psicanálise e filosofia

Psicanálise e filosofia terapêutica

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Você conhece a relação entre a Psicanálise e filosofia? Paira ainda no horizonte dos debates dialéticos, de tese versus contra- tese, a busca de uma possível síntese dentro da esfera das ciências psicológicas que versa sobre uma questão crônica e complexa a ser desvendada e que frequentemente aparece em várias vertentes de estudos. Afinal: a Psicanálise é uma psicoterapia ou uma filosofia terapêutica?

Psicanalise e filosofia terapêutica

Muitos ramos das ciências psicológicas possuem uma compreensão de que a sua vertente ou linha psicológica é uma mera filosofia terapêutica. Analistas divergentes tem um entendimento diverso e diferente, de que a Psicanálise nasceu e tem seu ‘dna’ e hereditariedade no berço das ciências médicas. Setores das ciências médicas notadamente muitos médicos e psicólogos conservadores relutam em aceitar a Psicanálise como ato médico mas aceitam como um campo do saber em apartado que seria uma psicoterapia.

Adotaram uma visão e percepção de que a Psicanálise é apenas uma forma de psicoterapia, mas não seria ato médico. Que o ato médico é privativo e monopólio dos médicos. A questão suscita controvérsias.

Porque ao mesmo tempo a Medicina também não aceita a Psiquiatria como um campo independente, um bacharela de graduação própria, mas, apenas como uma especialização ou uma pós graduação seja ‘stricto senso’ (mestrado ou doutorado) ou ‘latu senso’ (especialização). No Brasil para ser psiquiatra tem que passar pelo corredor da formação de Médico. Muitos países não adotam o modelo brasileiro.

Psiquiatra, Psicanálise e filosofia

Existem países que possuem o curso específico para a graduação de bacharel em Psiquiatra. Não existe a necessidade da pessoa se formar em Medicina como pré-requisito e fazer uma pós-graduação para ser psiquiatra como no caso brasileiro. No mesmo passo, os filósofos refutam a ideia de que a filosofia seja uma forma de terapêutica, movimento que se iniciou com a criação da chamada Filosofia Pratica (década de 60 com Lou Marinoff e Marc Sautet) .

Anos depois, no Brasil surgiu a escola da Filosofia Clínica ( com Lúcio Packter, década de 1980) que levantou mais polêmicas. Porém, a Filosofia Clínica adotou uma metodologia toda própria onde não existe patologia, mas estados existenciais; não existe paciente, mas partilhante entre outros conceitos. Contudo, permaneceu o debate sobre o ato médico. Ora, se a Psicanálise é aceita de quase consenso que é uma modalidade de a psicoterapia ela passa a ser ato médico e exerce o ato médico.

Importante destacar que o ato clínico também foi alvo da tentativa de monopólio pela Medicina, porém, não logrou êxito, Muitos campos do saber passaram a desenvolver suas clínicas. Atualmente temos Sociologia Clínica, Advocacia Clínica, Engenharia de Patologia e Clínica, Filosofia Clínica, Arquitetura Clínica, Mecânica Clinica, Teologia Clínica, Contabilidade Clinica entre outros campos emergentes.

Medicina, Psicanálise e filosofia

Porém, a Medicina em especial no Brasil vem deflagrando muitas escaramuças jurídicas no sentido de tentar se apropriar do ato médico. O ato médico na ótica da Medicina implica na capacidade de requisitar exames e proceder receituário farmacológico rumo a cura (remissão da patologia). Este é o eixo que a Medicina vem buscando conservar já com muitas derrotas.

A Medicina luta na arena social, tanto administrativa, política como judicial, no sentido de não permitir além dela outros ramos do saber realizarem exames médicos e receitas ou seja, o ato médico. Lembrando que exames são atos clínicos.

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Vários setores contestam a Medicina de que os exames não são meramente médicos, mas clínicos e servem para diagnósticos e que farmacêuticos, odontólogos (dentista), veterinários, enfermeiros, psicológicos, biomédicos, psicanalistas, possam requisitar exames e proceder também receituários competindo com os médicos. A Dermatologia por exemplo, luta para se desvincular da Medicina, pois vem perdendo espaços para os dentistas que já aplicam botox no rosto e fazem até cirurgias estéticas.

Psicanalise e o ato médico

O ato médico democratizado esta no centro das discórdias e contendas neste viés. Os médicos não querem aceitar de jeito nenhum que o ato médico seja aberto e democrático e sim, continue fechado, autocrático e monopólio exclusivo deles. O paradoxo que muitos destacam seria o fato da Psicanalise entrar na batalha ao lado dos que querem libertar o ato médico do jugo e domínio exclusivo dos médicos.

Ora, argumentam, se a Psicanalise é uma psicoterapia e não um ato médico, seria um grande contra senso como tem persistido. Médicos argumentam que a grade de formação curricular de muitos cursos não contemplam uma visão da dinâmica farmacológica.

Já ocorreram conflitos no sentido de psicanalistas receitarem remédios comprados em farmácias ou manipulados, e serem contestados como exercício ilegal de profissão e até alguns chamados de curandeiros, xamãs, aprendizes de feiticeiros, vigaristas e falcatruas.

Psicanálise e filosofia, fitoterapia e homeopatia

Porém, muitos casos eram de receituário de drogas para sono, ou acalmar os nervos, chamados de fitoterápicos que possuem princípios ativos extraídos de chás, e são considerado psicoterápicos da mera Fitoterapia, que estuda e cataloga os chás, como por exemplo, a passiflora que é para induzir o sono. Ou ainda, receitam a linha da homeopatia.

