual: fatores emocionais e biológicos

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Muitas pessoas atualmente sofrem por não terem um relacionamento sexual adequado, mas o que seria essa adequação e como isso interfere na perda do desejo sexual entre homens e mulheres?

A perda do desejo sexual e o orgasmo

A definição do que é orgasmo sob a ótica feminina e masculina se diferencia e, em relação às mulheres está mais ligada com o estado de antes e depois da relação e não, necessariamente, à uma ejaculação propriamente dita. Depois de uma relação sexual há uma grande liberação de endorfina, um neurotransmissor com efeito semelhante ao ópio, que tira a dor e proporciona um profundo bem estar.

O desejo sexual pode ser afetado por questões bioquímicas e emocionais como, por exemplo, níveis de estrogênio, deficiência na lubrificação vaginal, desinteresse pelo parceiro(a), alguns fármacos, mau funcionamento da hipófise, menopausa, entre outros.

Alguns fármacos são conhecidos por interferir no desejo sexual, como antidepressivos, pílulas anticoncepcionais, anti-histamínicos (ou anti-alérgicos), medicamentos anti-convulsivos e analgésicos opioides podem interromper a produção hormonal, provocando dificuldade em atingir o orgasmo, afetando também o humor.

A perda do desejo sexual e sua relação com os hormônios

O estrogênio é o principal hormônio responsável pelas características sexuais secundárias femininas, tais como o tamanho dos seios e o controle da ovulação. A partir da puberdade, o estrogênio desempenha importante função no ciclo menstrual.

O cérebro, a pele, os músculos e as emoções são afetados pela queda dos níveis de estrogênio, gerando ondas de calor, suores noturnos, problemas de sono, ansiedade, mau humor e perda ou redução da libido sexual, ressecamento vaginal, ansiedade, dificuldades de atenção, entre outros.

De acordo com a Sociedade Norte Americana de Menopausa (NAMS, na sigla em inglês), durante a transição para a menopausa, os efeitos físicos da queda dos níveis de estrogênio podem interferir no desejo sexual. O envelhecimento também pode causar declínio no nível de testosterona em homens e mulheres, provocando a redução da libido.

Problemas na tiroide e a perda do desejo sexual

Problemas na tiroide também podem reduzir a energia física, aumentar o estresse e diminuir a sensação de bem-estar geral, que desempenham papel importante na libido. Apesar de afetar principalmente as mulheres, o hipotiroidismo em homens pode causar ejaculação precoce ou atrasada.

Na mulher, o hipotiroidismo ou a utilização de alguns anticoncepcionais pode causar a diminuição da libido. O ciclo menstrual também tem uma grande influência no desejo sexual, uma vez que, quando a mulher se encontra no período fértil, a sua libido aumenta.

Como ocorre uma interrupção na produção hormonal, algumas mulheres apresentam menor lubrificação vaginal, o que pode resultar em dor durante o sexo, levando a uma evitação sexual.

O tabu relacionado ao sexo

Outro motivo que pode influenciar na evitação sexual se deve ao fato de algumas mulheres não conseguirem chegar ao orgasmo apenas pela penetração, sendo necessária a estimulação direta do clitóris, seja pelo parceiro, seja por si mesma. O tabu relacionado ao sexo ainda se apresenta de forma muito significativa em nossa sociedade.

Contudo, é importante que os casais tenham cumplicidade em suas relações, já que, em relacionamentos duradouros, a satisfação sexual é fator preponderante de harmonia. A falta ou perda de desejo sexual normalmente é um problema secundário em relação a outras dificuldades, tais como falha da ereção ou dispareunia.

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Embora não impossibilitando o prazer, torna a iniciativa da atividade mais difícil, sendo classificada como um transtorno sexual hipoativo que se expressa com frigidez.

