positividade tóxica

Significado de Positividade: pode ser tóxica?

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Você já ouviu falar em positividade tóxica? Compreende-se o desejo de se destacar, aparecer, sair do lugar comum, propor algo diferente e, quiçá, dar o pontapé inicial para uma nova “teoria”, ou mais provavelmente, uma moda, uma nova tendência a se alastrar, inclusive, pelo campo Psi (Psicanálise, Psicologia e Psiquiatria). Sem embargo, uma teoria não é e nem pode estar fundamentada no “achismo”.

Infelizmente, é comum ler postagens em redes sociais e, no caso, em perfis de profissionais do campo Psi, nos quais defende-se a “tese” de uma suposta “positividade tóxica”. No mais, é interessante tentar enxergar as coisas por outro ângulo, afinal, é assim que a humanidade avança, e é assim que a ciência quebra seus paradigmas através das “revoluções científicas”, assim denominadas por Thomas Kuhn (2006).

Entendendo a positividade tóxica

Antes de “criticar”, tentei me colocar no lugar das/dos autoras/es das postagens sobre essa tal de “positividade tóxica”. No campo Psi, existe uma tendência de se falar em “pessoas tóxicas”, “pensamentos tóxicos”, “situações e ambientes tóxicos”. De fato, é útil e benéfico se livrar disso tudo, na medida em que, realmente, o que é tóxico nos faz adoecer, seja no corpo, na alma, ou em ambos.

Quanto às pessoas, o problema de se afastar de algum indivíduo tóxico é o sentimento de pena, a compaixão e a empatia que, notadamente, representam altos e nobres atributos, tão sadios que pessoas desprovidas dos mesmos tendem a se encaixarem na personalidade narcisista ou, de maneira mais abrangente, na chamada Triade Obscura.

Anteriormente, já publiquei um artigo sobre esse melange de personalidades (elas sim) tóxicas. Melange no sentido sugerido pelo termo francês (mistura), e não o melange ou especiaria (droga ficcional) da saga “Duna”, escrita por Frank Herbert. Aproveito, longe de fugir do tema, para acrescentar alguns detalhes ao artigo anterior e, para tal propósito, fundamento-me em um paper, recém-publicado (23 de setembro 2021) por Eric W. Dolan no site de Psicologia Social chamado PsyPost.

Positividade tóxica e a Triade Obscura

O autor realça o fato que as características da chamada Triade Obscura são mais complexas do que se costuma pensar, inclusive dentro do referido campo Psi. A fundamentação teórica da pesquisa citada por Dolan é advinda de uma experiência com campo amostral de 525 adultos dos EUA e Reino Unido, cujos autores-pesquisadores, segundo Dolan, utilizaram uma técnica estatística chamada análise gráfica exploratória (tradução livre), com o intuito de “estimar o número de dimensões relevantes dentre os três traços da Triade Obscura” (DOLAN, 2021).

O autor cita Tayler Truhan, um estudante de Doutorado da Universidade Queen’s de Belfast, ao apontar que a técnica foi criada em 2017 por Hudson Golino e Sacha Epskamp, e está baseada em modelagem gráfica. É assim que, em seu artigo intitulado “Study indicates the Dark Triad personality traits are more complex than previously thought” (Estudo aponta que os traços de personalidade da Triade Obscura são mais complexos do que se pensava anteriormente), Eric W.

Dolan problematiza acerca dos traços característicos da Triade Obscura, através de subtraços peculiares de cada tipo (narcisismo, psicopatia e maquiavelismo) e, ainda, aponta para uma particularidade em comum entre os três.

Positividade tóxica e o narcisismo

A análise sugeriu que o narcisismo continha oito dimensões (antagonismo, autoridade, desconfiante e autocentrado, ambição e perseverança, indiferença, superioridade, busca por aclamação e vergonha narcisista), a psicopatia continha seis dimensões (desinteresse, agressão/impulsividade, antissocial, manipulação, comportamento arriscado, busca por excitação/emoção), e o maquiavelismo continha quatro dimensões (cinismo, amoralidade, manipulação e desinteresse).