Vários casos pretéritos onde psicólogos e psicanalistas ou outras vertentes foram indiciados e acusados acabaram nos seus processos sendo completamente absolvidos, abrindo um flanco de dano moral porque a imputação de prática de ato médico ilegal foram completamente repelidos eis que o Psicólogo e o Psicanalista podem receitar fitoterapia e homeopatia se tiverem cursos na área. E muitos tinham e apresentavam seus certificados e diplomas. Havia um equívoco.

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    Não eram casos de ‘alopatia’ mas sim de fitoterapia e homeopatia, que são privativos do ato médico, assim como a cromoterapia, que é uso de cores; som terapia, uso de sons de varias linhas. Acupuntura; uso da catarse de grupo também foram questionados, como sala de nudismo, teoria do grito e banhos com ervas. O próprio CFM Conselho Federal de Medicina do Brasil acetou algumas práticas, como válidas.

    Acupuntura

    A acupuntura foi uma delas que teve resolução aprovando como prática possível de ato médico. O uso de banho com argila também foram questionados. Ora, não existe óbice algum aos psicólogos e aos psicanalistas seja de que vertente ou linha forem, se querendo e havendo necessidade, receitarem fitoterapia ou homeopatia desde que tenham cursos capacitando pra tal.

    O que não podem receitar é alopatia que é psicofármaco industrial do ato médico por hora Porque existe um entendimento de estender o ato médico aos que praticam ato médico. Quem labora em psicoterapia pratica ato médico. O cacique de uma tribo pratica ato médico no nível cultural deles e médico com CRM e vinculado ao CFM não pode entender que o cacique seja um vigarista charlatão e criminoso.

    Neste caso entra a já chamada Antropologia cultural clínica. É algo cultural e local. Havendo necessidade de receitar homeopatia e/ou fitoterapia ou ainda, algumas formas de terapia como cromoterapia e som terapia pode ser feito pelo psicólogo e pelo psicanalista, não existem óbices desde que realmente capacitados.

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    A psicoterapia

    Algumas formas de terapia são vedadas como receita o eletrochoque, lobotomia (ou leucotomia) ou disparos de laser no cérebro ou ainda experiências com chás especiais como de cipó que geram alucionações e delírios de aparições de santos e divindade como o famoso caso do cipó ‘Ayahuasca’ conhecido como ‘santo-daime’ em que pese este caso específico do daime esteja na controvérsia. Pai-de- santos usam em seus rituais.

    Outras controvérsias são as cirurgias por espaço em que médicos tentaram obstruir e consideram parapsicologia como retirar catarata. Então, o fato é que a Psicanálise não é uma forma de filosofa terapêutica. A Psicanálise é uma psicoterapia que tem seu método e se reveste de ato médico e ato clínico. Ato médico porque em ultima análise também visa a remissão ou cura.

    Outro ponto a ser questionado são os curso EaD e-learning síncrono ou assíncrono que a Medicina não aceita que o curso de bacharel em ciências médicas seja feito na modalidade a distância com práticas em pontos homologados e certificados pelo MEC e CFM, algo incompreensível. Estimular os psicólogo a seguir a mesma visão e não aceitar o EaD.

    Indústria farmacêutica, Psicanálise e filosofia

    Os farmacêuticos não aceitaram proibir EaD bem como biomédicos e enfermeiros desde que haja pontos práticos autorizados e fiscalizados pelo MEC de aplicação da teoria ou seja, a ‘práxis’. A libertação de todos os cursos para a modalidade EaD seria um ganho espetacular para o país que possui grandes distâncias evitando migração de jovens e gerando as vocações locais.

    E aulas por telemetria se revelaram mais eficazes, mais baratas. Bastam os convênios com os pontos presenciais inspecionados, homologados, autorizados e certificados para práticas o que não querem aceitar em nome do monopólio do ato médico. Permanece ainda um estereótipo e um ranço tosco contra o avanço tecnológico. A consulta por teleconferência é uma realidade em vários países.

    O conselho de psicologia lutou para proibir junto ao MEC do curso on line de Medicina, e a OAB que visava também proibir o Direito, aderiram a este grande retrocesso conservador mantendo as chamadas bolhas fechadas, ou nichos, com antiga visão de capitanias ou feudos do coronelismo ou formação de redutos ou castelinhos de interesses com a hierarquização do saber. Tanto que merecerem o justo apelido de ‘vacas sagradas’ dos nichos.

    Considerações finais

    Por fim, resta a questão da Psicanálise ser bacharelado e licenciatura, curso universitário. Muitos analistas convergentes apoiam a independência total da Psicanalise e também da Psiquiatria e a estruturação de seus cursos próprios. Que para ser psiquiatra não precise mais fazer o caminho e o funil da Medicina.

    As batalhas serão travadas no futuro nas arenas corretas, na esfera politica via solução nos Parlamentos ou na solução judicial via Poder Judiciário, notadamente no STF.

    A esperança é que a Psicanalise seja reconhecida como ato médico e que a Psiquiatria se liberte da Medicina e que todos os cursos sem exceção sejam também online na modalidade EaD em todo país. Que quem tiver um fio elétrico e um computador e um sonho possa atingir seu desiderato sem precisar mais ir para grandes centros.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]) é licenciado em Filosofia e História. Possui PG em Ciências Políticas, acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica.

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