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Psicologia do Desenvolvimento para Melanie Klein

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Hoje falaremos sobre a psicologia do desenvolvimento. Este texto é uma parte retirada do trabalhos de conclusão de curso em Psicanálise Clínica intitulado “Maternagem: relação mãe-bebê e desenvolvimento psicossocial infantil na psicanálise de Klein, Bion e Winnicott”.

O trabalho trata de três das principais teorias psicanalíticas e suas contribuições para o campo da Psicologia do Desenvolvimento.

Neste artigo tratamos especificamente da teoria de Melanie Klein. Para a psicanalista o desenvolvimento psicossocial ocorre em duas posições que são assumidas alternadamente pelo sujeito ao longo de sua vida: a posição esquizoparanoide e a posição depressiva. Vejamos cada uma delas.

Posição esquizoparanoide e a psicologia do desenvolvimento

Partindo da hipótese de que “o bebê recém-nascido vivencia, tanto no processo de nascimento quanto no ajustamento à situação pós-natal, ansiedade de natureza persecutória” (KLEIN, 1959, p. 282), Melanie Klein dizia que o bebê humano acredita que todo desconforto sentido por ele é gerado por forças externas hostis e todo conforto é advindo de forças boas. A ansiedade persecutória é a base das primeiras relações do bebê com sua mãe.

Ao trazer alimento, amor e compreensão ao seu filho, a mãe representa um objeto: o seio bom. Contudo, a mãe recebe a culpa do bebê – intelectualmente imatura – pelos momentos de desconforto e dor, representando um segundo objeto: o seio mau (KLEIN, 1959, p. 282). Este mecanismo primitivo de defesa do bebê contra os sentimentos ruins, Klein denominou como identificação projetiva.

Por meio da identificação projetiva “há uma capacidade na criança de atribuir a outras pessoas a sua volta sentimentos de diversos tipos, predominantemente o amor e o ódio” (KLEIN, 1959, p. 284). Do mesmo modo: “as situações que o bebê atravessa e os objetos que ele encontra não são vivenciados apenas como externos, mas são levados para dentro do self, vindo a fazer parte da sua vida interior” (KLEIN, 1959, p. 284).

Psicologia do desenvolvimento e o problema psíquico

Em suma, o bebê identifica-se com o problema psíquico ao passo que o projeta no mundo externo. Nesta fase, o bebê apresenta como uma das principais características a voracidade. “O bebê muito voraz pode usufruir de tudo o que recebe momentaneamente, mas assim que a gratificação termina ele se torna insatisfeito […]” escreve Klein.

E isso se aplica a atenção, alimento, amor. Na posição esquizoparanoide, segundo Klein: “A mãe em seus bons aspectos — amando, ajudando e alimentando a criança — é o primeiro objeto bom que o bebê torna parte de seu mundo interno” (KLEIN, 1959, p. 285).

Uma boa identificação com a mãe, que oferece bons objetos aos seu filho, é o primeiro passo para que ele faça novas boas identificações com o pai e outras pessoas e o mundo a sua volta.

Posição depressiva

Gradualmente o bebê adquire uma visão menos dividida do mundo, entre o bom e o mau. A autora argumenta que “A experiência recorrente da mãe indo embora e voltando para ele torna a ausência dela menos atemorizadora” (KLEIN, 1959, p. 290). Este é o princípio da diminuição da ansiedade persecutória por uma ansiedade depressiva.

O Complexo de Édipo, situado por Freud aos 3 anos, designa o desejo amoroso do filho em relação ao genitor do sexo oposto e o sentimento hostil perante o genitor do mesmo sexo (o menino deseja a mãe e odeia o pai, já a menina ama o pai e odeia a mãe) (ZIMERMAN, 2008, p. 73-74). Para Klein, no entanto, há um estágio primitivo do Édipo, entre os 6 ou 8 meses, e “está enraizado nas primeiras suspeitas que o bebê tem de que o pai tira dele o amor e a atenção da mãe” (KLEIN, 1959, p. 286).

Esse evento ratifica o sentimento de culpa no bebê por toda sua voracidade do período esquizoparanoide. A marca do complexo de Édipo resolvido para a psicanálise é o surgimento do superego, que Melanie Klein também acredita se desenvolver em um estágio muito primitivo no bebê. Em suas palavras: o bebê começa a temer pelo estrago que seus impulsos destrutivos e sua voracidade podem causar, ou podem ter causado, aos seus objetos amados. […]. Ele vivencia sentimentos de culpa e a necessidade presente de preservar esses objetos e de repará-los pelo dano feito.(KLEIN, 1959, p. 289)

Conclusão

Nesta etapa o bebê passa a perceber que para conseguir a atenção da mãe, ele vai precisar desenvolver novas estratégias. Nota-se que “Neste estágio eles tentam agradar as pessoas ao redor de todas as maneiras que lhe são possíveis — sorrisos, gestos divertidos […]” (KLEIN, 1959, p. 289). Aqui o comportamento voraz começa a dar lugar ao sentimento de culpa.

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Desta nova postura adotada pelo bebê resulta uma visão de mundo que contém tanto as coisas boas quanto as más. A criança amadurece a capacidade de amar e relacionar-se de forma amistosa com o ambiente e as pessoas.

Tento sublimado o estágio de voracidade, a criança passa a realizar também atividades construtivas e encontrar no mundo outros objetos de desejo para além da figura materna e o que ela tem a oferecer.

Este artigo sobre Psicologia do Desenvolvimento em Melanie Klein foi escrito pelo autor Raphael Aguiar, Teresópolis/RJ, contato: [email protected] – Formando em Psicanálise (IBPC), Pós-graduando em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem (PUC-RS) e Terapeuta Ocupacional (UFRJ). Atuação clínica com crianças e adolescentes.

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