Os pesquisadores também descobriram que o antagonismo desempenha um papel central na Triade Obscura, juntando o aglomerado dos traços (DOLAN, 2021).

Percebe-se que a digressão no âmbito da Triade Obscura não é bem uma fuga do tema, por trazer um importante aprofundamento sobre o assunto do meu artigo anterior, e em segundo lugar, devido ao fato de reforçar aquilo que, psicologicamente, pode ser considerado tóxico, o que, por sua vez, pode ser útil para sublinhar aquilo que, na realidade, de tóxico não tem nada.

O âmbito da neurose atual

É útil observar que, nos três principais dicionários/vocabulários de Psicanálise, Roudinesco e Plon, assim como Chemama, consideram o termo tóxico apenas com relação à dependência química, ou tóxico-mania, enquanto Laplanche e Pontalis falam sobre intoxicação, no âmbito da neurose atual.

Por sua vez, o DSM V, (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), refere-se ao que é tóxico apenas com relação às seguintes questões: toxicologia da urina e do sangue para averiguar os efeitos produzidos por drogas, agentes citotóxicos, os efeitos do excesso de álcool sobre a eritropoiese, efeitos neurotóxicos de longo prazo advindos do uso de substâncias como o MDMA, intoxicação por uso de inalantes, os efeitos tóxicos de sedativos, hipnóticos e ansiolíticos, efeitos tóxicos do ato de fumar metanfetamina, tireotoxicose associada a condições sistêmicas, a intoxicação deliberada prévia à tentativa de suicídio.

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Em termos menos específicos, de acordo com o dicionário Michaelis (online), tóxico é um adjetivo referente ao “que envenena; que tem a propriedade de envenenar; venenoso”. Ou no âmbito da farmácia, é o “que produz efeitos nocivos no organismo”. No mesmo dicionário, encontramos o verbete “positividade”, substantivo feminino que é descrito como “atributo do que é positivo” e, principalmente, “disposição favorável da pessoa a atitudes construtivas”.

Funções orgânicas e psíquicas do indivíduo e a positividade tóxica

Porquanto falte, nas fontes citadas acima, algo peculiar sobre o que é tóxico do ponto de vista comportamental, entende-se que, em termos gerais, tóxico é algo prejudicial, doentio e que proporciona a alteração das funções orgânicas e psíquicas do indivíduo.

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    O que seria, então, positividade tóxica? Há como se considerar a positividade como algo tóxico? Ou, dito de outra forma, a positividade, enquanto tendência do sujeito para com “atitudes construtivas”, de acordo com o dicionário consultado, teria como ser considerada tóxica? Se sim, em que circunstâncias?

    Para responder esta questão, é preciso contemplar o oposto da positividade, ou seja, uma disposição negativa. Evidentemente, uma análise minuciosa extrapola os limites de um artigo, porém, pode-se considerar algumas “atitudes” que promovem aquele estado mental. Vitimismo e lamúria, por exemplo, geram um loop (laço) autohipnótico negativo, na medida em que fomentam sentimentos negativos, perante uma situação que, supostamente, não há como mudar, sendo o sujeito predestinado ao sofrimento.

    A autorresponsabilidade

    Trata-se, enfim, do contrário da autorresponsabilidade, que é a atitude positiva de quem aceita a responsabilidade de suas ações (e inações). Trocando em miúdos, autorresponsabilidade é assumir o controle da própria vida, é compreender que sempre existe margem para a mudança, e que a mudança depende muito mais de fatores internos que externos.

    A Programação Neurolinguística é uma área da Psicologia criada por John Grinder e Richard Bandler, na década de 1970. Amplamente utilizada no meio corporativo, no marketing, na política, e enquanto terapia propriamente dita, a PNL sugere que os pensamentos geram sentimentos, os quais nos impeles a agir de certa maneira, o que vai gerar determinados resultados. Até mudar o mindset (mentalidade), os resultados sempre são os mesmos, já que as ações se repetem, assim como ocorre, no âmbito da informática, através do laço de programação “for”.

