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Relações saudáveis: o que são para a Psicanálise?

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O que podemos descobrir sobre as relações saudáveis? Lacan disse que amar é querer ser amado. É natural do indivíduo projetar no outro, expectativas nossas e nos decepcionarmos quando descobrimos que o outro é só o outro e não tem nenhuma obrigação com nossas ilusões.

Por isso é muito difícil identificar quais são nossos limites e quando é nosso narcisismo cobrando um ideal no outro para que eu me satisfaça. O amor nos é ensinado de duas formas, o amor objetal (quando amamos o amor próprio do outro por ele próprio. Então não existe a exigência de reciprocidade.) e o amor narcísico (quando o amor é pelo ideal do outro).

Relações saudáveis para Freud

Freud diz que ninguém tem um amor puro, será sempre uma mistura dos dois, objetal e narcísico. Neste ponto podemos dizer que as mulheres tendem a se interessar pelo o que elas acreditam ter nos homens, um ideal que na verdade mostra o que ela gostaria de ser. As mulheres ao longo do tempo aprenderam a se fazer objeto para ser escolhida. E, assim terceirizam sua autoestima.

A mulher entende que se sentir amada é mais fácil quando ela atende as expectativas do outro. Isso torna as mulheres dependentes do outro, sempre em busca de validação. Sem base para um EU que não seja o ideal do outro. Anulando seus reais desejos, muitas mulheres passam a vida buscando ser esse objeto ideal para o Outro. Cada vez mais, vemos a sociedade reproduzir discursos e criar fórmulas ditas perfeitas na forma de se relacionar.

Mas na verdade não existe, o amor é uma invenção. Ao acreditarmos que existe uma forma certa de amar, acabamos não enxergando o outro, não respeitando nossas diferenças. O indivíduo deseja ser amado, mas a todo momento coloca o outro, como um objeto, um expectador e, depois nos queixamos do sentimento de solidão, mesmo acompanhados.

Relações saudáveis e o amor

O instinto de amar um objeto demanda a destreza em obtê-lo, e se uma pessoa pensar que não consegue controlar o objeto e se sentir ameaçado por ele, ela age contra ele. Atualmente, vivemos em constante estado de alerta, sempre desconfiados e se prevenindo de cair em “golpes”, e daí vem essa preferência por algo que nos sirva mais como objeto.

Ser indivíduo, sujeito é trabalhoso e, lidar com uma relação com quem também é, é ainda mais trabalhoso. Temos por hábito tentar nos proteger de tudo e todos, porém com isso ficamos presos a imagem narcísica de nós mesmos, isso pode nos ajudar a evitar alguma frustrações, mas também nos deixa com toda a nossa libido em nós mesmos, a sensação de completude é impossível, nos dando assim a sensação de solidão, nos fazendo adoecer.

Seria possível nos dias de hoje definirmos um relacionamento ideal? Será que existe? Podemos dizer que as publicidades, algumas religiões e culturas dizem e vendem por aí, que sim, existe um modelo ideal. É muito importante que possamos questionar esses modelos que “atendem a todos”.

Relações saudáveis, sombra e luz

Somos singulares no mundo, somos marcados por nossas diferenças e, não podemos nunca nos esquecer disso. Unir vazios e incompletudes me fazem muito mais sentido do que encontrar “minha tampa da panela ou alma gêmea”. Podemos dizer que um relacionamento é considerado saudável quando conhecemos sombra e luz do outro, deixamos cair e vemos cair máscaras, nos despimos das idealizações que temos do outros.

Só assim é possível sustentar, encarar e assim, tentar criar algo com o outro. Lembrando sempre que o amor nunca irá se tratar de aceitar tudo e qualquer coisa, mas indivíduos juntos se doarem e trocarem. Relações amorosas são vistas como elemento diretamente ligado a felicidade do sujeito, sucesso, saúde emocional, paixão. Alguns estudos mostram que as relações interpessoais que geram bem-estar, promovem saúde mental.

Na atualidade as relações amorosas podem ser vivenciadas de forma onde ocorra contato presencial ou virtual. O que torna um grande desafio falar sobre o assunto. Por isso, no que diz respeito a relacionamento amorosos é preciso saber lidar com todas essas mudanças culturais, pois é essencial para que se possa compreender as subjetividades individuais.

Relacionamentos saudáveis

É possível encontrarmos diversos estudos sobre relacionamentos saudáveis, onde se diz que é uma relação é saudável quando há atenção, admiração, respeito, diálogo, o real encontro, onde dois indivíduos se fortalecem por amar e ser amado, falhar e reconhecer o que pode melhorar. Ouvir para ser ouvido. Não existem regras para definir se uma relação é mais ou menos saudável, compreender como construir relação saudável é complexo.

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O que gera felicidade em cada indivíduo é algo singular, esta diretamente ligada a cultura, crenças, hábitos, histórias de vida e todo contexto em que cada um está inserido. A Psicanálise pode ajudar em casos de Relacionamento abusivo. Geralmente, pessoas envolvidas em relacionamentos abusivos chegam em terapia se justificando ou justificando o outro a partir de um local de vítima.

A psicanálise, vai escutar, acolher, proporcionar uma espaço e momento de reflexão, de buscar por novos espaços e caminhos longe desse relacionamento. Também fazer o indivíduo se questionar do por quê se coloca em relações abusivas em sua vida, pois muitas vezes são para além dos relacionamentos amorosos.

Amor romântico

Obviamente, além de questionar, fazer com que o sujeito consiga avançar, tomar decisões a partir do que identificou e caminhar, buscando ser o sujeito de sua própria existência. Todos nos, já ouvimos expressões ao longo da vida, como: “ciúmes é sinal de amor”, “não vai arrumar um namorado?”, “homem é tudo igual, só muda o endereço”.

Através dessas frases, podemos identificar que há uma generalização da imagem do homem e da mulher, mitos, idealizações de um amor romântico perfeito, voltado a preencher o vazio existencial, sem pensar que na verdade, é justamente este vazio que nos move.

“O amor é impotente, ainda que seja recíproco, porque ele ignora que é apenas o desejo de ser Um, o que nos conduz ao impossível de estabelecer a relação dos… A relação dos quem? – dos sexos.” Jacques Lacan

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    Conclusão

    A construção de uma relação saudável se baseia em princípios saudáveis, onde o respeito esta sempre acima e, isto esta diretamente interligado ao bem estar e qualidade de vida das pessoas.

    É claro, que nem sempre iremos conseguir habilidades para manter um bom relacionamento e, iremos precisar de ajuda que nos levem ao autoconhecimento, o que resulta em fortalecimento de nossos próprios vínculos.

    Este artigo sobre relações saudáveis foi escrito por Pamella Gualter ([email protected]), estudante de Psicopedagogia e Psicanálise. Amo descobrir e conhecer como funciona a mente humana para a partir disso junto com o indivíduo chegarmos a um equilíbrio entre o que se é e, o que precisa ser para convivermos em sociedade, evitando sempre anular nossos desejos reais.

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