psicanalista como observador

O psicanalista como observador do seu tempo

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Hoje falaremos sobre o Psicanalista como observador. A psicanálise enquanto um campo de conhecimento se funda a partir dos critérios que as demais ciências. A partir da construção de uma epistemologia com conceitos próprios, além de demarcar quais atividades deverá fazer enquanto um campo de conhecimento que tem uma atuação prática.

Neste caso, o que é de competência do psicanalista no setting analítico. Por exemplo, não cabe ao psicanalista medicar ou dizer que determinado medicamento serve ou não. Isso é de competência do médico especializado.

O Psicanalista como observador

Na clínica psicanalítica não há os remédios que sempre se busca em outras áreas, mas características bem próprias. O inconsciente, no qual Freud irá trazer como a maior revelação para o tratamento das neuroses e, partir daí uma série de conceitos que irão fazer parte da prática da psicanálise. Na psicanálise, o analista não traz o conceito de diagnóstico, como acontece em outras áreas, mas vai ao longo das sessões entendendo, por meio da transferência que o paciente faz com seu analista, as causas de suas neuroses.

O analista neste caso, por meio da fala vai desenrolando uma trama de acontecimentos e inquietações no qual o analisando sente, enquanto sofrimento, mas não compreende. Ainda sobre essa definição dos campos de saber, mesmo não cabendo ao psicanalista traçar diagnósticos médicos, é importante que ele tenha conhecimentos e informações sobre as psicopatologias.

Segundo conversas com psicanalistas, que experiência na prática clínica e na própria literatura, é comum que os pacientes não venham em busca de auxílio apenas com os sintomas das neuroses contemporâneas. Em geral crises de ansiedade, depressões que já venham de longas datas e até mesmo problemas como transtornos dos sono, alimentar e tantos outros, muito pacientes já vem à clínica psicanalítica já medicados.

Psicanalista como observador e o tratamento na clínica

Não cabe ao psicanalista questionar os medicamentos, nem muito menos tecer qualquer comentários sobre prescrições. No entanto, é importante conhecer um pouco das psicopatologias e/u mesmo saber para que é indicado determinados medicamentos, até para entender que demandas o analista está recebendo em sua clinica. Apesar de um conhecimento prévio das psicopatologias ser um indicador, o desenvolvimento do tratamento na clínica psicanalítica passa pela relação do analisando e psicanalista.

Através da transferência o psicanalista vai buscar na fala do seu analisando uma realidade psíquica que o incomoda. “A cura pela fala” como disse Freud é a origem dessa epistemologia do conhecimento. Neste sentido, o psicanalista também é um pesquisador. Tendo em vista que cada realidade requer um exercício de hipoteses e descobertas. Devido a isso, a psicanálise continua sendo atual, porque não afirmar, renovada pelos pós-freudianos, a exemplo de Jacques Lacan e por outros como: Melanie Klein, Donald Winnicott, Karen Horney e tantos outros(as) psicanalistas.

Porquê não incluir as escolas de psicanálise que fazem esse papel de formação, numa renovação de um ciclo epistemológico em torno da psicanálise. Então, partindo dessas questões o que temos? Tem-se pela psicanálise uma forma de cuidado bem diferente do que outras áreas do conhecimento científico, principalmente, quando vemos na história que muitos que passavam por algum tipo de sofrimento psíquico passavam problemas ainda maiores.

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Freud e a Psicanálise

Muitos eram jogados nos manicômios ganhando o rótulo de loucos, quando em muitos casos as terapias, principalmente, as psicanalíticas seriam o suficiente para lhe trazerem alívio e autoconhecimento necessário para lhe darem com as questões externas. Freud ao criar a psicanálise estabelece esse diálogo em que a fantasia deixa de ser loucura para se tornar uma realidade que está no inconsciente.

O papel da terapia neste caso é trazer à consciente este inconsciente. Por fim, cabe uma referência à algo fundamental na psicanálise: a linguagem. Freud vai trazer a importância da falar como instrumento de cura, porém, seguindo esse mesmo caminho os pós-freudianos, especialmente, Lacan amplia essa discussão ao trazer a linguagem, não apenas no campo da fala, mas das representações que o sujeito traz como expressão da linguagem.

Como podemos percebe a psicanálise é um campo de conhecimento vasto. Assim como é vasta todas as possibilidades que os sujeitos têm ao entrarem nesse processo de autoconhecimento. Ao contrário da medicina e de outras áreas de cuidados, na psicanálise todos os sujeitos são ativos no cenário da terapia. Importante destacar que isso se constitui um “ponto positivo”, por outro, envolve uma responsabilidade que também deve ser compartilhada por todos.

Psicanalista como observador e o processo de autoconhecimento

O analisando, apesar das resistências que possam surgir durante o processo de análise, deve está comprometido com seu próprio processo de autoconhecimento. Por parte do psicanalista está sempre consciente de suas responsabilidades e, principalmente, está em permanente formação, em permanente análise pessoal. Claro!

Não custa ressaltar que mais do que nunca a Psicanálise continua atual. As manifestações das neuroses de nosso tempo não são as mesmas do inicio do século, no entanto, outras demandas e inquietações sempre se fazem presentes.

O Mal estar da Civilização, como o próprio Freud escreveu continua sobre demandas de uma sociedade que permanece a criar perspectivas que muitos não conseguiram alcançar. O crescente número de pessoas que recorrem a medicamentos para ansiedades – e em casos mais graves com depressão – mostra que esse processo de autoconhecimento é uma realidade necessária.

Conclusão

O inconsciente como esse elemento atemporal demanda do psicanalista não só o domínio de uma epistemologia psicanalítica, mas um olhar de observador do seu tempo. Daí vem atualidade de Freud e de sua vasta obra na compreensão do inconsciente.

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    Este artigo sobre psicanalista observador de seu tempo foi escrito por Jorge Alexandro Barbosa, Professor, Estudante Psicanálise do Ibpc, Cientista Social – UFPE e Mestre em Ciências Sociais – FUNDAJ.

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