    Na programação, o laço precisa do comando break para ser interrompido e, coincidência, a computação, notadamente, é inspirada no cérebro humano e em seu funcionamento (e o é sempre mais, ao passo em que a chamada Inteligência Artificial avança, e torna-se um aliado do desenvolvimento).

    A mente inconsciente e a positividade tóxica

    Anteriormente, já mencionei o loop autohipnótico negativo e é interessante observar que se trata mesmo de um laço, parecido com o “for” utilizado na programação. A mente inconsciente não distingue entre realidade e fantasia. Infelizmente, inúmeras pessoas só “utilizam” essa falta de distinção para fomentar crenças limitantes, a saber: incapacidade, inadequação, impossibilidade de mudar a si mesmo, inexorabilidade do destino, entre outras.

    Assim como a Psicanálise sustenta desde seus primórdios, com a descoberta do inconsciente, é possível afirmar que o “invisível gera o visível”. Afinal, o consciente é apenas “a ponta do iceberg”, e a porção mais consistente do nosso aparelho psíquico está abaixo da “superfície” representada pela consciência racional.

    Vale frisar que a Neurociência tende a confirmar e a reforçar os postulados freudianos acerca do funcionamento do aparelho psíquico. Inteligência emocional é uma área de estudo revolucionária, cuja teoria inicial é de autoria de um PhD em Psicologia, Daniel Goleman.

    Inteligência Emocional e LeDoux

    O autor do clássico “Inteligência Emocional” cita LeDoux, neurocientista do Centro de Ciência Neural da Universidade de Nova Iorque, quando pondera: LeDoux recorre ao papel da amigdala na infância para confirmar o que há muito tempo é uma doutrina básica do pensamento psicanalítico, que as interações dos primeiros anos de vida estabelecem um conjunto de lições elementares, baseadas na sintonia e perturbações nos contatos entre a criança e os que cuidam dela (GOLEMAN, 1995, p. 36).

    Goleman enfatiza o papel das amigdalas, que servem para proporcionar uma reação rápida perante determinado evento ou ameaça. O Neocórtex representa o sistema analítico-racional, extremamente mais preciso que o sistema límbico, porém mais lento em sua reação diante de um perigo ou emergência. Goleman descreve a amigdala como “repositório de memória emocional”, o qual “examina a experiência comparando o que acontece agora com o que aconteceu no passado” (p. 35).

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    O autor explica que a amigdala funciona através de um método de comparação associativo e, de acordo com isso, afirma que o circuito é falho, por produzir uma (re)ação antes de se ter plena confirmação (e compreensão) do acontecimento. Nas palavras do autor, “ordena-nos freneticamente que reajamos ao presente com meios registrados muito tempo atrás, com pensamentos, emoções e reações aprendidos em resposta a acontecimentos talvez apenas vagamente semelhantes, mas ainda assim o bastante para alarmar a amigdala” (p. 35).

    As lembranças emocionais e a PNL

    Compreende-se, com este autor, que a resposta da amigdala ocorre com base em todo um registro emocional datado, muitas vezes, das fases mais primitivas da vida psíquica, ou seja, a reação perante determinada emergência ou suposto perigo acontece de acordo com “lembranças emocionais fortes” e essas “datam dos primeiros anos de vida, na relação entre a criança e aqueles que cuidam dela. Isso se aplica sobretudo aos acontecimentos traumáticos, como surra ou abandono total” (p. 35).

    Há algo contraditório se compararmos o notório pressuposto da PNL (acima) com a teoria da Inteligência Emocional. De fato, em condições “normais”, as informações chegam ao Neocórtex, que tem o tempo útil para processá-las e, assim, sugerir uma reação ponderada perante determinado estímulo ou situação.

    Neste caso, o “ciclo” pensamento-sentimento-ação-resultado é acionado e a leitura da PNL é correta. No entanto, há situações nas quais o ciclo começa com uma reação emocional pré-consciente, desencadeada ou disparada com base em lembranças de caráter não racional, isto é, oriundas das emoções (e traumas) de outrora.