Disfunção do desejo parcial ou circunstancial

A disfunção do desejo pode ser total, parcial ou circunstancial. Total, quando nunca, em momento algum, o indivíduo sentiu prazer no coito. Não são portadores de libido. Parcial, quando apenas algumas poucas vezes apresentam desejo sexual e dificilmente atingem o orgasmo.

Circunstancial, quando a disfunção de desejo está ligada a determinadas circunstâncias, a momentos, que podem ser ocasionado, pelo objeto sexual (um parceiro inadequado sexualmente), pelo local (ninho de amor inadequado), trauma ligado ao ato sexual (violência sexual, etc.), etc., permanecendo enquanto existir o problema.

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    Pessoas com disfunção orgástica podem trazer em si sentimentos de culpa e trauma, com seus pensamentos desviados do ato; narcisismo, quando a pessoa fica tão concentrada em sua beleza que não consegue se concentrar no ato sexual, ou fica preocupada em não desarrumar o cabelo, quebrar a unha, etc…

    A sexualidade na puberdade

    Com o desabrochar da sexualidade na puberdade, as experiências sexuais infantis podem ser compreendidas enquanto tais e, só então, adquirem o caráter de um trauma. Quando a recordação da experiência de sedução é incitada pelo parceiro(a), ela produziria uma excitação sexual que seria convertida em angústia.

    O mecanismo de defesa entraria em ação para defender o aparelho psíquico dessa angústia. No entanto, essa proteção é parcial, uma vez que, embora a recordação efetivamente traumática esteja reprimida no inconsciente, o afeto continuaria sendo evocado em associação com uma outra representação, aparentemente inócua, que estaria associada à primeira.

    Essa defesa imperfeita levaria à produção do sintoma da anorgasmia. Para se tratar um trauma, é preciso se aproximar dele, identificando as lacunas que ficaram no processo de vida do indivíduo, relacionados às suas identificações com suas figuras parentais, retificando-as em bases mais realistas.

    O set terapêutico e a perda do desejo sexual

    O set terapêutico é um ambiente confortável para se avaliar o que exatamente incomoda o indivíduo em relação ao sexo, que deve ser avaliado sob a ótica bio-psico-sócio-econômico-cultural-espiritual.

    O amor, o diálogo, o elogio, o toque corporal, a comunhão, a assertividade, a espiritualidade, as fantasias, a cumplicidade e o erotismo são pontos chaves no desenrolar de um relacionamento sadio e promissor.

    Muitas das dificuldades entre os casais em seus relacionamentos e até na cama estão intimamente atribuídas a um destes aspectos, senão a todos. A relação sexual bem-sucedida (prazerosa) dá aos parceiros um sentimento de gratidão mútua que ajuda a suportar os desgastes naturais da vida cotidiana. A insatisfação exacerba os pequenos antagonismos.

    Considerações finais

    É importante, por isso mesmo, estimular a boa relação entre os parceiros. Isso exige um diálogo franco sobre todos os aspectos da sexualidade. Na quase totalidades dos casos são atribuídas ao tamanho do pênis outras insuficiências não anatômicas.

    O homem é condenado à autenticidade sexual e não consegue muitos orgasmos seguidos. As mulheres têm maior liberdade anatômica e fisiológica; são capazes de orgasmos múltiplos e podem manter relação sexual fingindo um desejo inexistente. Só a aceitação dos limites permite o diálogo franco e aberto.

    A melhor maneira de tentar contornar a situação é conversar com um profissional adequado e, para o sucesso do tratamento deve-se buscar uma multidisciplinariedade de olhares e condutas: médica, psico-emocional e outras alternativas complementares. Some à isso atitudes simples, como praticar exercícios, e ter uma alimentação mais saudável, que também podem elevar o humor e a libido sexual.

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    O presente artigo foi escrito pela autora Renata Barros [[email protected]], Terapeuta Holística do Mundo Gaia – Espaço Terapêutico em Belo Horizonte, Bióloga e Psicanalista em formação!

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