    A teoria freudiana para entender a positividade tóxica

    A confirmação da teoria freudiana, no caso, aquela referente à segunda tópica, descrita o texto O Ego e o ID (1923), ocorre pelo viés da Neurociência (via teoria da Inteligência Emocional), quando essa área sugere que “durante esse primeiro período de vida, outras estruturas cerebrais, em particular o hipocampo, que é crucial para as lembranças narrativas, e neocórtex, sede do pensamento racional, ainda não se desenvolveram inteiramente” (GOLEMAN, 1995, p. 35).

    Isto significa que, assim como fora teorizado por Freud, o psiquismo mais primitivo é regido apenas pelo princípio do prazer, sendo ID, completamente inconsciente, e só num segundo momento, o Ego vem surgindo do ID, o que, com Lacan, vemos que acontece através do “espelho” proporcionado pela genitora.

    Notadamente, o Ego tem uma parte consciente – logo, racional – outra pré-consciente (emocional), e outra inconsciente, já que é do ID que ele vem “brotando” e o ID é completamente inconsciente, regido pelo princípio do prazer, atemporal, não-causal, e nele há a representação da coisa, ao contrário de pré-consciente e consciente, onde há a representação da palavra.

    O emocional e o racional

    O emocional e o racional se retroalimentam e concorrem para o correto funcionamento e bem estar psíquico do sujeito. Mas, e o que isso teria a ver com positividade? Tudo! Principalmente com a noção equivocada de “positividade tóxica”.

    Positividade nunca é tóxica, na medida em que se trata de uma atitude alimentada por uma postura autorresponsável, que é o exato contrário de uma perspectiva fatalista e pautada no vitimismo, coitadismo e lamúria, a qual representa uma autocondenação, na medida em que o sujeito se torna refém de um ciclo de negatividade, onde literalmente “colhe aquilo que planta”.

    O ato de semear dúvida, incapacidade, frustração, impossibilidade de mudar, predestinação tende a ser acompanhado pela retenção de emoções negativas, quais elas: rancor, ódio, ressentimento, mágoa, amargura, que por sua vez, vão atingir tanto as reações imediatas e irracionais perante determinado perigo – resultando em consequências desastrosas – como a própria esfera consciente e os pensamentos que nela são produzidos. Daí segue o ciclo apontado pela PNL, com os pensamentos gerando sentimentos e assim por diante, as ações e os mesmos resultados, já que se trata de um ciclo!

    A mudança da realidade e a positividade tóxica

    Disso resulta a dificuldade em mudar a si mesmo e a própria realidade. A consequências é a fixação no vitimismo e a sensação de frustração e incapacidade, ou mesmo, impossibilidade de agir sobre o próprio destino.

    E o que seria, então, positividade? É a compreensão de que, a qualquer momento, eu posso mudar a minha situação, positividade é empoderamento, mas passa necessariamente pela aceitação prévia da situação e de mim mesmo no momento atual, com minhas fraquezas e limites. Só a aceitação consciente permite mudar. O contrário disso é a recusa ou rejeição da realidade, o que, com Lacan, chama-se de foraclusão, ou forclusão, notadamente, uma defesa psicótica do ego.

    Negar a realidade (e criar uma realidade paralela, de fato ficcional) é uma reação psicótica, e ela sim, é altamente tóxica, mórbida, enfim, doentia. Nesse sentido, fazendo certo esforço intelectual, o que é confirmado pelo encadeamento lógico que sustenta esse artigo, é possível compreender que as postagens de profissionais do campo Psi apontando para uma suposta “positividade tóxica” só podem se referir à forclusão, enquanto negação da realidade.

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    O estado de otimismo

    Rejeitar determinada situação, fingir que não tem nada de errado, ou doentio, e apelar para um “otimismo” distorcido, insano, é sim, uma reação tóxica perante algo que a pessoa em questão se recursa a aceitar.

    Mas o problema não é a positividade, e sim, a rejeição da realidade e a substituição da mesma por uma realidade fictícia. Reiterando, isso se chama psicose e não positividade tóxica. A positividade, fundamentada na aceitação da realidade, nada tem de tóxico e, muito pelo contrário, permite o resgate, a mudança, a volta por cima, a preservação do (correto) funcionamento do aparelho psíquico, enfim, possibilita vislumbrar a luz no fim do túnel, porquanto a situação atual possa ser dramática ou angustiante.

    Apenas para exemplificar, já que, notadamente, uma imagem fala mais do que mil palavras, convido a leitora e o leitor a assistir o documentário “A Ira de um Anjo (Child of Rage)” disponível no You Tube. O vídeo mostra a história de Beth, menina estuprada (estuprada mesmo, via penetração peniana) pelo pai quando ainda bebê e que, em seguida, uma vez adotada por um casal de pastores protestantes, juntamente com o irmão mais novo, veio descarregar toda sua ira e perturbação no pequeno, até que ela se mudou para a casa de uma psicoterapeuta que, entre afeto e a imposição de uma rotina extremamente rígida, conseguiu resgatar completamente a pequena, que atualmente trabalha como enfermeira obstétrica num hospital norte-americano. Termino, pois, esse artigo, com uma pergunta: um tal resgate seria possível sem que doses abundantes de positividade fossem aplicadas e introjetadas no aparelho psíquico da pequena Beth?

    A aceitação da realidade

    Evidentemente, o documentário acima e a situação de Beth é apenas um exemplo entre tantos outros, mas suficiente para demonstrar o óbvio, isto é, que positividade, sendo ponderada e baseada na aceitação da realidade, nunca é tóxica e, muito pelo contrário, é um remédio fundamental no tratamento de traumas, inclusive severos, como é o caso da protagonista de “A ira de um ajo”.

    Positividade não é menosprezar o sentimento de quem passou ou está passando por uma situação aflitiva, não é negar as dores e fingir que está tudo bem, pois como já foi dito e repetido, isso se chama forclusão e é atributo da organização psíquica mais regredida, a saber: aquela psicótica.

    Positividade passa pela aceitação, que é plena consciência da situação, de si, do outro e, a partir disso, estimula um processo baseado no perdão, que longe de ser uma postura passiva, é uma atitude, a qual permite, de fato, libertar-se da aflição, do trauma e, eventualmente, da violência, como ocorreu no caso da pequena Beth.

    Eros e Tanatos

    Não há como obter a cura – que lembremos, é um processo interno, de acordo com o dualismo apontado por Freud entre Eros e Tanatos – a não ser pelo perdão, seja do outro, inclusive do algoz, seja de si mesmo/a, ou na maioria dos casos, de ambos. Perdão, amor e compaixão, são componentes fundamentais da chamada positividade, e enxergar algo tóxico nisso daí revela, de fato, uma perspectiva e uma postura tóxica.

    Considerações finais

    Positividade, enfim, não é negar a realidade, ou maquiar os fatos com tintas coloridas, e sim, aceitar para mudar, permitir-se assumir um papel de sujeito, de protagonista da própria vida, reforçando o Ego, independente do que já aconteceu no passado ou está acontecendo no presente.

    É sair do loop autohipnótico negativo fomentado por vitimismo e lamúria, e compreender que, assim como diversas fantasias negativas podem ser introjetadas nas camadas subconscientes, da mesma forma, é possível reprogramar o aparelho psíquico a partir do repositório emocional – e, através da Psicanálise, mais fundo, bem mais fundo… – libertando as emoções negativas retidas e trocando o “programa” por meio da introjeção de doses consistentes de positividade, de maneira a gerar um novo mindset.

    Mais uma vez, isso não tem nada de tóxico e, diferente de especulações e achismo, tem todo um respaldo científico, fundamentado e comprovado em inúmeros casos clínicos bem sucedidos, onde a positividade contribuiu efetivamente para reverter o quadro dos pacientes. Enfim, “positividade tóxica?”.

    O presente artigo foi escrito por Riccardo Migliore([email protected]). Doutor em Letras pela UFPB. Psicanalista Clínico em fase de supervisão pelo IBPC, pós-graduando em Psicanálise pela Faveni, matriculado no curso avançado Tópicos de Clínica Psicanalítica. Analisando. Colunista pelo portal do Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica. Psicoterapeuta, atualmente trabalha com Hipnose clínica, Programação Neurolinguística (PNL) e Meditação terapêutica.

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